12/11/2020

Apodíctica falsa

            ·         A sociedade inquietou-se com o apoio parlamentar que o Chega! resolveu dar ao PSD/Açores para viabilizar a formação do governo regional.

Seria, caso essa percepção da sociedade fosse real, uma percepção errónea. Ademais a triste constatação é que se mantém a confusão entre «opinião pública» e opinião publicada. E a opinião publicada nem de perto nem de longe é reflexo da «opinião pública» nem, por maioria de razão, a «opinião pública» se revê na opinião publicada.

           ·         A esquerda, nomeadamente o PS, está receosa com a presuntiva afirmação do Chega! ― é uma percepção certa, mas não deve descartar-se o ardil.

 Seria uma percepção certa se não se desse o caso de se tratar de um ardil – involuntário, é verdade, e, oportunisticamente aproveitado pelo governo e PS. Quem beneficia? Enquanto se tolhem as línguas com papões e mauzões, não se atenta no desastre que tem sido o combate institucional à epidemia. O PS e os governos de António Costa carregam às costas umas largas centenas de cadáveres – as dos incêndios florestais e agora, muitas…

            ·         O Chega! é um perigo para a democracia.

É uma percepção errada ― o Chega! não passará de um epifenómeno (no estrito sentido do termo) e, a médio prazo, inconsequente. Acresce que ninguém foi politicamente mais criminoso para com a democracia em Portugal do que os partidos e os políticos tradicionais. O Chega! é filho de tudo o que tem de mau a democracia ― filho do tacticismo cobarde, da mentira, da incompetência da incúria e do laxismo instituído (antes larvar, hoje miasmático), do comportamento das instituições – umas vezes reles, outra vezes sórdida e outras tantas inexistente, etc…― daí ser indesejado. E não tendo como escondê-lo, tentam bani-lo, degredá-lo, amaldiçoam-no,…

            ·         Portugal carece de reformas

 É uma percepção certa, porém eminentemente retórica. Em Portugal reformas incisivas serão sempre algo na vizinhança da impossibilidade. Há ‘desejos’ melhor propósitos que ‒ tamanhas serão as doses de sofrimento que portam no bojo ‒ são deliciosos se lhes retirarmos os custos implícitos.
Serão feitas, sim ‒ nunca como desígnio nem iniciativa nossa.