16 de setembro de 2020

Miopia prospectiva e muito lirismo tecnocrático

Uma visão que, no concernente à agricultura, pecuária, abastecimento de água às populações, etc... prescinde de considerar a «dessalinização», mas propõe o reforço da utilização das águas residuais, o reforço do represamento, a regularização dos caudais dos nossos rios, … é míope.

Israel é um Estado com uma população equivalente à nossa, em número – 9 milhões. Tenho a ideia (posso estar equivocado) de que Israel possui um ‘histórico’ prospectivo (em variadíssimos domínios) que, em relação a nós (mas não só!), é de outro mundo (digo eu, que sou um exagerado). Ora, Israel tanto quanto me é dado saber sustenta 55% da sua população através da dessalinização; a central que abastece Tel Aviv, Sorek, extrai 624.000 m3/dia do Mediterrâneo.

Curiosamente (força de expressão), dá todo o enlevo à indústria do hidrogénio (não disse que não deva ser equacionada) e à «mineração do mar profundo» ― Hellas! (isso mesmo, Shelley - The world’s great age begins anew, / the golden years return, / … / The world is weary of the past, / Oh, might it die or rest at last!) esta será merecer o reconhecimento de visionário – o Alvin Toffler ibérico). Com que tecnologia? A que preço? Com autorização de quem? Ora, ora…menos.

 Bilhete (fomos colegas na FEUL. E do Piri, do J. Gouveia, do J. Guerreiro, …)

Ouvi-te, na AR (Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação), afirmar qualquer coisa assim «Sr. deputado, sempre fui um democrata »
Sê-lo-ás, hoje, não duvido. Passaste a ser depois de teres ido dentro, em 1977. Até 1977, tinhas tanto de democrata como teve Lin Piao, Giap, …
Tiveste azar, perdeste. Se tivesses ganho, terias feito (forma de dizer) aos outros (Lopo do Nascimento, Agostinho Neto, S. Daskalos, Lúcio Lara, Rui Monteiro, …) exactamente o mesmo. Seria diferente, não?!
Estou convencido que já lograste a tarefa de reescrever a tua história. Compreendo e até acho uma desnecessidade já que contas, além do inegável mérito técnico-científico, com os melhores ofícios de uma apreciável ala jornalística (e citarei alguns dos nossos Kimbos ou que se fizeram nos nossos kimbos) – Nicolau Santos, Fernando Alves, José Alberto Machado (reformado), Ferreira Fernandes, David Borges, …e tantos outros que verás a assinar toda a sorte de florilégios, mas não estou para lembrar. Além do mais és poeta (o Agostinho Neto também era, enfim! E vê o que te fez ou deixou que fosse feito). Em suma 
Reescreveres a tua história, Não! Há pedacinhos que fazem imensa diferença. Assume-te, não será por isso que te caem os parentes na lama ou passam a olhar-te de soslaio. Soubeste garantir-te e, além do mais, todos nos enganamos e todos, um dia, versejámos.