16 de maio de 2019

Ah, Ah, Ah



A ‘coisa’ é uma perfeita polianteia. As sindicâncias, naturalmente, põem a nu chistes atrás de chistes. O finório gargalheia

Ah, Ah, Ah

A ‘freguesia’, de forma indistinta, espumeja e bolça. Decerto estariam mais felizes caso a brutesca criatura repetisse a grandiloquente alusão com que Ricardo Salgado (n)os brindou

um leopardo quando morre deixa a sua pele, um homem quando morre deixa a sua honra *


* na boca de Ricardo Salgado, uma pilhéria.


28 de abril de 2019

Tresvarios - uma ‘variação’


O secular desafio de ‘democratizar a cultura’ não conseguiu que mais gente admire Montaigne, Joyce ou Beckett; conseguiu, sim, que mais gente suponha admirá-los. A difusão da cultura capacitou que qualquer tonto divague sobre o que ignora ou seja, paparroteie.
Disto ao convencimento de que o uso desbragado de trivialidades, de melodiosas frases feitas e falta de topete na ponta da língua é retórica, foi um salto de formiga.

Uma boa polémica, uma disceptação não é apenas uma questão de argúcia; exige retórica (em sentido rigoroso) e não prescinde de ‘arcaboiço’. Os exercícios do vulgo ― a treta de café, a tagarelice de rede social ― toscos, de fundamentação rudimentar, em que se arguem dichotes como se fossem «proposições», ‘bocas’ como se fossem «premissas» e interjeições como se se tratassem de «conclusões», categóricas, compõem uma outra coisa: coisa essa que é, na maioria das vezes, designada (pejorativamente) retórica e que um retórico, ancestral, referiu como seu ofício – 'fazer com que as coisas pequenas parecessem grandes, e fossem julgadas como tal'.
Esta realmente floresce em meios intelectualmente pobres, e em sociedades decadentes. Exemplos?! A pobreza franciscana debitada pela maioria dos interventores políticos.
Não é por acaso que a plebe, comparando, tem saudades de Vasco da Gama Fernandes, Fernando Amaral, Barbosa de Melo, Mota Pinto, Natália Correia, Sá Carneiro, Salgado Zenha, José Luís Nunes, Amaro da Costa,…estes para me restringir ao universo do pós-25 de Abril. Ora, fazer comparações entre qualquer deles e, por exemplo, Heloísa Apolónia, Catarina Martins, João Ferreira, Pedro Delgado Alves, Adão Silva, António leitão Amaro ou Telmo Correia, só pode ser a título de motejo, chocarrice.

Dá-se o caso de quarenta e cinco anos com portas escancaradas ao livre-arbítrio e à incondicionada liberdade não foram suficientes para atirar as inferências seguintes
A estupidez e a ductilidade que se encontram na plebe e que a tornam sujeita a ser manipulada e meneada pelas orelhas, e sem que chegue a sopesar e a conhecer a verdade das coisas pela força da razão, não é tão fácil de se achar num só indivíduo pois este mais facilmente se salvaguarda de tal veneno através de uma boa educação e por bons conselhos
de Montaigne para o regaço da paleologia ou nos quedarmos perplexos ante
Um dos surpreendentes privilégios dos intelectuais é o facto de se encontrarem livres para serem escandalosamente estúpidos sem sofrerem qualquer abalo nas suas reputações
de Erci Hoffer.
É assim, sempre assim foi! Por isso Arquídamo ao perguntar a Tucídides quem era mais forte, ele ou Péricles, terá ouvidoIsso será difícil de verificar pois, quando o deito por terra, convence os espectadores que não caiu e ganha.’; e Aríston definiu-a como a ‘ciência’ de persuadir o povo, e Sócrates e Platão como a arte de enganar e lisonjear.
Por isso é que os maometanos, dada a sua inutilidade, proibiram que fosse ministrada às crianças. Enfim…por isso é que aonde o vulgo, aonde todos podiam tudo como em Atenas ou Rodes e aonde as coisas estavam em perpétua perturbação, abundavam os oradores.
Por isso é que a vida das pessoas intelectualmente íntegras nunca foi fácil; por isso é que John Le Carré dizia que ‘é preciso ter têmpera de herói para se ser uma pessoa decente.’.


O problema jamais foi a ferramenta/instrumento, e sim o uso que lhe é dado. Por isso é que, se me é perguntado por um livro, sempre me lembro do gracejo
Quando é um tolo que o olha, não pode ser um génio que lhe devolve o olhar.


No presente existem ferramentas infinitamente mais perigosas, e a esmo, e a malta sugere andar feliz por lhes ser possibilitada a oportunidade de escreverem ― mal e porcamente, acrescente-se ― as maiores alarvidades e fazerem gala do seu hebetismo. Por isso é que Karl Kraus glosou com a propriedade que a cultura possui, três gavetas - diversão, instrução e trabalho. A chatice é que, para abrir uma, as demais têm de permanecer fechadas.

25 de abril de 2019

Eucológico

No ambone
(a rogo)


― Quarenta e cinco anos sobejam para atestar que, invariavelmente, cada nova geração acusa a geração pretérita de pouco ou nada ter feito pela ‘redenção’ da humanidade; quarenta e cinco anos asseveram que a abjecção com que a novel geração se adapta ao mundo é proporcional à veemência das suas acusações. Dá-se o caso de a minha ter sido deveras arrebatada e entusiástica.
―  Quarenta e cinco anos sedimentam ‘coisas’ várias:
Asseveram que a política não teve origem na urgência de assegurar a solidariedade social tal como as catedrais não foram construídas para fomentar o turismo;
Certificam que os profetas, que prognosticam acertadamente a crescente depravação da sociedade, se desacreditam porque quanto mais cresce a putrescência menos dão por ela os corrompidos;
Asseguram que os heróis e os cobardes definem os ‘objectos’ de maneira semelhante não obstante os entenderem de modo antagónico;
  Garantem que a recusa da ênfase do que, ou de quem, nos repugna é a mais séria limitação.
 *  
Haverá menos grandes homens?
De modo nenhum! O mais importante nem são os grandes homens – a grandeza de uma época não são os grandes homens que a fazem. Não há falta de talentos, de boas-vontades ou de carácter; nem deve ser dito que isto ou aquilo foi responsável por esta ou aqueloutra situação.
Sucede que é impossível lutar contra pessoas ou ideias, ou contra certos fenómenos. O que decorre de a estupidez possuir qualquer coisa de extraordinariamente fascinante e natural, infelizmente. Ora a estupidez, democratizada, é a confiança no cidadão anónimo; e a causa dos ‘crimes’ derivam da confiança dos cidadãos anónimos neles próprios.


Comemorar o quê?!

20 de abril de 2019

O 'contraponto'


Ao borborismo indígena, captado por empreitada para nos ser servido, contraponho o plácido exercício da leitura. Além do mais, ensina um certo provérbio malabar que
Tornam-se semelhantes à sua sombra os que olham durante muito tempo os macacos.
― . . . ―

O chinês Wang-Loh, residente no hotel Astor, asseverara-lhe

'O início da ruína põe em evidência o carácter do que ainda está de pé. (…) Pouco importam os selvagens de sabre e os milhões de indiferentes que apenas conhecem o medo da força. Pouco importam também os imbecis intoxicados de patetices universitárias. (…) o que conta é o estado dos nossos melhores espíritos (…) a Europa julga conquistar todos estes jovens que lhe imitaram o vestuário. Mas eles odeiam-na.’

Ou seja: dera-lhe um banho de realidade, à chinesa.

Reconhecendo o dédalo em que se encontra, A.D. responde – vencido e exaurido – a Ling

Meu caro amigo:
Os mundos de factos, de pensamentos e de gestos, em que ambos vivemos, são pouco propícios às convicções. (…) a ideia de impossibilidade de apreender uma realidade qualquer domina a Europa. A custo se esforça ela por se distrair, apoderando-se dos meios da mentira (…) os elementos do poder ocidental opõem-se e combatem-se apesar das provisórias combinações humanas; e o sentido do mundo, que eles orientam sem mesmo o desejarem, escapa-lhes.

Numa outra réplica, carteara o francês A.D. para o seu amigo chinês, Ling

Os europeus estão cansados de si próprios, cansados do seu individualismo que se desmorona, cansados da sua exaltação. O que os sustenta é uma fina camada de negações. O mal-estar europeu é esse mal que as descobertas causam a almas dotadas de pouca ingenuidade. (…) é o mundo que invade a Europa (…) uma cultura só da sua fraqueza morre. Em face de noções que não pode adquirir, condena-se a encontrar na sua destruição o elemento do seu renascimento ou aniquilamento.

― . . . ―

14 de abril de 2019

No que é mais difícil pensar


Se, da diferença entre ambiente animal e mundo humano, ‘nem a cotovia vê o aberto’ (1) 

•—•

“Heidegger foi talvez o último filósofo a acreditar de boa-fé que na ‘cidade’ – o espaço onde reina a latência (estímulo-resposta correspondente) – ainda fosse possível encontrar um destino histórico para o povo. Foi assim o último a acreditar que o conflito entre o homem e o animal ainda pudesse produzir história e consignar o destino de um povo. É provável que se tenha apercebido do erro visto que, em 1934, escreveu que ‘a possibilidade de uma grande comoção na existência histórica de um povo está esgotada.
Templos, imagens e costumes já não estão em condições de assumir a vocação histórica de um povo de modo a incumbi-la de uma nova tarefa.
Hoje é claro, para quem não esteja de absoluta má-fé, que já não existem tarefas históricas passíveis de serem assumidas ou sequer atribuíveis. Agora o que está em causa é bem diferente e extremo — a tarefa de assumir a própria existência fáctica dos povos.
O homem alcançou finalmente o seu objectivo histórico e nada resta para além da despolitização das sociedades através do alastramento incondicionado da oikonomia ou seja, da vida biológica como tarefa política suprema. (…) será que não vemos, à nossa volta e entre nós, homens e povos sem essência e já sem identidade a procurar por todo o lado e às cegas, a custo de grosseiras falsificações, uma herança como tarefa? (…)
As potências históricas tradicionais – poesia, religião, filosofia – que mantinham desperto o destino histórico-político dos povos, foram há muito tempo, transformados em espectáculos culturais e experiências privadas, e perderam a eficácia. (…) a única tarefa que parece ainda conservar alguma seriedade é tomar a cargo a «gestão integral» da vida biológica, isto é, a própria animalidade do homem.” (2)
•—•

sobejará a crua assumpção de que ‘os homens são animais, e alguns fazem criação dos seus semelhantes’ (3). Mais a mais sabe-se (deveria ser consabido) que ‘os animais têm memória, mas nenhuma recordação’ (4).
 
1 – Heidegger
2 - Giorgio Agamben 
3 - Peter Sloterdijk
4 – Heymann Steinthal


APENSO

Não tinha passado uma hora deste post e fico a saber que, Marcelo Rebelo de Sousa apareceu no préstito fúnebre da (cantora) Dina e…vai daí, uma sessão de selfies com as pesarosas alimariazinhas que por lá se encontravam. Desconheço se o fez a título pessoal ou se colou à sua pessoa o selo institucional, presidente da República. Assim ou assado quer dizer ― para quem não tinha reparado ― que, as lágrimas ou as reservas respeitosas destes pegureiros valem o mesmo que um traque, sonoro ou contido.
Razão tinha – per saecula saeculorum – Guilherme de Paris, no século XII, ao ‘bradar’
Que paraíso é este, senão a taberna de uma incessante comezaina e o prostíbulo de perpétuas indecências?!
Mas é bem feito! Não merecem diferente.

11 de abril de 2019

Os bichos e a blástula que os gera

Das ‘reclamações isotímicas – radicais ou frouxas, orgânicas ou inorgânicas’ a que me referi de forma genérica e superficial, ontem, em «A culpa é do bicho!» escreve, hoje, Francisco Assis, «A nova censura»

Phillipe Brunet é um consagrado helenista e encenador teatral francês insuspeito de qualquer simpatia por teorias racistas. No passado dia 25 de Março a Sorbonne preparava-se para acolher uma representação d’As Suplicantes de Ésquilo com encenação de Brunet e que tinha como actores e actrizes dezenas de estudantes.
Pouco antes do início da representação, dezenas de outros estudantes acompanhados dos chamados activistas anti-racismo, irromperam pela sala insultando e humilhando os jovens participantes do elenco, impedindo a realização do espectáculo. Qual o motivo para tão inesperada manifestação de intolerância e violência? A acusação de que Brunet não teria recorrido à participação de nenhuma mulher negra para representar as figuras das Danaides, as mulheres egípcias de pele negra rumam à Grécia em busca de asilo. Na ausência de mulheres negras no elenco, Brunet, recorreu à maquilhagem e às máscaras como era, aliás, prática corrente na Antiguidade Clássica.
Foi suficiente para ser acusado de retomar as práticas do «blackface».
(…) o verdadeiro racismo reside na ideia de que só negros podem representar o papel de negros ou só brancos podem representar o papel dos brancos (…)”

Às mesmas ‘exigências’ se dedicou Mark Lilla (que, à semelhança de Francisco Assis, é canhoto porém inteligente. Ou faz por isso!) com sucesso — tanto que gerou, da parte de confrades de confrarias diversas, repelência — ao ter esparramado no opúsculo «De esquerda, agora e sempre», do capítulo ‘Pseudo-política’ em diante, um rol de ‘causinhas’ do «caldo multicultural» [a ‘prebiótica’ que produziu Clinton, Hillary, Obama,…que tão grandiosas ‘dádivas’ legaram aos Estados-Unidos e ao mundo] a que os ‘fofos’ mormente os universitários, se dedicaram com a bendição dos Democratas desde meados da década de sessenta do século passado. Ora se foram bons os desempenhos, melhor foi a herança – Trump. Agora guincham!
* 
Entre nós

Ocupem-se a perscrutar nas profundezas do firmamento o buraco-negro da galáxia M87 (curiosidade explicável, aliás, pela popularidade – óbvia! – que detêm, no seio da plebe, as temáticas relacionadas com a astronomia e astrofísica) e, tarda pouco, pelo caminho que as ‘coisas’ levam, não tarda estão a pagar um qualquer sucedâneo do extinto «selo de povoamento», ultramarino. Para já as ‘preocupações’ ao nível das televisões (imagem) e na imprensa escrita (o Público leva o archote) são evidentes.

Nota
Para vosso proveito lede «A guerra das Salamandras» de Karel Capek
"e uma vez que as salamandras eram criaturas altamente úteis de múltiplas formas, acabaram por ser simplesmente aceites como algo que, na sua essência, fazia parte da ordem racional e natural das coisas"

10 de abril de 2019

Sono Claudio Magris


Um portento. Quando o leio, sinto-me irrestritamente liliputeano. Conheci-o a descer o «Danúbio», depois ‘alfabetizei-me’ com o seu «Alfabetos», segui-o atentissimamente naquela «Causa Improcedente» e ‘gozei à beça’ com a recolha de crónicas editadas em «Instantâneos».
Ler Magris é uma depuração. LER Magris é um banho de civilização que, à luz do que conheço e sei, só reencontro em Hermann Broch, Robert Musil, Saul Bellow, H. Hess e Haldor Laxness. 
*
«Regressa Sissi. (…) Existem muitas Sissis: a mulher fascinante e melancólica, frágil e ainda assim irredutível na fidelidade aos seus demónios; a imperatriz irrequieta, rebelde em relação à etiqueta da corte e intolerante para com os deveres ligados ao desempenho do papel livremente escolhido; a viajante nostálgica; a fanática do bem-estar obcecada pelos cuidados com o corpo; a pessoa civilizada que introduz no palácio real a primeira banheira; a anorética; a trágica e casual vítima sacrificial de um delito insensato.
Existe ainda a poetisa, autora de inúmeras líricas delicadas, vaporosas e mancas, que ela própria afirmava terem-lhe sido ditadas do Além por Heine. Diante disso, um genial conselheiro da corte fez a seguinte observação:

Vê-se que Heine, depois de morto, ficou pior”»

*

Parabéns, Claudio Magris!

A culpa é do bicho!

Um dos problemas das democracias liberais é o troço do «caminho de regressão» que farão, fatalmente. As democracias modernas não resolveram as aspirações iluministas, quiméricas — revistas e enriquecidas pela ‘modernidade’.
As provas são patenteadas de forma cada vez mais premente e atomizada – nas vindicações identitárias bem como nas subsequentes ‘respostas’ políticas. Ou melhor: na ausência de respostas ou na sua pusilanimidade.
Quem pode canalizar ou refrear a megalotimia não está em condições de o fazer. Ou a megalotimia não tenha sido, e continue sendo, na maioria das vezes, a essência e o conduto dos populismos.
Esse poder está nas cabeças dos eleitores e o rastreamento, hoje, pode fazer-se (e bem!) pelas pulsões espelhadas nas «redes sociais» – um mergulho, sem escafandro, numa fossa.
Por outro lado, quem pode solucionar as reclamações isotímicas – radicais ou frouxas, orgânicas ou inorgânicas – se detém força bastante, não possui vontade indómita; se tem vontade, não detém força. Ou seja: não tem como’ meter prego nem estopa’ — se têm pregos, falta-lhes a estopa; se têm estopa, não têm pregos.
De uns e de outros o mais acertado é simplificar-se, caricaturando-os, com o célebre «animalzinho de J. Goofrey Saxe», mastodôntico, e que sendo apenas isso as «mentes brilhantes» descreveram ‘enorme como uma parede’, ‘pétreo como uma rocha’, ‘mole e macio como uma cobra’, ‘pontiagudo como uma lança’, simultaneamente.
Que bicharoco!

29 de março de 2019

Havendo algo a perder, que não sejam as lições

Perfazem-se hoje treze anos que na, sequência de um outro – «Causas e Coisas», o «Pleitos, Apostilas e Comentários» eclodiu. A sua existência segue, por ser ‘longeva’, ao arrepio do aroma deste tempo.
Reavaliando(-lhe) o percurso, constato — e isso é razão para regozijo — que, pesem embora alguns momentos ‘ciclotímicos’, pretéritos, inexistem dois tipos de angústia: a angústia do reconhecimento e a angústia da influência. Assim o posso afirmar.
Se acalentasse angústia do reconhecimento nem a força do capricho o salvaria de uma furreca extinção; e angústia da influência — na acepção de Harold Bloom — muito menos já que, presumo, não tenho de cotejar nem erudição nem retardamento, eventuais.

Da [aparente ou real] soledade do ‘romeiro’ há que assentar, epitomizando, que empreendo o aforismo de Propércio que se perde(u) no tempo

— Se espontânea a hera cresce melhor, nos antros solitários o medronheiro nasce mais belo e o canto dos pássaros é mais doce sem artifícios.

Quanto ao resto – sendo o resto o (s) juízo(s) sobre a substância [nos casos em que a havia/há] do nosso quotidiano– atenho-me e, para ‘causa própria’, aproprio-me do que disse Georges Braque

— ‘As provas cansam a verdade’.

Prosseguirei!

25 de março de 2019

Catão dizia bem, mas não sabia a quem

Quem tenha passado os olhos pel’«A Sabedoria dos Antigos» de F. Bacon fica a saber que Marco Cícero numa epístola, a dado passo, escreve

Catão tem ideias sensatas mas, ao arengar como se estivesse na república de Platão e não na latrina de Rômulo, às vezes, prejudica o Estado.
—  •  —
Uma rádio nacional de ‘fofinhos’ leia-se, de referência, indaga o indigenato sobre as conspícuas movimentações endogâmicas no governo. Eh lá! Isto é mesmo um acometimento ético-moral? Não me parece; ‘cheira’-me a inquietação de franjas de clientelas que, sentem, estão a ser ultrapassadas. É o sobressalto de uma nova geração que chegou à gare e pressente, que o comboio tardará quatro anos a passar.
—  •  —
Extraordinária a preocupação, tardia, como se, em Portugal, de há quarenta anos para cá algo dissemelhante, na essência, tivesse ocorrido. E mais extraordinário é, ouvir a ladainha de Pedro Marques Lopes, Paulo Baldaia, …
[extraordinário também é Pedro Adão e Silva e Daniel Oliveira não terem comparecido para as suas desnubladas bufas]
sobre o ingente – e inusitado! – assunto. Enfim…

os nossos supositícios Catões ‘arengam como se estivessem na República de Platão e não na latrina de Viriato’.