domingo, 3 de dezembro de 2017

‘Coisas’ da hodierna mitografia

Ultimamente enfronhei-me pelos ‘interstícios’ do Rendimento Básico Incondicional uma proposta tão absurda quanto desesperada — [e não me venham com balelas de que estão no terreno projectos-piloto como o da Finlândia porque a economia, por mais que tentem, não é ‘coisa’ de laboratório – e quanto maior for a sua abrangência geográfica e populacional, menos será – o que valem os outputs destas experimentações implementados, por exemplo, na Índia, na maioria dos países do Extremo-Oriente, em toda a África Austral e em outros tantos da América Central?] — e pela ‘percolação’ da(s) Criptomoeda(s) — uma realidade que possui tudo para, mais cedo que tarde, desgraçar imensa gente. Certamente fará a 'felicidade' de outros (muitos menos).
Avisos já há muitos – o último (que eu saiba) foi de Stiglitz
"A bitcoin só tem sucesso pelo potencial de evasão ou pela falta de supervisão. Então, parece-me que devia ser banida, não serve qualquer função social ou útil (…) é simplesmente uma bolha. E uma bolha dá, à medida que sobe, uma série de momentos entusiasmantes, e depois desaba"

Ambas me deixaram travo amaro, porquanto,
Na primeira – duvido nada que o desiderato radica em ‘nós’ que ninguém consegue desensarilhar por razões, várias [qual delas a mais pesada?] – da finitude dos «elementos» à ‘vingança malthusiana’ – subjacente a isso há a considerar que o cunho psicológico distintivo das sociedades democráticas é a frustração. Ou seja: aonde todos podem licitamente aspirar ao topo tem por resultado uma pirâmide social constituída essencialmente por um acúmulo de frustrações.
Na segunda – garanto-me com um «corolário» (a designação é da minha responsabilidade) do singelo e nada enfatuado John Kenneth Galbraith em «Moeda»
Os ciclos de euforia e pânico sucedem cada vez mais depressa. A duração de cada ciclo acaba por equivaler mais ou menos ao tempo de que as pessoas necessitam para esquecer a última catástrofe. Ou seja, o tempo necessário para a morte dos génios financeiros da última geração e a sua substituição por outros que, «desta vez», sim, dispõem mesmo do toque de Midas.”
Ambas me levam ao avisado ensinamento de G. Dávila — “Quando a originalidade escasseia, a inovação recrudesce.” — que, de tão óbvio, dói.

Nota: mais do que isto [com excepção de resposta(s) a incitamento(s) de quem reconheça capacitação] é perda de tempo —  consabidamente, as pessoas ouvem o que querem.

domingo, 15 de outubro de 2017

Manholas e Nababos

Acompanho-o no ‘estado de espírito’; não nos ‘termos’. Não subscrevo a esperança [implícita] que encaminha Eduardo Cintra Torres em «Os cúmplices disto tudo».
«Tremor de terra» é, figurativamente, um exagero. E o pior é que, no caso em apreço, transmite uma ideia que [em termos de rigor] é errada. Transmite a ideia que as ‘estruturas’ [múltiplas e disseminadas] ficaram fortemente danificadas e, por consequência, é absolutamente necessário reerguê-las com correções nos ‘elementos’ que ‘ruíram’. Ora não é isso que sucede – independentemente de os acusados virem a ser definitivamente condenados e sofrerem as sanções, merecidas.

Para isso suceder seria necessário que o ‘meio’ tivesse massa crítica para tanto e não tem; seria necessário que a ‘susceptibilidade’ do ‘meio’ à vigarice [de qualquer monta e índole], ao embuste e à desvergonha fosse a que nunca foi. Não é e duvido que, tão cedo [décadas], venha a ser. O tempo para essas mutações de «natureza» [por isso intrínsecas em termos individuais e idiossincráticas em termos colectivos] foi desperdiçado; esgotou-se. Já lá não vamos de motu próprio.
Mais ou menos condicionados – social e/ou politicamente – fomos e somos uma ‘nebulosa’ de «manholas» pontilhada por uns poucos ‘bandos’ de nababos. Mais a mais, a inteligência não é o nosso forte; ao contrário da versúcia e da velhacaria. Manholas, nababos e quadrilhasuns e outros (todos) preocupados, apenas e só, em lograr uma vivência – breve que seja – nababesca. Assenta-nos como luva o que Nelson Rodrigues dizia de seus ‘patrícios’ [sem acaso fomos a sua heterozigótica ‘genitura’] 'quem não é sacana na véspera é sacana no dia seguinte'.

Não houve 'tremor de terra'. É boato!

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Calhordice intelectual e política

Convém não ser histérico. Assim que começaram a ser conhecidos os resultados das eleições na Alemanha constatei os [mais do que previsíveis] ‘sinais de pavor’ no seio dos ‘isentos’ comentários dos repórteres e a primeira ‘coisa’ que assomou, foi aquela célebre [mas nem por isso consabida] ‘definição’ de Oscar Wilde [Lady Windermere’s Fan] para cínico
«Alguém que conhece o preço de tudo e o valor de ‘coisa’ nenhuma» *
A ‘extrema-direita’ germânica, sete décadas depois, instalou-se em força no parlamento alemão. Os ‘nazis’ conseguiram…; os xenófobos, os racistas, etc, etc…disseminam-se e sem temor ou vergonha dão a cara, e obtêm apoio por essa Europa fora. Um pavor! Mas, se é assim um pesadelo tão grande, a que superiores ‘direito(s)’ se agarram, Schultz e o SPD, para enjeitar liminarmente quaisquer hipóteses de coligação [ou amparo parlamentar] à CDU de Merkel [com ou sem CSU]? Ao saltar da carroça não estão objectivamente a fortalecer os desígnios mediatos da AFd (Alternativa para a Alemanha)? Aonde param as pulsões patrióticas?!
Cá pela parvónia, os ‘catequistas’ de serviço correram de imediato para os teclados, e toca a dedilhar – Rui Tavares, Teresa de Sousa, Viriato Soromenho Marques, Diogo Queiroz de Andrade, …, a ‘brigada’ da TSF mais as ‘legiões’ instaladas na RDP, … e, por imposição de [calendário de] edição, ficam para os dias seguintes Francisco Louçã, Jorge Cordeiro, Manuel Loff, ... [nenhuma das personalidades citadas carece de ‘defensor’ quanto à isenção valorativa quer quanto à ponderação analítica. Ou precisam?]. O resultado é um chilreio excessivo e tão histérico quanto embusteiro. O mesmo não sucederia caso, por exemplo, estalinistas, maoistas ou córregos [mensageiros] da IIIª Internacional…devidamente organizados augurassem o ‘êxito’ eleitoral semelhante. Porquê? Porque estas ‘manadas’ são constituídas exclusivamente por indómitos, intrépidos e indefectíveis democratas.
Na ‘linha’ de Jean-Christophe Rufin «a democracia (liberal) ‘aborve’ tudo e tudo nela se ‘dissolve’. E nisso radica a sua inexcedível ‘força’», mais a mais quando é implementada e incrementada por gente tão insuspeita quanto à responsabilidade cidadã, questiono
― Não sobejou uma quota desse intrínseco ‘ecletismo político’ integrador para esta gente? E desse idiossincrático ‘ecumenismo humanístico’ do qual fazem fé ser tão ciosos, também não?
Sem estranhar, a que ‘apelo’? Para esses ‘animais’ e nefastos ‘grémios’ idêntica contemporização e indulgência de forma a trazê-los para dentro do sistema. Não foi (sempre) esse o leitmotiv para o acarinhamento do PCP, por exemplo? Ou o valor dos prémios por cabeça diferem e as alvíssaras por um espécime da esquerda leninista, estalinista ou sucedâneo vale X e a de ‘ arquétipo’ de extrema-direita vale 3X? Pergunto porque ― fiando-me na experiência de quatro décadas e picos neste redil ― me parece que, sim, diferem.


* a citação não dá direito a presumir concordância

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

‘Capitis diminutio’

Queremos estar todos mobilizados para que haja maior participação dos cidadãos nos momentos eleitorais e nesse seguimento reduzir ao mínimo factores perturbadores, de distracção dessa mesma mobilização dos cidadãos
João Paulo Rebelo, secretário de Estado da Juventude e do Desporto

O ‘gado’ quer-se contido, responsável, cumpridor e disponível,... . 'Enquadrado'. Daí a necessidade de pastores!
É sociopoliticamente um atestado de menoridade. Mais umas gerações e talvez consigam ser tão bárbaros como alguns dos vizinhos do centro e do norte do istmo.


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Porcos e maus

Qual é a novidade?! Haverá novidade, sim, para os ‘desmemoriados’ e para imberbes que não fazem ideia daquilo a que me refiro (se não sabem consultem, por exemplo, a imprensa da época) – Operação Pirâmide. Alguma vez foram prestadas contas da pequena ‘fortuna’ [bens e dinheiro] que os portugueses doaram na ocasião?
A Natureza é tirana. Besta é quem se deixa levar por esses colectivos frémitos de ‘coitadismo’.
Em tudo o que vai além da exercitação do órgão vocal são porcos e maus: por conta própria ou por interpostas pessoas.
Impeçam os 'cesteiros' de fazer 'cestos'!