sábado, 20 de dezembro de 2014

Le famiglie e a vizinhança

Da audição às gravações do Conselho Superior da famiglia o que se constata é que nada há de novo, nada, absolutamente nada - nem por parte dos “escutados” nem da parte de uma sociedade miserável que convive bem com os maiores e mais execráveis crápulas e que, tal como eles, até se “indigna” quando o estipêndio qualquer que seja não lhe chega ao bolso; se “solidariza” sempre que lhe parece poder obter algum proveito - imediato ou diferido; presume-se “democrata” porque supõe [tal como burro que persegue a cenoura pendurada frente ao focinho] que haverá - se não agora, lá para a frente - despojo, esbulho ou migalha que lhe caiba; clama por justiça para os outros e roga indulgência se houver quinhão que os bafeje;… e, as mais das vezes [tão solertes e bravos quanto vis, covardes e inconsequentes], bufam, roncam, grunhem, gritam.

Em inúmeras ocasiões [quando facilmente se depreendia que várias quadrilhas de bandoleiros se estabeleciam, e avançavam como mancha de óleo na sociedade - na minha percepção os “consulados” de Sócrates com a conivência (umas vezes pelo silêncio, outras por inércia e outras ainda por inactividade, dolosa) do Presidente da República ao Provedor da Justiça, do Ministério Público ao Ministro da Justiça, do Tribunal de Contas ao Parlamento,…foram o pico da sinusoidal e o vórtice da frequência] escrevi que fulano(s), sicrano(s) e beltrano(s) eram de uma qualidade tal que [pior não achei, digamos, sem pruridos ou contenção para fazer chegar a minha ideia sobre as personagens] só
- não põem as mães à venda, por saberem que o mercado as desvaloriza. -

…pelo que, neste tempo de Advento, nem sei como é possível fazer “coisas” que não sejam exalar fraternidade, doar solidariedade aos “pobrinhos” [tenho uma peninha dos pobrinhos! sobretudo dos que frequentam as «redes sociais» e tartamudeiam ou taramelam via smartphone,…], espalhar esperança e alegria,… 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Que dos serviços mínimos faça parte levar o Papai Nöel, de regresso

Ferro Rodrigues, que para múmia só lhe falta o odor a formol, sentenciou
«o Estado pode recapitalizar a TAP sem prejuízo para os contribuintes; o Estado tem de recapitalizar a CGD para o efeito»
Esta sentença - considerando o “lastro” retórico da personagem e a do “clube” a que pertence - desobriga o contraditório, tal o ludíbrio.

Qual é a diferença entre 1 - dispersar em bolsa 49% do capital [da companhia] ou 2 - fazer um concurso público para alienar 66% do capital?
A primeira diferença é o percentual
i)   49% é menos do que 66% ou
ii)  (para os “patriotas”) - 51% é mais do que 34%;
a segunda é que [até ao apito final do árbitro] ninguém, jamais, pode garantir que o resultado dos 49% (subscritos em bolsa) seja maior ou menor do que os 66% (concursados): em caso da Oferta Pública Inicial dependerá das condições do anúncio de lançamento e/ou prospecto; em caso de procedimento concursal dependerá do caderno de encargos
pelo que todas as lorotas debitadas e a lenga-lenga expelida sobre a «forma» não passa de conversa para boi dormir; é uma “conversa” - torpe e canhestra - para enganar.

Pelo meio assinada por evangelizadores e prócoros – uns, cativos ideológicos; a maioria, avençados  - vai passando o “ramalhete” lírico
«A TAP não é unicamente uma empresa vendível, um negócio banal: é um estado d’alma, uma emoção, um pequeno orgulho e a módica vaidade que nos resta.»
que seria(m) motivo para apreciação caso, alguma vez, o onírico houvesse pago a refeição de alguém com excepção das refeições dos autores.

O governo optou zelosamente pela requisição civil para fazer de contas; em rigoroso cumprimento do cerimonial litúrgico. Debalde. Nem fez bem nem fez mal – equivale a tentar desviar o curso de um rio com meia-dúzia de sacos de areia.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

with wings wide open

Os direitos dos trabalhadores são para respeitar e se há luta em que devem ser respeitados [acima de todas as coisas], esta é uma delas. Mais a mais sabendo-se que a demanda e o pretexto [dos trabalhadores] é a defesa estrénue dos superiores interesses da “companhia de bandeira” ou seja, do que sobeja da Pátria.
Não fosse haver um governo com a preocupação política de fazer-se passar por coisa que evite o ápodo, «direita», e a greve na TAP já nem “prioridade” da comunicação social seria.
Cumpridos os “mínimos” - o “grupo de trabalho” – …ouvidos os trabalhadores, constatado o desacordo e o governo, sequer equacionava a hipótese da requisição civil.
Qual requisição civil, qual quê?! Quem quer fazer greve, faz; quem não quer, quisesse.

Os serviços que a TAP não prestar, prestados serão por outras.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Marquês é nome; não é conteúdo

Da Operação Marquês só vi "entrar" um barão, um dos mordomos e um dos aios. Os marqueses permanecem todos cá fora. Mais apropriado seria «Operação Barão».


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Cruz não há. Mas haverá espada

O destino do mundo teria sido diferente se desde o começo do século as imagens da guerra, da miséria, da fome e da exclusão social não tivessem intoxicado de cólera justa os cérebros de milhões de jovens imbecis, predispondo-os a encontrar consolo nas promessas de Lénine, Staline, Mao Tsé-tung, Mussolini e Hitler
Georges Bernanos
[Dada a ambivalência, cito-o por antagonismo]

Uma das “prosas” [certificada por uma presumida intelectualidade e que faz o seu percurso sem vacilar] mais divulgadas e melhor aceites é a de que, por razões várias, “a sociedade, as comunidades andam meio-perdidas sem perceber muito bem o que sucede, para onde caminhamos (…)” [na versão imbecilóide, popularucha - a que é propalada e compartilhada nas designadas “redes sociais” - e que mais ou menos se atém ou restringe à sagaz «crise de valores» - daquelas asseverações que, sempre, dizem nada e com rigôr, dizem nada].
Esta arenga enquadra com uma prosápia, preponderante e abenssonhada aliás, que pelo meio, recorre abundantemente a uma “dogmática” pós-moderna, estruturalista, em que prevalecem o ecumenismo [no plano religioso], multiculturalismo [no plano cultural], globalista [no plano da finança, da economia, da diplomacia e da política], socialista ou «alternativo» (a mesma coisa, mas em modo underground) [no plano ideológico], ecológico [no plano ambientalista],... Ora se há cinquenta,... trinta anos era fácil sustentar um arrazoado deste género, hoje [escuso-me de justificar porquê] não é, de facto, embora pareça ser mas, apenas e só, porque a natureza e a massa do «emissor/receptor» é a mesma, na realidade - very ordinary people (VOP) e, demasiados, filhos da luta

os enfáticos Doutores que parecem ter nascido, como flores secas, estampadas entre as páginas de alguma enciclopédia literária. E que importância terão eles ou terá isto tudo, a não ser em terra de escassas e superficiais leituras (e leitores!), e muita prosápia omnissabichona?”- José Rodrigues Miguéis, 24/6/1976

…tão convicto estou disto que a (minha) piedade pela condição humana vai-se esvaindo; é cada vez mais evanescente e se alguma ainda existe, será por mim próprio. Não será por isso que deixarei de expressar as minhas preocupações - sabendo antecipadamente que os mais presumidos e sem dúvida os mais cínicos, hipócritas, filhos-da-puta…no limite arguirão que, espremido, sou “distópico”.

Há dois livrinhos que fosse a minha opinião coisa passível de “inscrição”, suficientemente forte para constituir instigação, recomendaria enfaticamente a uma série de trambiqueiros [umas quantas avençadas bestas que debitam outros tantos rudimentos e vacuidades sobre o "preço" da globalização para aquietar as suas consciências e sossegar o pagode] e que, freios nos dentes, por aí andam a [os mais atrevidos a interpretar, os mais ignaros a discrepar ou ventilar] sobre assuntos dos quais possuem uma vaga ideia, apenas. São eles O sonho de Descartes” de Philip J. Davis e Reuben Hersh/1986 e “A guerra das moedas” de James Rickards/2014 pois avisado seria que quem se afoita por certos “atalhos” convinha que previamente «dominasse um poucochinho mais do que as operações elementares» [no dizer do falecido prof. dr. Alfredo de Sousa] ao invés de pespegarem irremediavelmente as misérias do lastro a que emprestam o esqueleto.

Acabo de saber que
«A cruz, que o emblema do Real Madrid ostentava desde 1920 - ano em que o Rei Afonso XIII atribuiu o título "Real" ao clube -, desapareceu. O Real Madrid firmou/negociou uma parceria com o Banco Nacional de Abu Dhabi e quem “bancou” para não ferir a susceptibilidade dos clientes, muçulmanos, assim impôs.»
o que qualifico o facto de uma gravidade, absoluta. Porém... porém a concentração de espírito que, nos fortes, é como o “Livro do Razão” da consciência individual é nos fracos, umas vezes, o desarranjo das faculdades intelectuais e outras vezes, a razão de uma certa atracção (diabólica) pelo suicídio.

O certo é que 1 - quem teve razão, por muitas razões que conhecia, foi Churchill em explicar que “um pacifista é o indivíduo que alimenta o crocodilo na esperança de ser o último a ser comido” – e, de lá para cá, nada mudou;
2 - no Holocausto os judeus tiveram de se habituar a conviver com uma estrela como acessório e mais tarde, ainda e sempre com o “distintivo”, dirigiam-se para as câmaras de gás para se sujeitarem a uma útil e necessária “desinfecção” com uma a “alegria” esperançosa de que …a mesma esperança, elocubro eu, que me faz dar como exacta a ideia de que «se os porcos votassem, votariam - sem saber que são alimentados para ser abatidos - naqueles que os alimentam» - e, de lá para cá, nada mudou;
3 – Marinkovitch, em visita à antiga Jugoslávia, foi a uma aldeia onde os habitantes, não tendo milho ou trigo para sobreviver, derrubavam o bosque. Viviam do que ganhavam com a venda da madeira. Reuniu alguns dos principais habitantes e argumentou
Vocês não têm muito bom senso; não percebem que a floresta é cada vez menor. Que farão quando tiverem derrubado a última árvore?”. Responderam-lhe que “esse é um problema que nos apoquenta mas, por outro lado, o que faríamos se parássemos de cortar as árvores?” – e, de lá para cá, nada mudou;
4 – se pelo dedo se conhece o gigante certo e sabido é que por outras coisas se ajuíza a “massa” que nos rodeia - soa o tintinábulo das “memórias” e me traz [conta L. B. Narnier, In lhe Margin of History] que, após o terramoto de 1755, andava de um lado para o outro um homem, vendendo pílulas anti-terramoto. Alguém o terá invectivado, denunciando o facto de as pílulas serem inúteis. O vendedor replicava «E que usará em seu lugar?!» - e, de lá para cá, nada mudou;
5 – o [G.] Bernanos, “ambivalente” é o Bernanos, “coeso”, que sugere a estultícia do aviso, do alerta, dizendo que jamais se deve fazer — ou mostrar — o mal aos imbecis porque i) eles têm mais facilidade do que as outras pessoas em sentir-se indignados ii) têm a propensão incoercível de reunir-se em milhares, em milhões, para reforçar mutuamente a cólera e iii)  uma vez encolerizados por motivo justo, perdem todo o senso das proporções na produção de injustiças reparadoras – e, de lá para cá, nada mudou.

O que para mim é um incessante prelúdio e faz parte de uma propedêutica da desgraça, para outros será o propileu de um mundo novo, quiçá, a conformação do propiciatório -  é que creio mesmo que, qualquer que seja a perspectiva, Bossuet é irrepreensível

«Deus ri-se das criaturas que se queixam dos efeitos, mas que continuam a alimentar as suas causas»

sábado, 6 de dezembro de 2014

«Para que serve a RTP?»

é a pergunta que Rui Ramos propõe no Observador.
Coloca a questão e elabora uma série de considerações que desconheço já que não as li.
Não as li nem lerei porque 1 - no plano dos “princípios”, em termos teóricos e sentido abstracto, a existência de uma televisão do Estado é um apêndice daninho e de facto, 2 - há muitos anos que não me serve - serviço de televisão e o de radiodifusão menos ainda - senão para justificar e sorver €2,65/mês. Por fim aquela conversa do incremento, preservação do "serviço público" é pleito que, por regra, não alimento na razão directa da minha disposição para diletantismos líricos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Sampaio de névoa

«Tantos anos de disputas, tantas subtilezas, não deitam uma oitava de verdadeiro espírito filosófico, quero dizer de um juízo prudente e crítico, capaz de fazer observações úteis e discorrer com fundamento sobre as causas de qualquer efeito natural. A três ou quatro palavras se reduz toda a sua filosofia natural. Pasma um homem de ver a facilidade com que explicam qualquer fenómeno que se oferece»
Luis António Verney

Para fazer umas poucas profecias não é preciso ser lince, decerto, até porque as velhas brigadas pesam sobre as novas e as novas ainda não arrecadaram alentos para definir o  roteiro da demanda e tirá-los de cima, simultaneamente.
Sabendo-se que a fé, bem ou mal fundamentada, é uma espécie de elixir que presta para a alma e também para o corpo; sabendo-se que a popularidade é como as urtigas - nascem em qualquer canto, medram e frutificam sem auxílio de mão estranha e sabendo-se que é nas ruas, sobretudo, que se formam e se consagram as reputações dos Alcibíades, nada é de espantar.

Cumpridas as formalidades do estilo e pouco depois de ter sido dado o sinal chegou, por convite, cravo vermelho na mão, o “núncio” do Advento, o arauto das boas-venturanças, o cruzado contra o «capitalismo selvagem» fadado a ser uma desinência da Democracia em nome de uma «nova política» que nos revelará o «homem novo».

Sampaio da Nóvoa, apresentou-se «aqui-estou-eu-que-posso,-se-quiser,-deitar-a-porta-abaixo;-arcar-com-patrulhas;-pôr-em-debandada-umas-dúzias;-varrer-a-feira-a-pau,-com-o-desassombro-de-quem- está-resolvido-em-tirar-a-limpo-e-acabar- com-“pendências”-etc.», e
1 - “a todas as esquerdas, a todas as forças de mudança existentes em Portugal”, 2 - “É tempo de abrir um tempo novo para Portugal”, 3 - sempre, mas sempre, a partir da liberdade de Abril, que não é vazia, que é compromisso, justiça social”, 4 - [a liberdade] “não se conforma com o estado de emergência, com uma crise que se perpetua, torna permanente a dívida - uma dívida que tem de ser renegociada -, que se transformou em política, numa política errada de austeridade, uma crise que atinge os fundamentos da democracia, tornando os povos reféns de interesses inomináveis”, 5 - “A mudança terá de ser radical, ir às raízes e as nossas raízes comuns estão em Abril, na liberdade, uma liberdade cheia, uma liberdade de direitos”, 6 - “Não quero ver a minha pátria à beira de um rio triste, não quero perder Portugal nem por silêncio nem por renúncia”, 7 - “neste tempo tão duro ninguém tem o direito de ficar em silêncio”, 8 - “Temos de dizer presentes, de nos fazer presentes”, 9 - “Temos de inventar a democracia democrática, aberta a pessoas e movimentos
disse.

O efeito produzido por estas proclamações de Sansão em atitude de derrubar as colunas do templo não se descreve, tamanha a pobreza. É a língua-de-pau com que o gado exulta.
Na realidade não aquece nem arrefece; na realidade será mais um “desencantado” com os cravos, que não desabrocharão.
Nada obsta que uma criatura “expoente da coltura”, “referência da academia”, “ex-reitor da Universidade de Lisboa” lograsse mais, garatujando um texto diferente, mais rico do que aquela paupérrima colagem de textículos, pilhérias, motejos, etc… que abunda em cartazes, nas passeatas da CGTP/PC/BE, e nas pontas das línguas dos vociferadores.
Enfim… a imaginação transporta-os a mundos ignotos, arrebatam-se no maravilhoso e místico, são “transcendentes” como os prosadores e os poetastros que do ininteligível fazem a suprema lei do bom gosto e do bom senso, sendo sublimes porque ninguém os entende nem eles a si próprios.


Desgraçada miséria!

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Filoxera

Não será apenas com cicuta que se ataca a filoxera como não é a tiro que se combate uma praga de gafanhotos - digo eu que não sou entomólogo nem instruído em toxicologia ou parasitologia.


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Um caldeirão por um pote

[Por economia, este texto não deve ser lido por quem acredite na estória da Bela Adormecida]

As afirmações coléricas e irresponsáveis que Mário Soares proferiu, ontem, à saída do E.P. de Évora aonde foi visitar o correligionário Sócrates são muito impressivas e, como exporei, sintomáticas.

Há exactamente um ano escrevi «[Poder] levar a mão ao pote» para, entre outras, dizer que [a verdade deve ser clamada quaisquer que sejam as circunstâncias] Mário Soares sabe mais a dormir do que os pascácios que por aí pululam [na comunicação social] com os olhos arregalados.

O caldeirão é vosso

Me parece que poucas vezes depois de 1974 houve luta pelo poder mais encarniçada e "surda" do que a que vivenciamos presentemente. A ferocidade com que o PS surge a cerrar fileiras e a terçar armas em redor de Sócrates não é inusitada e a razão por que surge o PS a arguir, desabridamente -- por um lado, contra a judicatura em geral e contra o juiz Carlos Alexandre em particular e por outro lado, a pretender que a prisão de Sócrates seja “tratada”, “discutida”, “escrutinada” [ao contrário de todos os outros partidos com excepção de Marinho Pinto que, conjunturalmente, vê posto em causa muito do que almeja] numa perspectiva política --, nada tem de estranho, inédito e menos tem de inopinado.

A unidade não é o indivíduo mas um indivíduo social, um indivíduo que ocupa uma determinada posição na ordem social. Para compreendermos o indivíduo, temos de o estudar no seu enquadramento de grupo; para compreender o grupo, temos de estudar os indivíduos cujas acções o constituem
Solomon Asch (1952)

A cólera de Soares depois de ter ouvido Sócrates em “confissão” denota numa perspectiva meramente indiciária um mau sinal para Sócrates e, por consequência, para o PS – abreviando: ter-lhe-á sido confessado que meteu o pé na poça e azar, foi apanhado; por consequência ou i) a pressão e a confusão política se instalam de modo a lançar na opinião pública consistentes dúvidas e temor(es) ou ii) no estrito âmbito judicial, ele, Sócrates está feito e o PS receberá a factura, diferida, nas legislativas de 2015.
Nisto bate o ponto.

Daí a urgência da visita de ontem. Não podia ser hoje porque António Costa está à espera de “instruções” por forma a, sem precipitações, saber "como" e "com quem" deve preencher os orgãos partidários que vão a congresso no próximo fim-de-semana.

Em qualquer sociedade, o padrão de vida das pessoas e as suas condições de vida assumem as formas que assumem, não tanto porque alguém toma uma série de decisões a esse respeito, mas, em grande parte, porque se aceitam como adquiridos certos mecanismos, princípios, pressupostos – chame-se-lhes o que se quiser… há um poder inerente em mecanismos e pressupostos siciais anínimos – nas “instituições sociais”- e não apenas nos indivíduos ou grupos. O poder reside mais na rotina sem incidentes do que no exercício cosnciente a activo da vontade.
John Westergaar e Henrietta Resler (1976)

O que se joga?

para que o pote seja nosso

Joga-se ter o pote nas mãos que, convenhamos, é substancialmente diferente de poder levar a mão ao pote.
Tudo corria mais ou menos de feição até suceder isto. Era possível contar 1 - com maioria absoluta em 2015 e caso António Guterres persistisse por muito mais tempo em titubear 2 -  fazer de Sócrates candidato à presidência da República em 2016 e elegê-lo. A acrescer à 3 - maioria dos municípios, que detêm, 4 - à presidência das duas Juntas Metropolitanas, 5 - à chefia do governo dos Açores, que detêm, 6 - à chefia do governo da Madeira que ganhariam ou, do mal o menos, retirariam ao PSD, 7 - a mudança do governador do BdP, 8 -  o poder de delimitar o exercício normal da PGR ou no limite convidá-la subrepticiamente à demissão, 9 - a alteração de forças no Tribunal Constitucional como consequência directa do resultado eleitoral e 10 - por fim o poder efectivo de intervir de forma explicíta ou não em mudar pedras e garantir fidelidades no topo e nas estruturas intermédias do aparelho da administração pública central.
As razões políticas que fundamentam a importância que tudo aquilo tem são, parecem-me, óbvias e outra(s) há, digamos sócio-económicas, menos óbvias ou imperceptíveis tais como
a)      apesar do delay que o PR, Cavaco Silva, acabou por impôr [ao não antecipar as eleições legislativas] no exercício de negociar os fundos estruturais europeus, os pacotes financeiros da Política de Coesão para 2014-2020 e agora
b)      os milhares de milhão do designado Plano Juncker que por cá aportarão
estas, são as vitais. E nesta guerra ainda lhes é possível cantar vitória, evidentemente.

Em política não se toma partido sobre «algo» baseado em valores ou ideias. Políticanão é isso. Política é poder e poder é a capacidade que alguém tem de determinar as acções dos outros ou seja, fazer com que os outros [por ameaça, manipulação, coacção ou “comissão”] façam o que se pretende que seja feito. A política trata de pessoas e meios e não de valores ou fins. O que trata de valores e fins é a filosofia, a religião,…

O resto são contos de fadas.