quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O estratagema

A não recondução de Joana Marques Vidal como ‘chefe’ do Ministério Público é vital – por ora, é uma contenção de danos e futuramente, será uma ‘garantia’ ― tanto quanto é possível assegurar e para os efeitos devidos ― cerzida com “os hábitos mentais de um ‘comandante’ ou seja, a quem a “subordinação das opiniões” (1) deverá assentar como luva.
O resto é tagarelice para consumo do populacho.
(Os tugas) Desconhecem (?!) que um dos papéis – entre outros – que lhes foi paulatina e criteriosamente destinado, é serem chimangata(s) do “mimoso” da Canata (2) e dos missongos preferidos.


(1) observação de Winston Churchill a uma passagem de uma  carta do gen. William R. Robertson para o comandante Douglas Haig
(2) (gen.) João Lourenço

sábado, 23 de dezembro de 2017

A freguesia da tabernóia

Da leitura do Observador fico a saber que, Teresa Caeiro — uma das medíocres turiferárias que, por lá (AR), andam a aquecer os assentos das cadeiras até se tornarem imprestáveis ― terá sido confrontada sobre a sua pretérita pertença aos órgãos sociais da Raríssimas. Terá negado.

A questão ― lendo o texto da notícia — é: – Negou, porquê? Não encontro razão sequer frouxa para a sargente regimental, denegar; afinal, apenas compôs a mesa da Assembleia Geral – um ‘cargo’ que se confia a alguém que, por calhau que seja, saiba ler e escrever.
Assim sendo, aparentemente, inexistem razões para a minha patente irritação. Mas há! …na invocação, no protesto e na praga, na abjuração.

Direi que, as razões que escoram a minha razão, são imperceptíveis mas, de tal forma profundas que, passam as gerações, e não desvanecem ― não há instrução que valha, à excepção de um mix de 1 – instrução de qualidade, 2 – aculturação voluntária e 3 – um corte efectivo com o ovil. Desde que não se libertem da golpelheira, nada feito.
O ‘compósito’ do ultrarresistente miasma social é esse. E não há esterilizações, depurações, fumigações, ..., o que seja, eficazes.
Corre-lhes no sangue a torpeza, a sordície é comum desde os tempos de escola e vai atilando-se a par da idade e ‘experiência’, a escrotidão é o ‘quotidiano’. E nisto tudo esbarra.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Vulgaríssimos

Ficaram, pelas piores razões, designados por «Raríssimos».
Discordo! São vulgaríssimos - quer os 'entes' quer as intenções e as 'prosas'.


domingo, 3 de dezembro de 2017

‘Coisas’ da hodierna mitografia

Ultimamente enfronhei-me pelos ‘interstícios’ do Rendimento Básico Incondicional uma proposta tão absurda quanto desesperada — [e não me venham com balelas de que estão no terreno projectos-piloto como o da Finlândia porque a economia, por mais que tentem, não é ‘coisa’ de laboratório – e quanto maior for a sua abrangência geográfica e populacional, menos será – o que valem os outputs destas experimentações implementados, por exemplo, na Índia, na maioria dos países do Extremo-Oriente, em toda a África Austral e em outros tantos da América Central?] — e pela ‘percolação’ da(s) Criptomoeda(s) — uma realidade que possui tudo para, mais cedo que tarde, desgraçar imensa gente. Certamente fará a 'felicidade' de outros (muitos menos).
Avisos já há muitos – o último (que eu saiba) foi de Stiglitz
"A bitcoin só tem sucesso pelo potencial de evasão ou pela falta de supervisão. Então, parece-me que devia ser banida, não serve qualquer função social ou útil (…) é simplesmente uma bolha. E uma bolha dá, à medida que sobe, uma série de momentos entusiasmantes, e depois desaba"

Ambas me deixaram travo amaro, porquanto,
Na primeira – duvido nada que o desiderato radica em ‘nós’ que ninguém consegue desensarilhar por razões, várias [qual delas a mais pesada?] – da finitude dos «elementos» à ‘vingança malthusiana’ – subjacente a isso há a considerar que o cunho psicológico distintivo das sociedades democráticas é a frustração. Ou seja: aonde todos podem licitamente aspirar ao topo tem por resultado uma pirâmide social constituída essencialmente por um acúmulo de frustrações.
Na segunda – garanto-me com um «corolário» (a designação é da minha responsabilidade) do singelo e nada enfatuado John Kenneth Galbraith em «Moeda»
Os ciclos de euforia e pânico sucedem cada vez mais depressa. A duração de cada ciclo acaba por equivaler mais ou menos ao tempo de que as pessoas necessitam para esquecer a última catástrofe. Ou seja, o tempo necessário para a morte dos génios financeiros da última geração e a sua substituição por outros que, «desta vez», sim, dispõem mesmo do toque de Midas.”
Ambas me levam ao avisado ensinamento de G. Dávila — “Quando a originalidade escasseia, a inovação recrudesce.” — que, de tão óbvio, dói.

Nota: mais do que isto [com excepção de resposta(s) a incitamento(s) de quem reconheça capacitação] é perda de tempo —  consabidamente, as pessoas ouvem o que querem.

domingo, 15 de outubro de 2017

Manholas e Nababos

Acompanho-o no ‘estado de espírito’; não nos ‘termos’. Não subscrevo a esperança [implícita] que encaminha Eduardo Cintra Torres em «Os cúmplices disto tudo».
«Tremor de terra» é, figurativamente, um exagero. E o pior é que, no caso em apreço, transmite uma ideia que [em termos de rigor] é errada. Transmite a ideia que as ‘estruturas’ [múltiplas e disseminadas] ficaram fortemente danificadas e, por consequência, é absolutamente necessário reerguê-las com correções nos ‘elementos’ que ‘ruíram’. Ora não é isso que sucede – independentemente de os acusados virem a ser definitivamente condenados e sofrerem as sanções, merecidas.

Para isso suceder seria necessário que o ‘meio’ tivesse massa crítica para tanto e não tem; seria necessário que a ‘susceptibilidade’ do ‘meio’ à vigarice [de qualquer monta e índole], ao embuste e à desvergonha fosse a que nunca foi. Não é e duvido que, tão cedo [décadas], venha a ser. O tempo para essas mutações de «natureza» [por isso intrínsecas em termos individuais e idiossincráticas em termos colectivos] foi desperdiçado; esgotou-se. Já lá não vamos de motu próprio.
Mais ou menos condicionados – social e/ou politicamente – fomos e somos uma ‘nebulosa’ de «manholas» pontilhada por uns poucos ‘bandos’ de nababos. Mais a mais, a inteligência não é o nosso forte; ao contrário da versúcia e da velhacaria. Manholas, nababos e quadrilhasuns e outros (todos) preocupados, apenas e só, em lograr uma vivência – breve que seja – nababesca. Assenta-nos como luva o que Nelson Rodrigues dizia de seus ‘patrícios’ [sem acaso fomos a sua heterozigótica ‘genitura’] 'quem não é sacana na véspera é sacana no dia seguinte'.

Não houve 'tremor de terra'. É boato!