quarta-feira, 27 de maio de 2015

A dificuldade em descer ao VAL é o outro VAL



Parece ser cada vez mais consensual que há um gravíssimo problema de financiamento da segurança social e parece-me que, à esquerda – do Livre ao PS, passando pelo AGIR, BE e CDU – se espalha como óleo em água a ideia de que há um “campo” (índice) aonde é possível ir “sacar” esse financiamento. Ao Valor Acrescentado Líquido das empresas. 
Em teoria não é de difícil compreensão e em tese não causa engulhos por aí além, pelo contrário. Em teoria e em tese porque, na prática, pode ser um aborrecimento para não afirmar que, ceteris paribus, seria uma eficaz forma de travar o investimento. 
É exacto que o que mais vai havendo por aí é “negócios” que exigem investimento financeiro ridículo, geram emprego rasteiro e que apresentam VAL (Valor Acrescentado Líquido) enormes que passam incólumes ao crivo tributário. Explico
 

o inimigo do bicanço no VAL (Valor Acrescentado Líquido) é o ponderável peso que o VAL (Valor Actual Líquido) tem para o investidor 

Isto enquanto o critério do «Valor Actual Líquido» fôr um critério analítico para investimentos. Há outros, alternativos, como sejam 1 – o do Payback (período de recuperação), 2 – o da Rendibilidade média do investimento, 3 – o da Taxa interna de Rendibilidade e 4 – o do Índice de Rendibilidade. 

Sucede que não há indícios de que tenha deixado de ser ou que para aí se encaminhe. E eu sou dos que desconfio da nossa proximidade à Idade de Ouro, quer dizer, tenho dificuldades em ver as pombas a tornarem-se as companheiras favoritas das águias.

terça-feira, 26 de maio de 2015

A vida fabulosa dos tugas



Agora que o tempo aquece é que discutem a exiguidade e o péssimo estado do «cobertor» *, imagine-se. Atendendo a que a última vez que “reclamei” do estado e da exiguidade do dito foi em Janeiro de 2010 chegou a hora de ficar placidamente a ouvi-los falar imenso, dizer pouco e a rebelarem-se contra a necessidade de terem de fazer qualquer coisa – qualquer coisa que por mais voltas que dêem será comprimir os acobertados.

Na retórica até se invoca(m) ou convoca(m) legitimidade(s) como se a legitimidade, qualitativamente, fosse algo mais do que a caução que 1 – a mole de zombies dá de quatro em quatro anos ou 2 – pelo ruído que a grunhagem espalha pelas «redes sociais» ou 3 – pela junção da esclarecida e esclarecedora opinião publicada ou 4 – todas elas por junto, na mais onírica das hipóteses.

Sobre «legitimidades» podem os menos entusiastas com amálgamas, os cerebrais ou mais instruídos começar por questionar alguns dos «guardiões do fogo» v.g. juízes do Tribunal Constitucional, por exemplo.

Pelos indícios, a «pendência» promete. Uma das mais iridescentes e refulgentes mentes do aprisco, Vital Moreira, diz a propósito 
uma (impossível) reforma geral dos sistema de pensões, que não está na agenda política 
Agendamento político. Extraordinário! Quem a estabelece? A necessidade, a rua ou os prosélitos que se arrastam pelos corredores da AR? ou pior os incumbentes cuja legitimidade é naturalmente delegada?
a eliminação das pensões douradas do Banco de Portugal e da CGD, dos juízes e diplomatas? Além da poupança na segurança social, uma tal reforma eliminaria um gritante privilégio corporativo, que escandalosamente passou incólume o programa de austeridade. E em vez de suscitar problemas de constitucionalidade, eliminaria uma óbvia inconstitucionalidade 
que subscrevo lastimando (como o percebo!) que, já agora, no rol não tenha incluído os militares.

* sistema previdencial da Segurança Social e sistemas complementares

domingo, 10 de maio de 2015

O fungágá dessa bicharada



«À saída da Sociedade Portuguesa de Geografia, António Nóvoa, foi abordado por um desconhecido que já o tratou por “senhor Presidente”. Ele, que se diz “muito tímido”, lá foi, ouvir o que tinha para lhe dizer aquele português – porque diz que gosta de ouvir. (…) Ainda sem o apoio oficial de nenhum partido, e depois de ter renunciado ao salário de professor»

Assim é feita a apresentação do entrevistado, Sampaio da Nóvoa. 
Este palavreio, em termos jornalísticos, é de quilate semelhante ao ínsito na “biografia” «Somos o que escolhemos» [não li nem tenciono ler] e que coube a uma correligionária, Sofia Aureliano, garatujar [pelo que se lê e ouve].

Diferenças entre uma coisa e a outra há no “meio” e na forma, apenas. E ambos se indiferenciam no concernente ao conteúdo e função do que foi feito a partir de 1933, décadas a fio, por tabeliões, escrivães e copistas do Secretariado de Propaganda Nacional, acrónimo – SNI, por cá, ou pelos do Pravda, a leste, ou pelos Der Angriff, a oeste que  era igual ao promovido pelos do Il Popolo d'Italia, a sul. Baah!

Se nada há a acrescentar quanto às “características” supra também nada há a acrescentar quanto à “substância”

«José Barata Moura dizia que eu era um transportador de desassossegos (…) revejo-me (…) luto até ao último minuto por uma coisa, mas ainda ela não está acabada, eu já estou a pensar noutra»
[com jeitinho, e um módico de malquerença, chamar-se-ia «inconstância» – na maioridade não é o melhor cartão de apresentação, convenhamos] 
A “catedrática” criatura não vai, linha sim linha sim, além da caixa de ressonância de floreados  alheios.

Não resisti a mais do que à segunda resposta – a curiosidade, a paciência e a boa-vontade, foram-se-me; não há arcaboiço para mais.
Faça o melhor dos proveitos, a vós outros que o apreciais. É meu desejo, sincero.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Radares danificados



Um enorme falhanço dos institutos de sondagens. Outro. O troar da montanha que derriba, reduziu-se a um estampido de pólvora seca. Pudera, a montanha não desabou.
A que se deve(m) esta(s) inconformidade(s)? À não correspondência entre o desejo e pressa (leia-se, acelerar o futuro), 1 — “necessidade” a que se dedicou um dos mais proficientes e reconhecidos «mestres-escola», A. Gramsci —, espelhados nos títulos dos jornais bem como nas respostas em  inquéritos de opinião ou sondagens e o receio e lascas de juízo que, respectivamente, lhes aperta os cus e congela a pressa, nas urnas.

As sondagens prometiam as legislativas mais renhidas dos últimos 70 anos, mas o que sobra é conhecer a dimensão da vitória dos conservadores, de David Cameron – maioria absoluta, talvez. Os resultados do UKIP (Partido da Independência do Reino Unido, anti-europeu e anti-imigração), do Plaid Cymru (galês) e do Partido Verde confirmam a função e a dimensão da pândega. O populismo e a demagogia que compõe a babosa da maioria desses pândegos também foi alvo dos seus cuidados 2.

Os esquadrões de avençados e as legiões de profissionais, que pontificam na merdia, contam cada vez menos e por consequência, induzem menos.

1 – «Acelerar o futuro é a necessidade mais sentida pela massa socialista. Mas o que é o futuro? O futuro não é mais do que projectar a vontade de hoje, considerando-se modificado o ambiente social. (…) acelerar o futuro significa conseguir estender esta vontade ao maior  número de homens – a quantos se presuma ser necessário para tornar frutuosa a  vontade»; 

2 – «Demagogia não é o juízo moral que se faz da ligeireza, da superficialidade, da leviandade com que se procura formar uma convicção, mas é um facto histórico – é a face mais vistosa da acção educativa do partido socialista. (…) quando o movimento socialista tiver tanta força que consiga imprimir à lingua o seu justo significado, o que agora é malfeitor adquirirá finalmente o significado de homem honesto, e vice-versa; demagogia querará dizer método sério de politica e de propaganda, fundamentado na realidade dos factos e não sobre as aparências mais vistosas e por isso mais falíveis.»