sábado, 26 de Julho de 2014

~ Outro assanhado esquerdista ~

“Facho” da insurgência contra os excessos do capitalismo; um dos mais irrequietos e mordazes denunciadores dos ocultos desígnios «republicanos»; reconhecido “verdugo” das corporações norte-americanas; possesso contra a invasão e guerra do Iraque; um Rigoberto Menchú [em amaricano, claro] na senda contra as desigualdades sociais nos Estados Unidos e um bem mais proficiente Mujica, setentrional, contra a hipocrisia dos políticos; etc, etc,…

Não tinha de saber-se, mas soube-se por causa do processo de divórcio. Michael Moore possui uma fortuna que inclui nove propriedades imobiliárias [no Michigan e em Nova Iorque] e, p’rás despesas, 50 milhões de dólares que não serão para os herdeiros, certamente, já que não me consta tê-los, reconhecidos. Assim sendo dever-se-á presumir que a afeição ou fascínio numismático se deva a uma intenção futura, não revelada, de os doar aos gladiadores de uma qualquer seita cívico-política v. g. «ajuda a fazer-lhes as cabeças».

Mazel Tov! *



* Boa sorte!

domingo, 20 de Julho de 2014

Super-heróis

A terminal idiotia do nosso tempo



Thor (o semideus escandinavo com martelo de São João) é agora uma mulher. E o Capitão América vai ser preto, perdão, afro-americano. Mas, informam os autores da mudança, não será um afro-americano qualquer, e sim "um homem moderno em contacto com os problemas do século XXI". Isto é, o novo Capitão América "terá uma maior empatia com os mais desprivilegiados" já que, cito, "foi assistente social". (...) enquanto o Homem-Aranha não for "transgénero" e Hulk não acumular as aventuras com a presidência de um observatório, julgo ainda haver esperança.

Alberto Gonçalves

quinta-feira, 17 de Julho de 2014

O desabrochar dos carpelos

Poucos deram por isso [se foram mais do que uns poucos, as minhas desculpas: andei distraído].
A preocupação desses poucos com a ajuda do
1 -- desinteresse da comunicação social [não era assunto que vendesse papel ou garantisse shares de audiência], 2 – com o sequaz, criminoso, silêncio dos partidos,... [tudo que não produza resultados imediatos não ganha votos], 3 – a oposição passiva dos eventuais “candidatos” [a procriar], 4 – o respaldo de uma determinada «euforia perpétua» que privilegia o lema, “epicurista”, «carpe diem quam minimum credula postero» [aproveite o dia de hoje e desconfie do amanhã] acima de todas as “coisas” e 5 – a circunstância de entretanto ter surgido a «crise» [um aliado imprevisto(!) que logo foi instituída como alibi e sossega consciências], valeram nada.
Foi o que, até à data, sucedeu com o problemão demográfico.

Há oito/sete anos, despretensiosamente, dediquei algumas linhas ao assunto e num desses textos, recordo, escrevi que íamos a caminho de nos reduzirmos a uma diminuta «tribo» [com as inevitáveis consequências].
Se há meia-dúzia de meses só se dedicava ao assunto quem profissional ou academicamente o tinha de fazer, agora parece estar no topo das agendas de qualquer bicho-careta. Sugere que não há fome que não dê em fartura. Sugere e bem… de que são muitas as vontades subjugadas pelos parcos pecúlios, de boas intenções e melhores palavras. Querem lá ver que daqui a dois ou três anos terão de reabrir as maternidades encerradas?!

domingo, 13 de Julho de 2014

Do abadágio neste abadengo

Se há assunto sobre o qual os rapagões e as dulcineias do BE estão bem informados é que António José Seguro não está, nunca esteve muito virado para aggiornamentos gramscianos e se as palavras ainda contam alguma coisa, António Costa não morre de amores por eles a não ser que politicamente designar o próximo de «parasita» seja uma labareda de paixão. Por outro lado, política de mesa de café, tertúlias líricas, assembleias de condóminos, palmilhar avenidas debaixo de um calor sufocante para levar a passear t-shirts guevarianas e boinas bascas, goelas abertas a entoar slogans de resistência e luta é “coisa” mais para púberes do que para dandies por maior que seja o empenho cívico reclamado.
Ora se teoricamente as premissas gramscianas são muito respeitáveis na prática o jesuítico-maquiavélico preceito «o fim justifica os meios» vem ajoujado de seis séculos de comprovação falsificacionista
«Na sua génese, o Bloco assume pois, como compromisso matricial, o papel da construção de pontes e do fomento do diálogo entre as esquerdas, procurando nesses termos estimular um processo comum de renovação programática, capaz de superar os bloqueios gerados pela crise da social-democracia e pela queda do muro de Berlim. Passada quase década e meia da sua existência, constata-se porém o abandono consciente e reiteradamente afirmado nos últimos anos da missão política em que assentou a criação do Bloco de Esquerda»
A primeira, Penélope, a deixar de estar disposta para continuar a misturar o seu Channel com o cheiro a sovaco do povo foi a Joan(inh)a Amaral Dias, e mais a mais há o pedigree; o segundo, Narciso, que quebrou as grilhetas que o constrangiam à pequenez do Bloco foi Louçã que, qual Pigmalião, anda agora esculpindo a estátua de si; o terceiro, Dionísio,… depois de provar os aveludados assentos do anfiteatro de Estrasburgo foi Rui Tavares e, porque não há quatro sem três, adivinhava-se que aquela Alice, leia-se Ana Drago, não suportaria cultuar aquelas personagens enigmáticas, daquele povoamento de criaturas esquisitas que vivem aprisionadas a paradoxos lógicos e argumentos circulares por muito mais tempo mais a mais sabendo que o que vivia era o que corria do outro lado do espelho, abandonada que tinha sido já pelo Coelho Branco.

Não se resiste aos ares do tempo e o mundo não está, aliás nunca esteve para exaltações, utopias e dislates oníricos. Tudo tem seu tempo e uma coisa é aceder à mesa, convidado, outra é vigiar os comensais.

António Costa, bom republicano e (socialista) «fabiano» que é, necessita de quem, passada a refrega, desenrole a passadeira vermelha e vá de libré testemunhar e nobilitar a posse.
Quem porfia alcança e quer a vontade de comer quer a fome aguçam o engenho.

sábado, 12 de Julho de 2014

“Coisas” extraordinárias,


de um país extraordinário, habitado por gente extraordinária.

Em vôo, caíram peças de um avião da TAP. Julgo ser um incidente extraordinário; julgo também que, soltarem-se peças de um avião, seja pouco recomendável e inconveniente.

As “peças” que despencaram do aparelho, escreve a “jornalista”,… «SÓ»… 
Se a falência dos materiais tivesse causado um buraco na fuselagem e a acção da gravidade feito com que por lá saísse um passageiro, afivelado ou não ao assento, suponho que a Filipa, a “jornalista”, sossegar-nos-ia escrevendo que «SÓ» tinha caído um passageiro.
Um, entre duzentos e tantos, dá para aí …% (façam as contas).

Há mais [por atacado dói menos]
-- as “peças” causaram feridos, sim, mas MATERIAIS. Acaso ocorressem em animais independentemente do modo de locomoção, imagino, seriam DANOS.



Espero, sinceramente, que a Filipa faça parte do “lote” dos 140 a quem a Controlinveste se prepara para pôr uns patins. Há tanta gente competente, desempregada. E que quer trabalhar.

sexta-feira, 11 de Julho de 2014

O "inimigo" somos nós

Anteontem, ao editar Combater o “inimigo, se havia “coisa” inimaginável seria ver as minhas palavras “corroboradas” por Mário Soares
Estamos a fazer tudo para arrasar o nosso próprio país e isso é inaceitável, de maneira nenhuma aceitável”.

Corroboradas com aspas já que a homologação é mais pela forma do que pelo conteúdo. Soares, por razões ideológicas e político-partidárias, tem na ideia um preciso e determinado rol de personalidades e eu, garanto, por razões de mera cidadania, tenho na ideia outro rol mais abrangente onde estão inclusas parte, reconheço, das personalidades a que Mário Soares se refere.
Mário Soares não inclui no seu rol de perpetradores, Francisco Louçã e um rebanho de acólitos de menor relevância que em seu redor balem e que, intermitentemente, procedem como autênticos “terroristas”.

quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Combater o "inimigo"

«Conhecemos o inimigo e ele somos nós»
Walt Kelly


É mais fácil abolir controles [estatais e outros] criados por um exército de ocupação estrangeiro do que modificar ou desmontar um sistema parido por políticos nativos, legitimado pelo indigenato, erigido e presumido em nome do «interesse público».

Guerra avisada não mata soldado.

terça-feira, 24 de Junho de 2014

Melhor é impossível

Acho notável este texto de Viriato Soromenho hífen Marques*
«Não quero entrar nos detalhes da história da ascensão e queda de Ricardo Salgado. Tem demasiado odor a suor e outras secreções para ser um assunto sobre o qual alguém que preserve um sentido apolíneo da decência e da beleza queira escrever. O problema é de outra natureza. Salgado, Oliveira e Costa, Rendeiro, Dias Loureiro são as ovelhas negras de uma casta que domina a Europa inteira: os banqueiros da UEM. Uma elite certificada pelo Tratado de Maastricht e pelas regras de funcionamento da zona euro. Tal como os aristocratas da Europa do absolutismo, também eles estão acima da lei geral. Inimputáveis, manipulam os governos e fazem do sistema de justiça um interminável jogo de paciência que termina, invariavelmente, em absolvição por cansaço e prescrição. Foi a sua desmesura que transformou o sistema financeiro, de importância vital para uma sociedade de mercado funcional, no palco para uma tragédia de Shakespeare. Nem todos os membros desta elite se comportaram abusivamente, mas a simples possibilidade de o abuso de poder passar sem castigo, provocou o carrossel de especulação e a avalancha de crédito Norte-Sul dos primeiros anos do euro. Foi sobretudo a ganância do sistema financeiro, e não o despesismo dos Estados, que conduziu a Europa ao actual beco sem saída.  A mesma ganância conduziu à Grande Depressão de 1929. Nessa altura, sob liderança dos EUA de F. D. Roosevelt, o financismo foi colocado no seu lugar por uma firme regulação do negócio bancário, que garantiu a prosperidade económica durante muitas décadas. Hoje, a União Europeia continua paralisada, sem a necessária coordenação e firmeza políticas, indispensáveis para colocar o sistema financeiro dentro dos limites da lei e da ordem
É um monumento.
Vamos supôr que na banca apenas cabem as mais indignas, perversas,... inomináveis criaturas e suponhamos que à política acedem as almas puras, diligentes,... os despertos, os ungidos, o rubedo (social). Suponhamos que os da banca e finança têm como objectivo, único, comprar, enganar, corromper,...
Quem é que de forma reiterada e contumaz tem falhado?

* professor catedrático na Faculdade de Letras da UL; regente de Filosofia Social e Política e de História das Ideias na Europa Contemporânea