terça-feira, 19 de julho de 2016

Com palavras porque não sei desenhar


Tempos houve em que ser catalogado por outrém [mera velhacaria ou não] como fascista, de direita, capitalista, etc… deixava muita gente com o buraquinho do cu apertado. Depois, aparentemente, esse cretino hábito esbateu-se por ter deixado de “pagar dividendos” na perspectiva dos usuários. Com a crise económica de 2007/2008, remoçaram-se; o hábito e o uso recrudesceram criteriosamente adaptados — «conservador», «direita», «capitalista», (…), foram “agregados” em «neoliberal» e «retrógrado», «reaccionário», (…), foram [consoante o contexto] substituídos por equivalentes como «xenófobo» e, créme de la créme, «neonazi».
A proveniência adivinha-se, e dispensa incómodos.

Quando é que percebem [se a bem ou a mal, não interessa] que as “tácticas da apodadura” confrontadas com a realidade, que quotidianamente vai sendo escrita a sangue, são tiros pela culatra?
“Retrógrado”, “neoliberal”, “racista”, “nazi” e merdas do género não valem um flato; quanto mais “estenoses” ou “prolapsos” de origem emocional! E por uma razão natural, elementar e simples — é que ficar de buraquinho apertado por causa de um imbecilóide que o etiqueta de (…) ou andar com ele apertado por causa de um qualquer «filho-de-uma-cadela» desintegrado ou fóbico a todo e qualquer processo (eventual que seja) de aculturação que desata a matar, a opção é óbvia.
A opção entre uma “coisa” e a outra é invariavelmente "manter um cu nazi, retrógrado ou xenófobo, mas intacto".
Ponham-se a pau! 

Capisce?

sexta-feira, 15 de julho de 2016

“Isto anda tudo ligado”


Fuga da morte

O leite negro da aurora
bebemos ao fim do dia
à tarde, de manhã, à noite
bebemos e bebemos
 

(…)
~ Paul Celan, 1944 ~

Willi Münzenberg, fundador e uma das proeminentes figuras da «Escola de Frankfurt» afirmou [década de 30 do século XX] que o principal objectivo do «marxismo cultural» — hospedeiro do multiculturalismo — era fazer do Ocidente um espaço “tão corrupto quanto podre”; Münzenberg foi também o “inventivo” do que ficou conhecido por “política da rectidão” [recurso fundamental da “esquerdalha-chic”] que, grosso modo, consiste em não afrontar a(s) sociedade(s) democrática(s), mas parasitar o prestígio dos ideais éticos e morais propiciando que asseclas seus, criteriosamente seleccionados, se exibam no apelo àqueles ideais mãos dadas com os mais representativos porta-vozes democráticos. 
É neste contexto que devem ser apreciadas a maioria das “passeatas de celebridades”, os “manifesto de intelectuais”, as vigílias, …, e é nesse contexto que a gelatinosa verborreia political correctness executa a sua função. Se dúvidas ainda existirem, atentem nas acções dessa gente para perceberem que se o objectivo ainda não foi alcançado, está bem encaminhado.

Alguém planta uma árvore de fruto para lhe colher os frutos no dia seguinte?

Alegar que “todas as ideias são respeitáveis” é, na maioria das vezes, uma pomposa imbecilidade — quem se afirma respeitoso para com todas as ideias, ideais e confissões, confessa-se preparado para claudicar — e não é o apoio de um vasto número de cretinos que (nos) obriga a tragá-la; mais a mais seria bom que, de uma vez por todas e para começar, deixássemos de disfarçar a nossa [aparente] impotência começando por deixar de a designar por tolerância. 
A mania de dizer que o homem é um animal social desculpa quase tudo, e é falso.

Espinosa disse que para “nada temer” é necessário “nada esperar”.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Téssera


Quando a pólvora não explode, o(s) determinista(s) [para evitar outros designativos] juram que não há pólvora; jamais suspeitam que o pavio terá sido apagado.
— Quem disse que a “casa” foi abandonada?

Quando vêem comprovada a falsidade das soluções [por si preconizadas] os tolos [para evitar outros designativos] gritam que negamos o problema.
— Quem disse que o “inquilino” foi de férias?

É assim tão espinhoso aceitar que, quem publica, pode sentir que roda sobre si próprio? e pior do que isso, que pesa rigorosamente nada prevenir?
«Isto vai acabar mal (...) e continuar indefinidamente a fintar a realidade não é hipótese. É pena? É. (…) Porque há gente que os previu. Porque existem inúmeros inocentes que sofrerão. (…) porque os principais culpados sairão ilesos, descarados como nunca, sorridentes como sempre.»
                                                                      ~ Alberto Gonçalves ~

sábado, 21 de maio de 2016

Com merda não se faz marmelada

A (nossa) sociedade não é sã e, como tal, está incapaz de gerar uma arquitectura institucional sã [ou regenerar a existente] e equilibrada na perspectiva da justiça e do respeito, que a todos e cada um é devido por parte daqueles em que delegamos poderes. 

Nos últimos dez dias foram proferidas por instituições de natureza e âmbitos diferentes [embora tenham como finalidade, última, a efectivação do Estado de Direito] duas decisões — um acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa e uma "decisão condenatória" da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERCS) — que, me parece, espelham eloquentemente o desequilíbrio do nosso quotidiano e a emulsão conspurcada, contaminada em que estamos mergulhados. 
A percepção com que se fica é de um desequilíbrio atroz consequentemente, e até prova(s) em contrário, a de que o comum dos cidadãos, em situações parecidas, pura e simplesmente não pode aspirar em aceder a determinadas “benfeitorias” ou garantias do aparelho do Estado porque não há quem lhes apronte justiça. 
Não possuo competências em termos de “ciência”, doutrina jurídica ou teoria do Direito para rasurar proposições, mas assiste-me o direito de ajuizar – essa consignação corre-me no sangue escorada pela razão e pelo inalienável direito ao livre-arbítrio e não há filho-da-puta [da política, judicatura, ciência, religião, …] que mo coarte ou coaja. Não é, no entanto, isso que me importa; importa-me, sim, convocar alguém a explicar-me 
Qual foi o “agravo”, “delito” ou “transgressão” mais nefasto para a sociedade? e
são ou não, nestes termos, mais prejudiciais para a sociedade as "objurgatórias"? 

— A “escarradela” do ex-tenente-coronel Brandão Ferreira, via jornal O Diabo e blog pessoal «O Novo Adamastor», nas fuças do traidor Alegre
— “o cidadão MA quando foi para Argel não se limitou a combater o regime, consubstanciado nos órgãos do Estado, mas a ajudar objectivamente as forças políticas que nos emboscavam as tropas (…) incitou à deserção das tropas portuguesas e ao não cumprimento do dever militar e promoveu actos de sabotagem contra o esforço de guerra português” em suma “cometeu actos de traição à Pátria” —
e que o cominou em indemnização ao lírico de 25 mil euros? ou
— A irresponsável, imprudente, encomendada, …“notícia” da TVI sobre a eventual, mas eminente, falência do Banif que comprovadamente precipitou uma corrida dos clientes aos depósitos ou seja ao levantamento, num ápice, de 800 milhões de euros?
e que lhe valeram 1 – para já, o pagamento de uma taxa por encargos administrativos de 459 euros; 2 – no futuro, talvez, uma coima máxima de 3 milhões de euros e, 3 – supletivamente, na leitura da «exortação» admoestante do “regulador”
— “não auscultou o Banif, nem, aparentemente outras entidades interessadas, em momento prévio à difusão das informações identificadas, omissão esta que consubstancia inobservância do dever de auscultação prévia das partes com interesses atendíveis na matéria noticiada, tal como prevê o artigo (…), alínea (…) do Estatuto do Jornalista (…) sem existir inteira segurança quanto à fiabilidade dos elementos (…) é uma decisão editorial criticável à luz das mais elementares boas práticas jornalísticas (…) A matéria noticiosa era dotada de relevante interesse público e jornalístico e, passível, além disso, de provocar considerável impacto na vida de muitas pessoas e nos destinos da própria sociedade portuguesa, pelo que, também por esse motivo, se justificavam cuidados redobrados na confirmação da veracidade da informação obtida e sua subsequente divulgação (…) não houve cuidado na linguagem” —
[do repertório de “canções de embalar” para a boiada]. 
Cada vez tenho menos dúvidas de que 1 quanto mais livre se julga o homem, mais fácil é doutriná-lo: antigamente o progressismo convencia os incautos oferecendo-lhes a liberdade; actualmente basta oferecer-lhes alimentos e 2 ao Estado já não basta que o cidadão se resigne porque o Estado pretende cúmplices. 

Não é com merda que se faz marmelada!

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Da enxovia


Lá vai o tempo em que a «coisa» (fotografia anexa) bem como a realidade que lhe dava forma e conteúdo, — todas essas «coisas» independentemente dos choços em que se acolhem e pias aonde atestam os bandulhos —, me suscitavam muitas palavras de denúncia, impugnação, repúdio, lamento,… No presente isso dificilmente sucederá.
É bovarismo? Não, não é. É – depois de muita ilusão, esperança, algum estudo, muita conjectura,… – selectividade, presumo.  E desdém pela irrelevância.

Adquirido, enquanto consequência, que o que o mundo pretende é que aprovemos o que sequer deveria atrever-se em pedir que toleremos e que ao Estado não basta que o cidadão se resigne dado que pretende cúmplices o que realmente me “entusiasma” é/são a(s) causa(s). Ora, a causa primaz é que a porta da realidade é horizontal.
O que, aberta a porta, aparece é que difere. Esta, a nossa, é para manter fechada.