sexta-feira, 23 de junho de 2017

O trigo antes da farinha, a farinha antes da massa, a massa antes da pizza

Ao “Hermínio do Bentley emprestado” bateu-lhe o “azar” à porta – uma probabilidade que amiúde sucede a todo e qualquer um mas por estas razões, e com estas consequências, sucede aos vigaristas, larápios, etc. A comunidade de Oliveira de Azeméis bem pode esfregar as “trombas com um pano encharcado” e de duas, uma: ou não dá pelo embaraço [o que espelhará, bem, a espécie e a característica além de ser o mais expectável] ou dá, e, então, lhes sirva de lição; a sociedade em termos latos deve [considerando os inúmeros e consecutivos casos de banditismo apanhada por aí] fazer o mesmo.

[Vem a propósito fazer uma(s) perguntinha(s), ingénuas, ao(s) jornalista(s) na pessoa de Bárbara Reis: Nunca tinham dado pelas manisfestações ostentatórias da criatura? Souberam agora? É que agora, e dadas as circunstâncias, não é jornalismo (escrutínio); é noticiarismo. Agora é tarde.]
Triste, realmente, é – passados quarenta e três anos sobre a deposição e trinta e cinco sobre o seu passamento – constatar que, por mais voltas que dê, Marcello Caetano expirou perspícuo, carregado de razão — DEMOCRACIA não era para os nossos dentes. Ponderando eu que, a “coisa edificada” deixa muito a desejar — fruímos de tempo mais do que suficiente para a instituir — e que designá-la por «democracia» é, de facto, uma depravação político-ideológica, uma deformidade ética, moral e jurídica e, linguisticamente, uma corruptela. Em 5 de Outubro, o PR definiu a “ética republicana”
De cada vez que um responsável público se permite admitir dependências pessoais ou funcionais, se distancia dos governados, alimenta clientelas, redes de influência e de promoção social, económica e política, aos olhos do cidadão comum é a democracia que sofre
Estou marimbando-me para os “padecimentos” da democracia. O mesmo não digo dos atropelos e chagas que são infligidos, de forma sistemática e dolosa – como acaba sempre por se constatar –, pelos “democratas” a todos os «fundamentos» democráticos. A não ser que alguém me comprove que os oligarcas se propõem a mais e diferente do que os aristocratas. Pela minha convicção de que as nações assim como os indivíduos, salvo raríssimas excepções, se portam com decência quando as circunstâncias não lhes permitem outra coisa. E a “certeza” de que as ideias que menos influenciam a política, são as políticas. E por crer que as forças que, desde o início, constroem uma civilização colaboram com as forças que a arruinam. E que (todas) as doutrinas que pretendem arrastar multidões têm de ocultar a arbitrariedade, inevitável, dos seus postulados e as incertezas das suas “conclusões”. Enfim, que me comprovem que a democracia, perante a qual genufletem ou persignam, não é instrumental. Etc.
Díssono do presidente Marcelo Rebelo de Sousa e de tantos, tantos outros, não sou um democrata incondicional; serei, quanto muito, um democrata discricionário. E mais: adoraria poder ser liberal. Ora, se não temos dentes para “existências” democráticas então para liberalismos, faltam-nos as gengivas!

Nuno Garoupa escreve, hoje, “falta-nos uma sociedade civil forte. (…) Um dos problemas é a vida política esgotar-se precisamente nos partidos (e claques). A mobilização a fazer é na sociedade civil, que não existe. (…) O resto será mais do mesmo, inevitavelmente.”
Tal e qual! O trigo antes da farinha, a farinha antes da massa, a massa antes da pizza.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Venceram. Parabéns!



Por menor que seja o prazer [ou por maior que seja o meu desagrado] em escrever o que segue, o certo é que me resta nada à excepção de lhes dar parabéns, sinceros.
Venceram. Parabéns! 
Os “hierarcas” conseguiram com efeitos imediatos aplacar as reacções mais instintivas e enlevar e arremansar as almas, desassossegadas. O Presidente da República na sua função de esmoler de afectos, o primeiro-ministro enquanto proselitista, os ministros dos pelouros em causa — Agricultura, Capoula dos Santos, Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e o secretário-de-estado da Administração Interna, Jorge Gomes — com uma permanente presença no terreno, e nos écrans das nossas tv´s, a fazer que intervinham efectivamente nas decisões dos comandantes operacionais conseguiram o que, naturalmente, os administradores políticos anseiam: um povo sereno, agradecido [se penhorado, melhor], resiliente, cumpridor leia-se bom pagador, meio acéfalo, obstúpido, e uma rede administrativa dissimuladamente corporativa, ancilar e igualmente grata.
Deste “organograma” apenas lhes falta apresentarem-se [ar circunspecto] nas exéquias das vítimas a dar nota da sua consternação e profundo pesar.
Porquê?
— Porque li e ouvi, o que foi escrito e dito pelas vias comuns do mainstream. E estabeleço as diferenças entre o que era exigido até ontem e com quê ficarão sossegados, amanhã. David Dinis [do jornal Público], por exemplo
– se até ontem havia respostas que tinham de ser dadas de forma iniludível e quaisquer que fossem as consequências, hoje [o título — A investigação, quando vier, que seja independentenão é tudo mas é muitíssimo, desgraçadamente], a exigência será saciada com a «independência das investigações». Ora, nós sabemos (devíamos saber) o que é [para os efeitos devidos e no caso em apreço] «independência»: sabemos (devíamos saber) os profícuos [em termos de magnanimidade, equidade, objectividade, ponderação, …] resultados que, a “independência” dos “independentes” (nas formas de mandato individual ou orgânico - institucional ou por incumbência), por cá, ao longo de décadas e no âmbito das mais diversas actividades
[do coetâneo apuramento de responsabilidades criminais — da banca falida ao «Bolama» e/ou «Camarate»; do uso dos fundos estruturais, comunitários, e mais os “buracos” por onde se escoaram as centenas de milhar de milhões de euros dos três primeiros Quadros Comunitários de Apoio (o QCA I em 1989/1993, o QCA 11 em 1994/1999 e o QCA 111 em 2000/2006) ao assassinato de Joaquim Ferreira Torres; da aquisição dos helicópteros (inoperacionais ou em vias disso) até aos famigerados blindados Pandur e mais os submarinos, …]
contentar-se-á se a investigação fôr independente
[como se isso não fosse uma de entre muitas abstracções lírico-políticas com que os “sumo-sacerdotes” adormecem e endrominam o populacho];
— porque, fosse eu familiar [próximo e/ou com capacidade de decisão] de uma vítima, faria o que me fosse possível por não ter de me cruzar com qualquer deles com excepção de bombeiros – os bombeiros são os únicos por quem me sinto grato; por consequência seriam os únicos que me fariam engolir a eventual genuinidade do pesar.
Em conclusão: Ficaremos como estávamos e contando menos 64. Na queda da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-rios, também ficámos de uma vez com 59 a menos e daí não veio mal nem à pátria nem aos responsáveis com excepção da assumpção da "responsabilidade política" do ministro à época. Ora, responsabilização política é, para mim, algo extremamente reconfortante e compensador.
Sobre esta tragédia, os responsáveis, as falhas, etc…os meus leitores não lerão, mais, pio que seja. Bem, afinal o homem é um animal de hábitos e a noção de respeito assim como as formas de ser respeitado, é uma tisana que cada um toma a que quer.
Paciência!

segunda-feira, 19 de junho de 2017

O folclore



O “vira” da solidariedadezinha, o “fandango” das conversetas pias, o “corridinho” amplexo, o “bailinho” osculatório, a “chula” dos círios por intenção, a “farrapeira” das vigílias, … não passam de “sossega consciências”, formas de pagar a remissão dos pecados. A boa-vontade, sem mais, é (um)a panaceia que os espertalhaços consagram a imbecis —tanto possui de procedente como tem de inconsequente.
Alguma vez esta gente entenderá que embarcar nessas pulsões, sem mais, é perambular de Anás para Caifás.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O que querem?



Por estes dias são mais do que muitos, e variados, os agastamentozinhos contra um pavãozito, insulano, que chefia a bancada socialista daquele sítio que os pirangueiros se desunham por fazer crer à ralé que é uma eclésia. 
O seminal César nada fez de extraordinário; o que fez foi aquilatar de forma correcta a merdice de onde provém, e que o legitima, e acrescentar ao seu “pecúlio” mais um salário para a famelga [desta vez, a uma sobrinha] com resguardo contra despedimentos e aval do Estado contra falências e/ou reestruturações. 
O polítipo não fez menos nem mais do que 1 – todos os outros exemplares vêm fazendo há décadas sempre que as circunstâncias o permitem, e aquilo que 2 – nenhum dos que se indignam, não adoraria que fosse feito em seu benefício sempre que um íntimo estivesse em condições de o obsequiar. 
Há dias o fulustreco César, arguiu com os “direitos adquiridos”
– Já um (ou mais!) dos seus insignes ancestrais andou na política
Os “parasitas” tal como os carteiristas — e os das artes que não dispensam uma contínua e perene destreza, como o ambidextrismo, prestidigitação, acrobatismo, ... — tratam de instruir os “catecúmenos” para a mais profícua e proveitosa forma de viver.
Outro comparsa [o mesmo que há uns aninhos, solícito e solidário, se ofereceu para falsificar o jamegão no «livro de ponto» do parlatório nacional], Ascenso Simões — um bonifrate republicano que, provindo das faldas intermédias do Marão, desceu à cidade;  um clone imperfeito [carecem-lhe as “Humanidades”; titula-se “gestor”] de morgado do Alvão — impertérrito, demolidor, de imediato saltou em defesa do islenho fasianídeo e numa linguagem correntia, pedestre – refinada, portanto – sob a alçada das mais resilientes e melhores regras da retórica
[meio-termo entre a questão e a proposição],
interpelou-nos 
«A parentela dos políticos apenas pode almejar a pedinchice?!»
Quero dizer que “a nossa gente” persevera em pegar num pedaço de trampa e olhá-la de forma a … Claro que – com excepção de se quedar pelas manápulas cagadas – nada consegue.
Ora, ora…Nem uma poia é um cristal nem se faz marmelada com merda.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Anotações (6)

[nas bordas das páginas]


A solicitude é o ‘elixir’ dos tolinhos.

• Em 31 de agosto de 1939 [dia anterior à invasão da Polónia pela Alemanha], William L. Shirer [correspondente de guerra americano em Berlim], anotou no seu ‘diário’, o seguinte: “Todos são contra a guerra; as pessoas dizem-no abertamente. Como pode um país com uma população tão contrária à guerra, entrar numa guerra?” 

• Os alvitreiros da nossa praça obliteram – em seu proveito, primeiro e benefício da sua ‘religião’, ‘doutrina’ ou ‘ideia’, depois – a ‘resposta’ de Alexandre a uma cidade que se comprometeu em doar-lhe parte dos seus campos e metade dos seus bens – “Eu não ando a percorrer a Ásia com a intenção de aceitar o que vós estiverdes dispostos a dar-me; vós é que só tereis o que eu vos deixar.” 

• Aleksandr Solzhenitsyn experienciou, como poucos, a magnanimidade e a grandeza de alma dos cabouqueiros do ‘homem novo’ – foi um escarmentado; disso nos advertiu – devo designá-lo oblata
“O mundo civilizado perante o ressurgimento da barbárie, tímido, nada encontra que se oponha aos sistemáticos massacres além de concessões e sorrisos.” 

Enfim… são degolados pela estupidez; nunca pela ‘inocência’.