quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Ontem foi amanhã

uma bela crónica, esta, «a crise do euro tem um responsável claro, os sacanas dos bancos», de Ricardo Reis.

É evidente que nos bancos há (muitos) sacanas. Não será esse o problema, todavia. Talvez seja que a sociedade está pejada de sacanas e, antes dos bancos vem a política, pejada de sacanas da mais variada índole e de todas as cores. Ou deixou de ser verdade que «numa sociedade sã» [segundo os meus critérios] «é a “política” que comanda a finança»?... partindo do princípio que os sacanas sejam estes e as sacanices sejam tão contemporâneas quanto eles. Sucede que não é verdade uma coisa nem outra.
Como rémora, de par com essa arenga corre sempre uma outra, vocalizada pelos imarcescíveis quiçá imprescindíveis arlequins de teor justicialista [nas perspectivas aristocrática e da fina flor do entulho], justiceira [na perspectiva brega], ético-moralista [na perspectiva lírico-filosófica], etc… em que é verberada a dita promiscuidade.

Fazer um varrimento à intemporalidade da sacanice, dos sacanas da política e da finança, à promiscuidade e às esterqueiras onde uns e outros viceja(ra)m, etc e tal… está à disposição de quem queira -- à disposição e para todos os gostos e "sensibilidades".
Se há assuntos fascinantes, a «história da moeda» [uma sucessão de “episódios” de “génios” da finança, falidos e monumentais golpadas instigadas por políticos, não sancionadas ou melhor, sugeridas pelos Estados que ilustram de forma vivida o comportamento e a loucura humanas] é um deles.

Charles Keating, John Law, Luis XV, Tommaso Contarini, Robert Morris, Esquema do Mississipi, Bubble Acts, Companhia das Índias Orientais,… serão boas “entradas”.

Se fôr parvo, deslumbre-se; se não fôr, tampone os ouvidos.

domingo, 12 de Outubro de 2014

les beaux et grands esprits se rencontrent


«(…) a parte visível, ostentatória, do sussurro que por aí vai e já me chegou aos ouvidos -- o de que os tribunais estão a ser muito severos com os Varas e as Maria de Lurdes»
JMF

sábado, 11 de Outubro de 2014

Semo cagai *

"A história da PT há-de ser devidamente contada… não por mim, mas pelos jornalistas. Se eu nunca disse o que se passou, não é agora que vou dizer. Os jornalistas têm matéria mais do que suficiente para pegar na história"
Belmiro de Azevedo



Em 2006 Belmiro de Azevedo leia-se Sonaecom, lançou uma Oferta Pública de Aquisição à PT -- 11 MM€.

Entre 2006 e 2007, entre o lançamento e o insucesso [da OPA], Zeinal Bava destacou-se na oposição à “aquisição”. Em Março de 2007, após um processo que durou mais de um ano [consultar aqui ] a maioria dos accionistas votou contra a desblindagem dos estatutos
[condição essencial para o sucesso], fazendo cair a OPA.

Henrique Granadeiro


O pavor ao “mostrengo” pode revisitar-se aqui.

Nessa ocasião, finos como um alho, sagazes e ladinos como são diziam que «quem não pode como quer, quer como pode».
A vitória ribombou. Semos danados; ninguém nos come.

A circunstancial “aliança” [opiniática e não vinculativa porém…] entre proeminentes e putativos liberais e empedernidos inimigos do «grande capital e da finança» pode ler-se aqui, por exemplo.

Oito anos passados, muitos abusos, relaxe e vigarices pelo meio, a PT vale “a ponta de um corno”, talvez.
Equivale por dizer que «quem não sabe nem aprende, por asno se vende».



* «estamos na merda»,«estamos lixados»
em triestino, dialecto falado na região de Trieste

Estruturalmente reformados

A Tecnoforma vai processar

Miguel Poiares Maduro, ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional
José António Cerejo e Clara Ferreira Alves, jornalistas
Ana Gomes, eurodeputada
José Pacheco Pereira, comentador
criminalmente

segunda-feira, 6 de Outubro de 2014

Anagrama

Há quem, alentado, olhe para aquilo e veja uma “coisa” a que chama -- e crê -- renovação; eu vejo um anagrama, corriqueiro.


Quem espera que num pântano vicejem roseiras, fica desapontado e eu intuo que se aprestam pela preservação do pântano ou seja que a flores de lótus, sobrevenham flores de lótus.
Não há volta a dar à efemeridade das flores nem à perenidade do húmus. Ou há, mas nunca assim.


Vencedores vão sentindo-se uns poucos zangãos da colmeia

[«os novos movimentos de cidadãos nunca mais permitirão que a política esteja entregue a cliques partidárias» / Mendo Castro Henriques in Facebook]

e as [muitas] moscas que pastam a exânime criatura. O resto… bem, o resto é um rebanho insciente, episodicamente ululante, aguilhoado por toda a espécie de manipulações e que, sempre, se embevece com as melopeias das harpias reivindicativas.

Cervantes escreveu que «cada um é como Deus o fez e algumas vezes, pior».

sábado, 27 de Setembro de 2014

«Ando a comer uma viúva»

Num desses inquéritos que os jornais fazem para tomar o pulso à “opinião pública” perpassando a ideia de que os interesses da gajada vêm e estão acima de todas as coisas é expressiva a insatisfação e, adivinha-se, a indignação.

O inquérito e tudo o que a propósito seja sugerido trouxe-me à memória
1 - o manifestado por Luis XIV «De cada vez que dou destino a um lugar vago, gero cem descontentes e um ingrato», em termos gerais e 2 - uma outra estória, deliciosa, sobre a essência do indignado indigenato

Salazar tinha “caído da cadeira”; os oposicionistas procuram aproveitar-se desse vazio, eventual. No aeroporto de Roma, em trânsito para a feira do livro de Frankfurt, Alçada Baptista, encontra-se com um reputado homem de letras, informadíssimo, anti-fassista incompassivo, que confessa o seu desalento e indignação

- Oh! António. Não há nada a fazer deste país. Vou eu a correr convencido que ia ajudar à revolução e nada. Fui ter com um que me disse que não podia comprometer-se porque tinha um pedido no Fundo de Turismo; outro, porque tinha a mulher doente e Fulano de tal disse-me que agora não porque «andava a comer uma viúva»

A indignação vem a seguir. Talvez.

Walking Dead

Esta semana Soares voltou a boquejar qualquer coisa. Soares e os “colégios” que o acolitam sabem bem o que estão a fazer. O “problema” dele(s) não é de perto nem de longe o dos «zés-ninguém».
Está em falta Freitas do Amaral, e roça o inadmissível que a comunicação social ainda não tenha consultado o senhor professor.

Em 22 de Novembro, Soares, também mussitou algo. Nessa ocasião escrevi. Ora de Novembro até hoje, politicamente e de fundamental, pouco mudou -- o assunto “Tecnoforma” não passa de um instrumento «essa-pipa-de-massa-é-demasiado-importante-para-que-sejas-tu-a-encaminhá-la-portanto,-se-não-cedes-a-bem,-cederás-a-mal».

Em política não se toma partido sobre «algo» baseado em valores ou ideias. Não é disso que se trata em política. Política é igual a poder e poder é a capacidade que alguém tem de determinar as acções dos outros ou seja, fazer com que os outros [por ameaça, manipulação, coacção ou “comissão”] façam o que ele quer que seja feito. A política trata de pessoas e meios; não de valores ou fins. O que trata de valores e fins é a filosofia, a religião,…

terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Apontamentos [da história pregressa do doente]

«(…) Portugal é um “doente da história”»

Mais tarde do que cedo acabamos sempre por fazer o que há a fazer. Até podíamos fazer da tardança uma vantagem, evitando os erros cometidos por outros. Sucede que o potraimento jamais foi vantagem aliás, nem fazemos, atempadamente nem fazemos, completamente.

Não estarei a cometer erro de palmatória [presumo] se disser que as Ordenações Manuelinas foram, à época, o Código Penal. As leis vigentes em Portugal durante o séc. XVI foram compiladas, reformuladas e reunidas em cinco livros, publicados em 1521, daí terem ficado para a história sob a designação de Ordenações.
Outra razão que lhes propiciou a relevância histórica foi o rigor com que eram indicados, por exemplo, os inúmeros crimes passíveis de pena de morte [Livro V].
Da notória acerbidade e equanimidade das leis destaque-se que a pena de morte podia, e foi-o vezes imensas, ser comutada em degredo. Com uma particularidade - o degredo não era eterno. O alvará esclarecia que «após quatro anos de residência no Brasil, os degredados poderão vir ao reino a tratar dos seus negócios, contanto que tragam guia do donatário e sob condição de não irem à côrte nem ao lugar onde tiverem cometido seu malefício e nem se demorem no reino mais do que seis meses»

No “terreno” o que sucedia?

sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

O major tinha razão

Quem amiúde passa os olhos pelo que escrevo reparou que, paulatinamente, fui deixando de abordar assuntos de natureza económico-financeira. Sucede que ao longo do tempo fui sedimentando a ideia que a essência do problema de Portugal não é económico. Tem outras naturezas e nenhuma é desse foro.

«(…) Portugal é um “doente da história”»

Ontem, foi-nos dado a saber que a Irlanda [o PIB irlandês contraíu 0,3% em 2013] reviu em alta o crescimento para 4,5% ou seja, a Irlanda este ano crescerá 4,5 vezes mais do que Portugal; que os crescimentos homólogos do PIB e do PNB [exclui o contributo das multinacionais], no segundo trimestre, foram de 7,7% e de 9%, respectivamente.
O "comportamento" dos índices evidenciam as diferenças quantificáveis. Não evidenciam as não quantificáveis que são as que justificam e explicam por que é que na Irlanda, os assuntos ingentes com que se entretém a sociedade, não são as “vantagens” da reestruturação da dívida pública, a mutualização da dívida, as "virtudes" da saída “controlada” do Euro, etc

O major Tristão Barroso [personagem de José Rodrigues Miguéis], criatura nada propensa ao cientismo, “manuseamento” de dados, igualmente a salamaleques ou a excogitações líricas, depreendeu que «(…) Portugal é um “doente da história”. Portugal é um sistema em desequilíbrio crónico irremediável. Não se lhe pode mexer sem estragar tudo (…) nós, portugueses, sentimos, pensamos, falamos e agimos como vítimas da história; como se uma força oculta e contrária nos houvesse roubado o futuro prometido, esse múltiplo himeneu de glória, poder, virtude e prosperidade.»

É, sem nada tirar e pouco acrescentar, o que penso.