domingo, 13 de janeiro de 2019

Os cântaros vazios são os que mais 'sonham'


Sobre a presente ‘crise’ no PSD vêm-me à ideia duas ‘coisas’ que aqui ‘prego’ sob forma de dicas *

1 – Sabeis do inestimável desempenho do marechal de Napoleão, Grouchy, para a derrocada em Waterloo? Não sabeis, paciência. Entretende-vos a lê-la em Stefan Zweig;

2 – Conheceis a ‘passagem’ de Tolstoi sobre a situação de Moscovo, em 1812, durante a invasão napoleónica e, designadamente, o 'desempenho' dos habitantes no que concerne a actos de ‘abnegação’? Não sabeis, paciência. Lede «Guerra e Paz». 


*o PSD desmerece mais que isso. Porquê? Ainda que lhe ponhamos uma lamparina nas mãos, o que vê o cego?

sábado, 5 de janeiro de 2019

Da (minha) faunística, uma nótula e uma indagação


Entre o bugio fascistóide de braço no ar, punho cerrado, a trautear a «Internacional», o paspalho paramentado com uma t-shirt estampada com a efígie do facínora Che e o grunho de suástica tatuada – no peito, na vulva ou no olho do cu –, a diferença é nenhuma.
É tudo escória social; escumalha.
À semelhança do que disse Vergílio Ferreira a propósito da escumalha ― ‘ser malcriado sem estudos ou sê-lo citando autores é igual’ — digo eu daquele compósito sócio-político.
Dito isto, resta-me acrescentar:
se todos os dias me pespegam — quase compulsivamente, tal a profusão ― com toda a sorte de párias políticos como Catarinas, Louçãs, Ferreiras, Césares, … por que não Mário Machado?
É que numa coisa (para começar) são iguais – estimam a democracia enquanto instrumento.

Mas, muito sinceramente, não sei do que se queixam – as aranhas vivem do que tecem.

domingo, 30 de dezembro de 2018

Na brisa de um ano cinza

Segundo este ‘livro de bordo’, há nove anos fiz figas. Havia razões, fortes. Por acaso, mas só por acaso, estávamos no vestíbulo de um lustro glorioso – o do PS sob a batuta de Sócrates. Comprovou-se!
Há quatro anos não me esqueci de fazer figas. Por acaso — apenas por acaso ― estávamos no ‘proémio’ de um novo período glorioso — o do PS sob a batuta de António Costa. António Costa prefaciava a sua “obra” que – segundo a arenga especializada – ficará para a história como um feito político genial.
O meu ‘problema’ jamais foi/é a genialidade justificativa de «eleitos» e/ou predestinados; é a capacidade que demonstramos em incinerar predestinados e génios. Quer dizer: por mais génios que despontem e floresçam não saímos da cepa-torta.
Ora o assunto é que em 2019 será escrito o posfácio da “obra” ou o ‘epitáfio’ ao “génio”. Desejo ardentemente que seja o ‘epitáfio’. Tarrenego!
Farei figas. Desta bodega dirigida por esta horda e povoada por esta mansa récua não espero nada de diferente do que ansiei para 2018. Ou seja: pouco ou nada. Propensos à perora gratuita os tugas desgastam-se em considerações sem ponta de proveito.
Se Guilherme do Paráclito passasse por cá repetiria com propriedade
                  “Maldito Paraíso em que tanto se caga! *”

Bom ano!


*em sentido literal e figurado

domingo, 23 de dezembro de 2018

Rabanadas para o senhor Presidente

Da edição do dia 23.12.2018 da Folha de S. Paulo


Que me conste não houve desmentido – nem da parte do ‘oblata’ nem da parte do obsequiado. É evidente que a (alegada) oferta é infimidade, de facto. Excepto se, a anotação e a significação, forem suscitadas em primeiro lugar por um frémito ético’ e, depois, moral.
É o caso porque não tenho como indultar criaturas que fazem da profissão de fé, da confissão e da ‘expiação’ – embora presuntiva – o seu múnus. E disso fazem gala.
Mais a mais ao Presidente não incumbe tal. A não ser que o presidente da República ao fazê-lo estivesse preocupado com os interesses – eventuais e futuros – do senhor Marcelo.
Afinal tem por lá parte da prole, e só há vantagens em ter amigos mesmo que na cadeia.
Enfim ‘não é com vinagre que se apanham moscas’ e ‘não é a moral que enche o prato’!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

A (vossa) dedignação

A vossa 'indignação' vale menos – muito menos – que a gratidão por umas garfadas de uma reles feijoada sobre o tabuleiro da ponte Vasco da Gama; a vossa 'indignação' vale menos – muito menos – que a gratidão por uma fatia de um bolo-rei candidato a entrar na lista de …; a vossa 'indignação' é um escarro nas tumbas dos incinerados em Pedrogão Grande, Proença-a-Nova, Pampilhosa da Serra, …; a vossa 'indignação' é uma cavadela a mais nas covas dos cinco soterrados de Borba; …

As vossas lágrimas são mijo que se engana no caminho de saída; as vossas pesarosas orações são flatos.
A vossa 'indignação' esvanece-se com um afago ou ósculo 'presidencial' e expurga-se numa cretina selfie. 

E assim – fácil, fácil – estabeleceis o preço por que vos vendeis. Estais errados – vós não vos indignais; vós dedignais-vos.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Icásticos

A parte da capa de um jornal diário e o título de uma notícia de outro que, por serem icásticas, destaco. As razões para assim as designar estão – mais vezes do que desejei e sempre de forma aproximada e incompleta – exaradas por aqui.
‘Gritar’ contra ‘o gado mosqueiro que ministra este infindável ensaio de país’ pode insinuar uma forma de buscar refrigério. Não é! por outras – inúmeras – ponderáveis constatações que subseguem, e a que aludi — «Manholas e Nababos» por exemplo.



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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

A ruína dos submissos é a subserviência

Da ‘cobertura’ feita pela comunicação social portuguesa à visita oficial do presidente da RPA há, no Público, a entrevista de Manuel Alves da Rocha, economista angolano. O resto, sem exagero… o resto é um chorrilho de exercícios ditirâmbicos, alguns delirantes, e muita conversa mole. Ou seja, jornalismo para brutos – a ‘preocupação’, no fundo, é criar uma narrativa que disfarce o contínuo descenso da relevância de Portugal.


Um século passou e a realidade persiste em certificar a fiabilidade da clarividência de Miguel de Unamuno ― "um país de anões, todos na ponta dos pés para parecerem muito altos".
Eles, inconfessos, olham-vos como descendentes de Cerveira Pereira ‘um filho de puta. O maior filho de puta que pisou esta miserável terra*, Paulo Dias de Novais, Correia de Sá e Benevides, Vicente Pegado da Ponte,… **;
vós, malandros e trapaceiros, pertinazes mas estouvados, criaturas que conservais todas as manhas da aldeia julgais-vos fadados a ser protagonistas de uma hodierna corruptela do desígnio henriquino do séc. XIV.
É assim porque, vós, malandros e trapaceiros, pertinazes mas estouvados, criaturas que conservais todas as manhas da aldeia sois incapazes de esmagar o passado.

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«A Sul. O Sombreiro», Pepetela
** «História de Angola», Ralph Delgado/edição do Banco de Angola

... e abaixo do sofrível há o 'semel malus, semper malus' do gado mosqueiro que ministra este infindável ensaio