quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Para "anjinhos", e para os que procuram passar por tal



Se alguém tem de ser – e tem de ser – então, que seja “o de cá”. Nem menos nem mais.
Desde ontem, e decerto por mais uma semana, para não fraudar as melhores expectativas a histeria patrioteira não tem medida. Ou melhor: é o padrão. De então para cá, aquém ou além, pouco ou nada existe excepção feita ao “eleito”. A mais ignota das criaturas acha que tem qualquer coisa para vocalizar. Nessa histeria já foram debitados os maiores disparates e necedades [na perspectiva de pessoas razoavelmente informadas e acima de tudo, sensatas]… seja, por exemplo, a ideia de que possuímos “um dos melhores pelotões diplomáticos do mundo”. O que é isso?!
       
Na RTP1 ouvi um excerto (minúsculo) daqueles que os da comunicação social, e os experts do marketing político, acham ser o “ponto alto”/a “marca” [por ficarem “impressos” a sensibilidade – a emoção contida, o vício, o trejeito, etc…da personalidade que pretendem promover, “enterrar” ou “acolchoar” pois, por definição, em assuntos desta índole e natureza, o mais nunca é demais] que desfaça quaisquer dúvidas que possam ser suscitadas por gente desinformada, simplesmente malévola ou mesquinha. António Guterres [na qualidade de ex-Alto-Comissário da ONU para os refugiados] dá nota dos horrores que preenchem, por lá ou acolá, o quotidiano [quanto mais longe melhor: um tipo remexe-se no sofá e o assunto não fica resolvido, mas sossega a “consciência”]

— «no Congo, uma camponesa, 40 a 50 anos de idade, a “tocar” a lavra mais ou menos a 1,5/2 kms. do kimbo foi violada por 17 bárbaros [militares/guerrilheiros(?)],…entretanto irrompe um dos filhos, que é abatido por um dos bárbaros, violadores; o marido, ao saber da tragédia, falece [colapso cardíaco]»

Uma barbárie, claro. Pior: uma sucessão de actos inomináveis.
António Guterres, entre dois esgares — um de horror e outro de repulsa — a discretear. E eu a ouvir [e a lamentar a impossibilidade de o confrontar] uma “vozinha” a ciciar-me [quando Guterres abomina os bárbaros]

os mesmos que, amanhã, noutras circunstâncias, por imposição da alteração de forças no terreno provavelmente receberás em audiência num salão principescamente mobilado, bem comido e melhor bebido, com trocas de oferendas e o mais que fôr tomado por conveniente, entre uma saudação, efusiva, e outra pronunciada dobra da cerviz, mui respeitosamente, dirigindo-se-lhes por V. Exas,…

Em nome do que está ali e pelo que representa obliteram-se todos e quaisquer horrores: é que destacando horrores há uns que o são até à definitiva corda no pescoço [foram os casos mais próximos de Hussein, Kadhaffi, Milosevic, etc…], mas não foram os do G. Habbash, Yasser Arafat,…
       
Se um mais-do-que-perfeito idiota emerge a clamar “as movimentações e as jogadas de bastidores têm de cada vez menos fazer parte da “vida” da ONU, etc” o que se faz? Chamar-lhe idiota, não, porque 1 – o qualificado vai desgostar e 2 – disso não se convencerá o que equivale a afirmar que «idiota continuará».
       
A RTP de seguida conta-me que em Alepo, Síria, há uma criança de sete anos — um prodígio — que, no meio daquela indiscritível desgraça, imagine-se, tem um blog [não é um blog, é uma conta no twitter] aonde edita vídeos do horror que quotidianamente presencia. “Destacam” um vídeo em que a menina está à “janela” a olhar para o local que está a ser bombardeado, presume-se… são audíveis, em fundo, o ribombar dos morteiros ou das bombas, etc…a criança, à janela, olha, e ora [da oração apenas é traduzida a palavra Deus, topam?!].
Está ali, cru, o horror perpetrado pelos sicários, sim, mas está também — no aproveitamento de alguém que por mais pungentes que sejam os testemunhos, e pior que sejam as vivências, é uma “inocente” — o mais abjecto e nefando oportunismo do jornalismo de cariz político-ideológico. Um nojo pegado!
       
Estamos a falar de quê? Em nenhum dos casos, de certeza que não de justiça, moral, ética, igualdade, respeito,… do que é vulgar e comummente salivado por aí.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O mau é acordar



Por algumas poucas semanas cheguei a convencer-me que andava profundamente enganado; quase cheguei a convencer-me que o lamaçal, afinal, é menos do que suposto; cheguei a suspeitar que naquele areópago, ONU, de ora em diante prevaleceriam coisas tais como Virtudes; desdenhei das impressões de Karl Kraus «O parlamentarismo é o aquartelamento da prostituição política», das palavras de Stanley Kubrick «As grandes nações sempre agiram como gangsters; as pequenas nações sempre agiram como prostitutas» e cheguei a crer que pela denodada acção dos homens, a bendita graça de Deus e a unção do Espírito Santo, finalmente deixaram de ser apropriadas e não mais do que meras percepções, subjectivas, de um “mundo de ontem” (Stefan Zweig).
E que este hospício (planetário) estaria a fruir de mais uma oportunidade, redimindo-se.
Aquela imperceptível e imperecível centelha de esperança personificada por António Guterres — lídimo e dos mais benquistos [Guterres, somos onze milhões!] filhos de uma nação que “deu mundos ao mundo” — estaria prestes a descerrar os portões a um quimérico Jardim das Delícias, político-diplomático.

De resto que significado atribuir à prometedora confluência de
1 – da sapientíssima, dulcíssima e humílima generosidade cristã de Mario Bergoglio na Praça de S. Pedro/Roma; 2 – o fim de uma guerra com meio-século na Colômbia, e o acolhimento e integração social de duas dezenas de milhar de homens-bons, desavindos; 3 – a irrefreável demolição do embargo a Cuba; 4 – a infinita paciência do mundo com as diatribes da Coreia do Norte; 5 – o contínuo e irreversível desbaste da corrupção na política brasileira; 6 – as limpezas cirúrgicas nas indústrias e comércio do dopping nos desportos; etc, etc, … e, sem acaso, 7 – depois de um [antes inimaginável] presidente negro (qualidade com que se distinguiu), 8 – de outra [antes improvável] presidentA nos EUA e para o ano que vem, 9 – António Guterres, no Palácio de Cristal, em Manhattan, no “fórum dos fóruns” a influenciar os «donos-de-tudo-isto»
que não seja(m) a materialização de desígnios divinos.

É evidente que essa minha auspiciosa dúvida teve fautores e fautrizes
— António Vitorino, profundo conhecedor dos meandros dessa tipologia dizia que “apenas por efeito de um gigantesco escândalo diplomático poderia não vir Guterres a ser eleito Secretário-Geral da ONU” como se a diplomacia fosse, pela sua natureza, menos ou diferente do que uma inimaginável cordilheira de escândalos de feitios e magnitudes inimagináveis;
— uma jornalista, Ana Sá Lopes, do particular rol “Ela e os Políticos” confidenciou
«1999 – uma colega conta-me que António Guterres – candidato a primeiro-ministro – tinha dito que o seu sonho era ser Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. O homem era candidato a primeiro-ministro e era muito provável que ganhasse as eleições. ACNUR? O que era aquilo? Um sonho, um desabafo? (…) muitos anos mais tarde percebemos que não se tratava de nenhum estado de alma passageiro.»
Fiquei a saber que o senhor com a obstinação de um místico filou a “Missão e o encargo” há décadas. É um sacerdócio, portanto!
o senhor professor doutor Adriano Moreira não faz as contas por menos, e escreve «o engenheiro António Guterres destacou-se como o estadista mais encorajado para assumir a tarefa, que inclui a reabilitação da ONU. Será mais um dobrar de sinos de finados da ONU a manobra de remeter o processo para uma opção de "instituição espectáculo", a favor de interesses protegidos por negociações ocultas e ilegais» caso contrário, «será apropriado levar flores ao túmulo de Dag Hammarskjöld [que Deus o tenha!].»

Corria isto pelo melhor quando [inesperadamente] ouço «A Bulgária mudou a sua candidata ao cargo de secretário-geral da ONU — é Kristalina Georgieva e é apoiada pela chanceler alemã, Angela Merkel (…)»

O que sucedeu foi que naquele meio lodoso brotou uma nova flor de lótus*. Outra! Se não estou equivocado já vai na dezena. É sinal de que o meio é propício, e recomenda-se. Não é em águas correntes, salubres e com fundos limpos, que enviçam as flores de lótus.



* simboliza a pureza, a sabedoria, a paz, a prosperidade,…

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Reportório perpétuo

Variações de Goldberg

Variação 28
«Toccata com um grande número de passagens com cruzamento de mãos.
A peça começa com um padrão — a mão direita toca três notas por compasso, criando uma linha melódica acima dos trinados tocadas pela mão esquerda. Segue-se uma "secção" em que ambas as mãos tocam em movimento contrário.» *
— — —
Bom recital!



* Wikipedia

sábado, 17 de setembro de 2016

Ontem, hoje e amanhã



Do refinamento de uma ignota gentalha só pode resultar uma insigne escória.

Para reajustar a consciência ou minorar o risco de me equivocar — não vá, aqui ou ali, deixar-me levar pela reclamada qualidade dos “coisos” e essência da “coisa” — com a bosta que compõe o lodeiro aonde me atasquei — decerto para remir os meus pecados — não será, de certeza, com o recém-editado livro «Eu e os Políticos» da autoria de José António Saraiva que o farei.
Para perscrutar o actual patriciado sem me enganar, e sem necessitar de reajustamentos na alça e na mira, prefiro as «Cartas particulares a Marcello Caetano» [1º e 2º volumes] de José Freire Antunes que contêm uma (diminuta) parte da [deliciosa] correspondência de inúmeros invertebrados na maioria dos casos gente vil, cínica, obsequiosa, genuflectidos [é como levam a vida], — «Quando alguém percebe que o inimigo é mais fraco, fica-lhe com raiva; quando percebe que o inimigo é mais forte, fica-lhe com medo» (S. Tomás de Aquino) — crápulas que chupavam até mais não poderem nos úberes da “vaca fascista” para num ápice, num flic-flac, serem os mais indefectíveis e inveterados “democratas".
Enquanto cidadão o que me interessa – isso, sim – é que as “impressões” de Jorge de Sena exaradas em carta dirigida a Artur Portela Filho, 1978
«(…) apenas desejam sobreviver-se uns aos outros, à custa uns dos outros, e necessariamente ainda que não o digam nem confessem, à custa do povo português. Ninguém insiste em esclarecer o povo (…) Todos o que no fundo querem é desacreditar o vizinho, mesmo que isso seja feito à custa da ignorância de um povo inteiro, ou grande parte dele (…) Escândalo público é o erro que se não critica, o desmando que se não liquida, a tripa-forra que faz a gente pensar que a maior parte de algumas pessoas o que querem é almoçar no (…) e nos restaurantes do faduncho de luxo, e dormir com as putas (…)»

ainda hoje valem o mesmo que vale uma moeda de ouro, raríssima, para um numismata. Ademais José António Saraiva à semelhança de outros videirinhos não pretende legar “obra”; pretende fazer dinheiro – à custa de mundanidades. 

Em 2010, São José Almeida, jornalista (Público), deu à estampa algo do género «Homossexuais no Estado Novo» encomiasticamente recebido pela esquerdalha autóctone acolitados pelos “híbridos” da ILGA e demais rosáceas saltitantes que, agora, se remexem um tanto ou quanto indignaditas.