quinta-feira, 14 de abril de 2016

Patinhar



A. Resolvi fazer uma experiência. Da leitura a um blog da m/preferência editei, no Facebook, «As putas do Panamá». Sabendo de antemão a “importância” dos bonequinhos e dado que no post original não os havia, resolvi juntar-lhe uma fotografia. Resolvi submeter-me à letra do título e editei uma fotografia de uma prostituta pernas abertas ao pagode. Resultado: os acessos à página quadruplicaram, comparativamente à média, mas menos de 10% das visitas ficaram registadas com «Ver mais» – significa que menos de 10% se dispuseram a ir à “fonte” ler o texto. 
A providência ministra o embrutecimento, compassivamente  
Gómez Dávila

B. Hoje da leitura às “secções opinativas” da imprensa – Público, Diário de Notícias, Observador, Diário Económico, Correio da Manhã, Dinheiro Vivo – … de dezassete textos destaquei três — dois [«A ambição é motor de progresso» de Eugénio Viassa MonteiroO partido da mobilidade social (descendente)?» de Elísio Estanque] pelas piores razões e outro [«40% das empresas vão morrer nos próximos 10 anos» de Nuno Cintra Torres] pela melhor das razões.

1. O texto de Eugénio Viassa Monteiro é a vários títulos “chover no molhado”, não acrescenta um avo e, pior, é de uma rudimentaridade! – enviesada, pelo facto de o autor ignorar que “o Rossio não cabe na Betesga”
«A situação “todos bem e contentes” é acomodatícia. Os países europeus viveram uma longa abastança, em parte por mérito próprio (…) e, em boa parte, da transferência da riqueza das colónias (veja-se a desgraçada exploração da Índia pelo Reino Unido). (…) Sem problemas, a força criativa do espírito jovem aborrece-se. (…) Felizmente, parte das colónias espezinhadas despertaram após a independência e retomaram o brilho intelectual e a capacidade de inventar e produzir, como sempre tinham feito antes da colonização. (…)»

2. O texto de Elísio Estanque não passa de um “panfleto” de cariz político-social. Diferente não seria expectável, convenhamos. Faz parte do contraditório doméstico ao pugnado por Paulo Rangel naquele mesmo jornal. Elísio Estanque está “enquadrado” pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Elísio Estanque fora desse “líquido” é um peixe morto que não consegue nem mais nem melhor do que
«Uns tempos sem vir a Lisboa e eis que me sinto num lugar algo deslocado; um lugar que acolhe gente de multiplas origens, etnias e crenças; mas que espelha nas suas poses uma paisagem incaracteristica e de abandono; uma Lisboa policromática e de gente sofrida, mas artificial e (quase) sem lisboetas, que me deixou, hoje, um estranho sabor... A condizer com o sabor da ginginha que, além de servida em copo de plástico, me pareceu "batizada"...»

Observação: este textículo é miserável do ponto de vista do português estragado “me sinto num lugar algo deslocado” e, direi assim, sobretudo da eivada babosa neo-realista — i) há alguma urbe mais ou menos cosmopolita que não ostente “uma paisagem incaracterística”?; ii) existirá decerto, algures, alguma que não seja percorrida ou preenchida, em parte, por uma mole de gente “sofrida”!

Não se tratasse de um professor universitário era ridículo; dado tratar-se de um professor universitário é deplorável.
Quanto mais graves são os problemas, maior é o número de ineptos a que a democracia apela
Gómez Dávila

3. por fim o texto de Nuno Cintra Torres que, por razões várias, merece leitura atenta apesar de pouco mais fazer do que compilar uma série de autores/avisos/esclarecimentos de pessoas que estudam e pensam e a que a nossa comunicação social pouca divulgação dá além de serem ostracizados pela nossa intelectualidade e pela nossa comunidade política – excepcionando, claro, os “circuitos-fechados” das conferências/debates/mesas redondas/… aonde “perambulam” as mesmas seis ou sete centenas de criaturas.

A preterição a) por parte da comunicação social deve-se evidentemente ao facto de se tratar de assunto que não vende [e neste caso, ao contrário de tantos outros, já não vale a alegação «os gostos/preferências da população educa-se»]; b) por parte da comunidade política pela  razão, cínica, de que tudo o que lhe subjaz destoa da lengalenga do “mais, melhor e mais bem pagos” empregos com que enchem a boca, e iludem a maralha [é a isto que designam por discurso da esperança, dos afectos, etc…].

«A “Era digital” é uma realidade fortíssima (…) segundo John Chambers, Executive Chairman da Cisco, nada vimos. Quando houver 500 biliões de dispositivos ligados à internet, tudo será ou estará transformado – modo de viver, negócios, sistemas de saúde. Modelos de negócio nascerão e morrerão a alta velocidade – surgirão gigantescas oportunidades e as rupturas serão imensas. Chambers avalia em 19 triliões o valor económico na próxima década (…) Chambers lança o aviso às empresas e aos governos: ou abraçam a ruptura digital, ou serão esmagados. Provavelmente 40% cento das empresas não existirão dentro de 10 anos. Segundo Eric Scmidt, Executive Chairman da Google, aparecerão aplicações e negócios mais fracturantes do que a Uber, o serviço de carros de aluguer.

Três forças conjugaram-se para criar um novo e  monstruoso recurso computacional: computação na nuvem, ‘big data’ e ‘machine learning’. (…) O novo poder computacional penetra todas as atividades. (…) o exemplo recente mais espectacular é o de dois ‘hedge fund quants’ fundos de investimento que escolhem acções  baseando-se em análise quantitativa, suportados em modelos computacionais que determinam se um investimento é atractivo. (…)»

Ter razão é a primeira razão para não obter êxito
Goméz Dávila

quinta-feira, 24 de março de 2016

As nossas Páscoas



Se são bezerros ou cordeiros, desde que cumpram a(s) “funções”, tanto faz.
Quais são (as funções)?
– Legitimar, de acordo com as regras determinadas, os poderes democráticos instituídos;
– Serem usados como alvo retaliatório pela vizinhança "desavinda ou hostil”;
– Serem usados como símbolos sacrificiais pelos ‘síndicos’ do «grande condomínio» aspergindo os povos com o sangue dos imolados na ara da «Santa Aliança»

 Segundo o Velho Testamento assim era efectuado e assim fez MoisésÊxodo 24:7-8 e Levítico 1:10 — e segundo o Novo Testamento foi repetido pelo Cordeiro de Deus, Jesus, que se submeteu à sevícia e crucificação presumindo remir as culpas e os pecados da humanidade. Não remiu e, parece-me, a Humanidade não ficou penhorada nem agradecida.

Um dos terroristas de Bruxelas foi deportado pela Turquia em Junho de 2015”, revelou o Presidente turco, Tayyip Erdogan. Declarou mais  Tayyip Erdoganas autoridades belgas foram informadas, mas deixaram o suspeito em liberdade por não terem sido detectadas ligações a actividades terroristas”. E Tayyip Erdogan esclareceu, e ‘denunciou’ mais: “ignoraram os avisos de Ancara de que se tratava de um militante com ligações ao radicalismo islâmico”.

Comparativamente ao chinfrim que a comunicação social faz com as bovinas expressões de pesar dos rebanhos — em Bruxelas, hoje, como ontem em Paris e anteontem em Madrid, … — a ênfase dada às declarações do presidente turco foi/é nenhuma. E é revoltante por ser nenhuma.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Samba de uma nota só



Eis aqui este sambinha
Feito numa nota só,
Outras notas vão entrar
Mas a base é uma só.

(…)

Quanta gente existe por aí 
Que fala fala e não diz nada, 
Ou quase nada. 
Já me utilizei de toda escala 
E no final não sobrou nada, 
Não deu em nada.

(…)
Tom Jobim


Escrevi que “nada de estratégico ficaria solucionado”. Não está; não ficará.

Acrescento agora sem risco de erro que, táctico, pouco será alcançado: na perspectiva de quantos desejam arredar o(s) bando(s) da designada «base aliada»/Dilma/Lula/CUT/…; na perspectiva dos detentores do poder [federal] afianço que, logrando suster a “vaga” ou a prazo inverter o “jogo”, necessitarão apenas de [à semelhança da «base aliada» lusitana] satisfazer mínimos ou seja ter forma de distribuir “mortadela”, aguardando que a inversão de ciclo (económico) se opere. Essa «operação» — a proximidade dos Jogos Olímpicos, para-Olímpicos, a responsabilidade da Nação, a imagem que repassa, etecétera e tal— está em marcha, naturalmente. Se não bastar, paciência. Será mau sinal para todos.



Do muito que li e ouvi da parte de “especialistas” e entusiastas concluo que estarão desolados. Não admira — sabendo-se que i) as elites (assim designadas) são na maioria das vezes, e independentemente da localização geográfica,  como nenúfares – pelam-se "por", vicejam em águas estagnadas e pútridas; ii) a “intelectualidade”, isto é os produtores de palavras, é a primeira a corromper-se e por fim, iii) que esperar de uma população que se mobiliza e vem para a rua bradar, promover desordens, partir montras,…contra o encarecimento de dois cêntimos nos passes dos transportes públicos e, face a um saque contínuo desta dimensão, vacila e propõe-se encontrar alternativa com Marina Silva (a ecologista ganha nos quatro cenários propostos pelo Datafolha/Presidenciais de 2018)?