A. Resolvi fazer uma experiência. Da leitura a um blog da m/preferência editei, no
Facebook, «As putas do Panamá». Sabendo de antemão a
“importância” dos bonequinhos e dado que no post
original não os havia, resolvi juntar-lhe uma fotografia. Resolvi submeter-me à
letra do título e editei uma fotografia de uma prostituta pernas abertas ao
pagode. Resultado: os acessos à página
quadruplicaram, comparativamente à média, mas menos de 10% das visitas ficaram
registadas com «Ver mais» – significa que menos de 10% se
dispuseram a ir à “fonte” ler o texto.
A providência ministra
o embrutecimento, compassivamente
Gómez Dávila
B. Hoje da
leitura às “secções opinativas” da imprensa – Público, Diário de Notícias, Observador,
Diário Económico, Correio da Manhã, Dinheiro Vivo – … de dezassete textos
destaquei três — dois [«A ambição é motor de progresso» de Eugénio Viassa Monteiro/«O partido da mobilidade social (descendente)?» de Elísio Estanque] pelas piores razões e outro [«40%
das empresas vão morrer nos próximos 10 anos» de ] pela
melhor das razões.
1. O texto de Eugénio
Viassa Monteiro é a vários títulos “chover no molhado”, não acrescenta um
avo e, pior, é de uma rudimentaridade! – enviesada, pelo facto de o autor
ignorar que “o Rossio não cabe na Betesga”
«A situação “todos bem e contentes” é
acomodatícia. Os países europeus viveram uma longa abastança, em parte por
mérito próprio (…) e, em boa parte, da
transferência da riqueza das colónias (veja-se a desgraçada exploração da
Índia pelo Reino Unido). (…) Sem
problemas, a força criativa do espírito jovem aborrece-se. (…) Felizmente, parte das colónias espezinhadas
despertaram após a independência e retomaram o brilho intelectual e a
capacidade de inventar e produzir, como sempre tinham feito antes da
colonização. (…)»
2. O texto de Elísio
Estanque não passa de um “panfleto” de cariz político-social. Diferente não
seria expectável, convenhamos. Faz parte do contraditório doméstico ao pugnado
por Paulo Rangel naquele mesmo jornal. Elísio Estanque está “enquadrado” pelo
Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Elísio Estanque fora
desse “líquido” é um peixe morto que não consegue nem mais nem melhor do que
«Uns tempos sem vir a Lisboa e eis que me
sinto num lugar algo deslocado; um lugar que acolhe gente de multiplas origens,
etnias e crenças; mas que espelha nas suas poses uma paisagem incaracteristica
e de abandono; uma Lisboa policromática e de gente sofrida, mas artificial e
(quase) sem lisboetas, que me deixou, hoje, um estranho sabor... A condizer com
o sabor da ginginha que, além de servida em copo de plástico, me pareceu
"batizada"...»
Observação:
este textículo é miserável do ponto de vista do
português estragado “me sinto num lugar algo deslocado” e, direi assim, sobretudo
da eivada babosa neo-realista — i) há alguma urbe mais ou menos cosmopolita que
não ostente “uma paisagem incaracterística”?; ii) existirá decerto, algures,
alguma que não seja percorrida ou preenchida, em parte, por uma mole de gente “sofrida”!
Não se tratasse de um professor
universitário era ridículo; dado tratar-se de um professor universitário é
deplorável.
Quanto mais graves são os problemas, maior é
o número de ineptos a que a democracia apela
Gómez Dávila
3. por fim o texto de Nuno
Cintra Torres que, por razões várias, merece leitura atenta apesar de pouco
mais fazer do que compilar uma série de autores/avisos/esclarecimentos de
pessoas que estudam e pensam e a que a nossa comunicação social pouca
divulgação dá além de serem ostracizados pela nossa intelectualidade e pela
nossa comunidade política – excepcionando, claro, os “circuitos-fechados” das conferências/debates/mesas
redondas/… aonde “perambulam” as mesmas seis ou sete centenas de criaturas.
A preterição a) por
parte da comunicação social deve-se evidentemente ao facto de se tratar de
assunto que não vende [e neste caso, ao contrário de tantos outros, já não vale
a alegação «os gostos/preferências da população educa-se»]; b) por
parte da comunidade política pela razão,
cínica, de que tudo o que lhe subjaz destoa da lengalenga do “mais, melhor e
mais bem pagos” empregos com que enchem a boca, e iludem a maralha [é a isto
que designam por discurso da esperança, dos afectos, etc…].
«A “Era digital” é uma realidade fortíssima (…)
segundo John Chambers, Executive Chairman
da Cisco, nada vimos. Quando houver 500 biliões de dispositivos ligados à
internet, tudo será ou estará transformado – modo de viver, negócios, sistemas
de saúde. Modelos de negócio nascerão e morrerão a alta velocidade – surgirão
gigantescas oportunidades e as rupturas serão imensas. Chambers avalia em 19
triliões o valor económico na próxima década (…) Chambers lança o aviso às empresas e aos governos: ou abraçam a
ruptura digital, ou serão esmagados. Provavelmente 40% cento das empresas não
existirão dentro de 10 anos. Segundo Eric Scmidt, Executive Chairman da Google,
aparecerão aplicações e negócios mais fracturantes do que a Uber, o serviço de
carros de aluguer.
Três forças conjugaram-se para criar um novo
e monstruoso recurso computacional: computação na nuvem, ‘big data’
e ‘machine learning’. (…) O novo
poder computacional penetra todas as atividades. (…) o exemplo recente mais espectacular é o de dois ‘hedge fund quants’ –
fundos de investimento que escolhem acções
baseando-se em análise quantitativa,
suportados em modelos computacionais que determinam se um investimento é atractivo.
(…)»
Ter razão é a primeira razão para não obter
êxito
Goméz Dávila



