quinta-feira, 24 de março de 2016

As nossas Páscoas



Se são bezerros ou cordeiros, desde que cumpram a(s) “funções”, tanto faz.
Quais são (as funções)?
– Legitimar, de acordo com as regras determinadas, os poderes democráticos instituídos;
– Serem usados como alvo retaliatório pela vizinhança "desavinda ou hostil”;
– Serem usados como símbolos sacrificiais pelos ‘síndicos’ do «grande condomínio» aspergindo os povos com o sangue dos imolados na ara da «Santa Aliança»

 Segundo o Velho Testamento assim era efectuado e assim fez MoisésÊxodo 24:7-8 e Levítico 1:10 — e segundo o Novo Testamento foi repetido pelo Cordeiro de Deus, Jesus, que se submeteu à sevícia e crucificação presumindo remir as culpas e os pecados da humanidade. Não remiu e, parece-me, a Humanidade não ficou penhorada nem agradecida.

Um dos terroristas de Bruxelas foi deportado pela Turquia em Junho de 2015”, revelou o Presidente turco, Tayyip Erdogan. Declarou mais  Tayyip Erdoganas autoridades belgas foram informadas, mas deixaram o suspeito em liberdade por não terem sido detectadas ligações a actividades terroristas”. E Tayyip Erdogan esclareceu, e ‘denunciou’ mais: “ignoraram os avisos de Ancara de que se tratava de um militante com ligações ao radicalismo islâmico”.

Comparativamente ao chinfrim que a comunicação social faz com as bovinas expressões de pesar dos rebanhos — em Bruxelas, hoje, como ontem em Paris e anteontem em Madrid, … — a ênfase dada às declarações do presidente turco foi/é nenhuma. E é revoltante por ser nenhuma.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Samba de uma nota só



Eis aqui este sambinha
Feito numa nota só,
Outras notas vão entrar
Mas a base é uma só.

(…)

Quanta gente existe por aí 
Que fala fala e não diz nada, 
Ou quase nada. 
Já me utilizei de toda escala 
E no final não sobrou nada, 
Não deu em nada.

(…)
Tom Jobim


Escrevi que “nada de estratégico ficaria solucionado”. Não está; não ficará.

Acrescento agora sem risco de erro que, táctico, pouco será alcançado: na perspectiva de quantos desejam arredar o(s) bando(s) da designada «base aliada»/Dilma/Lula/CUT/…; na perspectiva dos detentores do poder [federal] afianço que, logrando suster a “vaga” ou a prazo inverter o “jogo”, necessitarão apenas de [à semelhança da «base aliada» lusitana] satisfazer mínimos ou seja ter forma de distribuir “mortadela”, aguardando que a inversão de ciclo (económico) se opere. Essa «operação» — a proximidade dos Jogos Olímpicos, para-Olímpicos, a responsabilidade da Nação, a imagem que repassa, etecétera e tal— está em marcha, naturalmente. Se não bastar, paciência. Será mau sinal para todos.



Do muito que li e ouvi da parte de “especialistas” e entusiastas concluo que estarão desolados. Não admira — sabendo-se que i) as elites (assim designadas) são na maioria das vezes, e independentemente da localização geográfica,  como nenúfares – pelam-se "por", vicejam em águas estagnadas e pútridas; ii) a “intelectualidade”, isto é os produtores de palavras, é a primeira a corromper-se e por fim, iii) que esperar de uma população que se mobiliza e vem para a rua bradar, promover desordens, partir montras,…contra o encarecimento de dois cêntimos nos passes dos transportes públicos e, face a um saque contínuo desta dimensão, vacila e propõe-se encontrar alternativa com Marina Silva (a ecologista ganha nos quatro cenários propostos pelo Datafolha/Presidenciais de 2018)?

domingo, 20 de março de 2016

Da autoridade

(ou deveria escrever "auctoritas"?)
«A extraordinária quantidade de especialistas em política brasileira que ocupou as nossas televisões e imprensa dispensa os palpites de um leigo.»
 Alberto Gonçalves

Nem mais nem menos. Ou seja, exactamente! Também eu “disse” o que se me aprouve “dizer” e se mais não digo é por ainda me supôr um leigo. Tal e qual! Faltam-me 
– duas banhocas: uma na praia de Joatinga [para certificar a comunhão com a fina flor do entulho da região] e outra na praia do Vidigal [para certificar “sociologicamente” o conhecimento sobre a desgraçada vida dos favelados]; 
– uma balada de funk à mistura com hip-hop na Gávea; 
– emborcar uma caipirinha algures no interior de Minas, em Araxá, ao pôr-do-sol
por forma a garantir em termos substantivos, leia-se valia técnico-científica, ao (meu) mestrado ou doutoramento. Ah! E ser tão desavergonhado, presunçoso e atrevido quanto são a maioria dos que li.

Obs.: prescindo (contra toda a evidência) de certificação que respeite ao carnaval do Rio de Janeiro por ter a certeza que, de tão vulgar (não há mané que não o possua!), vale perto de zero e mais a mais por deter outros muitíssimo mais valiosos em termos absolutos — o das festas ao Boi-Bumbá/ Manaus e do carnaval, sim, mas de Olinda ao som frevo e ritmo do maxixe.