segunda-feira, 21 de março de 2016

Samba de uma nota só



Eis aqui este sambinha
Feito numa nota só,
Outras notas vão entrar
Mas a base é uma só.

(…)

Quanta gente existe por aí 
Que fala fala e não diz nada, 
Ou quase nada. 
Já me utilizei de toda escala 
E no final não sobrou nada, 
Não deu em nada.

(…)
Tom Jobim


Escrevi que “nada de estratégico ficaria solucionado”. Não está; não ficará.

Acrescento agora sem risco de erro que, táctico, pouco será alcançado: na perspectiva de quantos desejam arredar o(s) bando(s) da designada «base aliada»/Dilma/Lula/CUT/…; na perspectiva dos detentores do poder [federal] afianço que, logrando suster a “vaga” ou a prazo inverter o “jogo”, necessitarão apenas de [à semelhança da «base aliada» lusitana] satisfazer mínimos ou seja ter forma de distribuir “mortadela”, aguardando que a inversão de ciclo (económico) se opere. Essa «operação» — a proximidade dos Jogos Olímpicos, para-Olímpicos, a responsabilidade da Nação, a imagem que repassa, etecétera e tal— está em marcha, naturalmente. Se não bastar, paciência. Será mau sinal para todos.



Do muito que li e ouvi da parte de “especialistas” e entusiastas concluo que estarão desolados. Não admira — sabendo-se que i) as elites (assim designadas) são na maioria das vezes, e independentemente da localização geográfica,  como nenúfares – pelam-se "por", vicejam em águas estagnadas e pútridas; ii) a “intelectualidade”, isto é os produtores de palavras, é a primeira a corromper-se e por fim, iii) que esperar de uma população que se mobiliza e vem para a rua bradar, promover desordens, partir montras,…contra o encarecimento de dois cêntimos nos passes dos transportes públicos e, face a um saque contínuo desta dimensão, vacila e propõe-se encontrar alternativa com Marina Silva (a ecologista ganha nos quatro cenários propostos pelo Datafolha/Presidenciais de 2018)?

domingo, 20 de março de 2016

Da autoridade

(ou deveria escrever "auctoritas"?)
«A extraordinária quantidade de especialistas em política brasileira que ocupou as nossas televisões e imprensa dispensa os palpites de um leigo.»
 Alberto Gonçalves

Nem mais nem menos. Ou seja, exactamente! Também eu “disse” o que se me aprouve “dizer” e se mais não digo é por ainda me supôr um leigo. Tal e qual! Faltam-me 
– duas banhocas: uma na praia de Joatinga [para certificar a comunhão com a fina flor do entulho da região] e outra na praia do Vidigal [para certificar “sociologicamente” o conhecimento sobre a desgraçada vida dos favelados]; 
– uma balada de funk à mistura com hip-hop na Gávea; 
– emborcar uma caipirinha algures no interior de Minas, em Araxá, ao pôr-do-sol
por forma a garantir em termos substantivos, leia-se valia técnico-científica, ao (meu) mestrado ou doutoramento. Ah! E ser tão desavergonhado, presunçoso e atrevido quanto são a maioria dos que li.

Obs.: prescindo (contra toda a evidência) de certificação que respeite ao carnaval do Rio de Janeiro por ter a certeza que, de tão vulgar (não há mané que não o possua!), vale perto de zero e mais a mais por deter outros muitíssimo mais valiosos em termos absolutos — o das festas ao Boi-Bumbá/ Manaus e do carnaval, sim, mas de Olinda ao som frevo e ritmo do maxixe.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Desaforos ao «Foro»



Abaixo do Equador, lá pelas terras de Vera Cruz nada estratégico ficará solucionado porque 1 – dois terços da populaça não faz a mínima ideia do que está em causa [a raiz/natureza/dimensão do “problemão”] — a corrupção (generalizada) foi uma doença, aguda, enquanto existia a necessidade de a esconder; a partir do momento em que começou a ser praticada às escâncaras passou a crónica e assim a uma forma de vida — e 2 – do terço que tem ideia e/ou sabe i) metade não tem por agora razões ponderáveis para se preocupar e ii) a outra metade está ideologicamente envolvida na “luta”.

O “desforço” político instigado pela infrene corrupção ao nível do aparelho do Estado não é estratégico. Aliás, nada de estratégico é alcançado sem que da solução faça parte a “limpeza” do PMDB e do PSDB, os “tucanos”, de Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin e isso não será feito, obviamente.

A realidade, difusa, é esta.

Esta é uma “batalha” brasileira, mas a “guerra” é internacional/continental. 
Esta batalha brasileira é por natureza idêntica à que é travada a norte, na Venezuela, desde Chavez; é a que se travará na Bolívia de Evo Morales [o ex-líder sindical dos cocaleros do Movimento para o Socialismo/ Instrumento Político pela Soberania dos Povos e que eleito presidente tratou da «agenda» – reforma agrária e nacionalização de sectores-chave da economia]; é a que a oeste, na Colômbia, conheceu desenvolvimentos ambíguos a partir de Álvaro Uribe que foi quem, sob a capa de uma aparente pacificação, amnistiou o terrorismo das FARC e “indultou” os criminosos, fechando os olhos ao narcotráfico com que as FARC se sustentaram por décadas,… 
As “lutas” prosseguirão da Guatemala à Nicarágua, de Cuba à Argentina,…

A “guerra” foi declarada em Julho de 1990, em S. Paulo, quando o Partido dos Trabalhadores (PT) convocou e reuniu 48 partidos e organizações representativas de outras experiências e matrizes político-ideológicas de todo o continente latino-americano e do Caribe — Foro de S. Paulo — com o objectivo de debater a nova conjuntura internacional pós-queda do Muro de Berlim e implementar uma “alternativa popular e democrática”*.
Perceber isto é essencial.




*é, no aranzel canhoto, o eufemismo para comunismo. Sempre foi!

quinta-feira, 10 de março de 2016

Do Fossabook


— No pretérito dia 5 de Março, escrevi
«Uma sociedade de ranhosos não pode gerar senão ranhosos — uns mais distintos do que outros, ainda assim ranhosos; o resto é questão de oportunidade. Os que de facto não o são (se ou quando podem) “fogem” e jamais preenchem um minuto das suas vidas com devaneios de retornos. Continuamos mais Armani menos Channel, mais Buck's Twizz menos copo de tinto a ser uma sociedade de ranhosos.»; 
— Ontem, numa nota, “suspirei” por decência;
— Hoje o prestimoso serviço que o Facebook me presta, trouxe-me o que consta na gravura. 

A que título é que tenho de aturar ranhosos?! Só por tara. Ou adicção! 
Aquilo é uma fossa a céu aberto. 
Ranhosos. Irremediavelmente…