Por “ondas”, isto faz que mexe. Isto e o efeito criado pelo embate de uma pedra na superfície
de um lago são a mesma “coisa”. O charco é o que sempre foi. E o efeito é
nenhum.
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O Ministério da Educação do
Brasil tem (para discussão pública!) um projecto designado «Base Nacional Comum
Curricular» que propõe eliminar do plano de estudos até ao “ensino médio” a
obrigatoriedade do estudo da literatura portuguesa — Gil Vicente, Camões,
Fernando Pessoa, Pe. António Vieira, Eça de Queirós, …ficam ao critério
do gosto, humor ou ideologia do professor. Porquê? Porque Portugal foi o
colonizador, explorou (as riquezas) escravizou (indígenas e as populações
negras de África) e por consequência, está na hora de dar voz à cultura dos oprimidos.
Por cá alguém sentiu agitação na superfície da água do charco? Não… meia-dúzia de
maluquitos a atirar umas pedritas, se tanto. Já o contrário seria motivo para
espanto, convenhamos. A “onda” é a citação a esmo [dos mais ilustres e representativos dignitários do Estado ao mais
imbecil “zé-mané”] de Sérgio Godinho, Jorge Palma, António Zambujo,
Anselmo Ralph,… — vultos da cultura lusa, contemporânea. Se não é verdade então
o equívoco não é meu: é, a título de exemplo, do futuro Presidente da
República, prof. dr. Marcelo Rebelo de Sousa. As explicações, embora implícitas,
constam do programa das “festividades” para o dia da sua posse.
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A endocrinologista Isabel do
Carmo, ex-terrorista [devia estar a redigir, para
edição póstuma, uma espécie de «Memórias do Cárcere»], tratou de
esclarecer o pagode que o neoliberalismo faz mal. Faz sempre mal — nos países ricos
produz obesos; nos países pobres produz esfaimados, esquálidos; nos países remediados
lixa a classe média. O “capitalismo” é a peste, concordo. É de tal forma nefasta
e insidiosa que para fazer pela vida cria o rentabilissimo anti-capitalismo. De
tal forma que por exemplo, em França, François Maspero criou uma editora cujo core business era fomentar o comunismo
pela edição de “pensadores” marxistas, exclusivamente. A revolução tropeçou mas
François Maspero, enriqueceu. No final das contas o resultado é: não é à “peste”
que deve ser assacada a idiotia das manadas.
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As frenéticas e brilhantes
mentes do Bloco de Esquerda resolveram celebrar o júbilo com um cartaz que
presumiram, erradamente, ser provocador. Não é nem para a Igreja que reagiu
pelo porta-voz da Conferência Episcopal mais por obrigação do que por acusar a
estocada. Digo eu cristão, e católico (na medida em que não renunciei o sacramento
baptismal).
Há uma série de nuances que as mentes
brilhantes não apreenderam i)
lá vai o tempo em que os ápodos eram (não só na dialéctica e “retórica”) sua quase
propriedade, ii) lá vai o tempo em que
existia, à esquerda, no que concerne à opinião, comentário, mostra, narrativa,
repto,…um quase monopólio, iii)
lá vai o tempo em que os «opostos» (para início de “conversa”) postergavam (por
comodismo e/ou afectação/afecção pequeno-burguesa) a responder em “moeda conversível”
a invectivas da retórica erística como reaccionário, retrógrado e demais
epítetos, iv)… até lá vai o tempo em
que informação credível significava imprensa/comunicação social.
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As bestas não perceberam que
por mais pedrinhas que atirem não há como provocar um maremoto — um charco não
é um oceano — ... pedrinha a pedrinha, o mais que conseguirão é criar um monte
de pedras no lugar do charco. Ou secar o charco. Com a quantidade de calhaus
que por aí vagueia, não admira.