Não temo o plural majestático.
No fundo, é deste tipo de controvérsia que gostamos. É por uma polémica com
adornos destes que ansiamos. É imbecil das fímbrias até ao tutano, mas é por
dissensos destes que aspiramos. O facto é que se assim não fosse os políticos —
todos, considerados isoladamente ou em corpos — não se permitiriam vocalizar
justificações, explicações e o mais que os carregue desta forma infantil, absolutamente
idiota.
O PS, repleto de gente
imaginativa — tão imaginativa que parte sempre do princípio de que os outros são
tolos e por isso qualquer coisa basta —, justificou a falta de pano para fazer
o lençol, mais ou menos, assim
«As “dúvidas” de Bruxelas quanto à inscrição contabilística
das medidas», segundo A. Costa, «devem-se ao anterior governo: a Comissão Europeia estava convencida que os
cortes de salários e a sobretaxa [do IRS] eram definitivos.»
«E o que diziam aos
portugueses?» pergunta-se-lhe. E ele responde «Diziam que, por serem extraordinárias, eram
temporárias.»
Mas a quem disseram a verdade,
afinal? Mesmo supondo verdadeiras as “acusações” o facto é que, por mais voltas
que sejam dadas à poia conspirativa, 1 – disseram a verdade aos portugueses, e, 2 – o
que Pedro Passos Coelho, ou alguém por ele, disse aos de Bruxelas interesse
nada: rigorosamente nada.
É desnecessário acrescentar o
que seja, mas se —, por razões de que não me apercebo —, fôr então o caso muda
de figura e pelo menos no que respeita à ideia que encerram do povaréu, têm
razão: repristinam, e os receptores têm o que merecem.
Se para os pretendidos efeitos
não fôr suficiente tomar o rebanho indígena por uma embrulhada de idiotas
inermes, e proceder em conformidade nas palavras e nos actos, atesta-se
menoridade intelectual e a incapacidade técnica “dos de Bruxelas” e toca para a
frente.
Estes calhordas não têm
limites.



