domingo, 31 de janeiro de 2016

Creditam a farronca ou não?!


Não temo o plural majestático. No fundo, é deste tipo de controvérsia que gostamos. É por uma polémica com adornos destes que ansiamos. É imbecil das fímbrias até ao tutano, mas é por dissensos destes que aspiramos. O facto é que se assim não fosse os políticos — todos, considerados isoladamente ou em corpos — não se permitiriam vocalizar justificações, explicações e o mais que os carregue desta forma infantil, absolutamente idiota.

O PS, repleto de gente imaginativa — tão imaginativa que parte sempre do princípio de que os outros são tolos e por isso qualquer coisa basta —, justificou a falta de pano para fazer o lençol, mais ou menos, assim 
«As “dúvidas” de Bruxelas quanto à inscrição contabilística das medidas», segundo A. Costa, «devem-se ao anterior governo: a Comissão Europeia estava convencida que os cortes de salários e a sobretaxa [do IRS] eram definitivos.»
«E o que diziam aos portugueses?» pergunta-se-lhe. E ele responde «Diziam que, por serem extraordinárias, eram temporárias.» 
Mas a quem disseram a verdade, afinal? Mesmo supondo verdadeiras as “acusações” o facto é que, por mais voltas que sejam dadas à poia conspirativa, 1 – disseram a verdade aos portugueses, e, 2 – o que Pedro Passos Coelho, ou alguém por ele, disse aos de Bruxelas interesse nada: rigorosamente nada.

É desnecessário acrescentar o que seja, mas se —, por razões de que não me apercebo —, fôr então o caso muda de figura e pelo menos no que respeita à ideia que encerram do povaréu, têm razão: repristinam, e os receptores têm o que merecem. 
Se para os pretendidos efeitos não fôr suficiente tomar o rebanho indígena por uma embrulhada de idiotas inermes, e proceder em conformidade nas palavras e nos actos, atesta-se menoridade intelectual e a incapacidade técnica “dos de Bruxelas” e toca para a frente. 
Estes calhordas não têm limites.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Engraçados increpadores


Em conformidade com as regras de um determinado normativo litúrgico e respeitando escrupulosamente as recomendações inscritas nos manuais da logística insurgente um certo komentariado rabisca por quanto é muro, parede, porta, …, espalha(m) como mancha de óleo nas “redes sociais” que 1 – a grande derrotada foi Maria de Belém e 2 – aprofundam a azia contra a sua candidatura. Que foi fraccionista, de facção, divisionista, etc., dizem/escrevem. Há até guardiões desaustinados que verberam e proferem impropérios contra a «fraude», imagine-se. Ora, quer uma quer a outra coisa, são falsas. Não, não foi! O grande derrotado foi Sampaio da Nóvoa.

Seria ou não em Sampaio da Nóvoa que os votos em Marisa Matias [da rafeirada que se sente representada por aquela «Sociedade Protectora»], em Edgar Silva [nem que para isso tivessem de votar com máscaras cirúrgicas de protecção], parte dos 4% em Maria de Belém e outros tantos dos “brincalhões”, “rebeldes” e “do-contra-porque-sim” em Vitorino Silva, se concentrariam? Seria. Pois o facto é que os votos de Henrique Neto, Vitorino Silva, Edgar Silva, Marisa Matias, Maria de Belém, Sampaio da Nóvoa, somados, nada obtinham. O resto, na fonte e no percurso, foi táctica.

O que lhes tem falhado, então? Tem falhado, sempre, aquele número de não amestrados, de indomesticáveis que lhes permita encerrar o “ciclo” — o “ciclo” de resultados formalmente inatacáveis que lhes permita instituir «a política como ela deveria ser» em substituição d«a política como ela é» determinada por alguém saído do seu alfobre [aonde são produzidos «o melhor que tem a sociedade civil» para posterior transplante]  e que, por sua vez, lhes permitisse instalar um regime que estaria entre uma democracia popular e uma democracia popular.

É exactamente sobre isso o “lamento«Ciclo Incompleto» de hoje, do libérrimo Rui Tavares, no Público.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Depois queixam-se que não vendem o papel

Para não puxar muito pela memória "direi" É assim desde Castélio.
Não foi Castélio que fez história; foi Calvino. Quem não souber do que falo tenha o trabalho de ler Stefan Zweig e ficará a saber.

Hoje, o senhor Pedro Tadeu, jornalista, fez publicar no DN
 

Refere que foi instigado pelo jornal i que “recordou no dia 1, no 30.º aniversário da entrada de Portugal na CEE” e pelo Expresso que num artigo, coordenado por Pedro Santos Guerreiro, “dias antes explicava, tintim por tintim, como (…)”. 

É evidente que fico muito reconhecido e grato pelos diligentes e aturados exercícios de investigação jornalística e esclarecimento do Expresso, pela mão de Pedro Santos Guerreiro, do jornal i que se socorreu do Expresso e a Pedro Tadeu que se socorreu de ambos, apesar da inutilidade do empenho.
Se, por acaso, tivessem respigado o que editei a 10 de Dezembro de 2013 — «O hábito e o adicto» — encontrariam uma súmula das contas e bastar-lhes-ia fazer a comprovação. 
Mais vale tarde do que nunca. Parabéns. Mas parece-me que todos intentam "atacar" a «Segunda Curva», tardiamente. Quem não souber a que curva aludo tenha o trabalho de ler Charles Handy e ficará a saber.



Obs.: não subscrevo as parciais e enviesadas inferências dos senhores Pedro Tadeu e Pedro Santos Guerreiro.

domingo, 3 de janeiro de 2016

De (poucos) jornalistas e (das resmas de) lictores


Mais ou menos de há mês e meio para cá muito se tem ortografado nos jornais sobre jornais, jornalismo, jornalistas e assuntos correlatos. Há, jornalisticamente falando, algo em perigo? Não. Está alguma coisa das nossas vidas em perigo? Também não.De nada de importante se trata, considerando-se que o que há, afinal, não passam de aflições e dores de barriga de uns tantos profissionais que agora recebem a recompensa de uma década a desenrascar-se sem se terem preocupado com mais/outra ou diferente coisa senão escarafunchar. Nunca em sarar o que fosse. É em variadíssimos domínios o que melhor sabemos fazer; não pedimos meças a ninguém. Antecipo pois que, na defesa das suas “guaritas”, hão-de suscitar o espantalho de subtis ataques às liberdades fundamentais – no caso a liberdade de informação.

Já dei para esse “peditório”. Pouco falta para completar uma década – 29 de Março de 2006 – garatujei «As coisas simples em que se enrodilham os portugueses» — poucas palavras sobre uma localizada inquietude que por aí circulava com “as razões por que os jornais perdiam audiênciamenos 26 mil exemplares/edição”. Na ocasião assestei nas «económicas» e na «credibilidade jornalística» — as que me pareciam preponderantes [mais estas do que aquelas]. 
Para que me serve ler uma crónica ou comentário de António José Teixeira? O mesmo que ouvir comentários de Paulo Portas. E um escrito de Mário Mesquita? Menos do que ouvir Marcelo Rebelo de Sousa.”, questionava. Saudades, tenho-as de Vítor da Cunha Rego e de Helena Sanches Osório. O senso crítico e a isenção do jornalista não é nem melhor nem maior do que a do político. E o pior é que os interesses também vão sendo cada vez menos dissemelhantes”.
Agora não passaria sem anotar a minha aversão ao ridículo, à bizarria, ao caricato enfim, ao grotesco que nos é propiciado pelos desempenhos e “expertise” de uma turma de descamisados do teclado e da língua, cada qual de seu peronismo, como Pedro Marques Lopes, Fernanda Câncio, Paulo Baldaia,… Com excepção de uma dezena de opinadores/cronistas/comentadores, o resto são “capelas” de colectores e respigadores de informação/matéria alheia. Preletores é que não são. E não sendo ao menos escrevessem bem. O “papel impresso” naturalmente está condenado à extinção. O exercício destas turmas redundam numa “servidão” – abreviam-lhes o fim.

De passagem bicava nas têvês 
«Qual a contrapartida em pagar esses pouco atilados acometimentos dos (nossos) repórteres algures no deserto da Arábia Sauditaa armar em gente graúda? Saloiice

Quem não percebe isto é tolo; acredita no Pai Natal. Mais tarde verão que não há prenda.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Repetir a dose



(p´ra não esquecer)
 

Há nove anos, segundo este livro de bordo, não me esqueci de fazer figas. Pelos vistos tinha — e comprovou-se! — fortes razões para. Por acaso, mas só por acaso, estávamos no vestíbulo de um quinquénio glorioso – do PS sob a batuta de Sócrates.
Hoje, entre outras coisas, não me esquecerei de fazer figas. Por acaso, apenas por acaso, estamos no proémio [por enquanto a prefaciar a “obra”] de novo período glorioso – do PS sob a batuta de António Costa.
Desejo portanto que a todos faça o melhor proveito e que, a mim, cause semelhantes prejuízos – não os lamentarei. Saúde!