terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Depois queixam-se que não vendem o papel

Para não puxar muito pela memória "direi" É assim desde Castélio.
Não foi Castélio que fez história; foi Calvino. Quem não souber do que falo tenha o trabalho de ler Stefan Zweig e ficará a saber.

Hoje, o senhor Pedro Tadeu, jornalista, fez publicar no DN
 

Refere que foi instigado pelo jornal i que “recordou no dia 1, no 30.º aniversário da entrada de Portugal na CEE” e pelo Expresso que num artigo, coordenado por Pedro Santos Guerreiro, “dias antes explicava, tintim por tintim, como (…)”. 

É evidente que fico muito reconhecido e grato pelos diligentes e aturados exercícios de investigação jornalística e esclarecimento do Expresso, pela mão de Pedro Santos Guerreiro, do jornal i que se socorreu do Expresso e a Pedro Tadeu que se socorreu de ambos, apesar da inutilidade do empenho.
Se, por acaso, tivessem respigado o que editei a 10 de Dezembro de 2013 — «O hábito e o adicto» — encontrariam uma súmula das contas e bastar-lhes-ia fazer a comprovação. 
Mais vale tarde do que nunca. Parabéns. Mas parece-me que todos intentam "atacar" a «Segunda Curva», tardiamente. Quem não souber a que curva aludo tenha o trabalho de ler Charles Handy e ficará a saber.



Obs.: não subscrevo as parciais e enviesadas inferências dos senhores Pedro Tadeu e Pedro Santos Guerreiro.

domingo, 3 de janeiro de 2016

De (poucos) jornalistas e (das resmas de) lictores


Mais ou menos de há mês e meio para cá muito se tem ortografado nos jornais sobre jornais, jornalismo, jornalistas e assuntos correlatos. Há, jornalisticamente falando, algo em perigo? Não. Está alguma coisa das nossas vidas em perigo? Também não.De nada de importante se trata, considerando-se que o que há, afinal, não passam de aflições e dores de barriga de uns tantos profissionais que agora recebem a recompensa de uma década a desenrascar-se sem se terem preocupado com mais/outra ou diferente coisa senão escarafunchar. Nunca em sarar o que fosse. É em variadíssimos domínios o que melhor sabemos fazer; não pedimos meças a ninguém. Antecipo pois que, na defesa das suas “guaritas”, hão-de suscitar o espantalho de subtis ataques às liberdades fundamentais – no caso a liberdade de informação.

Já dei para esse “peditório”. Pouco falta para completar uma década – 29 de Março de 2006 – garatujei «As coisas simples em que se enrodilham os portugueses» — poucas palavras sobre uma localizada inquietude que por aí circulava com “as razões por que os jornais perdiam audiênciamenos 26 mil exemplares/edição”. Na ocasião assestei nas «económicas» e na «credibilidade jornalística» — as que me pareciam preponderantes [mais estas do que aquelas]. 
Para que me serve ler uma crónica ou comentário de António José Teixeira? O mesmo que ouvir comentários de Paulo Portas. E um escrito de Mário Mesquita? Menos do que ouvir Marcelo Rebelo de Sousa.”, questionava. Saudades, tenho-as de Vítor da Cunha Rego e de Helena Sanches Osório. O senso crítico e a isenção do jornalista não é nem melhor nem maior do que a do político. E o pior é que os interesses também vão sendo cada vez menos dissemelhantes”.
Agora não passaria sem anotar a minha aversão ao ridículo, à bizarria, ao caricato enfim, ao grotesco que nos é propiciado pelos desempenhos e “expertise” de uma turma de descamisados do teclado e da língua, cada qual de seu peronismo, como Pedro Marques Lopes, Fernanda Câncio, Paulo Baldaia,… Com excepção de uma dezena de opinadores/cronistas/comentadores, o resto são “capelas” de colectores e respigadores de informação/matéria alheia. Preletores é que não são. E não sendo ao menos escrevessem bem. O “papel impresso” naturalmente está condenado à extinção. O exercício destas turmas redundam numa “servidão” – abreviam-lhes o fim.

De passagem bicava nas têvês 
«Qual a contrapartida em pagar esses pouco atilados acometimentos dos (nossos) repórteres algures no deserto da Arábia Sauditaa armar em gente graúda? Saloiice

Quem não percebe isto é tolo; acredita no Pai Natal. Mais tarde verão que não há prenda.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Repetir a dose



(p´ra não esquecer)
 

Há nove anos, segundo este livro de bordo, não me esqueci de fazer figas. Pelos vistos tinha — e comprovou-se! — fortes razões para. Por acaso, mas só por acaso, estávamos no vestíbulo de um quinquénio glorioso – do PS sob a batuta de Sócrates.
Hoje, entre outras coisas, não me esquecerei de fazer figas. Por acaso, apenas por acaso, estamos no proémio [por enquanto a prefaciar a “obra”] de novo período glorioso – do PS sob a batuta de António Costa.
Desejo portanto que a todos faça o melhor proveito e que, a mim, cause semelhantes prejuízos – não os lamentarei. Saúde!





 



domingo, 27 de dezembro de 2015

Azar do próprio. Mansidão do rebanho (I)



Quem –, estrangeiro ou português a viver fora da circunscrição há tempo bastante para que tenha perdido a noção de como são e funcionam as “nossas coisas” –, aqui chegue e pegue nos jornais, lê no CM «Burocratas matam David»; pega no DN e vê «PGR abriu inquérito à morte de David Duarte. Negligência médica é outra das hipóteses de acusação» e um texto violento do jornalista Nuno Saraiva [se não me equivoco sub-director da “gazeta”] «Um crime sem perdão» e ainda outro, não menos violento Editorial, no Público, «Um preço demasiado alto para a incúria».
Quem –, estrangeiro ou português a viver fora da circunscrição há tempo bastante para que tenha perdido a noção de como são e funcionam as “nossas coisas” é [não é essa a intenção das “caixas” mas que um dos efeitos é esse, é!] — apesar da natureza do infausto acontecimento que origina tamanha indignação e palavrório — levado a esboçar um sorriso de satisfação e a concluir que a sociedade mexe, se inquieta e que “isto vai ao sítio”. Puro engano! “isto” são quinze dias o que equivale por dizer que existe enquanto os jornalistas constatarem que o sucedido está a render. Mas, se por acaso assim não suceder, do resto — o resto é a monstruosa pirâmide legal acrescida da administrativa, da processual e mais o “diabo-que-os-carregue” — já se encarregaram ao longo destes trinta e muitos anos os nossos lídimos representantes: cerzir a mortalha com que havemos de envolver os restos de uma criatura crente na justiça garantida pelo direito democrático, etecétera e tal… E se carecem de algo é insofismavelmente de crentes mui ciosos da “coisa” em que crêem.

A televisão dá "antena" à sra. D. Zélia Fonseca, mãe do malogrado David Duarte, para rogar a disponibilidade e a boa vontade de um advogado a fim de poder exercer, em termos, o mais elementar dos “ressarcimentos” pelo efectivo desprezo com que o filho foi atirado para dentro de um ataúde. Não admira que a senhora tenha de o fazer: afinal o David Duarte era com grande probabilidade apenas um zé-ninguém que, às tantas, se preocupava em aguentar o viver sem se alapar ao exercício dos seus «direitos» e nunca encontrara uma mezinha eficaz para se esquivar ao pagamento dos impostos, devidos, e contribuições, indevidas.Não espanta, portanto…
mais a mais porque se se tratasse de um qualquer “desvalido”, desajustado, filho de família desestruturada, transviado ou bandido [alegado ou apercebido como regenerável] de preferência se procedesse de África, Médio-Oriente [excepção feita a  israelitas, claro],…enfim, uma vítima da sociedade [as opções erradas do próprio nunca podem entrar nestas “contas”] e que satisfizesse a tipologia dos «enquadráveis» por uma qualquer ONG não teria necessidade de ir à televisão: teria, sem tugir ou mugir, a bater-lhe à porta uma falange (sem aspas) deles. Mas nunca é tarde: trata-se da predisposição para apurar a “técnica” e desempenhar comme il faut o papel.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

«Bolo Podre» e «Roupa Velha»



Jorge Tomé, ex-presidente do Banif, diz que “a venda foi um processo desastroso” e reclama “uma auditoria independente às contas, à (sua) gestão, …”; o Ministério Público encontra-se a analisar, no âmbito das suas competências, os elementos que têm vindo a público;  “O Banif é um assunto chocante e tem que ser explicado", defende Horta Osório, reconhecidíssimo banqueiro da City; perante notícias que dão conta de divisões no seio da administração do BdP, Carlos Costa, esclarece que a decisão foi tomada por unanimidade; António Costa, primeiro-ministro, responsabiliza o anterior Governo pelo arrastar do processo; o anterior primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, admitiu que “não teria uma solução muito diferente”; o PS, o PCP, o BE e a "melancia do PC" (Verdes) exigiram, à vez [só deve falar um de cada vez], uma comissão parlamentar de inquérito; o PSD, por sua vez, anunciou que “está disponível e pretende mais: pretende que “as averiguações vão até às razões que justificaram a capitalização do banco, em 2012”; o CDS-PP apressou-se a dizer que “natural e absolutamente a favor de uma comissão de inquérito” e que, obviamente, “quanto mais se souber e mais depressa se souber, melhor”; os avençados da opinião e comentarismo escrito e/ou falado engasgam-se de indignação e empurram-se para chegar à frente; os tempos de antena das rádios e das televisões em que os «indiferenciados» podem vociferar e sugerir soluções radicais [eu, cá por mim faria...] é o que se imagina; nas “redes (as)sociais” "esgoelam-se" e são mais os pontos de exclamação do que as letras;…



É espantoso como Portugal se levanta num só [sem exagero] quando deseja que haja chinfrim, nada se apure [isento de “mas” e/ou "ses"] e ninguém seja penalizado. Igual só no jantar da Consoada – bacalhau cozido com batatas e couves,…, sonhos. E está feito.