Quem –, estrangeiro ou
português a viver fora da circunscrição há tempo bastante para que tenha
perdido a noção de como são e funcionam as “nossas coisas” –, aqui chegue e
pegue nos jornais, lê no CM «Burocratas
matam David»; pega no DN e vê «PGR abriu inquérito
à morte de David Duarte. Negligência médica é outra das hipóteses de acusação»
e um texto violento do jornalista Nuno Saraiva [se não me equivoco sub-director
da “gazeta”] «Um crime sem perdão» e ainda outro,
não menos violento Editorial, no Público, «Um preço
demasiado alto para a incúria».
Quem –, estrangeiro ou português a viver fora da circunscrição há tempo bastante para que tenha perdido a noção de como são e funcionam as “nossas coisas” é [não é essa a intenção das “caixas” mas que um dos efeitos é esse, é!] — apesar da natureza do infausto acontecimento que origina tamanha indignação e palavrório — levado a esboçar um sorriso de satisfação e a concluir que a sociedade mexe, se inquieta e que “isto vai ao sítio”. Puro engano! “isto” são quinze dias o que equivale por dizer que existe enquanto os jornalistas constatarem que o sucedido está a render. Mas, se por acaso assim não suceder, do resto — o resto é a monstruosa pirâmide legal acrescida da administrativa, da processual e mais o “diabo-que-os-carregue” — já se encarregaram ao longo destes trinta e muitos anos os nossos lídimos representantes: cerzir a mortalha com que havemos de envolver os restos de uma criatura crente na justiça garantida pelo direito democrático, etecétera e tal… E se carecem de algo é insofismavelmente de crentes mui ciosos da “coisa” em que crêem.
A televisão dá "antena" à sra. D. Zélia Fonseca, mãe do malogrado David Duarte, para rogar a disponibilidade e a boa vontade de um advogado a fim de poder exercer, em termos, o mais elementar dos “ressarcimentos” pelo efectivo desprezo com que o filho foi atirado para dentro de um ataúde. Não admira que a senhora tenha de o fazer: afinal o David Duarte era com grande probabilidade apenas um zé-ninguém que, às tantas, se preocupava em aguentar o viver sem se alapar ao exercício dos seus «direitos» e nunca encontrara uma mezinha eficaz para se esquivar ao pagamento dos impostos, devidos, e contribuições, indevidas.Não espanta, portanto…
mais a mais porque se se tratasse de um qualquer “desvalido”, desajustado, filho de família desestruturada, transviado ou bandido [alegado ou apercebido como regenerável] de preferência se procedesse de África, Médio-Oriente [excepção feita a israelitas, claro],…enfim, uma vítima da sociedade [as opções erradas do próprio nunca podem entrar nestas “contas”] e que satisfizesse a tipologia dos «enquadráveis» por uma qualquer ONG não teria necessidade de ir à televisão: teria, sem tugir ou mugir, a bater-lhe à porta uma falange (sem aspas) deles. Mas nunca é tarde: trata-se da predisposição para apurar a “técnica” e desempenhar comme il faut o papel.
Quem –, estrangeiro ou português a viver fora da circunscrição há tempo bastante para que tenha perdido a noção de como são e funcionam as “nossas coisas” é [não é essa a intenção das “caixas” mas que um dos efeitos é esse, é!] — apesar da natureza do infausto acontecimento que origina tamanha indignação e palavrório — levado a esboçar um sorriso de satisfação e a concluir que a sociedade mexe, se inquieta e que “isto vai ao sítio”. Puro engano! “isto” são quinze dias o que equivale por dizer que existe enquanto os jornalistas constatarem que o sucedido está a render. Mas, se por acaso assim não suceder, do resto — o resto é a monstruosa pirâmide legal acrescida da administrativa, da processual e mais o “diabo-que-os-carregue” — já se encarregaram ao longo destes trinta e muitos anos os nossos lídimos representantes: cerzir a mortalha com que havemos de envolver os restos de uma criatura crente na justiça garantida pelo direito democrático, etecétera e tal… E se carecem de algo é insofismavelmente de crentes mui ciosos da “coisa” em que crêem.
A televisão dá "antena" à sra. D. Zélia Fonseca, mãe do malogrado David Duarte, para rogar a disponibilidade e a boa vontade de um advogado a fim de poder exercer, em termos, o mais elementar dos “ressarcimentos” pelo efectivo desprezo com que o filho foi atirado para dentro de um ataúde. Não admira que a senhora tenha de o fazer: afinal o David Duarte era com grande probabilidade apenas um zé-ninguém que, às tantas, se preocupava em aguentar o viver sem se alapar ao exercício dos seus «direitos» e nunca encontrara uma mezinha eficaz para se esquivar ao pagamento dos impostos, devidos, e contribuições, indevidas.Não espanta, portanto…
mais a mais porque se se tratasse de um qualquer “desvalido”, desajustado, filho de família desestruturada, transviado ou bandido [alegado ou apercebido como regenerável] de preferência se procedesse de África, Médio-Oriente [excepção feita a israelitas, claro],…enfim, uma vítima da sociedade [as opções erradas do próprio nunca podem entrar nestas “contas”] e que satisfizesse a tipologia dos «enquadráveis» por uma qualquer ONG não teria necessidade de ir à televisão: teria, sem tugir ou mugir, a bater-lhe à porta uma falange (sem aspas) deles. Mas nunca é tarde: trata-se da predisposição para apurar a “técnica” e desempenhar comme il faut o papel.
