quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Hoje, terrorista; herói, amanhã

A primeira reacção, instintiva, é de raiva; a seguir sobrevém uma sensação de impotência que inúmeras vezes se expressa através de ironia ou sarcasmo para finalmente, me dar a contar até… tantos quantos leve a razão a sugerir qualquer coisa que não catilinárias — tipo «A raiva e o Orgulho» [Oriana Fallaci], «J’Accuse» [Émile Zola] ou … [justificar-se-iam se por acaso gerassem proveitos!]. Pela inconsequência e estultícia.
«O ministro da Justiça belga afirmou que 1os serviços de informação da Bélgica sabiam onde estava, na noite de 15 para 16 de Novembro, Salah Abdeslam o principal suspeito dos atentados de Paris, e 2a polícia não interveio por ser de noite. Uma Lei de 1967 proíbe, com excepção de casos de "flagrante delito" ou "incêndio", buscas entre as 21h. e as 5h. — em situações de terrorismo, a  permissão de buscas 24 horas por dia, necessita de uma alteração ao Código Penal belga.»
Não espanta por razões que não devem ser imputadas ao “terrorista”, mas têm de ser assacadas aos donos da albergaria; não espanta porque adiante, Salah Abdeslam, em território sírio, iraquiano ou qualquer outro, quiçá venha a ser saudado como “herói” de uma “luta” [é forma de designar porquanto a escumalha – esta sorte de operacionais que nelas medram – para mais nada serve/servirá, jamais serviu, que não providenciar os meios para a festa de outros]. E, por essa razão, o mundo absolvê-lo-á dos alegados “crimes”.

Quantos crimes de ódio/sangue carregava às costas Yasser Arafat? Inúmeros.
Que sanções sofreu? A que justificou a visita de Mário Soares ao quartel-general da Autoridade Palestiniana, em Ramalah, e dois ósculos, fraternais, e a garantia de uma fortuna pessoal considerável que, consta, a consternada [pelas vítimas] e pesarosa [pela ausência do amansa clitóris] viúva trata de dar o melhor “destino” – boulevard acima, trottoir abaixo.
Quantas vidas ceifaram Al Megrahi e Lamin Jalifa Fhimah [ou Abdullah al-Senussi –, cunhado de Muammar Khadafi e ex-chefe dos serviços secretos da Líbia – e Nasser Ali Ashour –, responsável da secreta líbia] no atentado de Lockerbie? Um Boeing 747, cheio – 259 passageiros e tripulantes; 11 pessoas em terra. 
Que castigos sofreram? Al Megrahi, de uma pena de 27 anos de prisão, cumpriu oito – por razões humanitárias; Jalifa Fhimah foi absolvido; Nasser Ali Ashour está detido na Líbia.

Quanto mais exemplos se podem arranjar?!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Como não fechar a janela?!



Ando muito distraído. Ou desapegado. 
Foi da “visita” ao blog «Quarta República», lendo um post do dr. J.M.Ferreira de Almeida — Escândalo? Que escândalo? —, que soube que Pacheco Pereira apoia Marisa Matias. Ou para lá caminha. Tal como J.M.Ferreira de Almeida também eu me questiono — Escândalo porquê?

Em primeiro lugar pretendo reafirmar que Pacheco Pereira sempre me provoca a “lembrança” dos contínuos recados que Ovídio enviava para Roma, lá do exílio em Constança, sempre “martirizando-se” com as vidas dos romanos e, sempre, rogando a melhor compreensão do imperador para a sua condição.

José Pacheco Pereira é [responsabilidade a que é alheio] presumidamente um “aristocrata” [diz não o reconhecer, mas continua a dar-lhe imenso jeito] que “ideologicamente” e no final das contas andou de escantilhão da extrema-esquerda para o centro e agora, por culpa do mundo com excepção de si próprio, passa [fiel às suas mais profundas e íntimas pulsões] do “centro” à “extrema-qualquer-coisa” [desde que sugira rebeldia pois tem sido essa suposta aversão racional ao «mainstream» que, afinal, lhe garante de há sete anos para cá as avenças que pelos vistos, os intendentes do dr. Balsemão, entendem conveniente e justificado pagar-lhe].
Antes desta “fase” Pacheco Pereira foi um eficiente prosélito cavaquista – tão convicto que mal se apanhou supondo que mandava qualquer coisa, daquele fervilhante cérebro logo eclodiu a peregrina ideia de condicionar os movimentos dos da comunicação social pelos corredores da AR — sim, mas à vez e se autorizados. Mas disto toda a gente se esqueceu. Ou faz por não lembrar [antes que me esqueça: é claro que durante estes anos foi o Estado a providenciar-lhe a “paparoca”]. 
Pelo meio, o que faz a criatura pela alta cultura desta nação? 
Frui [com todo o direito, convenhamos] de uma biblioteca [importante] em parte legada e outra parte por si aumentada e actualizada, quer dizer não é nem mais nem menos do que um “bibliófilo” [bom proveito lhe faça]; tem uma tara pela recolecta de papelada [há quem coleccione isqueiros, outros caricas, selos e até há quem recolha lixo enfim, antes isso que dar cabeçadas em paredes e muros] e é um obstinado quanto à realização da obra-prima da sua vida [coisa que ele supõe o alcandorará ao panteão dos inesquecíveis como Ian Kershaw, que escreveu a mais reconhecida biografia de Adolf Hitler ou Sir Martin Gilbert, que escreveu a mais reconhecida biografia de Winston Churchill ou mesmo do “colega” Edward Gibbon, que escreveu a monumental e mais reconhecida História do Império Romano] – a biografia do «Barreirinhas». 
(Juro que desconheço se fez filhos e se plantou, pelo menos, uma árvore). 
Há porém um erro de avaliação, crasso: para todos os efeitos [acho desnecessária a justificação] comparar qualquer dos biografados, citados, com o Barreirinhas Cunhal – a mais estimada “trilobite” [fóssil] de Pacheco Pereira – é o mesmo que, em termos absolutos, comparar a “obra” do abade da minha paróquia ao cardeal Joseph Ratzinger [isto se o abade em causa não fôr o abade de Baçal, por exemplo]. Por fim:
— Qual é para a comunidade o «valor acrescentado» quer das munificentes darandinas pachequianas quer dos pereiricos pigarreios televisivos, semanais? Nenhum. 
— O que vale o apoio de Pacheco Pereira? O voto dele, creio. E a lisonja ou os aplausos que, nestas coisas, estão garantidos aos idiotas úteis.

Contas feitas e memórias invocadas, Pacheco Pereira a única vez [na sua vida] em que se propôs ser [Presidente da Comissão Política Distrital do PSD/ Lisboa] o que queria ser [contando para isso com o “peso e importância” da sua pessoa] foi a votos, e perdeu.
Todas as outras chegou aonde chegou [deputado municipal, da república e europeu] não pelo apreço à sua pessoa ou reconhecimento pela sua “valia”, mas por imposição das regras consignadas. Ou seja ninguém votou no PSD por causa dele; votaram nele por causa do PSD. 
O José Pacheco é mais um dos que só não relincha por modéstia. Dá um uso frenético à facúndia sem que disso a sociedade extraia a mais pequena vantagem. 

Não o criaram?! Pois agora aturem-no.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Epigrama



Joseph Stiglitz esteve cá a convite da Fundação Calouste Gulbenkian para dissertar sobre a 'Desigualdade num Mundo Globalizado'. E vocalizou muitas “coisas” absolutamente inócuas em termos técnicos tais como «Portugal deve ‘focar-se na estratégia de crescimento económico’ baseada, em parte, ‘num aumento de impostos que não magoe a economia’» ou «as recessões económicas levam a ‘brutais aumentos’ na desigualdademais desemprego, salários cortados e um corte nos serviços básicos, fundamentais para as pessoas com menos recursos» e que além do mais [nem o contrário seria expectável] é o que promana há pelo menos uma década. 

Quais serão os resultados da incursão de Joseph Stiglitz em termos teóricos ou práticos?
1 - Rigorosamente nenhum para “nós”, aliás, à semelhança dos resultados que colhemos basaeados nas múltiplas “lições”, “sugestões”, “recados”, “alertas”, etc…deixados por Michael Porter há mais de uma quinzena de anos e 2 - um bom quinhão de dólares na conta bancária dele, decerto. 
O que há para anotar é que Stiglitz, agora, como anteriormente Porter, McCormack, T. Piketty, R. Schiller,…são nestes âmbitos meros epigramas [chegam com uma ideia esdrúxula sobre o funcionamento da nossa sociedade e saem com uma ideia abstrusa ou seja, chegam iludidos e vão enganados] o que equivale a dizer que como a prosa é má, o epigrama vale zero — com excepção de uns tantos provincianos, presumidos, experienciarem uma breve sensação de existência e cometimento.
Aposto que, no fim, não se terá livrado de umas quantas selfies com “gente interessada” cá da terra.

domingo, 29 de novembro de 2015

Mais vozes do que nozes



O DN de ontem (1) – sábado, 28.11 – dava nota que
«o governo de António Costa quer a aprovação final do OE 2016 em Março – depois de Cavaco Silva já não ser PR. A proposta vai agora começar a ser preparada e os calendários serão modelados de forma a que o momento da aprovação final e global do documento se faça com um novo inquilino no Palácio de Belém. O PS, acompanhado do resto da esquerda no parlamento, terá poder para controlar o calendário.»

Hoje a televisão dá a saber que o “neófito” Mário Centeno aproveitou a “prédica” que proferiu no Fórum Empresarial do Algarve para deixar escapar que o OE 2016 
vai ser apresentado o mais depressa possível. Não é desejável que o país esteja num prolongado período sem um dos mais importantes instrumentos de governação”.
Amouchou!

O que sucedeu entre a transacta noite de sexta-feira e o dia de ontem, sábado?
Nada de especial — sabe-se que uma das pequenas “tarefas” do novel ministro era a de ligar para Bruxelas e ter uma “prosa” com os «mangas de alpaca» lá do sítio.
O capataz é um tipo importante, mas o patrão também é. Um aborrecimento!

(1)     a “nota” terá sido redigida durante a noite de sexta para sábado, obviamente.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Belisquem-me!


Prestes a ser oficial no Ministério da Cultura! 


~ Apenso rectificativo ~
Fui confirmar e não... não é da Cultura; será secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade razão suficiente para que possa continuar a exibir garbosamente a sua incultura ortográfica/o analfabetismo certificado.