domingo, 29 de novembro de 2015

Mais vozes do que nozes



O DN de ontem (1) – sábado, 28.11 – dava nota que
«o governo de António Costa quer a aprovação final do OE 2016 em Março – depois de Cavaco Silva já não ser PR. A proposta vai agora começar a ser preparada e os calendários serão modelados de forma a que o momento da aprovação final e global do documento se faça com um novo inquilino no Palácio de Belém. O PS, acompanhado do resto da esquerda no parlamento, terá poder para controlar o calendário.»

Hoje a televisão dá a saber que o “neófito” Mário Centeno aproveitou a “prédica” que proferiu no Fórum Empresarial do Algarve para deixar escapar que o OE 2016 
vai ser apresentado o mais depressa possível. Não é desejável que o país esteja num prolongado período sem um dos mais importantes instrumentos de governação”.
Amouchou!

O que sucedeu entre a transacta noite de sexta-feira e o dia de ontem, sábado?
Nada de especial — sabe-se que uma das pequenas “tarefas” do novel ministro era a de ligar para Bruxelas e ter uma “prosa” com os «mangas de alpaca» lá do sítio.
O capataz é um tipo importante, mas o patrão também é. Um aborrecimento!

(1)     a “nota” terá sido redigida durante a noite de sexta para sábado, obviamente.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Belisquem-me!


Prestes a ser oficial no Ministério da Cultura! 


~ Apenso rectificativo ~
Fui confirmar e não... não é da Cultura; será secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade razão suficiente para que possa continuar a exibir garbosamente a sua incultura ortográfica/o analfabetismo certificado.

Estrelado, o céu, já está.


É uma felicidade pegada.
O primeiro-ministro da Índia dá os parabéns a António Costa [é pena que Mamnoon Hussain do Paquistão não tenha feito o mesmo atribuía um timbre ecuménico e universalista à nota]. Excelente!

Uma ministra é negra, uma secretária-de-estado distingue-se por ser cega, conseguiram um deputado que se locomove em cadeira de rodas, outro é pederasta,… Tudo circunstâncias, constrangimentos,… enfim, qualidades apreciáveis, distintivas e imarcescíveis para se distinguirem nos desempenhos a que se propõem. Notável! 

É tudo tão extraordinário que já apareceu um “coisa-importante” de Angola [“coisa-nenhuma” fora de Angola] arengando — chamou-lhe tabú — sobre as [presumidas] dificuldades que a senhora ministra –, D. Francisca, dra. e digníssima ex-procuradora da República –, terá experimentado para chegar aonde chegou.
Ouço na TSF, que “é a primeira reacção de Angola…”. Reacção?! a que propósito é que, nestas matérias, interessam as opiniões dos angolanos? sendo certo que a culpa não é do Pita-não-sei-quantos da Corimba mas da garotada, crescida, que enxameia a comunicação social. 
 

domingo, 8 de novembro de 2015

O meu alfabeto

Há largos meses um “amigo”, pretérito, dizia-me em mensagem privada que me lia amiúde, e blá, blá, blá… Ao blá, blá, blá retorqui com a paciência de um missionário que, relativamente à maioria dos assuntos a que se referia, teria sempre de não esquecer que os meus estados de alma são na realidade, e apesar de não o denotar, semelhantes ao de quem se entretém a observar o comportamento de um formigueiro como se se tratasse de um entomólogo. Com excepção do 1 – “observador” — não vá qualquer distracção permitir que as formigas o incomodem — e 2 – das reacções comportamentais do formigueiro, nada importa. A melhor maneira de o fazer entender os meus estados de alma na opinião que publico é entendê-los como um hobby – as “minhas formigas” é a comunidade em que estou inserido, a sociedade com que convivo.
Talvez seja uma defesa, aliás, eu acredito que seja uma defesa. Mas é uma defesa que não me constrange, magoa ou angustia por aí além; sai-me mais cara do que o preço que desejo pagar mas, ainda assim, faço por pagar o menor preço possível.
[Obs.: já o facto de a minha “natureza” não me impelir a procurar retirar vantagens de quem se predispõe a isso ou revela individual ou colectivamente a epigrafada idiotia, é uma coroa de louros com que auto-corôo e guardo ciosamente.]
É evidente que esta “medalha” tem um reverso. O reverso da medalha é que cada vez mais faço uma gestão apertadíssima e casuística das concessões a determinadas virtudes cristãs como sejam, por exemplo, a compaixão, a caridade ou a diligência. …jamais esqueço as lições que sinalizo como boas e entre essas encontram-se várias do Pe António Vieira que revisito
«Nem tudo o que parece misericórdia é misericórdia. Há misericórdias, que são misericórdias e mentiras; parecem misericórdias e são respeitos, interesses, afectos — tão contrários a esta virtude como a todas as outras.» 
                                   in Sermão ao Enterro dos Ossos dos Enforcados

O espectáculo Sócrates que ontem nos foi proporcionado pela comunicação social é um “momento” exemplar. Mais impressivo é, à luz da minha sensibilidade e predisposição, uma impossibilidade. Não há apologética ou repúdio que resistam. Do meu “ponto de observação” toda e qualquer apologética é uma bênção ao chavascal; toda e qualquer verberação é pura idiotia. Nada há a fazer!