Tornam-se semelhantes
à sua sombra
os que olham
durante muito tempo para
os macacos
provérbio
malabar
(citado por
André Malraux)
Considerando que até à decisão
definitiva do CC do PCP [domingo, 08.11] a situação pode, com propriedade, ser
considerada de impasse; dado que a trambiquice de A. Costa depende da
aquiescência das outras duas “seitas” [BE e PCP] e conhecidos os fundamentos
sobre os quais A. Costa alicerça a ecuménica táctica político-partidária de
congraçar em redor da fogueira três comparsas [e um assistente, PEV], parece-me
que o desafio não é dilemático (dilema), mas trilemático (trilema**) – pelo número de “factores” operativos.
... pela similitude figurativa ou caricatural [isto não é o esquiço de uma tese de doutoramento] e para fazer as honras ao Barão de Münchausen (Karl Friedrich) — um Fernão Mendes Pinto, prussiano, com tiques e manhas de McGyver — celebrizado em Inglaterra pelo “aventureiro” Rudolph Erich Raspe que fez publicar em Inglaterra «Os relatos do Barão de Münchausen».
... pela similitude figurativa ou caricatural [isto não é o esquiço de uma tese de doutoramento] e para fazer as honras ao Barão de Münchausen (Karl Friedrich) — um Fernão Mendes Pinto, prussiano, com tiques e manhas de McGyver — celebrizado em Inglaterra pelo “aventureiro” Rudolph Erich Raspe que fez publicar em Inglaterra «Os relatos do Barão de Münchausen».
Na minha modesta opinião, António Costa vem
arremedando bem o prussiano, moderno, para que não subsistam dúvidas
quanto ao propósito e “relação” do texto. Das proezas, perspicácia e heroísmos do
indómito Barão consta no “livro de bordo”, por exemplo – cap.II, 1º vol.
— “perde o cavalo (1), encontra um lobo (2) e faz com que a fera lhe puxe o trenó” —
Parti de Roma numa
jornada em direcção à Rússia com a ideia de que a geada e a neve deveriam ter
melhorado as estradas, descritas por todos os viajantes como incomumente ruins.
Fui a cavalo. Trajava roupas leves e quanto mais avançava rumo a nordeste, mais
sentia a inconveniência delas. O que não deve ter sofrido num clima tão hostil
aquele pobre velho que eu vi na Polónia, abandonado à própria sorte, deitado na
estrada, desamparado, trémulo de frio e com escassos recursos para cobrir a
nudez! Apiedei-me daquela pobre alma… coloquei o meu manto sobre ele e
imediatamente ouvi uma voz dos céus, que me abençoava pela caridade, dizendo – “Serás
em devido tempo recompensado por isso, meu filho”. (…) Segui o meu
caminho. O país estava coberto de neve e eu não conhecia a estrada. Cansado,
desmontei e conduzi o meu cavalo para algo que parecia um tronco de árvore
pontiagudo que sobressaía na neve (…)
Sem muitas considerações, apanhei uma de minhas pistolas, rebentei as rédeas,
trouxe de volta o cavalo e prossegui (…) Descobri que, viajar a cavalo no
inverno, é bastante desusado (…) submeti-me
ao costume do país, apanhando um simples trenó de apenas um cavalo e dirigi-me para
São Petersburgo. Não me recordo com exactidão mas lembro-me que no meio da
floresta, descobri um temível lobo
no meu encalço; seguia-me à velocidade
que a fome de um inverno rigoroso o compelia. Não havia possibilidade de
escapar (…) deitei-me no trenó e para
segurança fiz o cavalo correr. O lobo esqueceu-me inteiramente e, passando por
mim, caiu furiosamente sobre o cavalo, retalhando-o. (…) ergui a cabeça e,
aterrorizado, vi que o lobo tinha despedaçado o corpo do cavalo. Não havia
muito que iniciara o banquete.
Aproveitando-me
da situação, caí sobre ele com o cabo do
chicote. Este ataque, inesperado,
assustou o lobo que saltou com todas
as suas forças, abandonando a carcaça e tomando o lugar do cavalo no trenó; eu açoitava-o continuamente. (…) Chegámos ambos a São Petersburgo em
alta velocidade e para grande surpresa dos espectadores.
Consta que, nas campanhas militares
contra os turcos, o desapiedado Barão de Münchhausen se terá atolado nas areias
movediças de uma determinada zona pantanosa. Não existindo algo suficientemente
resistente a que se agarrasse e não havendo a quem pedir ajuda, o barão desatolou-se
e apareceu para contar. Desatolou-se das areias movediças puxando-se pelos seus
próprios cabelos.
O resto fica por conta da imaginação do(s) leitor(es).
O resto fica por conta da imaginação do(s) leitor(es).
* "alusão" ao Trilema de Münchausen
** situação
embaraçosa, da qual só se pode sair por um de três modos – cada qual mais
difícil ou inaceitável do que o alternativo.
(1) – leia-se “eleições” ou PàF – à escolha
(2) – leia-se PCP
