quarta-feira, 28 de outubro de 2015

À espera de um céu estrelado





O que destinei para Escrito nas estrelas (III) foi titulado «(talvez)  O “azar” que António Costa quis torcer». Mas foi varrido pelo cachão de acontecimentos. As minhas “cogitações” tornaram-se inapropriadas. Não faltarão ocasiões para debater ou adejar sobre se 1 – António Costa os verga, 2 – se se verga ou 3 – se nos deixa a todos mais ou menos vergados (o mais provável!). Aguardarei que o céu fique novamente estrelado.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Escrito nas estrelas (II)


(o terceiro de cinco post) 


A sanha de António Costa e o ódio (sem aspas) a Passos Coelho [e Paulo Portas]


Em 06.06.2011, na sequência do “despacho” de Sócrates, anotei
«Se algo de essencial mudar, será [infelizmente] mais por imposições externas do que por opção colectiva.[…] preferia que fosse por opção. […] No “consulado” agora rejeitado fez “escola” uma forma criminosa de utilização dos meios e bens públicos. […] o problema é que se este período foi assim tão nefasto, foi por nunca ter deixado de encontrar lastro na sociedade […]»
22.11.2013
O desassossego não é propriamente com as aflições dos «zés-ninguém» ou os “ataques miseráveis” do governo à Constituição da República e aos direitos consignados. O “problema” é que estão negociados e homologados pela UE os pacotes financeiros da Política de Coesão para o período 2014-2020. E são mais de 20MM €. O cerne [omitido, evidentemente] é «quem acede directamente ao pote». Daí a pressa.
Em política não se toma partido sobre «algo» baseado em valores ou ideias. Não é disso que trata a política. Política é poder e poder é a capacidade que alguém tem de fazer com que os outros [por ameaça, manipulação, coacção ou “comissão”] façam o que quer que seja feito. A política trata de pessoas e meios; não de valores ou fins. O que trata de valores e fins é a filosofia, a religião,…
24.08.2014
No átrio de um promissor, fecundo e florescente período em que o PS, — que detém a maioria dos municípios, a presidência da Associação Nacional de Municípios, a maioria e a presidência de uma (de duas) Juntas Metropolitanas — de olhos esbugalhados, vê a franca possibilidade de acrescentar em 2015, uma maioria absoluta (que equivale a determinar o primeiro-ministro e o governo), possuir a palavra com maior peso na eleição (por maioria de 2/3) de dez (de treze) dos juízes do Tribunal Constitucional, e como em Portugal o impossível é plausível, em 2016, encastelar a Presidência da República.
Antecipo que o empenhamento do PS será, doravante, indómito e arrebatador.

Se fizermos um “balanço” há que concluir que não há, até ao momento e com rigôr, algo que altere a “situação” apesar de o PS não ter logrado a maioria absoluta (mas foi obtê-la às “esquerdas”. Porquê à(s) esquerda(s)?) nem a Presidência da República que se decidirá em Janeiro de 2016.
Porque foi A. Costa buscar respaldo às esquerdas, e não se dispôs a negociar com o PSD? (que me parece seria o expectável por parte da maioria dos eleitores do PS)

O ódio que na realidade existe em relação a Pedro Passos Coelho quer por parte da fina flor do entulho socialista quer por parte do equivalente nas fileiras do PSD e do CDS tem vários nomes dos quais se destaca – Grupo Espírito Santo/Banco Espírito Santo. Outros há mas, digamos, são “sinónimos” a que se recorre na falta da palavra exacta – são Transportes Aéreos de Portugal, CP, Carris, Metropolitano de Lisboa, STCP,…Quem não perceber isto…anda por aí, mas por ver andar os outros.
Equivalente, a este amor e dedicação tão profundos, só encontro entre 1977 e 1981, o que foi dedicado pelo PC [e respectivos satélites políticos e sindicais] a Francisco Sá Carneiro (acima de qualquer outro) e, menos, a António Barreto (“glorificado” em pichagens de norte a sul do país, por tudo quanto era parede ou muro).
À época a razão para tamanha dedicação também teve nome – Reforma Agrária. 

Este, GES/BES, foi o seu pecado mortal. Pedro Passos Coelho teve a coragem (honra lhe seja!) de ir à incubadora e em vez de criar condições para permitir que a serpente visse abrolhar a criaturinha, em vez de se deixar compungir com o silvo da serpente pelo contrário detonou o gâmeta (BES) e estoirou com a incubadora (GES).
Com Pedro Passos Coelho na presidência do PSD, em princípio, jamais haverá condições para negócios entre o PS e o PSD (com ou sem CDS/PP a reboque). Como é evidente nunca será isso que será dado a saber à opinião pública. O pomo da discórdia não é (já não é há muito) ideológico.
Infelizmente, em Portugal, são mais as marcas pessoais que determinam o caminho do que as marcas político-ideológicas, a resolução dos reais problemas da sociedade e as necessidades dos cidadãos. O que não é, aliás, novidade: é tradição.
 

sábado, 24 de outubro de 2015

Escrito nas estrelas (I)


(o segundo de cinco post)

O discurso do Presidente da República de 22.10 foi bom e disruptivo. Ou bom por ser disruptivo!
«Portugal necessita de uma solução governativa que assegure a estabilidade política. (…)
essa solução governativa deve dar garantias firmes de que respeitará os compromissos internacionais assumidos pelo Estado português e as grandes opções estratégicas adoptadas desde a instauração do regime democrático, opções que foram sufragadas pela maioria dos cidadãos nas eleições.
Os contactos efectuados entre os partidos políticos que apoiam e se revêem no projecto da UE e da Zona Euro não produziram os resultados necessários para alcançar uma solução governativa estável e duradoura. Esta situação é tanto mais singular quanto as orientações políticas e os programas eleitorais desses partidos não se mostram incompatíveis, sendo, pelo contrário, praticamente convergentes quanto aos objectivos estratégicos de Portugal. (…) Lamento que, num tempo em que o diálogo e o compromisso são mais necessários do que nunca, interesses conjunturais se tenham sobreposto à salvaguarda do superior interesse nacional. (…)
A UE é uma opção estratégica do País. Essa opção foi essencial para a consolidação do regime democrático português e continua a ser um dos fundamentos da nossa democracia e do modelo de sociedade em que os portugueses querem viver. A observância dos compromissos assumidos no quadro da Zona Euro é absolutamente crucial para o financiamento da nossa economia. Fora da UE e do Euro o futuro de Portugal seria catastrófico. (…) nunca os governos de Portugal dependeram do apoio de forças políticas que, nos programas eleitorais com que se apresentaram ao povo, defendem a revogação do Tratado de Lisboa, do Tratado Orçamental, da União Bancária e do Pacto de Estabilidade e Crescimento tanto quanto pugnam pelo desmantelamento da União Económica e Monetária e pela saída de Portugal do Euro, para além da dissolução da NATO, organização de que Portugal é membro fundador.
Este é o pior momento para alterar radicalmente os fundamentos do nosso regime democrático (…) depois de termos executado um exigente programa de assistência financeira, que implicou pesados sacrifícios, é meu dever no âmbito das minhas competências, tudo fazer para impedir que sejam transmitidos sinais errados às instituições financeiras, aos investidores e aos mercados, pondo em causa a confiança e a credibilidade externa (…) Devo, em consciência, dizer aos Portugueses que receio muito uma quebra de confiança das instituições internacionais nossas credoras, dos investidores e dos mercados financeiros externos. A confiança e a credibilidade do País são essenciais para que haja investimento e criação de emprego.
É tanto mais incompreensível que as forças partidárias europeístas não tenham chegado a um entendimento quando, num passado recente, votaram conjuntamente, na AR, a aprovação do Tratado de Lisboa, do Tratado Orçamental e do Mecanismo Europeu de Estabilidade, enquanto os demais partidos votaram sempre contra


O corrupio de “bocas” vai infrene e o proveito é nenhum. Na arenga “analítica” que por aí corre sobrepuja a emoção, a clubite, a presunção, muita espuma e pouca ou nenhuma aproximação à verdade, naturalmente. A “boca” é o alinhavo de uns quantos fonemas que pouco dizem e menos explicam. A principal característica da “boca” é por um lado a desmesura e, por outro lado, a repulsa pela subtileza e/ou detalhe. Daí a eficácia do sound bite entre seniores e/ou do dumb down entre juvenis e debutantes — que se comprova no esmagador e irreversível êxito das “redes sociais”.
Quem regurgita bitaites a torto e a direito deveria saber (ou procurar saber) que 
«as normas emanadas dos órgãos competentes das organizações internacionais a que Portugal pertence, vigoram directamente na ordem interna se tal se encontrar expressamente previsto nos respectivos tratados; é o caso dos regulamentos e directivas da UE (art. 8.º n.º 3 da CRP) e das resoluções do Conselho de Segurança da ONU (art. 25.º Carta das Nações Unidas). De acordo com a CRP as normas constantes dos tratados internacionais, depois de aprovadas pela Assembleia da República, ou pelo Governo, ratificadas pelo Presidente da República e publicadas em Diário da República, fazem automaticamente parte do Direito português (art. 8.º n.º 2 da CRP)».

Na medida em que me parece que o PR, chegada a ocasião, não fará outra coisa senão nomear António Costa para formar governo o que há a reprovar no exercício do(s) seu(s) mandato(s) já lá vai:
em 2008/2009/2010 sobejaram ocasiões e outras tantas razões sob os pontos de vista ético, moral, político e técnico, para o senhor Presidente se dirigir ao país, fazer um discurso tão disruptivo quanto este, e exigir pelo menos duas, de três, coisas
– ou o primeiro-ministro fazia prova cabal de que o que corria à boca cheia sobre a sua pessoa era infundado e tudo decorreria com normalidade ou não provando, dissolvia a AR e 1 – o PS apresentava outra personalidade para formar governo e submetia-se ao exame parlamentar ou 2 – convocava eleições legislativas.
Ora o senhor Presidente não o fez.
E não o fez porquê? Porque tinha debaixo de olho a sua recandidatura. Foi isso que não perdoei [de isso dei nota] e é isso que, com toda a probabilidade, continuamos, volvidos seis anos, a pagar em espécie. E politicamente, também.