(o terceiro de cinco post)
A sanha de António Costa e o ódio (sem aspas) a Passos Coelho [e Paulo
Portas]
Em 06.06.2011, na sequência do “despacho” de
Sócrates, anotei
«Se algo de essencial mudar, será
[infelizmente] mais por imposições
externas do que por opção colectiva.[…] preferia que fosse por opção. […] No “consulado” agora rejeitado
fez “escola” uma forma criminosa de utilização dos meios e bens públicos.
[…] o problema é que se este período
foi assim tão nefasto, foi por nunca ter deixado de encontrar lastro na
sociedade […]»
22.11.2013
O
desassossego não é propriamente com as aflições dos «zés-ninguém» ou os
“ataques miseráveis” do governo à Constituição da República e aos direitos consignados. O “problema” é que estão
negociados e homologados pela UE os pacotes financeiros da Política de Coesão
para o período 2014-2020. E são mais de 20MM
€. O cerne [omitido, evidentemente] é «quem acede
directamente ao pote». Daí a
pressa.
Em política não se toma partido sobre «algo» baseado em valores ou ideias.
Não é disso que trata a política. Política é poder e poder é a capacidade que
alguém tem de fazer com que os outros [por ameaça, manipulação, coacção ou “comissão”]
façam o que quer que seja feito. A política trata de pessoas e meios; não de
valores ou fins. O que trata de valores e fins é a filosofia, a religião,…
24.08.2014
No átrio de um promissor, fecundo e florescente período em que o PS, — que detém a maioria dos
municípios, a presidência da Associação Nacional de Municípios, a maioria e a
presidência de uma (de duas) Juntas Metropolitanas — de olhos esbugalhados, vê
a franca possibilidade de acrescentar em 2015, uma maioria absoluta (que equivale a determinar o primeiro-ministro e o governo),
possuir a palavra com maior peso na eleição (por
maioria de 2/3) de dez (de treze) dos
juízes do Tribunal Constitucional, e como em Portugal o impossível é plausível,
em 2016, encastelar a Presidência da República.
Antecipo que o empenhamento do PS será,
doravante, indómito e arrebatador.
Se fizermos um “balanço” há que concluir que não há, até ao momento e com rigôr, algo
que altere a “situação” apesar de o PS não ter logrado a maioria absoluta (mas foi obtê-la às “esquerdas”. Porquê à(s) esquerda(s)?)
nem a Presidência da República que se decidirá em Janeiro de 2016.
Porque foi A. Costa buscar respaldo às esquerdas,
e não se dispôs a negociar com o PSD? (que me
parece seria o expectável por parte da maioria dos eleitores do PS)
O
ódio que na realidade existe em relação a Pedro Passos Coelho quer por parte da
fina flor do entulho socialista quer por parte do equivalente nas fileiras do
PSD e do CDS tem vários nomes dos quais se destaca – Grupo Espírito Santo/Banco Espírito Santo.
Outros há mas, digamos, são “sinónimos” a que se recorre na falta da palavra
exacta – são Transportes Aéreos de Portugal, CP, Carris, Metropolitano de
Lisboa, STCP,…Quem não perceber isto…anda por aí, mas
por ver andar os outros.
Equivalente,
a este amor e dedicação tão profundos, só encontro entre 1977 e 1981, o que foi
dedicado pelo PC [e respectivos satélites políticos e sindicais] a Francisco Sá
Carneiro (acima de qualquer outro) e, menos, a António Barreto (“glorificado”
em pichagens de norte a sul do país, por tudo quanto era parede ou muro).
À
época a razão para tamanha dedicação também teve nome – Reforma Agrária.
Este,
GES/BES, foi o seu pecado mortal. Pedro Passos Coelho teve a coragem
(honra lhe seja!) de ir à incubadora e em vez de criar condições para
permitir que a serpente visse abrolhar a criaturinha, em vez de se deixar compungir com o
silvo da serpente pelo contrário detonou o gâmeta (BES) e estoirou com a incubadora (GES).
Com
Pedro Passos Coelho na presidência do PSD, em princípio, jamais haverá
condições para negócios entre o PS e o PSD (com ou sem CDS/PP a reboque). Como
é evidente nunca será isso que será dado a saber à opinião pública. O pomo da discórdia não é (já não é há muito) ideológico.
Infelizmente,
em Portugal, são mais as marcas pessoais que determinam o caminho do que as
marcas político-ideológicas, a resolução dos reais problemas da sociedade e as
necessidades dos cidadãos. O que não é, aliás, novidade: é tradição.


