Não passava pela cabeça de ninguém — pela
minha não passava, com certeza, e dos rastreios à imprensa internacional, nada
de nada — que Tsipras resolvesse fazer o que fez – referendar a
homologação do “negócio” com os credores. Como o que por aí mais se vê e lê é
surpresa, espanto,… a propósito de quase tudo — do
terrorismo nalguns dos saguões, e átrios do istmo,
às angústias ecológicas de Sua Santidade; da diversidade de mantras instantâneos como o nescafé às maravilhosas sinapses tsipricas e varoufakianas;…—
“divaguei” sobre essa irrefragável forma de expressão dos idiotas.
Longe de mim que, à noite, duas vagas — uma,
de surpresa, por parte dos “exploradores”, financistas, neo-liberais,
proto-fascistas,…e outra, de deslumbramento, da parte dos “espezinhados”,
«solidários», asseclas e demais turiferários — correrriam o mundo
Um golpe num combate épico do tipo «Perseu (1)
degolou Medusa (2)»
Vamos lá ver, então, com que se entretém a toleima.
1 – Tsipras, o governo grego, encurralado, faz o preconizado nos manuais
da guerrilha política, “progressistas”, e inúmeras vezes experienciado noutras geografias e contextos (com consabidos êxitos);
2 – os dos Eurogrupo que, sem outro remédio, há muito fazem as contas às
perdas imediatas com o calote grego o que quer dizer, que fazem contas às
formas de as compensar em toda a linha, e tão depressa quanto possível, também
– cedem, mas só até valores congruentes com o «momento de deformação» [talvez amasse, mas não desaba]. De forma curta e
grossa
– os “progressistas” gregos querem sair mas não têm coragem de decidir (daí o referendo) para não serem corridos à pedrada,
praça Syntagma afora; os dos Eurogrupo estão fartinhos de os aturar, e pagar
por isso (tanto mais que já os chuparam até ao tútano
mas isso foi antigamente e com outros representantes, democraticamente eleitos,
embora menos progressistas que os syrisikos)
mas presos aos salamaleques do jurídico-legal, convencionado. Ou seja
– Perseu degolou Medusa, na mitologia, mas o mundo anda agora pouco virado
para floreados e ficcionices!
Haverá ocasião para instigar os portugueses a agradecer aos gregos os benéficos
efeitos, supervenientes.
À especializada hoste de «geoestrategas», avençada, que agora se atropela
nas televisões a debitar sobre espantalhos, aterradores, vale a pena dedicar a
seguinte “entrada” — caso a Turquia saiba, e os
turcos queiram, até pode ser que mais cedo do que tarde, a troca seja dez
milhões de gregos por mais de 70 milhões de turcos.
Eu como não sou especializado, geoestratega, avençado,… devo acrescentar,
apenas
– Creio saber de coisas piores!
Por ora, por aqui me fico. Isto, é como as cerejas… fervilhavam
conjecturas, congeminações e
adivinhações, outras, com Jean-Christophe Rufin, J.Keane, a ditadura liberal,
morte da democracia, democracia monitorial,…, pelo meio e mais o H.P.Minsky que os economistas pouco ou nada referem, e, por
conseguinte, chega.
(1) Tsipras, Varoufakis, Syrisa, ..., esquerda
(2) UEM, FMI, Merkel, Bundesbank,
..., direita


