sábado, 6 de junho de 2015

Estamos em Junho e... nicles!




O Governo prometeu um «campo» no Portal das Finanças para que os contribuintes acompanhassem a evolução das receitas fiscais já que esse “direito” ao reembolso da «sobretaxa» depende do comportamento das receitas de IRS e IVA.
Estamos em Junho e nicles — a promessa do Secretário-Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, não saiu do papel; mais, consta que o «núncio fiscal», confrontado com o incumprimento, ainda não se deu à maçada de responder.
 

Fez bem – as promessas cumprem-se ou incumprem-se consoante nos dê na bolha. Ora eu não prometo; garanto. Garanto que é mais uma "deferência" que, no concílio de Setembro ou Outubro, sopesarei na “hora” de atirar o meu “papelinho” para a pira. Na certeza de que me sinto capacitado para fazer uma cruz, válida, tanto com a mão esquerda quanto com a direita. Ou nenhuma, consoante me dê na bolha.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

A dificuldade em descer ao VAL é o outro VAL



Parece ser cada vez mais consensual que há um gravíssimo problema de financiamento da segurança social e parece-me que, à esquerda – do Livre ao PS, passando pelo AGIR, BE e CDU – se espalha como óleo em água a ideia de que há um “campo” (índice) aonde é possível ir “sacar” esse financiamento. Ao Valor Acrescentado Líquido das empresas. 
Em teoria não é de difícil compreensão e em tese não causa engulhos por aí além, pelo contrário. Em teoria e em tese porque, na prática, pode ser um aborrecimento para não afirmar que, ceteris paribus, seria uma eficaz forma de travar o investimento. 
É exacto que o que mais vai havendo por aí é “negócios” que exigem investimento financeiro ridículo, geram emprego rasteiro e que apresentam VAL (Valor Acrescentado Líquido) enormes que passam incólumes ao crivo tributário. Explico
 

o inimigo do bicanço no VAL (Valor Acrescentado Líquido) é o ponderável peso que o VAL (Valor Actual Líquido) tem para o investidor 

Isto enquanto o critério do «Valor Actual Líquido» fôr um critério analítico para investimentos. Há outros, alternativos, como sejam 1 – o do Payback (período de recuperação), 2 – o da Rendibilidade média do investimento, 3 – o da Taxa interna de Rendibilidade e 4 – o do Índice de Rendibilidade. 

Sucede que não há indícios de que tenha deixado de ser ou que para aí se encaminhe. E eu sou dos que desconfio da nossa proximidade à Idade de Ouro, quer dizer, tenho dificuldades em ver as pombas a tornarem-se as companheiras favoritas das águias.

terça-feira, 26 de maio de 2015

A vida fabulosa dos tugas



Agora que o tempo aquece é que discutem a exiguidade e o péssimo estado do «cobertor» *, imagine-se. Atendendo a que a última vez que “reclamei” do estado e da exiguidade do dito foi em Janeiro de 2010 chegou a hora de ficar placidamente a ouvi-los falar imenso, dizer pouco e a rebelarem-se contra a necessidade de terem de fazer qualquer coisa – qualquer coisa que por mais voltas que dêem será comprimir os acobertados.

Na retórica até se invoca(m) ou convoca(m) legitimidade(s) como se a legitimidade, qualitativamente, fosse algo mais do que a caução que 1 – a mole de zombies dá de quatro em quatro anos ou 2 – pelo ruído que a grunhagem espalha pelas «redes sociais» ou 3 – pela junção da esclarecida e esclarecedora opinião publicada ou 4 – todas elas por junto, na mais onírica das hipóteses.

Sobre «legitimidades» podem os menos entusiastas com amálgamas, os cerebrais ou mais instruídos começar por questionar alguns dos «guardiões do fogo» v.g. juízes do Tribunal Constitucional, por exemplo.

Pelos indícios, a «pendência» promete. Uma das mais iridescentes e refulgentes mentes do aprisco, Vital Moreira, diz a propósito 
uma (impossível) reforma geral dos sistema de pensões, que não está na agenda política 
Agendamento político. Extraordinário! Quem a estabelece? A necessidade, a rua ou os prosélitos que se arrastam pelos corredores da AR? ou pior os incumbentes cuja legitimidade é naturalmente delegada?
a eliminação das pensões douradas do Banco de Portugal e da CGD, dos juízes e diplomatas? Além da poupança na segurança social, uma tal reforma eliminaria um gritante privilégio corporativo, que escandalosamente passou incólume o programa de austeridade. E em vez de suscitar problemas de constitucionalidade, eliminaria uma óbvia inconstitucionalidade 
que subscrevo lastimando (como o percebo!) que, já agora, no rol não tenha incluído os militares.

* sistema previdencial da Segurança Social e sistemas complementares