quinta-feira, 30 de abril de 2015

Mamão com açucar



Esta é a madrugada que eu esperava/O dia inicial inteiro e limpo
Sophia de Mello Breyner 
Este é o primeiro dia, inteiro e limpo"
Sampaio de Névoa

O que faz falta é avisar a malta do que faz falta
José Afonso 
O que faz falta, o que nos faz falta…
Sampaio da Nódoa

Dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo, bebe-se a coragem até de um copo vazio
Sérgio Godinho 
Dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo, bebe-se a coragem até de um copo vazio
Sampaio de Névoa

Que força é essa, amigo/que te põe (…)/que força é essa, (…)
Sérgio Godinho 
Que política é esta, (…) que país é este que (…)"
Sampaio da Nódoa

Dumbing down is a deliberate diminution of the intellectual level of education, literature, cinema, news, and culture. The nature of dumbing-down varies according to the subject matter and the reason for diminishing the intellectual level of the subject or topic, but it usually involves the over-simplification of critical thought to the degree of undermining the intellectual standards of language and of learning; thus tending to trivialise cultural, artistic, and academic standards, as in the case of popular culture.

domingo, 26 de abril de 2015

Mas o Jorge Jesus é treinador de futebol, apenas

Na página do Facebook escreveu «(…) trabalhar para devolver Portugal aos Portugueses (…) abraço republicano». À tarde, retornou e perante as câmaras das televisões, disse «(…) será uma candidatura para as pessoas».
O sr. prof. dr. Sampaio, candidato a presidente Névoa, é mesmo incapaz de debitar uma frase livre de chavões?!... algumas são tão, tão, tão, mas tão estúpidas [candidatura para as pessoas], que dói! e mais oito meses, disto.
Tamanha sapiência [consta] que espremida dá isto, convenhamos, é prodigioso.
Não serei um profissional do optimismo e só eu sei quanto me esforço, por vezes, em injectar-me alguns centímetros cúbicos de “tónico redentor”, mas depois isto – a parlenga destes “ascetas”, a moral destes “penitentes”, a dogmática ao nível medieval, a falsa esperança; aqueles monólogos enrodilhados, obscuros, crípticos, aquela clarividente procura do tempo perdido,…É um pavor. Esses “estímulos” ainda funcionam nas glândulas salivares de bípedes?
Será a lucidez que me corta as asas e daí a minha dificuldade em aderir a “igrejas”.
Irra! é pior que [quando as pessoas se “manuscreviam”] ler


«Cuido (estimo/desejo) que esta o(s) vá encontrar de excelente saúde. Eu (nós) por cá vou (vamos) bem/menos mal.(…)»


sábado, 25 de abril de 2015

Mais do que sei. Menos do que é dito

Abriram-se as gavetas e delas saltaram a excelsa literatura amordaçada1 e demais produção bibliográfica2. Foi com aquilo que o povo se “alfabetizou”. Reconheça-se que por inteligência, instinto de sobrevivência ou incompetência dos catequistas; não obstante o preço que pagámos pelos “carnavais” transactos e apesar dos insidiosos apelos a bodos futuros, há a enfatizar que «o povo tem agudezas de espírito que metem num chinelo os mais subtis engenhos letrados». Do mal o menos.

Lágrimas, ladainhas e funguices de "perpetradores" não bulem comigo.



1 - [menos do que mais, não tão "zelosos" (os censores os do Estado Novo) e o descrédito atempado dessas tortuosas utopias ter-nos-ia livrado quiçá definitivamente de tanta custosa porcaria. Foi o que tantos outros fizeram] O que por cá sucedia era mais do que eu sabia/sei (?) mas menos do que é contado, hoje. É o que me parece. Portugal conhecia-o dos mapas. O que posso atestar é que, por exemplo, na biblioteca do meu liceu existiam os livros Jorge Amado –, Os Capitães da Areia,  inclusivé –, que hoje encontrei por aí referido como proibido ou censurado; o que devo testemunhar é que nos escaparates da biblioteca municipal Calouste Gulbenkian existiam muitos mais, outros; o que tenho de atestar é que em 1971 (ou 72), na Lello, comprei «O Anarquismo» de George Woodcock;
 
2 – à produção social-fascista e correlatos (gravura), de facto nunca lhes pus os olhos em cima. Ainda bem – ainda hoje não li o Portugal Amordaçado, Rumo à Vitória, Até Amanhã Camaradas, ..., Luuanda, etc.
[nada que deva espantar. Tenho por ali, entre outros, «Pena Suspensa» e «Com a  morte na Alma» de Sartre, mas com as “almas recomendadas” à lixeira Trajouce na próxima vez que fizer uma depuração, necessária]

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Democrat(inh)as

O que foi, é o que menos me interessa e não me recordo de me ter provocado algum êxtase orgástico. O que entretanto sucedeu não aquece nem arrefece porque feitas as contas, mais assim ou menos assado, o "preço" que me coube não diferirá do "preço" que coube aos demais. O que é resume-se no seguinte:
é (um) dos dias em que mais me martelam os ouvidos com uma retórica que ao longo dos tempos nunca fez outra coisa senão parasitar a História.
Vale-me pois o "gosto" de os apreciar como outros há que gostam de seguir abelhinhas ou ir à cata de míscaros, por exemplo.

As efemérides portam ou associamos-lhes, nomes. De Homens. Cada qual com suas “devoções” e méritos. Hoje quando observo retrospectivamente aquela fauna fardada e analfabeta, castrense; a outra, civil, hirsuta e piolhosa e mais a outra, emigrada mas sem calos ou rostos enrugados, compreendo bem por é que os prometidos novos e belos «mundos de amanhã» nunca despontaram – a não ser abúlicos e hedonistas.

A falência não tem que ver, por força, com o «não se ser capaz». Tem que ver com o  ser capaz de se escolher aquilo de que também se é capaz; não tem que ver com o  não se poder, mas com o não aceitar. Não é forçosamente um problema de capacidades, mas a escolha da que deve ser a escolhida.

Isto não vale de nada; é como deitar água em cesto roto. Mas varro a minha testada e fica, pelo menos, registado o repúdio que lhes devoto e o fastio que me causam certas «figurinhas». O que me vale, mesmo, é que a pátria — a que devia ser tiraram-ma de uma vez e quando a podia ter, já tinha eu deixado de a querer. A outra, a da adopção, nunca me entendi muito bem com ela. Talvez por ter sido eu que nunca a adoptei — acabou dentro de mim. E a devoção ao local não esconjura o restante.

A «figurinha» [andará, por lá, cravo na lapela e povo na língua] que resolvi homenagear fui desencantá-la ao «A Revolta das Palavras» de José António Barreiros. Juízos — cada um faça o que melhor lhe aprouver. Infelizmente há muito quem, pela função, confunda hemolinfa com sangue — talvez não por "defeito", mas por feitio. Sei lá!


Dicas de Feng-Shui

Relutante, confesso, esquadrinhei o relatório «Uma década para Portugal». Em 95 págs. …até à 27ª é forragem, aliás. A relutância com modelações, emulações, teoria(s), ponderações e outra suposições, vem de 2008 [do «comissariado» de Fernando Teixeira dos Santos que agora, sem pasmar, vejo ser enaltecido pela coragem (!) demonstrada — por, em 2011, se ter decidido gritar mayday, mayday. Reconhecer-lhe-ia coragem, seriedade, COMPETÊNCIA, também, se se tivesse oposto com firmeza a fazer o que fez no OE 2009 em vez de ter homologado toda a merda que a ideologia e os correlegionários lhe pediam. Nesse tempo eu via um paredão à frente, mas para ele estava sempre tudo «dentro das margens de segurança»].

Duas conclusões, imediatas
•o PS reconhece [agora que lhes é possível vir a pegar nas rédeas] que estamos metidos numa enorme alhada e, assim tolhidos por vários lados, o “exercício” é filigrana;
•a minha suspeita [velha e relha] que há criaturas que podem ter vontade mas daí a conhecerem a histologia, os interstícios e a holística social vai um fosso, enorme — não fosse a “ignorância” e não se permitiam “propôr” o que consta em 4.1.2 Responsabilizar as empresas pelos custos sociais do desemprego (pág. 33 e segs). A conciliação entre o que lá está e o apelo [pior, a ingente necessidade] ao investimento é de uma ingenuidade que dói, ou cinismo.
Quem o propõe não faz ideia, não tem noção. Ou a tem, retorcida e dela faz uso por mero devaneio. Não admira. Que noção tem, afinal, o redactor, o cogitador, o luzeiro, o douto João Galamba — em bom rigôr um fedelho — da vida, quotidiano, escolhos, negócios, etc.?
Há mais. Pergunte-se aos especialistas, então, por que é que cuidando tanto em meter mais dinheiro nos bolsos dos portugueses, descuidam tanto o incentivo à poupança? Ou será que a poupança deixou de ser uma virtude e passou a ser um constrangimento, sobretudo se se considerar a “saúde” da Segurança Social.
Não percebo a agitação já que, para quem sabe ler nos lábios, António Costa disse tudo logo na primeira vez que se pronunciou — o paper não é (um)a «bíblia». Ou seja, 1 - entre o que consta no paper e o que o PS inscreverá no «programa de governo», está uma visão do mundo e, depois, 2 – entre o programa votado e a prática, virá o «negócio da sobrevivência».

Entretanto chega-me um feed com a Auditoria do TContas aos «guardiões» do  Templo (TConstitucional). Dá a saber
- erros e irregularidades nas contas;
- erros na informação sobre o inventário;
- violações de regras orçamentais;
- auto-atribuição de veículos oficiais sem que para isso tenham sido mandatados;
- pagamentos de ajudas de custo sem controlo e observância da lei,…
tudo entre o “vamos lá! se passar, passou” e “se não passar, logo se corrige”. Enfim, o bastante para que o TC lhes chumbasse as “contas”. Uma vergonha! O desprezo que, em geral, todas estas «corporações», grupelhos de serventuários e demais serviçais públicos devotam à sociedade é atroz, revoltante.
«Em Portugal não há pena de morte, há pena de vida»

Em tempos acreditei que o “busílis” era essencialmente do domínio técnico-científico portanto, o “ataque” teria de ser desse foro. Mas não é.  A dúvida, inerente à “dialéctica” do  crescimento, vai destruindo o bonzo — a solução não é, na essência, do âmbito técnico-científico. Não há modelo que resista. Não há fórmula…O que resulta lá fora, não resulta cá; o que é aceite e criteriosamente escrutinado lá fora, é renitente ou indiferentemente aceite aqui e o escrutínio é por princípio, imagino, função delegada.