Relutante,
confesso, esquadrinhei o relatório «Uma década para Portugal». Em 95 págs. …até
à 27ª é forragem, aliás. A relutância com
modelações, emulações, teoria(s), ponderações e outra suposições, vem de 2008 [do
«comissariado» de Fernando Teixeira dos Santos que agora, sem pasmar, vejo ser
enaltecido pela coragem (!) demonstrada — por, em 2011, se ter decidido gritar mayday, mayday. Reconhecer-lhe-ia coragem, seriedade, COMPETÊNCIA, também, se
se tivesse oposto com firmeza a fazer o que fez no OE 2009 em vez de ter
homologado toda a merda que a ideologia e os correlegionários lhe pediam. Nesse tempo
eu via um paredão à frente, mas para ele estava sempre tudo «dentro das margens
de segurança»].
Duas conclusões, imediatas
•o PS reconhece [agora que lhes é possível vir a pegar nas
rédeas] que estamos metidos numa enorme alhada e, assim tolhidos por vários
lados, o “exercício” é filigrana;
•a minha suspeita [velha e relha] que há criaturas
que podem ter vontade mas daí a conhecerem a histologia, os interstícios e a
holística social vai um fosso, enorme — não fosse a “ignorância” e não se
permitiam “propôr” o que consta em 4.1.2 Responsabilizar as empresas pelos custos sociais do desemprego (pág. 33 e segs). A conciliação entre o que lá está e o apelo [pior, a ingente
necessidade] ao investimento é de uma ingenuidade que dói, ou cinismo.
Quem o propõe não faz ideia, não tem noção. Ou a tem,
retorcida e dela faz uso por mero devaneio. Não admira. Que noção tem, afinal, o redactor, o cogitador, o luzeiro, o douto
João Galamba — em bom rigôr um fedelho — da vida, quotidiano, escolhos,
negócios, etc.?
Há mais. Pergunte-se aos especialistas, então, por que é
que cuidando tanto em meter mais dinheiro nos bolsos dos portugueses, descuidam
tanto o incentivo à poupança? Ou será que a poupança deixou de ser uma virtude
e passou a ser um constrangimento, sobretudo se se considerar a “saúde” da
Segurança Social.
Não percebo a agitação já que, para quem sabe ler nos lábios, António Costa disse
tudo logo na primeira vez que se pronunciou — o paper não é (um)a «bíblia». Ou seja, 1 - entre o que consta no paper e o que o PS inscreverá no «programa
de governo», está uma visão do mundo e, depois, 2 – entre o programa votado e a
prática, virá o «negócio da sobrevivência».
Entretanto chega-me um feed com a Auditoria do TContas aos «guardiões»
do Templo (TConstitucional). Dá a saber
- erros
e irregularidades nas contas;
- erros
na informação sobre o inventário;
- violações
de regras orçamentais;
- auto-atribuição
de veículos oficiais sem que para isso tenham sido mandatados;
- pagamentos
de ajudas de custo sem controlo e observância da lei,…
tudo
entre o “vamos lá! se passar, passou” e “se não passar, logo se corrige”. Enfim, o bastante para
que o TC lhes chumbasse as “contas”. Uma vergonha! O desprezo
que, em geral, todas estas «corporações», grupelhos de serventuários e demais
serviçais públicos devotam à sociedade é atroz, revoltante.
«Em Portugal não há pena
de morte, há pena de vida»
Em tempos acreditei que o “busílis” era
essencialmente do domínio técnico-científico portanto, o “ataque” teria de ser
desse foro. Mas não é. A dúvida,
inerente à “dialéctica” do crescimento,
vai destruindo o bonzo — a solução não é, na essência, do âmbito
técnico-científico. Não há modelo que resista. Não há fórmula…O que resulta lá fora, não resulta cá; o que é aceite
e criteriosamente escrutinado lá fora, é renitente ou indiferentemente aceite
aqui e o escrutínio é por princípio, imagino, função delegada.