Opiniões são opiniões e a
minha é que VPV - concorde-se ou discorde-se -, é geralmente bom e algumas [muitas]
vezes brilhante. É evidente que sempre haverá alguém que, na falta de
argumentos ou razões de peso, pleiteará [sem acrescentar um avo ao assunto] com
a estafada inanidade da aversão à generalização e, cautelarmente, à superficialidade [e a mim parece
que não se deve exigir ao idiota que leia o que não fica escrito ou ao
trambiqueiro que seja intelectualmente honesto].
A “prosa” de hoje é brilhante
- atesta que este país e o povaréu se descrevem e, por conseguinte, explicam em
muito poucas linhas o que além do mais não deveria ser novidade posto que quarenta
anos e umas ameaças depois existe espaço, tempo, paciência e plateia para
aturar uns “colégios” de turiferários e outros tantos albardeiros.
É impossível a um leitor cujos gostos se
formaram lendo Corin Tellado aprecie Cervantes, S. Bellow ou Beckett; é
impossível a alguém que intelectualmente se municiou com a Reader´s Digest,
faça um esforço voluntário e abnegado para aprofundar uma área qualquer do conhecimento;
é impossível que cerebelos condicionados pela publicidade se atrevam a pensar
por conta própria. …isto no que respeita até aos da minha faixa etária. De
então para cá, lamento, mas tem sido sempre a solapar – é a minha opinião. Exactamente
o oposto ao percepcionado e “proposto” por Raúl Brandão em Filosofia
do Gabirú «O
melhor que há a fazer à educação que nos dão é esquecê-la porque ela nada tem
com a vida (…) a adquirida à custa de nervos, sangue, suor, a que se
aprende na peleja, essa acompanha-nos até ao túmulo - é a verdadeira. O homem
procura sempre uma filosofia onde caiba o seu temperamento, os seus erros e até
os seus crimes. Se não existe, inventa-a».
Meia de bacalhau e quatro ou cinco
citações de “filósofos”, bastam e, por falar em filósofos, acho que vem a
propósito citar uma passagem de E. Burke em «Sobre a diferença entre
clareza e obscuridade com relação às paixões/secção IV» «Uma
coisa é tornar clara uma ideia e outra torná-Ia impressionante para a imaginação. (…) A maneira adequada de transmitir os sentimentos de um espírito a
outro é através de palavras (…) a clareza das imagens é tão pouco necessária para incitar as paixões que se pode prescindir desse auxílio (…) Na verdade, uma
grande clareza pouco contribui para incitar as paixões, pois é de certo modo inimiga de todo e qualquer entusiasmo».
[É minha opinião que] do que mais
precisamos é de entusiasmados – alienados, de preferência.