sábado, 28 de fevereiro de 2015

O ethos [dele(s)] é nutrido pelo [nosso] logos

traduz-se por «moléstia e ausência de remédio».

                 "Where everything is bad it must be good to know the worst" *
F.H.Bradley

Digamos que é, pelo menos, divertida [nos dias que correm não é pouco - e ainda por cima gratuito - «a cavalo dado não se olham os dentes»] a sucessão de cariz hermenêutico, imparável e partenogénica,  instalada com as vocalizadas “chinesices” de António Costa.
…mais divertidos são certos e determinados “exercícios” da autoria de quem tropeça a cada instante na dificuldade de articular um raciocínio que envolva mais do que uma constante [a forma verbal ou a(s) proposição proferida(s)] e outra variável [a forma não-verbal ou (alegados e eventuais) pressupostos - isto para dispensar os populares hermeneutas de calcar o desengraçado e agreste terreno da semiótica e, simultaneamente, livrar-me de ter de gramar com as mais do que certinhas divagações sobre o ethos e o pathos do “emissor” enfim, levar com a imperecível empáfia de trafulhas e outras mais “eructações” de cabotinos].

Os meeiros e comensais do tribuno oferecem a justificação como embelezamento complementar
~ foi caraterizada pelo sentido de Estado  ~


 Onde tudo é mau, isso deve ser bom para saber o pior

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A carga da Brigada Ligeira

O Livre/Tempo de Avançar decidiu expressar o seu apoio às posições anti-austeridade do governo grego. Numa carta dirigida aos concidadãos (?!) gregos o novo movimento político português assegura que “vêm reforços a caminho”.

«Envergonham-nos e revoltam-nos as notícias de que o Governo de Portugal tem sido um obstáculo (…) Se a Grécia for bem sucedida, todos ficarão a saber que era possível fazer as coisas de forma diferente, ao contrário do que nos diziam. Os políticos deste Governo português forçam a intransigência dentro do Eurogrupo por razões que se prendem com o futuro político deles, mas que são contra o interesse nacional ou europeu. (…) Faremos pressão, dentro e fora de Portugal, para que o governo de Portugal mude de posição — ou para que Portugal mude de governo (…) No que depender de nós, a Grécia nunca mais estará sozinha numa reunião do Eurogrupo.
Caros concidadãos gregos: aguentem firmes, que vêm reforços a caminho.»

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Sobre "pobrinhos" e dos que têm muita peninha dos "pobrinhos"

Jamais alguém encontrou qualquer destas piedosas almas que carregam as dores e misérias do mundo nas pontas das línguas por exemplo à noite, ao frio, incógnitos, a distribuir umas sopinhas quentes e umas peças de fruta pelos sem-abrigo. 

«Para que possa vislumbrar réstias de decência nos que se arvoram em donos da legitimidade do discurso sobre a pobreza ou sobre as minorias raciais, era útil que as elites políticas, muito em particular as de esquerda (socialistas, comunistas, bloquistas e demais), fossem relatando as suas experiências de vida. Sobra a sensação de posturas ignóbeis nos que enchem a boca de pobreza para abandalhá-la no imediatismo político que anima comícios, campanhas, convívios partidários e demais espetáculos e porque muitos o fazem a coberto de percursos pessoais e estilos de vida afortunados.»

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Ontem, hoje e amanhã

Opiniões são opiniões e a minha é que VPV - concorde-se ou discorde-se -, é geralmente bom e algumas [muitas] vezes brilhante. É evidente que sempre haverá alguém que, na falta de argumentos ou razões de peso, pleiteará [sem acrescentar um avo ao assunto] com a estafada inanidade da aversão à generalização e,  cautelarmente, à superficialidade [e a mim parece que não se deve exigir ao idiota que leia o que não fica escrito ou ao trambiqueiro que seja intelectualmente honesto].
A “prosa” de hoje é brilhante - atesta que este país e o povaréu se descrevem e, por conseguinte, explicam em muito poucas linhas o que além do mais não deveria ser novidade posto que quarenta anos e umas ameaças depois existe espaço, tempo, paciência e plateia para aturar uns “colégios” de turiferários e outros tantos albardeiros.

É impossível a um leitor cujos gostos se formaram lendo Corin Tellado aprecie Cervantes, S. Bellow ou Beckett; é impossível a alguém que intelectualmente se municiou com a Reader´s Digest, faça um esforço voluntário e abnegado para aprofundar uma área qualquer do conhecimento; é impossível que cerebelos condicionados pela publicidade se atrevam a pensar por conta própria. …isto no que respeita até aos da minha faixa etária. De então para cá, lamento, mas tem sido sempre a solapar – é a minha opinião. Exactamente o oposto ao percepcionado e “proposto” por Raúl Brandão em Filosofia do Gabirú «O melhor que há a fazer à educação que nos dão é esquecê-la porque ela nada tem com a vida (…) a adquirida à custa de nervos, sangue, suor, a que se aprende na peleja, essa acompanha-nos até ao túmulo - é a verdadeira. O homem procura sempre uma filosofia onde caiba o seu temperamento, os seus erros e até os seus crimes. Se não existe, inventa-a».

Meia de bacalhau e quatro ou cinco citações de “filósofos”, bastam e, por falar em filósofos, acho que vem a propósito citar uma passagem de E. Burke em «Sobre a diferença entre clareza e obscuridade com relação às paixões/secção IV» «Uma coisa é tornar clara uma ideia e outra torná-Ia impressionante para a imaginação. (…) A maneira adequada de transmitir os sentimentos de um espírito a outro é através de palavras (…) a clareza das imagens é tão pouco necessária para incitar as paixões que se pode prescindir desse auxílio (…) Na verdade, uma grande clareza pouco contribui para incitar as paixões, pois é de certo modo inimiga de todo e qualquer entusiasmo».

[É minha opinião que] do que mais precisamos é de entusiasmados – alienados, de preferência.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

«Nós somos islandeses»

sugestão de fantasia e enredo para um carnaval socialmente proveitoso

A sociedade portuguesa bem podia fazer deste carnaval uma folia proveitosa: por exemplo, consagrando para enredo «Nós somos islandeses» [até para fazer pendant, por contraste, com o costumeiro «Nós somos gregos»] e exigindo - está bem de ver - às «baterias» (instituições) e a cada um dos seus integrantes que, querendo ou não, vestissem os trajes alusivos e adoptassem de forma desapiedada as regras que nos  fariam semelhantes mas… enfim, também no carnaval, adoptamos [como sucede com as amizades, companhias,…] o que nos parece assentar melhor.