domingo, 25 de janeiro de 2015

Data venia

Da medíocre porém incensada pústula é sempre oportuno, por mais desacompanhado que se esteja, dizer-se o que deve ser dito. Faço-o sempre que tenho ocasião, acho oportunidade e replico as alheias - sempre por razões profilácticas.
Shakespeare, n' A Tempestade, põe Caliban (escravo) a dizer a Prospero (legítimo duque de Milão, homem justo e recto, obrigado a abandonar a sua cidade natal pelo pérfido usurpador António, seu irmão)
«Tu ensinaste-me a tua língua, mas tudo quanto dela retirei foi a possibilidade de te amaldiçoar»
que faço minhas.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Também faz falta um tiquinho de vergonha

«Uma gaiola andava à procura do seu pássaro»
Franz Kafka

“Dura a mentira enquanto não chega a verdade” assim reza o aforismo. A verdade por estes dias tem sido dura, de facto. A percepção que dela há, comum, nem por isso. É o que me sugere a hucharia opinativa que se me depara…tanto que me faz citar, outro, “as cadelas apressadas parem filhos cegos”.
Não foi por acaso que por cá, no ergástulo, um dos “postulados” mais esgrimido [função atribuida a, tiro de partida, mote imediatamente tweetado pela desequilibrada Ana Gomes] tem sido a ladaínha do «caldo de cultura» - um conceito tão ambíguo que dá para tudo e para o seu contrário. Há, efectivamente, um resultado de um determinado caldo de cultura: um caldo de cultura que, do mal o menos, faz com que uns quantos, apressados em botar esclarecimento, corram a adejar Pascal Bruckner [um espanto] e, dele, a agitar o seu extraordinário, poído e amarelecido «O remorso do Homem Branco»; um caldo de cultura que é dedicado a cegos e é erigido com paciência, intransigência e tempo - claro que a paciência e o tempo não são condições com que o(s) gado(s) lida(m) bem.

«É com as mentiras da manhã que as mulheres constroem as verdades da noite»
Jean Giraudoux

É pena que os “pedagogos” ou melhor, amestradores, não vão mais fundo, aos ingredientes do caldo. Ir aos “ingredientes” é trazer à colação, por exemplo, um crápula [que teve olhos para apreciar e apurado senso crítico para verberar tudo com excepção do que convinha ao estalinismo para as massas ocidentalizadas, do maoismo para as massas africanas e sul-americanas e uma 3ª via, abrangente, que coligia e adaptava o que fosse de Giap a Gandhi, de Juan Zamora a Enver Hoxa, de Fidel a Abu Saïd, do hinduismo ao salafismo,... dedicada a "rebentos"/debutantes "inquietos" e irrequietos], intelectual de vasta bibliografia, da filosofia, francês e que deu à estampa o celebérrimo «Para um Diálogo das Civilizações» - Roger Garaudy.
Como sempre a ciscar, à superfície. Arrotear será para quem não tenha receio de arcar com a vergonha. 

sábado, 10 de janeiro de 2015

Imoderado “infiel”

H(aver)á, neste momento, por todo o mundo, nas ruas, multidões de muçulmanos -  moderados -, deprecantes e silenciosos, a verberar a animalidade, em protesto pela chacina em Paris, a condenar a barbárie, a ranger os dentes contra o terrorismo,…
A comunicação social - a estipêndio ou sob sequestro das forças sionistas - é que oculta, não divulga. Ou será porque os muçulmanos não têm esse feliz – imageticamente falando - hábito de acender círios [a propósito de tudo. Se os pensamentos soprassem: acende-te velinha!]

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

[Algumas] excogitações e [outras tantas] impressões

que, entre outros, me foram instigadas por Cioran e que adopto, adaptando.

Encontramos subtileza
nos ociosos, nos mundanos, nas raças indolentes e em todos aqueles que se alimentam de palavras
[a conversa(ção) é o regaço da subtileza - por serem insensíveis a ela é que os alemães foram engolidos pela metafísica. Ao contrário, os povos faladores - os [antigos] gregos, os franceses,… -, peritos nos “encantos do espírito” sobressaíram nas técnicas das ninharias];
nos perseguidos - obrigados à mentira, ao ardil, à tramóia, levam uma vida dupla e falsa
[o fingimento, por necessidade, excita a inteligência. Seguros de si, os ingleses são enfadonhos - pagam dessa maneira os séculos de liberdade em que puderam viver sem recorrer à astúcia, ao sorriso dissimulado, às artimanhas; no pólo oposto, os judeus possuem o privilégio de ser o mais desperto povo do mundo];
nas mulheres - nas quais a Natureza inscreveu que, independentemente do resto, devem embuçar desejos e mentir
[mais a mais considerando que o outro sexo geralmente faz gala da sua incompetência 1 – antigamente, por imposição e 2 – modernamente, por exibição. A mentira é um[a forma de] talento enquanto o respeito pela verdade anda de par com a falta de finura e, imensas vezes, com a grosseria];
nos tarados - que não estão internados.

domingo, 28 de dezembro de 2014

[Por] gratidão

por ser “pobrinho” mas não mal-agradecido.
Tinha decidido que, hoje, não “teclaria” mas perante esta caixa, enorme, do CM, senti-me constrangido…por imperativo de consciência forçado a dar nota pública da minha penhora - pois que nem de um sacerdote é já expectável um sacerdócio com contornos tão impressivos. Mais - a consignar o desmerecimento de tão profunda dedicação por parte de V. Exas. E mais, ainda – como retribuir tamanha nobreza, abnegação,…? como?