«Uma gaiola andava à procura do seu pássaro»
Franz Kafka
“Dura a mentira enquanto não
chega a verdade” assim reza o aforismo. A verdade por estes dias tem sido dura,
de facto. A percepção que dela há, comum, nem por isso. É o que me sugere a
hucharia opinativa que se me depara…tanto que me faz citar, outro, “as cadelas
apressadas parem filhos cegos”.
Não foi por acaso que por cá,
no ergástulo, um dos “postulados” mais esgrimido [função
atribuida a, tiro de partida, mote imediatamente tweetado pela desequilibrada Ana Gomes] tem sido a ladaínha
do «caldo de cultura» - um conceito tão ambíguo que dá para tudo e para o seu
contrário. Há, efectivamente, um resultado de um determinado caldo de cultura:
um caldo de cultura que, do mal o menos, faz com que uns quantos, apressados em
botar esclarecimento, corram a adejar Pascal Bruckner [um
espanto] e, dele, a agitar o seu extraordinário, poído e amarelecido «O
remorso do Homem Branco»; um caldo de cultura que é dedicado a cegos e é
erigido com paciência, intransigência e tempo - claro que a paciência e o tempo
não são condições com que o(s) gado(s) lida(m) bem.
«É
com as mentiras da manhã que as mulheres constroem as verdades da noite»
Jean Giraudoux
É pena que os “pedagogos” ou melhor,
amestradores, não vão mais fundo, aos ingredientes do caldo. Ir aos “ingredientes”
é trazer à colação, por exemplo, um crápula [que
teve olhos para apreciar e apurado senso crítico para verberar tudo com excepção
do que convinha ao estalinismo para as massas ocidentalizadas, do maoismo para as massas africanas e sul-americanas e uma 3ª via, abrangente, que coligia e adaptava o que fosse de Giap a Gandhi, de Juan Zamora a Enver Hoxa, de Fidel a Abu Saïd, do hinduismo ao salafismo,... dedicada a "rebentos"/debutantes "inquietos" e irrequietos], intelectual de vasta bibliografia, da
filosofia, francês e que deu à estampa o celebérrimo «Para um Diálogo das
Civilizações» - Roger Garaudy.
Como sempre a ciscar, à
superfície. Arrotear será para quem não tenha receio de arcar com a vergonha.