quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

[Algumas] excogitações e [outras tantas] impressões

que, entre outros, me foram instigadas por Cioran e que adopto, adaptando.

Encontramos subtileza
nos ociosos, nos mundanos, nas raças indolentes e em todos aqueles que se alimentam de palavras
[a conversa(ção) é o regaço da subtileza - por serem insensíveis a ela é que os alemães foram engolidos pela metafísica. Ao contrário, os povos faladores - os [antigos] gregos, os franceses,… -, peritos nos “encantos do espírito” sobressaíram nas técnicas das ninharias];
nos perseguidos - obrigados à mentira, ao ardil, à tramóia, levam uma vida dupla e falsa
[o fingimento, por necessidade, excita a inteligência. Seguros de si, os ingleses são enfadonhos - pagam dessa maneira os séculos de liberdade em que puderam viver sem recorrer à astúcia, ao sorriso dissimulado, às artimanhas; no pólo oposto, os judeus possuem o privilégio de ser o mais desperto povo do mundo];
nas mulheres - nas quais a Natureza inscreveu que, independentemente do resto, devem embuçar desejos e mentir
[mais a mais considerando que o outro sexo geralmente faz gala da sua incompetência 1 – antigamente, por imposição e 2 – modernamente, por exibição. A mentira é um[a forma de] talento enquanto o respeito pela verdade anda de par com a falta de finura e, imensas vezes, com a grosseria];
nos tarados - que não estão internados.

domingo, 28 de dezembro de 2014

[Por] gratidão

por ser “pobrinho” mas não mal-agradecido.
Tinha decidido que, hoje, não “teclaria” mas perante esta caixa, enorme, do CM, senti-me constrangido…por imperativo de consciência forçado a dar nota pública da minha penhora - pois que nem de um sacerdote é já expectável um sacerdócio com contornos tão impressivos. Mais - a consignar o desmerecimento de tão profunda dedicação por parte de V. Exas. E mais, ainda – como retribuir tamanha nobreza, abnegação,…? como?

sábado, 27 de dezembro de 2014

Guardanapo

Não acredito que fiquem de beiços limpos, mas é o que há para serventia da casa.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Nefanda prosápia

A vigarice* disseminada, por aí - a rogo da comunicação social e logo mimetizada [por achar que não é inteligente exigir, a papagaios, que sejam inteligentes] nas “redes do brado” - por perpretadores [de Jorge Coelho e Manuela Ferreira Leite a José Pacheco Pereira] sobre uma alegada opacidade (não afirmo que inexista, peremptoriamente, pois não me consta que as “contratualizações”, homologadas, sejam do domínio público) nas privatizações [enquanto premissa – erística, claro -, sobre a próxima e aparentemente desdenhada, privatização da TAP];
as enjoativas tretas proferidas, pela enésima vez, pela sra. D. Maria José Morgado, no transacto «A Propósito» da SicN e umas, poucas, efabulações da investigadora do IMM, Maria Manuel Mota, no «Expresso da ½ noite» de 19.12, instigaram-me a reler uma [das] cartas de um “perigosíssimo fassista”, liberal [que, como poucos, conhecia a joça de que são feitos canhotos e ambidestros, o que pretendiam e ao que vinham] para o amigo, e camarada, Artur Portela Filho
«[…] juro não ter a mínima intenção de competir com outro cadáver, cuja realização ocupa afanosamente tantos patriotas e que, segundo a geografia, tem cerca de 90 mil Km2 e ainda dá pelo nome Portugal (a não ser que, como sucedeu a Lourenço Marques, e para se apagar um passado, decidam mudar-lhe o nome que eu adequadamente, e para fazer pendant com Maputo, proporia que passasse a ser Bonaputa, em homenagem a tantos dos seus mais vorazes filhos). […] Todos sabemos que, para que se corrijam os males, ante um povo a que nunca disseram que a liberdade é cara, e o socialismo ainda mais. […] O mal está em que, as chamadas «esquerdas» desde sempre não têm feito por falar a verdade mas, ao contrário, «por vender o seu peixe», sem escrúpulo e sem rebuço. […] O país atravessa horas difíceis, em que parece que os partidos desesperadamente apenas desejam sobreviver-se uns aos outros, à custa uns dos outros, e necessariamente, ainda que não  digam nem confessem, à custa do povo português. […] ninguém insiste em esclarecer o povo, efectivamente, acerca do que a democracia seja. Todos o que no fundo querem é desacreditar o vizinho, mesmo que isso seja feito à custa da ignorância de um povo inteiro, ou grande parte dele […] Escândalo público é o erro que se não critica, o desmando que se não liquida, a tripa-forra que faz a gente pensar que a maior parte de algumas pessoas o que queriam era almoçar e jantar no Grémio Literário e nos restaurantes do faduncho de luxo, e dormir com as putas […] Foi com estas e com outras que a 1ª República cavou a sua sepultura.[…]»
Santa Bárbara, Califórnia, 12. 04.78
Jorge de Sena in Rever Portugal / Textos Políticos e Afins, págs. 357 e segs.

De umas aleivosias, por aí, commumente promanadas [e que têm por objectivo colar um determinado discurso, reaccionário – sim, mas, na maioria dos casos, respeitante à recusa ou abjuração da nossa pastosa porém prevalente, “circunstância” -,  a pessoas que proferem opiniões pouco consentâneas com o desejado pelo mainstream ou desconforme à intencionalidade de um determinado innuendo], fazem parte a denúncia do negativismo, maledicência, catastrofismo e outras merdices semelhantes em género e tipo.
Merdices que caso não sejam proferidas ou escritas por quem é olhado e venerado como prócere são para verberar mas, dando-se o caso de o terem sido então, são para silenciar, desconhecer, assobiar para o lado ou no limite, catalogá-las, datá-las – contextualizá-las (como se haja “coisa” que não careça de contextualização) - etc.
«Descontentes com o presente, mortos como existência nacional imediata, nós começámos a sonhar simultaneamente com o futuro e o passado.[…] Pombal pensou libertar-nos por um europeísmo à Pedro da Rússia, que não convenceu os nossos boiardos locais, analfabetos, glutões e preguiçosos[…] Para fugir a essa imagem reles de si mesmo («choldra», «piolheira») Portugal descobre África, cobre a sua nudez caseira com uma nova pele […]» – págs. 27 a 30
«Em vez do encarecimento do tirano omnisciente, reina a bajulação avulsa dos caciques que entre si jogam aos dados nas costas do povo português os poderes e as benesses de que se instituíram herdeiros.(…) um povo educado, em suma, no hábito de uma vida pícara que durou séculos e que uma aristocracia indolente e ignara pôde entreter à custa de Brasis e Áfricas» - págs.52 e segs.
«Citar um autor nacional, um contemporâneo, um amigo ou inimigo, porque nele se aprendeu ou nos revimos com entusiasmo, é, entre nós, uma excentricidade como um capote alentejano.[…] Os portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo.[…] Portugal ora é assumido positivamente  pelo herói, ora mergulha em delírios e sonhos absurdos, transformando-se na pátria do milagre» – págs.94 e segs.
«Não trabalhar foi sempre, em Portugal, sinal de nobreza e quando, como na Europa protestante, o trabalho se converte por sua vez em sinal de eleição, nós descobrimos colectivamente a maneira de refinar uma herança ancestral transferindo essa penosa obrigação.(…) Em princípio, todo o português que sabe ler e escrever se acha apto para tudo, e o que é mais espantoso é que ninguém se espante com isso.»- págs. 130 e segs.

Ora quem assim professava [contextualizando: em 78 o governo era socialista - ou a predominância era essa - e o primeiro (dos ministros) era o camarada M. Soares] foi outro proeminente, e perpetuamente venerado, pensador de direita ou seja reaccionário, negativista, catastrofista, língua viperina, desesperançado, …de sua graça Eduardo Lourenço in O Labirinto da Saudade, tolinhos.


a vigarice pode ser aferida aqui

sábado, 20 de dezembro de 2014

Le famiglie e a vizinhança

Da audição às gravações do Conselho Superior da famiglia o que se constata é que nada há de novo, nada, absolutamente nada - nem por parte dos “escutados” nem da parte de uma sociedade miserável que convive bem com os maiores e mais execráveis crápulas e que, tal como eles, até se “indigna” quando o estipêndio qualquer que seja não lhe chega ao bolso; se “solidariza” sempre que lhe parece poder obter algum proveito - imediato ou diferido; presume-se “democrata” porque supõe [tal como burro que persegue a cenoura pendurada frente ao focinho] que haverá - se não agora, lá para a frente - despojo, esbulho ou migalha que lhe caiba; clama por justiça para os outros e roga indulgência se houver quinhão que os bafeje;… e, as mais das vezes [tão solertes e bravos quanto vis, covardes e inconsequentes], bufam, roncam, grunhem, gritam.

Em inúmeras ocasiões [quando facilmente se depreendia que várias quadrilhas de bandoleiros se estabeleciam, e avançavam como mancha de óleo na sociedade - na minha percepção os “consulados” de Sócrates com a conivência (umas vezes pelo silêncio, outras por inércia e outras ainda por inactividade, dolosa) do Presidente da República ao Provedor da Justiça, do Ministério Público ao Ministro da Justiça, do Tribunal de Contas ao Parlamento,…foram o pico da sinusoidal e o vórtice da frequência] escrevi que fulano(s), sicrano(s) e beltrano(s) eram de uma qualidade tal que [pior não achei, digamos, sem pruridos ou contenção para fazer chegar a minha ideia sobre as personagens] só
- não põem as mães à venda, por saberem que o mercado as desvaloriza. -

…pelo que, neste tempo de Advento, nem sei como é possível fazer “coisas” que não sejam exalar fraternidade, doar solidariedade aos “pobrinhos” [tenho uma peninha dos pobrinhos! sobretudo dos que frequentam as «redes sociais» e tartamudeiam ou taramelam via smartphone,…], espalhar esperança e alegria,…