O destino do
mundo teria sido diferente se desde o começo do século as imagens da guerra, da
miséria, da fome e da exclusão social não tivessem intoxicado de cólera justa
os cérebros de milhões de jovens imbecis, predispondo-os a encontrar consolo
nas promessas de Lénine, Staline, Mao Tsé-tung, Mussolini e Hitler
Georges
Bernanos
[Dada a ambivalência, cito-o por antagonismo]
Uma das “prosas” [certificada por uma presumida intelectualidade e que faz o
seu percurso sem vacilar] mais divulgadas e melhor aceites é a de que, por razões várias, “a sociedade, as
comunidades andam meio-perdidas sem perceber muito bem o que sucede, para onde
caminhamos (…)” [na versão imbecilóide, popularucha -
a que é propalada e compartilhada nas designadas “redes sociais” - e que mais
ou menos se atém ou restringe à sagaz «crise de valores» - daquelas
asseverações que, sempre, dizem nada e com rigôr, dizem nada].
Esta arenga enquadra com uma prosápia – preponderante e abenssonhada, aliás –
que pelo meio, recorre abundantemente a uma “dogmática” pós-moderna,
estruturalista em que prevalecem o ecumenismo [no plano religioso],
multiculturalismo [no plano cultural], globalista [no plano da finança, da
economia, da diplomacia e da política], socialista ou «alternativa» (a mesma coisa em modo underground) [no plano ideológico], ecológico [no plano
ambientalista],... Ora se há cinquenta,... trinta anos era fácil
sustentar um arrazoado deste género, hoje [escuso-me de justificar porquê] não
é, de facto, embora pareça sê-lo mas, apenas e só, porque a natureza e a massa do
«emissor/receptor» é a mesma, na realidade - very
ordinary people (VOP) e, demasiados, filhos da luta
“os enfáticos Doutores que parecem ter nascido,
como flores secas, estampadas entre as páginas de alguma enciclopédia
literária. E que importância terão eles ou terá isto tudo, a não ser em terra
de escassas e superficiais leituras (e leitores!), e muita prosápia omnissabichona?”- José Rodrigues Miguéis, 24/6/1976
…tão convicto estou disto que a (minha) piedade pela condição humana vai-se
esvaindo; é cada vez mais evanescente e se alguma ainda existe, será por mim
próprio. Não será por isso que deixarei de expressar as minhas preocupações -
sabendo antecipadamente que os mais presumidos e sem dúvida os mais cínicos,
hipócritas, filhos-da-puta…no limite
arguirão que, espremido, sou
“distópico”.
Há dois livrinhos que fosse a minha
opinião coisa passível de “inscrição”, suficientemente forte para constituir
instigação, recomendaria enfaticamente a uma série de trambiqueiros [umas quantas avençadas bestas que debitam outros tantos rudimentos e vacuidades sobre o "preço" da globalização para aquietar as suas consciências e sossegar o pagode] e que, freios nos dentes, por aí andam a [os
mais atrevidos a interpretar, os mais ignaros a discrepar ou ventilar] sobre
assuntos dos quais possuem uma vaga ideia, apenas. São eles “O sonho de
Descartes” de Philip J. Davis e Reuben Hersh/1986 e “A guerra das moedas” de
James Rickards/2014 pois avisado seria que quem se afoita por certos “atalhos”
convinha que previamente «dominasse um
poucochinho mais do que as operações elementares» [no dizer do falecido
prof. dr. Alfredo de Sousa] ao invés de pespegarem irremediavelmente as misérias do lastro a que emprestam o esqueleto.
Acabo de saber que
«A cruz, que o emblema do Real Madrid ostentava desde 1920
- ano em que o Rei Afonso XIII atribuiu o título "Real" ao clube -, desapareceu. O
Real Madrid firmou/negociou uma parceria com o Banco Nacional de Abu Dhabi e
quem “bancou” para não ferir a susceptibilidade dos clientes, muçulmanos, assim
impôs.»
o que qualifico o facto de uma gravidade, absoluta. Porém... porém a concentração de
espírito que, nos fortes, é como o “Livro do Razão” da consciência individual é
nos fracos, umas vezes, o desarranjo das faculdades intelectuais e outras vezes,
a razão de uma certa atracção (diabólica) pelo suicídio.
O certo é que 1 -
quem teve razão, por muitas razões que conhecia, foi Churchill em explicar que “um
pacifista é o indivíduo que alimenta o crocodilo na esperança de ser o último a
ser comido” – e, de lá para cá, nada mudou;
2 - no Holocausto os judeus tiveram
de se habituar a conviver com uma estrela como acessório e mais tarde, ainda e sempre
com o “distintivo”, dirigiam-se para as câmaras de gás para se sujeitarem a uma
útil e necessária “desinfecção” com uma a “alegria” esperançosa de que …a mesma
esperança, elocubro eu, que me faz dar como exacta a ideia de que «se os porcos
votassem, votariam - sem saber que são alimentados para ser abatidos - naqueles
que os alimentam» - e, de lá para cá, nada mudou;
3 – Marinkovitch, em visita à
antiga Jugoslávia, foi a uma aldeia onde os habitantes, não tendo milho ou
trigo para sobreviver, derrubavam o bosque. Viviam do que ganhavam com a venda
da madeira. Reuniu alguns dos principais habitantes e argumentou
“Vocês não têm muito bom senso; não
percebem que a floresta é cada vez menor. Que farão quando tiverem derrubado a
última árvore?”. Responderam-lhe que “esse
é um problema que nos apoquenta mas, por outro lado, o que faríamos se
parássemos de cortar as árvores?” – e, de lá para cá, nada mudou;
4 – se pelo dedo se conhece o
gigante certo e sabido é que por outras coisas se ajuíza a “massa” que nos
rodeia - soa o tintinábulo das “memórias” e me traz [conta L. B. Narnier, In lhe Margin of History] que, após o
terramoto de 1755, andava de um lado para o outro um homem, vendendo pílulas
anti-terramoto. Alguém o terá invectivado, denunciando o facto de as pílulas serem
inúteis. O vendedor replicava «E que usará em seu lugar?!» - e, de lá para cá,
nada mudou;
5 – o [G.] Bernanos,
“ambivalente” é o Bernanos, “coeso”, que sugere a estultícia do aviso, do
alerta, dizendo que jamais se deve fazer — ou mostrar — o mal aos imbecis porque
i)
eles têm mais facilidade do que as outras pessoas em sentir-se indignados ii) têm
a propensão incoercível de reunir-se em milhares, em milhões, para reforçar
mutuamente a cólera e iii) uma vez encolerizados por motivo justo, perdem
todo o senso das proporções na produção de injustiças reparadoras – e, de lá
para cá, nada mudou.
O que para
mim é um incessante prelúdio e faz parte de uma propedêutica da desgraça, para
outros será o propileu de um mundo novo, quiçá, a conformação do propiciatório
- é que creio mesmo que, qualquer que
seja a perspectiva, Bossuet é irrepreensível
«Deus ri-se das
criaturas que se queixam dos efeitos, mas que continuam a alimentar as suas
causas»