sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Que dos serviços mínimos faça parte levar o Papai Nöel, de regresso

Ferro Rodrigues, que para múmia só lhe falta o odor a formol, sentenciou
«o Estado pode recapitalizar a TAP sem prejuízo para os contribuintes; o Estado tem de recapitalizar a CGD para o efeito»
Esta sentença - considerando o “lastro” retórico da personagem e a do “clube” a que pertence - desobriga o contraditório, tal o ludíbrio.

Qual é a diferença entre 1 - dispersar em bolsa 49% do capital [da companhia] ou 2 - fazer um concurso público para alienar 66% do capital?
A primeira diferença é o percentual
i)   49% é menos do que 66% ou
ii)  (para os “patriotas”) - 51% é mais do que 34%;
a segunda é que [até ao apito final do árbitro] ninguém, jamais, pode garantir que o resultado dos 49% (subscritos em bolsa) seja maior ou menor do que os 66% (concursados): em caso da Oferta Pública Inicial dependerá das condições do anúncio de lançamento e/ou prospecto; em caso de procedimento concursal dependerá do caderno de encargos
pelo que todas as lorotas debitadas e a lenga-lenga expelida sobre a «forma» não passa de conversa para boi dormir; é uma “conversa” - torpe e canhestra - para enganar.

Pelo meio assinada por evangelizadores e prócoros – uns, cativos ideológicos; a maioria, avençados  - vai passando o “ramalhete” lírico
«A TAP não é unicamente uma empresa vendível, um negócio banal: é um estado d’alma, uma emoção, um pequeno orgulho e a módica vaidade que nos resta.»
que seria(m) motivo para apreciação caso, alguma vez, o onírico houvesse pago a refeição de alguém com excepção das refeições dos autores.

O governo optou zelosamente pela requisição civil para fazer de contas; em rigoroso cumprimento do cerimonial litúrgico. Debalde. Nem fez bem nem fez mal – equivale a tentar desviar o curso de um rio com meia-dúzia de sacos de areia.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

with wings wide open

Os direitos dos trabalhadores são para respeitar e se há luta em que devem ser respeitados [acima de todas as coisas], esta é uma delas. Mais a mais sabendo-se que a demanda e o pretexto [dos trabalhadores] é a defesa estrénue dos superiores interesses da “companhia de bandeira” ou seja, do que sobeja da Pátria.
Não fosse haver um governo com a preocupação política de fazer-se passar por coisa que evite o ápodo, «direita», e a greve na TAP já nem “prioridade” da comunicação social seria.
Cumpridos os “mínimos” - o “grupo de trabalho” – …ouvidos os trabalhadores, constatado o desacordo e o governo, sequer equacionava a hipótese da requisição civil.
Qual requisição civil, qual quê?! Quem quer fazer greve, faz; quem não quer, quisesse.

Os serviços que a TAP não prestar, prestados serão por outras.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Marquês é nome; não é conteúdo

Da Operação Marquês só vi "entrar" um barão, um dos mordomos e um dos aios. Os marqueses permanecem todos cá fora. Mais apropriado seria «Operação Barão».


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Cruz não há. Mas haverá espada

O destino do mundo teria sido diferente se desde o começo do século as imagens da guerra, da miséria, da fome e da exclusão social não tivessem intoxicado de cólera justa os cérebros de milhões de jovens imbecis, predispondo-os a encontrar consolo nas promessas de Lénine, Staline, Mao Tsé-tung, Mussolini e Hitler
Georges Bernanos
[Dada a ambivalência, cito-o por antagonismo]

Uma das “prosas” [certificada por uma presumida intelectualidade e que faz o seu percurso sem vacilar] mais divulgadas e melhor aceites é a de que, por razões várias, “a sociedade, as comunidades andam meio-perdidas sem perceber muito bem o que sucede, para onde caminhamos (…)” [na versão imbecilóide, popularucha - a que é propalada e compartilhada nas designadas “redes sociais” - e que mais ou menos se atém ou restringe à sagaz «crise de valores» - daquelas asseverações que, sempre, dizem nada e com rigôr, dizem nada].
Esta arenga enquadra com uma prosápia preponderante e abenssonhada, aliás que pelo meio, recorre abundantemente a uma “dogmática” pós-moderna, estruturalista em que prevalecem o ecumenismo [no plano religioso], multiculturalismo [no plano cultural], globalista [no plano da finança, da economia, da diplomacia e da política], socialista ou «alternativa» (a mesma coisa em modo underground) [no plano ideológico], ecológico [no plano ambientalista],... Ora se há cinquenta,... trinta anos era fácil sustentar um arrazoado deste género, hoje [escuso-me de justificar porquê] não é, de facto, embora pareça sê-lo mas, apenas e só, porque a natureza e a massa do «emissor/receptor» é a mesma, na realidade - very ordinary people (VOP) e, demasiados, filhos da luta

os enfáticos Doutores que parecem ter nascido, como flores secas, estampadas entre as páginas de alguma enciclopédia literária. E que importância terão eles ou terá isto tudo, a não ser em terra de escassas e superficiais leituras (e leitores!), e muita prosápia omnissabichona?”- José Rodrigues Miguéis, 24/6/1976

…tão convicto estou disto que a (minha) piedade pela condição humana vai-se esvaindo; é cada vez mais evanescente e se alguma ainda existe, será por mim próprio. Não será por isso que deixarei de expressar as minhas preocupações - sabendo antecipadamente que os mais presumidos e sem dúvida os mais cínicos, hipócritas, filhos-da-puta…no limite arguirão que, espremido, sou “distópico”.

Há dois livrinhos que fosse a minha opinião coisa passível de “inscrição”, suficientemente forte para constituir instigação, recomendaria enfaticamente a uma série de trambiqueiros [umas quantas avençadas bestas que debitam outros tantos rudimentos e vacuidades sobre o "preço" da globalização para aquietar as suas consciências e sossegar o pagode] e que, freios nos dentes, por aí andam a [os mais atrevidos a interpretar, os mais ignaros a discrepar ou ventilar] sobre assuntos dos quais possuem uma vaga ideia, apenas. São eles O sonho de Descartes” de Philip J. Davis e Reuben Hersh/1986 e “A guerra das moedas” de James Rickards/2014 pois avisado seria que quem se afoita por certos “atalhos” convinha que previamente «dominasse um poucochinho mais do que as operações elementares» [no dizer do falecido prof. dr. Alfredo de Sousa] ao invés de pespegarem irremediavelmente as misérias do lastro a que emprestam o esqueleto.

Acabo de saber que
«A cruz, que o emblema do Real Madrid ostentava desde 1920 - ano em que o Rei Afonso XIII atribuiu o título "Real" ao clube -, desapareceu. O Real Madrid firmou/negociou uma parceria com o Banco Nacional de Abu Dhabi e quem “bancou” para não ferir a susceptibilidade dos clientes, muçulmanos, assim impôs.»
o que qualifico o facto de uma gravidade, absoluta. Porém... porém a concentração de espírito que, nos fortes, é como o “Livro do Razão” da consciência individual é nos fracos, umas vezes, o desarranjo das faculdades intelectuais e outras vezes, a razão de uma certa atracção (diabólica) pelo suicídio.

O certo é que 1 - quem teve razão, por muitas razões que conhecia, foi Churchill em explicar que “um pacifista é o indivíduo que alimenta o crocodilo na esperança de ser o último a ser comido” – e, de lá para cá, nada mudou;
2 - no Holocausto os judeus tiveram de se habituar a conviver com uma estrela como acessório e mais tarde, ainda e sempre com o “distintivo”, dirigiam-se para as câmaras de gás para se sujeitarem a uma útil e necessária “desinfecção” com uma a “alegria” esperançosa de que …a mesma esperança, elocubro eu, que me faz dar como exacta a ideia de que «se os porcos votassem, votariam - sem saber que são alimentados para ser abatidos - naqueles que os alimentam» - e, de lá para cá, nada mudou;
3 – Marinkovitch, em visita à antiga Jugoslávia, foi a uma aldeia onde os habitantes, não tendo milho ou trigo para sobreviver, derrubavam o bosque. Viviam do que ganhavam com a venda da madeira. Reuniu alguns dos principais habitantes e argumentou
Vocês não têm muito bom senso; não percebem que a floresta é cada vez menor. Que farão quando tiverem derrubado a última árvore?”. Responderam-lhe que “esse é um problema que nos apoquenta mas, por outro lado, o que faríamos se parássemos de cortar as árvores?” – e, de lá para cá, nada mudou;
4 – se pelo dedo se conhece o gigante certo e sabido é que por outras coisas se ajuíza a “massa” que nos rodeia - soa o tintinábulo das “memórias” e me traz [conta L. B. Narnier, In lhe Margin of History] que, após o terramoto de 1755, andava de um lado para o outro um homem, vendendo pílulas anti-terramoto. Alguém o terá invectivado, denunciando o facto de as pílulas serem inúteis. O vendedor replicava «E que usará em seu lugar?!» - e, de lá para cá, nada mudou;
5 – o [G.] Bernanos, “ambivalente” é o Bernanos, “coeso”, que sugere a estultícia do aviso, do alerta, dizendo que jamais se deve fazer — ou mostrar — o mal aos imbecis porque i) eles têm mais facilidade do que as outras pessoas em sentir-se indignados ii) têm a propensão incoercível de reunir-se em milhares, em milhões, para reforçar mutuamente a cólera e iii)  uma vez encolerizados por motivo justo, perdem todo o senso das proporções na produção de injustiças reparadoras – e, de lá para cá, nada mudou.

O que para mim é um incessante prelúdio e faz parte de uma propedêutica da desgraça, para outros será o propileu de um mundo novo, quiçá, a conformação do propiciatório -  é que creio mesmo que, qualquer que seja a perspectiva, Bossuet é irrepreensível

«Deus ri-se das criaturas que se queixam dos efeitos, mas que continuam a alimentar as suas causas»