quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Expandir a Fé

Miguel Frasquilho, presidente da AICEP, apresentou o Plano Estratégico para o biénio 2014/2016. Orçamentados trinta milhões de euros para divulgação, promoção, prospecção [de mercados para portugueses] e captação de investimento [em Portugal].

Será que desta vez nos vai apresentar e dizer algo diferente do que aqui foi dito e repetido pelos seus antecessores, Pedro Reis e Basílio Horta? atirou-lhe o entrevistador. E disse! disse que, no que concerne à designada internacionalização, a Agência irá estar presente em 12 novos mercados -- Timor-Leste, Cazaquistão, Coreia do Sul, Equador, GanaGuiné-BissauGuiné EquatorialNigériaSão Tomé e PríncipeSenegal, Finlândia e Noruega – e reforçará a presença em 26 mercados como será o caso da Turquia.
Mas continuamos a não ver vinhos portugueses, por exemplo, onde se vêem vinhos franceses, espanhóis, italianos, californianos, chilenos, ..., não se vêem os vinhos portugueses – retorquiu o jornalista.
Pois, mas isso tem muito a ver com a nossa dimensão que nos impede ter escala. Por isso optamos pela criação e de nichos [de mercado]
Atingi os limites da paciência e desliguei.

Supunha eu que dos quesitos fundamentais para a manutenção e incremento de um nicho [seja ele de que natureza fôr] fariam parte a oferta de produtos diferenciados, de enorme valor acrescentado incorporado por via tecnológica ou outra e, simultaneamente, supunha que o desiderato, no caso, seria a apresentação em mercados com alto poder aquisitivo ou, em alternativa, com uma garantia de enorme trânsito e onde a percepção, prospectada, seja de que exista uma propensão autêntica pela novidade, diferenciado enfim, por “coisas” de inquestionável qualidade, e caras.
Face aos quesitos expostos [que eu cria, vitais] fica patente de forma indubitável que é em Timor-Leste, Cazaquistão, Gana, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Nigéria, São Tomé e Príncipe que estarão os alvos, mercados que, sabemos, possuem populações de altíssimo poder aquisitivo, elevado nível cultural e de um genuíno e reconhecido encanto por tudo a que me refiro –vinhos finos e caros, porcelanas requintadas,vidros e cristalaria sofisticada, metais nobres – filigrana, tecidos refinados, roupas de griffe, flores e/ou frutos exóticos, cavalos lusitanos, carne bovina maronesa e/ou mirandesa, porco bísaro, enchidos e conservas gourmet, toda a parafernália de gadgets de 4ª geração, etc
por que não Nepal ou Mongólia, Panamá, Nova Caledónia, Ruanda, …?!
Mais tarde arrependi-me por ter desligado. Olvidei a importância (e a nobreza!) dos activos “intangíveis” a que eu dou importância reduzida mas a que líricos, nefelibatas, caudatários, apóstolos, mangas-de-alpaca,… não têm de submeter-se.

Há-de ser para expansão da Fé [de uma outra Nova, talvez, mas fé] à semelhança dos nossos ancestrais. Tanto mais que, convenhamos, fezes há muitas e para todos os gostos.

sábado, 8 de novembro de 2014

Sentença

Perguntam-me se li e se há “sentença” sobre o «Ementário para a década» (socialista) - o “itinerário” da cobiçada “estrada de Damasco”.

Já o consultei e, enfastiado, dei-lhe o destino apropriado às coisas inócuas, irrelevantes.

Do “juízo”, aos outros, digo que 1 – Nietzsche, salvo erro, topou «vantagem em possuir-se memória má » por consentir «apreciar», sucessivamente, «as mesmas coisas como se fosse a primeira vez».
A democracia releva, refaz, redime, repristina e, 2 - em democracia, cada povo escolhe a maneira como se há-de matar. É assim!
Para mim, por maioria de razão e por enquanto, faço da inferência de Voltaire «não devemos avisar as pessoas do perigo que correm senão depois de ele ter passado», lema.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Nem uma cunha da Senhora d’ Apelação vos salvará

A ridícula
«a gravidade da situação da PT é incompatível com silêncios, omissões ou acomodações»
e hilariante
«as razões do descalabro e desmembramento da PT, no contexto da sociedade e da economia portuguesa, advêm, ao longo deste século, de graves erros, distorções, falta de visão estratégica nacional e diluição ética de diferentes níveis de decisão»
Apelação
(assim a denominaram os signatários ou designa a comunicação social) [deve ser para apelar ao sentimento],
que hoje faz cartaz da comunicação social, subscrita por dúzia e meia de personagens politicamente tão infrutuosas quanto socialmente inexpressivas... daquilo, ridícula e hilariante, não passa.
Duvido até que chegue para entreter a toleima.

A não ser “provas de vida” e “ais” por causa dos bicos de papagaio ou maleitas cardíacas, dali, nada sai; dali nada sai com interesse para a sociedade porque no fundo, no fundo e bem coado, cada um à sua maneira e no seu couto, nunca logrou superar as fímbrias que orlam, retêm e conformam os videirinhos por mais versáteis que sejam ou tenham sido. Além do mais, a maioria destes renomados cromos são relapsos e contumazes em demasia.


Vá-se lá saber porquê mas ninguém gosta de coveiros; eu também não. Os coveiros não choram.
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No transacto fim-de-semana vi, e gostei, Getúlio Vargas.
Getúlio, acossado, deprimido, a poucos dias de se suicidar, em conversa com o filho, médico, confessa

«Estou há mais de quinze anos no poder, filho… nunca me pediram o que fosse para o país; fizeram-no sempre para alguém»

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Ontem foi amanhã

uma bela crónica, esta, «a crise do euro tem um responsável claro, os sacanas dos bancos», de Ricardo Reis.

É evidente que nos bancos há (muitos) sacanas. Não será esse o problema, todavia. Talvez seja que a sociedade está pejada de sacanas e, antes dos bancos vem a política, pejada de sacanas da mais variada índole e de todas as cores. Ou deixou de ser verdade que «numa sociedade sã» [segundo os meus critérios] «é a “política” que comanda a finança»?... partindo do princípio que os sacanas sejam estes e as sacanices sejam tão contemporâneas quanto eles. Sucede que não é verdade uma coisa nem outra.
Como rémora, de par com essa arenga corre sempre uma outra, vocalizada pelos imarcescíveis quiçá imprescindíveis arlequins de teor justicialista [nas perspectivas aristocrática e da fina flor do entulho], justiceira [na perspectiva brega], ético-moralista [na perspectiva lírico-filosófica], etc… em que é verberada a dita promiscuidade.

Fazer um varrimento à intemporalidade da sacanice, dos sacanas da política e da finança, à promiscuidade e às esterqueiras onde uns e outros viceja(ra)m, etc e tal… está à disposição de quem queira -- à disposição e para todos os gostos e "sensibilidades".
Se há assuntos fascinantes, a «história da moeda» [uma sucessão de “episódios” de “génios” da finança, falidos e monumentais golpadas instigadas por políticos, não sancionadas ou melhor, sugeridas pelos Estados que ilustram de forma vivida o comportamento e a loucura humanas] é um deles.

Charles Keating, John Law, Luis XV, Tommaso Contarini, Robert Morris, Esquema do Mississipi, Bubble Acts, Companhia das Índias Orientais,… serão boas “entradas”.

Se fôr parvo, deslumbre-se; se não fôr, tampone os ouvidos.