sábado, 27 de setembro de 2014

«Ando a comer uma viúva»

Num desses inquéritos que os jornais fazem para tomar o pulso à “opinião pública” perpassando a ideia de que os interesses da gajada vêm e estão acima de todas as coisas é expressiva a insatisfação e, adivinha-se, a indignação.

O inquérito e tudo o que a propósito seja sugerido trouxe-me à memória
1 - o manifestado por Luis XIV «De cada vez que dou destino a um lugar vago, gero cem descontentes e um ingrato», em termos gerais e 2 - uma outra estória, deliciosa, sobre a essência do indignado indigenato

Salazar tinha “caído da cadeira”; os oposicionistas procuram aproveitar-se desse vazio, eventual. No aeroporto de Roma, em trânsito para a feira do livro de Frankfurt, Alçada Baptista, encontra-se com um reputado homem de letras, informadíssimo, anti-fassista incompassivo, que confessa o seu desalento e indignação

- Oh! António. Não há nada a fazer deste país. Vou eu a correr convencido que ia ajudar à revolução e nada. Fui ter com um que me disse que não podia comprometer-se porque tinha um pedido no Fundo de Turismo; outro, porque tinha a mulher doente e Fulano de tal disse-me que agora não porque «andava a comer uma viúva»

A indignação vem a seguir. Talvez.

Walking Dead

Esta semana Soares voltou a boquejar qualquer coisa. Soares e os “colégios” que o acolitam sabem bem o que estão a fazer. O “problema” dele(s) não é de perto nem de longe o dos «zés-ninguém».
Está em falta Freitas do Amaral, e roça o inadmissível que a comunicação social ainda não tenha consultado o senhor professor.

Em 22 de Novembro, Soares, também mussitou algo. Nessa ocasião escrevi. Ora de Novembro até hoje, politicamente e de fundamental, pouco mudou -- o assunto “Tecnoforma” não passa de um instrumento «essa-pipa-de-massa-é-demasiado-importante-para-que-sejas-tu-a-encaminhá-la-portanto,-se-não-cedes-a-bem,-cederás-a-mal».

Em política não se toma partido sobre «algo» baseado em valores ou ideias. Não é disso que se trata em política. Política é igual a poder e poder é a capacidade que alguém tem de determinar as acções dos outros ou seja, fazer com que os outros [por ameaça, manipulação, coacção ou “comissão”] façam o que ele quer que seja feito. A política trata de pessoas e meios; não de valores ou fins. O que trata de valores e fins é a filosofia, a religião,…

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Apontamentos [da história pregressa do doente]

«(…) Portugal é um “doente da história”»

Mais tarde do que cedo acabamos sempre por fazer o que há a fazer. Até podíamos fazer da tardança uma vantagem, evitando os erros cometidos por outros. Sucede que o potraimento jamais foi vantagem aliás, nem fazemos, atempadamente nem fazemos, completamente.

Não estarei a cometer erro de palmatória [presumo] se disser que as Ordenações Manuelinas foram, à época, o Código Penal. As leis vigentes em Portugal durante o séc. XVI foram compiladas, reformuladas e reunidas em cinco livros, publicados em 1521, daí terem ficado para a história sob a designação de Ordenações.
Outra razão que lhes propiciou a relevância histórica foi o rigor com que eram indicados, por exemplo, os inúmeros crimes passíveis de pena de morte [Livro V].
Da notória acerbidade e equanimidade das leis destaque-se que a pena de morte podia, e foi-o vezes imensas, ser comutada em degredo. Com uma particularidade - o degredo não era eterno. O alvará esclarecia que «após quatro anos de residência no Brasil, os degredados poderão vir ao reino a tratar dos seus negócios, contanto que tragam guia do donatário e sob condição de não irem à côrte nem ao lugar onde tiverem cometido seu malefício e nem se demorem no reino mais do que seis meses»

No “terreno” o que sucedia?

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O major tinha razão

Quem amiúde passa os olhos pelo que escrevo reparou que, paulatinamente, fui deixando de abordar assuntos de natureza económico-financeira. Sucede que ao longo do tempo fui sedimentando a ideia que a essência do problema de Portugal não é económico. Tem outras naturezas e nenhuma é desse foro.

«(…) Portugal é um “doente da história”»

Ontem, foi-nos dado a saber que a Irlanda [o PIB irlandês contraíu 0,3% em 2013] reviu em alta o crescimento para 4,5% ou seja, a Irlanda este ano crescerá 4,5 vezes mais do que Portugal; que os crescimentos homólogos do PIB e do PNB [exclui o contributo das multinacionais], no segundo trimestre, foram de 7,7% e de 9%, respectivamente.
O "comportamento" dos índices evidenciam as diferenças quantificáveis. Não evidenciam as não quantificáveis que são as que justificam e explicam por que é que na Irlanda, os assuntos ingentes com que se entretém a sociedade, não são as “vantagens” da reestruturação da dívida pública, a mutualização da dívida, as "virtudes" da saída “controlada” do Euro, etc

O major Tristão Barroso [personagem de José Rodrigues Miguéis], criatura nada propensa ao cientismo, “manuseamento” de dados, igualmente a salamaleques ou a excogitações líricas, depreendeu que «(…) Portugal é um “doente da história”. Portugal é um sistema em desequilíbrio crónico irremediável. Não se lhe pode mexer sem estragar tudo (…) nós, portugueses, sentimos, pensamos, falamos e agimos como vítimas da história; como se uma força oculta e contrária nos houvesse roubado o futuro prometido, esse múltiplo himeneu de glória, poder, virtude e prosperidade.»

É, sem nada tirar e pouco acrescentar, o que penso.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Bivalves de barrete

Ora cá está um movimento que me entusiasma. Absolutamente inclusivo [Nós, cidadãos]. Finalmente!

Havia começado por titular «Despontam como cogumelos» [pelo tempo que tem feito, pela quantidade que irrompe de entre a caruma] mas acabei por baptizá-lo de «Bivalves» [mais apropriado ao desiderato primário verbalizado pelo seu mentor-mor «Lançamo-nos num desafio ao PS e ao PSD, estaremos lá para disputar o lugar de charneira»].

Entusiasmado com a novidade [só no último ano entre partidos, movimentos, ajuntamentos, condomínios, …, preocupados e com soluções nos bolsos, já deve ser para aí o sétimo], em primeiro lugar;

entusiasmado com a inusitada frescura, jovialidade [imagino que sejam estes os da renovação de geração] e a alvura, imaculada, dos «cabeças de cartaz», vide
-- o juiz e exegeta-avençado da televisão pública, Rui Rangel
-- o sempre-em-pé José Cid
-- o ex-tudo [secretário-geral partidário, deputado, ministro, deputado europeu, edil, conselheiro de Estado, convidado para ser um dos «cidadãos», sempre candidato a candidato de qualquer coisa nem que seja à presidência da República] e futuro-nada, António Capucho
-- o “cidadão” monárquico, prof. Mendo Castro Henriques [não hei-de morrer sem ver S.A.R., D. Duarte Pio de Bragança, entronizado]
em segundo lugar;

entusiasmado por crer [piamente] nas purificadoras intenções e nos genuínos propósitos dessa gente, em terceiro lugar e,

por fim, entusiasmado com o «barrete» [saloio/ribatejano, presumo; frígio é que não é. E que digo “semiótico” porque propagandear uma propositura à co-administração, política ou outra, da coisa pública em Portugal com barrete(s) pelo meio, não lembraria a um tinhoso].

Como está bem de ver, estamos safos. Haja Deus!


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Ou são outro barrete? estes bivalves.