domingo, 24 de agosto de 2014

Filho da desdita

venturoso será, decerto.

A comunicação social dá a saber que lá mais para o fim do mês, um grupo de «trinta personalidades», os imprescindíveis crânios, exibem ao mundo o fruto do seu desvelo, do gentil e angustiado discernimento sobre a insalubridade do “ambiente” – o  manifesto «Por uma Democracia de Qualidade».
O primeiro vagido «a reforma eleitoral é possível desde há 17 anos» do neném, consta, foi dado por Ribeiro e Castro; o “choro” «é o atraso dessa reforma que contribui para um certo atoleiro, um certo pântano em que se tem vindo a viver e um descontentamento crescente da cidadania» também.

Volvidos 17 anos de oportunidades desperdiçadas e agora, quando estamos no átrio de um promissor, fecundo e florescente período político em que o PS detém 1 - a maioria dos municípios, 2 - a presidência da ANM, 3 - a maioria e a presidência de uma das duas Juntas Metropolitanas; se prepara para obter, em 2015, 4 - a maioria absoluta no parlamento e, por consequência, 5 - o primeiro-ministro e 6 - a presidência da república, em 2016… pelo sentido de oportunidade será caso para lhes dar os parabéns e proclamar a penhora pela devoção.

Este meu raciocínio resulta da certeza… adivinho que, por exemplo, o empenhamento do PS será indómito e arrebatador. E a vida do neném será longa e leve.

sábado, 23 de agosto de 2014

Dildo(s) político(s)

«(…) como candidato ao PE disse ao que vinha: "Só se chega ao poder através do voto, mas não é lícito alcançar o poder com recurso à mentira, ao logro e à fraude política. Isso descredibiliza os órgãos do Estado e a própria Democracia (…) Queremos trazer mais verdade à política portuguesa." E acrescentou que "numa República a ética não está na lei, mas na consciência das pessoas. E nem tudo o que a lei permite deve ser feito".
Ainda bem que Marinho e Pinto se comprometeu desta forma clara com quem lhe deu o voto (234 603 portugueses). E ainda bem que, pouco mais de um mês depois de ter tomado posse em Estrasburgo, rasga o contrato de confiança que estabeleceu por cinco anos com os seus eleitores.

O agora deputado europeu é homem de verbo fácil, promessa pronta e moralista encartado. Passa a vida a espadeirar contra a política e os políticos, os privilégios e os interesses instalados. Não é aliás difícil entrar num táxi [ou navegar nas “redes sociais”] e ouvir um Marinho e Pinto em potência de discurso justiceiro na ponta da língua. O homem que prometeu ser "formiguinha" em Bruxelas anuncia agora que fará as malas para ser candidato a primeiro-ministro em Portugal (…) está disponível para se coligar com o PS ou PSD, é-lhe indiferente (…) é homem de convicções firmes e escolhe de forma clara um campo político-ideológico. (…) a lei (…) permite fazer esta escolha, traindo os seus eleitores. Mas como ele próprio disse no acto de apresentação de candidatura, "a ética não está na lei". (…) esta atitude não faz de Marinho e Pinto nem melhor nem pior do que os políticos que, sistematicamente, recorrem à mentira, ao logro e à fraude política (…) é só mais um daqueles a quem aponta o dedo.»
Nuno Saraiva

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A droga

é uma doença, voluntária. O endividamento, voluntário, também.

Droga-se ou endivida-se quem quer exceptuando, claro, os que sem forma de se livrarem do ergástulo são drogados, passivos; doentes involuntários. Tal qual o não-fumador enfiado numa sala de fumo: fuma, queira ou não.


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Ordália ou suicídio?

«Keep on cutting those infidels throats»
Abu Zarqawi

A ocidente sempre houve quem [de R.Garaudy, Gurdjieff a N.Chomsky ou Frithjof Schuon] medite e promane conversaprocissões de pulhas -- punhos erguidos e keffiyehs nos cangotes -- que se esgoelam e conclamam por diálogo; e há organizações ecléticas, ecuménicas,…, de paz como a ONU e mais a rede de ligas, conselhos e… por si acobertadas, que os alenta pelos mais pérvios corredores ou atalhos e lhes concede respaldo pelas mais imaginativas normas, regras e métodos.


sábado, 2 de agosto de 2014

Sarna já a têm; agora cocem-se

Com a desfaçatez e o à vontade que enforma esse tipo de gente, exímia em espalhar brasas nas searas, disse o pediatra do BE [João Semedo] que, por ele(s) «se o BES tivesse de falir que falisse; “dinheiro dos contribuintes” e mais sacrifícios (dos mesmos) é que nunca».

O que é o «dinheiro dos contribuintes»?

i) o dinheiro dos contribuintes é o dinheiro que o Estado confrontado com a eminência de uma cessação de pagamentos foi, em seu nome, pedir ao FMI e à UE;
ii) desse montante, entenderam o governo e a troyka, bem, reservar 12 MM€ para eventuais recapitalizações da banca;
iii) a esses 12 MM€ recorreram o BPI, a CGD e o BCP e de isso prescindiu o BES (percebe-se agora porquê);
iv) a probabilidade de a banca necessitar era altíssima se por outra razão não fosse para compensar as menos-valias constantes dos respectivos balanços correspondentes aos milhares de milhão em títulos de «dívida pública» que, na sequência da “insolvência” do Estado, passaram a valer o preço do «lixo»;
v) a taxa que os «contribuintes» cobram das instituições que recorrem a esta “reserva” é da ordem dos 8% ou mais * [a taxa que os contribuintes estão a pagar ao FMI, UE é da ordem dos 3% ou 4%]
aliás, a este propósito,