quinta-feira, 17 de julho de 2014

O desabrochar dos carpelos

Poucos deram por isso [se foram mais do que uns poucos, as minhas desculpas: andei distraído].
A preocupação desses poucos com a ajuda do
1 -- desinteresse da comunicação social [não era assunto que vendesse papel ou garantisse shares de audiência], 2 – com o sequaz, criminoso, silêncio dos partidos,... [tudo que não produza resultados imediatos não ganha votos], 3 – a oposição passiva dos eventuais “candidatos” [a procriar], 4 – o respaldo de uma determinada «euforia perpétua» que privilegia o lema, “epicurista”, «carpe diem quam minimum credula postero» [aproveite o dia de hoje e desconfie do amanhã] acima de todas as “coisas” e 5 – a circunstância de entretanto ter surgido a «crise» [um aliado imprevisto(!) que logo foi instituída como alibi e sossega consciências], valeram nada.
Foi o que, até à data, sucedeu com o problemão demográfico.

Há oito/sete anos, despretensiosamente, dediquei algumas linhas ao assunto e num desses textos, recordo, escrevi que íamos a caminho de nos reduzirmos a uma diminuta «tribo» [com as inevitáveis consequências].
Se há meia-dúzia de meses só se dedicava ao assunto quem profissional ou academicamente o tinha de fazer, agora parece estar no topo das agendas de qualquer bicho-careta. Sugere que não há fome que não dê em fartura. Sugere e bem… de que são muitas as vontades subjugadas pelos parcos pecúlios, de boas intenções e melhores palavras. Querem lá ver que daqui a dois ou três anos terão de reabrir as maternidades encerradas?!

domingo, 13 de julho de 2014

Do abadágio neste abadengo

Se há assunto sobre o qual os rapagões e as dulcineias do BE estão bem informados é que António José Seguro não está, nunca esteve muito virado para aggiornamentos gramscianos e se as palavras ainda contam alguma coisa, António Costa não morre de amores por eles a não ser que politicamente designar o próximo de «parasita» seja uma labareda de paixão. Por outro lado, política de mesa de café, tertúlias líricas, assembleias de condóminos, palmilhar avenidas debaixo de um calor sufocante para levar a passear t-shirts guevarianas e boinas bascas, goelas abertas a entoar slogans de resistência e luta é “coisa” mais para púberes do que para dandies por maior que seja o empenho cívico reclamado.
Ora se teoricamente as premissas gramscianas são muito respeitáveis na prática o jesuítico-maquiavélico preceito «o fim justifica os meios» vem ajoujado de seis séculos de comprovação falsificacionista
«Na sua génese, o Bloco assume pois, como compromisso matricial, o papel da construção de pontes e do fomento do diálogo entre as esquerdas, procurando nesses termos estimular um processo comum de renovação programática, capaz de superar os bloqueios gerados pela crise da social-democracia e pela queda do muro de Berlim. Passada quase década e meia da sua existência, constata-se porém o abandono consciente e reiteradamente afirmado nos últimos anos da missão política em que assentou a criação do Bloco de Esquerda»
A primeira, Penélope, a deixar de estar disposta para continuar a misturar o seu Channel com o cheiro a sovaco do povo foi a Joan(inh)a Amaral Dias, e mais a mais há o pedigree; o segundo, Narciso, que quebrou as grilhetas que o constrangiam à pequenez do Bloco foi Louçã que, qual Pigmalião, anda agora esculpindo a estátua de si; o terceiro, Dionísio,… depois de provar os aveludados assentos do anfiteatro de Estrasburgo foi Rui Tavares e, porque não há quatro sem três, adivinhava-se que aquela Alice, leia-se Ana Drago, não suportaria cultuar aquelas personagens enigmáticas, daquele povoamento de criaturas esquisitas que vivem aprisionadas a paradoxos lógicos e argumentos circulares por muito mais tempo mais a mais sabendo que o que vivia era o que corria do outro lado do espelho, abandonada que tinha sido já pelo Coelho Branco.

Não se resiste aos ares do tempo e o mundo não está, aliás nunca esteve para exaltações, utopias e dislates oníricos. Tudo tem seu tempo e uma coisa é aceder à mesa, convidado, outra é vigiar os comensais.

António Costa, bom republicano e (socialista) «fabiano» que é, necessita de quem, passada a refrega, desenrole a passadeira vermelha e vá de libré testemunhar e nobilitar a posse.
Quem porfia alcança e quer a vontade de comer quer a fome aguçam o engenho.

sábado, 12 de julho de 2014

“Coisas” extraordinárias,


de um país extraordinário, habitado por gente extraordinária.

Em vôo, caíram peças de um avião da TAP. Julgo ser um incidente extraordinário; julgo também que, soltarem-se peças de um avião, seja pouco recomendável e inconveniente.

As “peças” que despencaram do aparelho, escreve a “jornalista”,… «SÓ»… 
Se a falência dos materiais tivesse causado um buraco na fuselagem e a acção da gravidade feito com que por lá saísse um passageiro, afivelado ou não ao assento, suponho que a Filipa, a “jornalista”, sossegar-nos-ia escrevendo que «SÓ» tinha caído um passageiro.
Um, entre duzentos e tantos, dá para aí …% (façam as contas).

Há mais [por atacado dói menos]
-- as “peças” causaram feridos, sim, mas MATERIAIS. Acaso ocorressem em animais independentemente do modo de locomoção, imagino, seriam DANOS.



Espero, sinceramente, que a Filipa faça parte do “lote” dos 140 a quem a Controlinveste se prepara para pôr uns patins. Há tanta gente competente, desempregada. E que quer trabalhar.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O "inimigo" somos nós

Anteontem, ao editar Combater o “inimigo, se havia “coisa” inimaginável seria ver as minhas palavras “corroboradas” por Mário Soares
Estamos a fazer tudo para arrasar o nosso próprio país e isso é inaceitável, de maneira nenhuma aceitável”.

Corroboradas com aspas já que a homologação é mais pela forma do que pelo conteúdo. Soares, por razões ideológicas e político-partidárias, tem na ideia um preciso e determinado rol de personalidades e eu, garanto, por razões de mera cidadania, tenho na ideia outro rol mais abrangente onde estão inclusas parte, reconheço, das personalidades a que Mário Soares se refere.
Mário Soares não inclui no seu rol de perpetradores, Francisco Louçã e um rebanho de acólitos de menor relevância que em seu redor balem e que, intermitentemente, procedem como autênticos “terroristas”.