terça-feira, 24 de junho de 2014

Melhor é impossível

Acho notável este texto de Viriato Soromenho hífen Marques*
«Não quero entrar nos detalhes da história da ascensão e queda de Ricardo Salgado. Tem demasiado odor a suor e outras secreções para ser um assunto sobre o qual alguém que preserve um sentido apolíneo da decência e da beleza queira escrever. O problema é de outra natureza. Salgado, Oliveira e Costa, Rendeiro, Dias Loureiro são as ovelhas negras de uma casta que domina a Europa inteira: os banqueiros da UEM. Uma elite certificada pelo Tratado de Maastricht e pelas regras de funcionamento da zona euro. Tal como os aristocratas da Europa do absolutismo, também eles estão acima da lei geral. Inimputáveis, manipulam os governos e fazem do sistema de justiça um interminável jogo de paciência que termina, invariavelmente, em absolvição por cansaço e prescrição. Foi a sua desmesura que transformou o sistema financeiro, de importância vital para uma sociedade de mercado funcional, no palco para uma tragédia de Shakespeare. Nem todos os membros desta elite se comportaram abusivamente, mas a simples possibilidade de o abuso de poder passar sem castigo, provocou o carrossel de especulação e a avalancha de crédito Norte-Sul dos primeiros anos do euro. Foi sobretudo a ganância do sistema financeiro, e não o despesismo dos Estados, que conduziu a Europa ao actual beco sem saída.  A mesma ganância conduziu à Grande Depressão de 1929. Nessa altura, sob liderança dos EUA de F. D. Roosevelt, o financismo foi colocado no seu lugar por uma firme regulação do negócio bancário, que garantiu a prosperidade económica durante muitas décadas. Hoje, a União Europeia continua paralisada, sem a necessária coordenação e firmeza políticas, indispensáveis para colocar o sistema financeiro dentro dos limites da lei e da ordem
É um monumento.
Vamos supôr que na banca apenas cabem as mais indignas, perversas,... inomináveis criaturas e suponhamos que à política acedem as almas puras, diligentes,... os despertos, os ungidos, o rubedo (social). Suponhamos que os da banca e finança têm como objectivo, único, comprar, enganar, corromper,...
Quem é que de forma reiterada e contumaz tem falhado?

* professor catedrático na Faculdade de Letras da UL; regente de Filosofia Social e Política e de História das Ideias na Europa Contemporânea

terça-feira, 17 de junho de 2014

Pela auto-estima

«Palhaços do mundo reúnem-se em Fafe. Palhaços de Portugal, Espanha, Brasil e Argentina reúnem-se em Fafe» para palhaçadas.

Ora aí está um evento em que teremos condições para “dar cartas”. Se expandirem o conceito a “engraçados” mais competências exibiremos.
Espero que os representantes do nosso meio tenham sido prospectados no mercado de Lisboa onde, evidentemente, há muitos. E não se esqueçam do bruxo... é da casa.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Honrarias a pataco

Não há 10 de Junho que não me traga à memória a sabedoria de Novalis [desde que a conheço, evidentemente]
«Ao vermos um gigante devemos examinar a posição do Sol, primeiro; atentar se não será a sombra de um pigmeu, apenas
Hoje, sucedeu o mesmo… ao ver as honrarias a António Lamas [ex-presidente do Instituto do Património Cultural], Vitor Caldeira [presidente do Tribunal de Contas Europeu] e Eduardo Lourenço [pensador em Vence e ensaísta em Almeida].

Rebuliu também -- imagino que contrariamente ao senso comum de todas as épocas -- que «quanto mais positivos nos tornamos, mais negativo será o mundo á nossa volta».


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Vítimas do corrector


…o resto é jelado ou survete que são no final das contas o core-business, e isso é que intereça. Outras considerações serão implicânssia, certamente. …nem há, de boa-fé, quem possa apontar outrém por falhas do currector ortográfico, eventuais. – digo eu que sou uma criatura a vinte e cinco anos da pertença a uma das duas gerações mais bem preparadas de sempre.


sábado, 31 de maio de 2014

Falta de Gramática

«primeiro que se saiba o que se quer; segundo que se saiba como se há-de querer e por fim, como se hão-de realizar os propósitos de que se está animado»
Quem, em 1927, assim grafou preocupava-se com aquele presente em que só via «filósofos, retóricos e literatos» incapazes de dar uma solução concreta ao «problema elementar» e pulularem «estadistas e reformadores» dos quais inventariou terem «programas e falta de gramática».

…não endrominem mais o populacho.
Para adiantar serviço e de uma vez por todas, tratem dos baraços para levar ao pescoço no lugar das gravatas e ide a Berlim e Bruxelas dizer que 1 -- os vossos aios, vós mesmos e mais o raio que vos parta a todos são pouco mais do que uns inúteis ou, se melhor proveito pressentirem, que 2 -- a mole de inúteis, na choça, anda irremediavelmente desnorteada.