sábado, 26 de abril de 2014

Resquícios de má consciência

Nestes dias de júbilo e desvelo democrático [tem a sua graça assistir a uma “festa” em que os folgazões exibem carrancas, dentes e punhos cerrados, espuma nos cantos dos lábios e apelo à luta] as redes sociais foram encharcadas de citações __ umas, a maioria, de Marcelo Caetano; outras de Oliveira Salazar.
A mais papagueada [ou regougada, não sei] «em poucas décadas estaremos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade de outras nações, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação que estava a caminho de se transformar numa Suiça, o golpe de Estado foi o princípio do fim. Resta o sol, o turismo e o servilismo de bandeja, a pobreza crónica e a emigração em massa» de Marcelo Caetano.

O(s) disseminador(es) com propósito, óbvio, “trabalharam-na” em conformidade com os seus escopos.
A citação correcta é
«Sem o Ultramar
em poucas décadas estamos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade das nações ricas, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação que estava em vésperas de se transformar numa pequena Suiça, a revolução foi o princípio do fim. Restam-nos o sol, o turismo, a pobreza crónica e as divisas da emigração, mas só enquanto durarem.
As matérias-primas vamos agora adquiri-las às potências que delas se apossaram, ao preço que os lautos vendedores houverem por bem fixar. Tal é o preço por que os portugueses terão de pagar as suas ilusões de Liberdade!»
num dia de 1978 em que MC, depois de visitar e proferir uma “palestra” no Liceu Literário Português / Rio de Janeiro, foi visitar as obras de restauração e modernização no Convento de Sto. António.

Independentemente de pontos de vista e/ou origem, a isso chamo «elidir a má consciência».

Sei que estás em festa, pá!


Fico contente / enquanto estou ausente guardo uma rosa para mim.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

As goteiras

Era esperada uma maré de vagas alterosas, esplêndidas, portentosas, arrojadas e diligentes que deviam ter submerso o [Largo do] Carmo.
Talvez por não ter chovido __ e por mais que o povo o diga nem sempre Abril é mês de águas mil __ os rios que deveriam ter desaguado no Largo do Carmo, não passaram de córregos alimentados por esparsas goteiras.

Direi que daí não virá bem ou mal algum para a democracia; direi que a democracia optou por não conspurcar-se mais do que está. Antes assim, antes isso __ as águas revoltas, tumultuosas, geralmente arrastam à tona imensa sujeira que, depois, dá muito canseira [a quem o faz] a limpar.

Foi o que me pareceu. Assim tendo sido, folgo com o sucedido.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A fajutice

Em 1975


 Em 2014



 Realmente há muitas “coisas” que, na essência, não mudam.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Tralha enfeitada


A questão não é se de cravo na lapela ou com um cagalhão no alto dos cornos, não é!
Isso, simbolicamente, vale menos do que um caracol.
Para mim um ácaro de cravo no bolso ou lapela é um ácaro;
um homem de cagalhão no alto do cucuruto pode ser um Homem.
… para não falar do que (nos) dizem. Sobre o que propalam é preferível ouvir um polícia bêbedo.
A questão é, e sempre será, a qualidade dos homens.

E as criaturas de "convicções", dignidade à prova de bala e coluna vertebral inflexível podem sempre orgulhar-se de imensas "coisas", e das missivas «penhoradas e dedicadas» também.
Gente vil!