sexta-feira, 18 de abril de 2014

Irrefragável Paixão



Há dois milénios, dirigindo-se ao mundo dos homens, Pilatos formulou uma pergunta definitiva
— Onde está, o que é a Verdade?

Não obteve resposta [estou certo de qu´inda hoje não a daríamos].Tal “silêncio” não obstou a que, Ele, fosse convicta e sucessivamente fustigado, seviciado e por fim, crucificado.

Que a incompetência humana para A conhecer não valida a sua inexistência, é um facto; facto é que se o homem diz que a verdade não existe então pede que não se acredite nele.
A raridade dos consequentes será filha dessa subliminar harmonia de opostos.

Acreditai nos que buscam a verdade e duvidai dos que a encontraram, escreveu André Gide.

Os dandies e outros géneros de cabotinos, opiniosos, em geral não tartamudeiam em ratificações ou infirmações.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Filhos da madrugada

O estatuto, por si, não confere categoria ou envergadura. Engana-se [sempre] quem, de filhos da madrugada, espera que naveguem senão de vaga em vaga.


Quando o alicerce de uma família não é fundado
com rectidão, o destino será desgraçado para a descendência.

Ainda que tenha um espírito arrojado, o homem é escravo
quando tem consciência dos vis actos da mãe e do pai.

Eurípedes in Hércules Furioso e Hipólito

terça-feira, 15 de abril de 2014

Sobejam os lobos, e percebo os uivos das alcateias *

Os dias que fruímos, ao espelho. De um sonho acorda-se apenas uma vez e eu realizo que a horda nem isso aprendeu.


Os fascistas do futuro serão chamados anti-fascistas

Winston Churchill

Uma época interpreta falsamente a outra e uma época mesquinha interpreta erradamente todas as outras à sua própria e sórdida maneira.
L. Wittgenstein

"A mais imunda vasa humana a vir à tona, as invejas mais sórdidas vingadas, o lugar imerecido tomado de assalto, a retórica balofa a fazer de inteligência"/Junho de 1975
Miguel Torga

"A revolução acabou, naquele país só há ódio"/Julho 1974

o país não está dividido (…) divididos estão os que pretendem assumir o poder ou manobrá-lo, os que querem impor quanto antes as suas visões partidaristas à realidade nacional ”/Março de 1975

“(…) Revolução, que eu já chamei dos Cravos e dos Cravas,(…)”/Março de 1978
Jorge de Sena 

somos um país de «elites», de indivíduos isolados que de repente se põem a ser gente. Nós somos um país de «heróis» à Carlyle, de excepções, de singularidades, que têm tomado às costas o fardo da nossa história. Nós não temos sequer núcleos de grandes homens. Temos só, de longe em longe, um original que se levanta sobre a canalhada e toma à sua conta os destinos do país. A canalhada cobre-os de insultos e de escárnio, como é da sua condição de canalha. Mas depois de mortos, põe-os ao peito por jactância ou simplesmente ignora que tenham existido. Nós não somos um país de vocações comuns, de consciência comum. A que fomos tendo foi-nos dada por empréstimo dos grandes homens para a ocasião. Os nossos populistas é que dizem que não. Mas foi. A independência foi Afonso Henriques, mas sem patriotismo que ainda não existia. Aljubarrota foi Nuno Álvares. Os descobrimentos foi o Infante, mas porque o negócio era bom. O Iluminismo foi Verney e alguns outros, para ser deles todos só Pombal. O liberalismo foi Mouzinho e a França. A reacção foi Salazar. O comunismo é o Cunhal. Quanto à sarrabulhada é que é uma data deles. Entre os originais e a colectividade há o vazio. O segredo da nossa História está em que o povo não existe. Mas existindo os outros por ele, a História vai-se fazendo mais ou menos a horas. Mas quando ele existe pelos outros, é o caos e o sarrabulho.
Vergílio Ferreira

Um rosario de pérolas. Para porcos, desgraçadamente.

* Aquilino Ribeiro

sábado, 12 de abril de 2014

Uivar à lua


A nótula, de relance, sugere opugnação. De facto, não é nem podia ser.
Se o “fundo” são os peristilos aonde habitualmente vagueia a pravidade e ainda restringe o domínio às redes sociais, à sentina que actualmente é reconhecida como um colossal Hyde Park onde cada qual, caso o deseje. pode subir ao púlpito para botar seu speeche, está errado.

J.Rentes de Carvalho é um incorrigível optimista.

E as pútridas e ininterruptas escorrências em papel impresso ou debitadas em estúdios de televisão ou de rádio, e que fazem de grande parte deles fétidos tugúrios, o que são? ladram, uivam, grunhem, roncam, silvam porquê? ou melhor, para quem? mantenho que, pelo menos, será para quem seja fluente nesses dialectos.
O que não se deve pretender é, sem tomar as convenientes providências, entrar na esterqueira e por lá perambular sem assanhar as pituitárias.