domingo, 30 de março de 2014
quinta-feira, 27 de março de 2014
A leiloeira
A República foi entregue a uma leiloeira ou melhor, transformaram
a república numa leiloeira.
A questão é de preço. Tudo se reduz à dilucidação,
primeiro, e à homologação, depois, entre quem está ou não em condições de
satisfazer o lance mínimo.
Daí em diante tudo decorre de acordo com as regras d(ess)a
modalidade de negociação.
Tudo é bem transaccionável e o património não
transaccionável, o intangível -- moral, ética, justiça, licitude, legalidade,
igualdade,… -- não é pr’aqui chamado.
O privilégio de aceder à licitação não é para quem
quer e menos é para quem deseje; é para quem pode.
A “política”, o core
business da leiloeira é o tangível, evidentemente. O restante, o património
intangível fica à porta.
Portas adentro a "política" é igual a poder e poder significa a capacidade que
alguém tem de determinar as suas acções ou a capacidade de fazer com que os outros, mediante manipulação,
coacção ou comissão, façam o que tem de ser feito – negócios.
Daí o reservado direito à admissão.
Daí o reservado direito à admissão.
sábado, 22 de março de 2014
Sal na ferida
«[…]
Este livro foi escrito há
décadas.
O texto está exactamente como saiu em 1975 na Holanda. Nunca foi editado em
Portugal.
Porquê?
Ninguém o queria. Diziam que não era oportuno o ponto de vista social,
político e histórico. Entretanto a situação mudou. O sonho desapareceu, já não
há razão para sonhar. (…) aceita-se uma visão mais sombria do 25 de Abril.
Era muito curioso?
Sim, era, sou-o ainda, muito particularmente no que respeita à evolução da
sociedade portuguesa, que continua a ser para mim motivo de espanto. Parece
existir nela uma componente de fatalismo e desleixo, de desinteresse, contrária
à atitude normal de desenvolvimento e melhoramento. É um pouco como se o país
sofresse da doença de Pfeiffer e se deixasse abater pelo cansaço.
Viajamos dos Descobrimentos para
a Primeira República, da ruralidade até África e, finalmente, à Revolução dos
Cravos. Uma oportunidade para rever a história de Portugal?
A visão da história ensinada nas escolas continua a ser a visão cosmética,
sem rugas nem defeitos, com os bons dum lado e os maus do outro. O cidadão
adulto e consciente, interessado pelo país em que nasceu, beneficia quando se
põe a par de diferentes versões dos acontecimentos. Não serão necessariamente
as melhores, mas ajudam a alargar o campo de visão. Em geral, as pessoas têm
aquela história que aprenderam na escola, um bocadinho romantizada, com heróis,
milagres, uma noção romântica do que a história foi.
Qual acha que vai ser a reacção dos
portugueses a esta história?
As pessoas até aos 40, 50 anos vão ficar tristes ou assustadas com a revelação. Depois, os mais velhos, dos 60 anos para cima, vão-se dividir em duas categoria: aqueles que, contra toda a evidência, continuarão a acreditar que houve uma revolução muito bem feita e muito feliz, e os outros, que se vão dar conta de que nem tudo o que reluz é ouro.
Sair de Portugal sempre foi uma
vontade?
Por volta dos 15 anos já tinha uma ideia fixa de ir embora.
Não lhe custou?
Não. Da primeira vez estive 14 anos sem voltar a Portugal. Quando voltei,
por um mês, só tive uma vontade: a de ir embora outra vez. Isto em 1974.
Hoje não tem vontade de ficar?
Não. Consigo viver períodos de três meses em Portugal, mas não mais.
[…]»
sábado, 15 de março de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
Manifestamente anti-manifestança
…quando
caí na real espraiava-me em [longas] considerações e juízos sobre o Manifesto
dos 70; ia lançado em apreciações sobre os reais e ponderosos fitos de Bagão Félix, Ferreira Leite, Capucho,
Sevinate Pinto,… na homologação do panfleto. Para quê?
A
natureza do Manifesto dos 70 é
económico-financeira. É! e será assim tão difícil perceber que rebater o «Manifesto dos 70» pelo flanco económico-financeiro, impugnando-o,
é meter o pé na argola?
O que não dizem os “manifestantes”
O que os inquieta, os efeitos que pretendem não estão escritos; nunca os
escreverão.
O problema é político, tem tudo a ver connosco e pouco com a União
Europeia, com os trilhos da economia mundial, etc.; o problema é a «Reforma do Estado» que a ser feita, quando fôr feita, para obter
resultados benéficos e palpáveis em diversos domínios, terá de ser incisiva,
profunda e que por isso, terá de quebrar a espinha a uma série de corporações [da justiça à banca passando pelas forças armadas],
de reorganizar e rever de alto a baixo, do topo às freguesias, o próprio Estado,
o organograma político-administrativo do país.
Ora a reforma do Estado pode ser mascarada, pode até ser remetida para
as calendas desde que o(s) constrangimentos financeiros permitam a
transigência.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

