22 de fevereiro de 2014

Já nascem velhos


Desconheço se está a colher algum entusiasmo a perspectiva do aparecimento de uma «nova» força política [na minha área político-ideológica] – Nós, cidadãos. A curiosidade levou-me a ler
1 -- o comunicado que o IDP [Instituto Democracia Portuguesa] fez sobre a expulsão de Capucho do PSD [algo que não lhes respeita mas caso respeitasse deveria ser usado para recordar ao sr. Capucho que exactamente o seu histórico é, na circunstância, agravante ao invés de ser “reclamada” atenuante],
2 -- aporrinhar as retinas com a extensa “nota” ínsita no Público, e soçobrei… já não perdi tempo a ouvir a entrevista do gen. Garcia Leandro a uma rádio.
 
A velhice, no sentido de savoir-faire e sabedoria, deveria ser uma virtude. Ora, com este pessoal, é defeito. Esta gente propõe-se erigir “coisas” novas e mal começam a assentar os primeiros tijolos, adivinha-se “como” e “com que” defeitos vai ficar o murete; das palavras aos actos [por mais prosaicos e irrelevantes que sejam] estão carregados de vícios.
 
Nascem velhos, carregados de vícios e a pigarrear.
Terá sido perguntado a Mendo Castro Henriques se «Nós, cidadãos é…?». A resposta foi um eloquente, esclarecedor e original “Não confirmo, nem desminto”.
Cliché. A langue de bois é uma interminável série de clichés e serve para falar sem nada dizer.
Uma pobreza franciscana.

17 de fevereiro de 2014

Fui à "missa"


Para crises profundas existem, que eu conheça, algumas “soluções”: a schumpeteriana, a redistribuição do rendimento e riqueza, a “solução” keynesiana, a da frente externa leia-se incremento das exportações e outra tão medonha que, por isso, não “pronuncio”.
 
No transacto fim-de-semana fui à “missa” celebrada pelos “padres” Pierre Pâris e Charles Wyplosz.
Uma “homilia” gigantesca; uma seca. Maldisse a mania que tenho de chegar a horas, ouvir de princípio a fim, ler da primeira para a última, páginas.
…menor teria sido a estopada, e igual o proveito, acaso me tivesse proposto a “ouvir” as «conclusões», apenas.
 
Bastar-me-ia ouvi-los concluir que «qualquer reestruturação da dívida pode produzir [eu diria, produz sempre] incentivos perversos. Os governos “servem” as suas dívidas normalmente apenas, e só, por temerem as consequências de não o fazer» e sobre a sua “proposta”/mecanismo que
1 – poderá «incentivar a acumulação dívidas públicas, de novo»; que para ser exequível terá de 2 -- «incluir um Pacto [com força bastante] de disciplina fiscal comum, e exigente, “emoldurado” pelas disposições constitucionais adequadas» por forma a 3 – «sancionar», expondo-os às “malfeitorias mercantis”, «governos indisciplinados».
E ainda que
4 -- «os custos são muito», muito «elevados», reconhecendo que 5 -- «a mais forte oposição a qualquer reestruturação [no caso, haircut de parte e alisamento do remanescente substituindo as obrigações  dos Tesouros por «perpetuidades», obrigações perpétuas, à taxa zero] da dívida é política».
 
Ora bolas!

13 de fevereiro de 2014

Não levantem a alcatifa


Quem me conhece sabe [os que me desconhecem podem aquilatá-lo pelas palavras editadas] que pouco há, ou nada, que mais me fundo me toque, me ponha pele de galinha ao ponto de me dar vontade de correr p’rá rua a bradar o Hino Nacional do que confissões e proclamações de indulgência, filantropia, complacência, comiseração, piedade, solidariedade e outras de índole caritativa para com a desgraça alheia.
Por maioria de razões mais me tocam as de carácter institucional -- suspeito que pela solenidade inerente.
 
Se o afirmado é a mais pura das verdades também é verdade que são muitas as vezes em que lastimo a falta de imaginação dos “preocupados”, dos “condoídos”, “solidários”, etc
A Sra. D. Assunção Esteves, dra., presidente da AR, consta, está empenhadíssima em comemorar com um programa ambicioso o quadragésimo aniversário do putsch.
Do “programa” [idealizado e desejado pela sra.] parece constar um desfile [presumo misto, meio militar/meio paisano – o povo saiu à rua!] no qual participarão chaimites ornamentadas com cravos [também presumo que serão vermelhos] criados pela artista plástica Joana Vasconcelos [este é o tique saloio ou toque regimental], um ciclo de cinema sobre Direitos Humanos e uma conferência  [lá vão fazer prova de vida, ouvir-se] "Os paradigmas do futuro".
Nada mais apropriado do que a ênfase nos Direitos Humanos sobretudo se lhe forem apensos com particular esmero e importância [tipo anverso da moeda] os «Deveres» e as «Obrigações» de todos os dignitários.
 
Lamento pois que à sra., não tenha lembrado enobrecer a verdade, fazer jus à realidade, rememorar os democratas e os desenvolvimentistas,… promover em Lisboa [e no Porto] um desfile de sem-abrigo por exemplo, atrás das chaimites engalanadas ou no palco onde falarão, do futuro, os holísticos e outros profissionais do salsifré.
 
E, já agora, entro nas comemorações dessa merda com este vídeo

Uma mão lava a outra



A Sra. D. Assunção Esteves, dra., presidente da AR, propôs recorrer ao mecenato para suportar as manifestações de regozijo no próximo 25 de Abril.

A reacção imediata é uma descarga de bílis – ora essa! – mas, refeito da surpresa e pensando melhor, acho que tem muitas e boas razões para o propôr.

Patrocínio dá quem quer e pode. Não sou eu certamente que está em condições de o dar -- por não poder e caso pudesse, sob pretexto algum me prontificaria a dar.
Estou convicto que podem, e "devem", os “gigantes” domésticos e uma legião de gigantones, satélites, que, da sua natureza aos dividendos, devem imenso ao regime, ao "sistema" e outro tanto a toda a espécie de incumbidos  -- electivamente instituídos ou nomeados.

10 de fevereiro de 2014

Warning

«[…] não existem activos sem risco, pelo que [a dívida dos países] soberanos não são activos sem risco. Isso já está demonstrado; agora temos que agir. Temos que permitir que alguns [bancos] desapareçam de uma maneira ordeira […]» 
Danièle Nouy 


8 de fevereiro de 2014

Há quem acolha estes coirões como condestáveis

 
Hoje, depois de ter ouvido (est)a entrevista de Guilherme de Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas, à TSF -- GOM/TC -- vieram-me à ideia palavras de Wittgenstein «é difícil indicar um caminho a um míope, visto que não se lhe pode dizer: ”Olhe para aquela torre de igreja, a dez milhas daqui, e siga nessa direcção».
 
Dada a inquestionável preparação técnica, a reconhecida robustez intelectual, ter presidido a um «Conselho de Prevenção da Corrupção», ter reincidido na condição de ministro [educação e finanças] e dado presidir ao TC, vai pra uma década,

  1. o que é que o impediu [pelo menos desde que integrou o governo de Guterres ou naqueles derradeiros «dois mil metros» do consulado socrático] de se opôr com vigôr, dentro e/ou fora do PS, a uma cascata de atentados cometidos contra os interesses do Estado?
  2. o que lhe faltou para, na perspectiva económica e/ou financeira, antecipar o desfecho da estória?!
Nada. O que não o condiciona a que apareça, agora, com a maior cara de pau, armado em pedagogo, a proclamar que «o ajustamento da economia vai durar 20 anos».
Faltou, independentemente de todas as virtudes que lhes passam ser reconhecidas, a disponibilidade para em caso de confrontação levar essa indisponibilidade ao limite ou seja para em caso de confronto cessar, de forma definitiva e irrevogável, a sua prestação pública.

Quem, entre outros, nessas ocasiões, ao clamar que «o optimismo dessa gente, então, era uma mentira», que «era um dos trocos da moeda falsa da felicidade» fez de tolo, fui eu.
 
           Apresenta(m)-se disponíveis e abnegados a defender as “nossas damas” mas apenas, e só, até ao instante em que os seus lugares bem como as deferências, prerrogativas, prebendas e sinecuras inerentes, possam sair prejudicadas.
Os cínicos são menos cavilosos. Fazem da resposta à pergunta «Qual o proveito se, caso não seja eu, outro será?» uma permissa maior. E ponto final; são cínicos.
 
           Dos trilhos a calcorrear Wittgenstein escreveu que «quando pensamos no futuro do mundo, temos sempre em mente a situação que ele virá a alcançar se prosseguir na direcção em que o vemos agora mover-se; não nos ocorre que a sua marcha é sinuosa e não em linha recta, e que a sua direcção constantemente se altera» que é [não o citando] por onde [na entrevista] Oliveira Martins começa a sacudir a água do capote. Começa por aí mas é precisamente nesse buraco que, mais à frente, se estatela. Afirmar que «o ajustamento da economia vai durar 20 anos» [é a mais pura das verdades *] não é estatelar, o que é estatelar?
Ao contrário do que "propôs" D. Francisco Manuel de Melo «a prezada erudição tem seus termos e mais se deve usar para que dê ocasião de discorrer novas coisas do que para acomodar ao nosso propósito as que já estão ditas» torcem e retorcem até que a serventia seja efectiva.
 
           Convém esclarecer que, no que respeita à minha sensibilidade e opinião, «a nossa marcha», «sinuosa» ou «em linha recta», salvo "interferências" estranhas, legítimas ou ilegítimas, levar-nos-á ao que sempre levou – a uma cada vez mais profunda irrelevância que, por sua vez, justifica os cada vez mais esparsos orgasmos colectivos, e picos de orgulho luso, nas criaturas que se libertaram do ergástulo e conseguem fazer valer os seus méritos e reconhecer as suas virtudes.
 
 
* há verdades cujo único mal é terem contra si as evidências

5 de fevereiro de 2014

No lameiro

Num ápice 1 - uma “coisa” [como polemistas não valem um chavo] que diz(em) ser o exercício do «direito de resposta» de A para B -- no caso de Abrunhosa para Henrique Monteiro [do Expresso]; outra 2 - de um colector de migalhas, Daniel Oliveira, para o (ex-)camarada, tresmalhado, F. Louçã
… desconsiderando a 3 - darandina causada pelas praxes, essoutra 4 - sobre os Mirós e ainda, last but not the least, 5 - pra chatear a que [aparentemente] não é decepada, destroncada ou desmembrada é [por quanto é relatado] a linha de arguição com que a defesa de J. Rendeiro pretende acoitá-lo
 
«Durante muitos anos, algumas das "vítimas" do colapso do BPP
i)muito ganharam em estratégias de investimento
ii)confrontados com a perda do investimento cujo risco aceitaram, dizem-se enganados
iii)a Privado Financeiras* é o "exemplo acabado da cupidez" de alguns dos que se dizem lesados»
 
* a Privado Financeiras fez [Março de 2008] um aumento de capital subscrito pelos accionistas [100 milhões de euros] que aplicou no BCP
 
Porra se isto, o charco, é para gente normal então o anormal sou eu. No problem: tenho mais é de aguentar-me; se é para anormais, tudo bem… continua a restar-me o «ter de me aguentar». Massajo, porém, o ego com um consolo, frívolo: não me equivoquei; não me engana(ra)m. Ou, para desenhar uma constelação, é necessário conhecer as estrelas todas?