segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Fui à "missa"


Para crises profundas existem, que eu conheça, algumas “soluções”: a schumpeteriana, a redistribuição do rendimento e riqueza, a “solução” keynesiana, a da frente externa leia-se incremento das exportações e outra tão medonha que, por isso, não “pronuncio”.
 
No transacto fim-de-semana fui à “missa” celebrada pelos “padres” Pierre Pâris e Charles Wyplosz.
Uma “homilia” gigantesca; uma seca. Maldisse a mania que tenho de chegar a horas, ouvir de princípio a fim, ler da primeira para a última, páginas.
…menor teria sido a estopada, e igual o proveito, acaso me tivesse proposto a “ouvir” as «conclusões», apenas.
 
Bastar-me-ia ouvi-los concluir que «qualquer reestruturação da dívida pode produzir [eu diria, produz sempre] incentivos perversos. Os governos “servem” as suas dívidas normalmente apenas, e só, por temerem as consequências de não o fazer» e sobre a sua “proposta”/mecanismo que
1 – poderá «incentivar a acumulação dívidas públicas, de novo»; que para ser exequível terá de 2 -- «incluir um Pacto [com força bastante] de disciplina fiscal comum, e exigente, “emoldurado” pelas disposições constitucionais adequadas» por forma a 3 – «sancionar», expondo-os às “malfeitorias mercantis”, «governos indisciplinados».
E ainda que
4 -- «os custos são muito», muito «elevados», reconhecendo que 5 -- «a mais forte oposição a qualquer reestruturação [no caso, haircut de parte e alisamento do remanescente substituindo as obrigações  dos Tesouros por «perpetuidades», obrigações perpétuas, à taxa zero] da dívida é política».
 
Ora bolas!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Não levantem a alcatifa


Quem me conhece sabe [os que me desconhecem podem aquilatá-lo pelas palavras editadas] que pouco há, ou nada, que mais me fundo me toque, me ponha pele de galinha ao ponto de me dar vontade de correr p’rá rua a bradar o Hino Nacional do que confissões e proclamações de indulgência, filantropia, complacência, comiseração, piedade, solidariedade e outras de índole caritativa para com a desgraça alheia.
Por maioria de razões mais me tocam as de carácter institucional -- suspeito que pela solenidade inerente.
 
Se o afirmado é a mais pura das verdades também é verdade que são muitas as vezes em que lastimo a falta de imaginação dos “preocupados”, dos “condoídos”, “solidários”, etc
A Sra. D. Assunção Esteves, dra., presidente da AR, consta, está empenhadíssima em comemorar com um programa ambicioso o quadragésimo aniversário do putsch.
Do “programa” [idealizado e desejado pela sra.] parece constar um desfile [presumo misto, meio militar/meio paisano – o povo saiu à rua!] no qual participarão chaimites ornamentadas com cravos [também presumo que serão vermelhos] criados pela artista plástica Joana Vasconcelos [este é o tique saloio ou toque regimental], um ciclo de cinema sobre Direitos Humanos e uma conferência  [lá vão fazer prova de vida, ouvir-se] "Os paradigmas do futuro".
Nada mais apropriado do que a ênfase nos Direitos Humanos sobretudo se lhe forem apensos com particular esmero e importância [tipo anverso da moeda] os «Deveres» e as «Obrigações» de todos os dignitários.
 
Lamento pois que à sra., não tenha lembrado enobrecer a verdade, fazer jus à realidade, rememorar os democratas e os desenvolvimentistas,… promover em Lisboa [e no Porto] um desfile de sem-abrigo por exemplo, atrás das chaimites engalanadas ou no palco onde falarão, do futuro, os holísticos e outros profissionais do salsifré.
 
E, já agora, entro nas comemorações dessa merda com este vídeo

Uma mão lava a outra



A Sra. D. Assunção Esteves, dra., presidente da AR, propôs recorrer ao mecenato para suportar as manifestações de regozijo no próximo 25 de Abril.

A reacção imediata é uma descarga de bílis – ora essa! – mas, refeito da surpresa e pensando melhor, acho que tem muitas e boas razões para o propôr.

Patrocínio dá quem quer e pode. Não sou eu certamente que está em condições de o dar -- por não poder e caso pudesse, sob pretexto algum me prontificaria a dar.
Estou convicto que podem, e "devem", os “gigantes” domésticos e uma legião de gigantones, satélites, que, da sua natureza aos dividendos, devem imenso ao regime, ao "sistema" e outro tanto a toda a espécie de incumbidos  -- electivamente instituídos ou nomeados.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Warning

«[…] não existem activos sem risco, pelo que [a dívida dos países] soberanos não são activos sem risco. Isso já está demonstrado; agora temos que agir. Temos que permitir que alguns [bancos] desapareçam de uma maneira ordeira […]» 
Danièle Nouy