terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Do meu “refrigério” sobre a fauna



É dos que crê que se retirar um porco da alfurja e o puser numa sala de jantar, ele lhe exige faca e garfo em vez de chafurdar ou se o puser numa biblioteca, passa a falar em vez de grunhir?
Ou acredita que os burros, prenunciados à eloquência e aos púlpitos foram, depois, alvo do desespero e da fúria dos deuses pela comprovada dificuldade em aprender o(s) abecedário(s) e que, por isso, ficaram para todo o sempre a zurrar [o que em determinadas ocasiões, apesar da monotonia, é algo próximo da fala]?!
Se é, dou-lhe os parabéns. Está mais perto de poder dizer-se feliz do que eu que permaneço, inamovível, na “fase” em que me parece ser mais plausível fazer passar um camelo pelo buraco de uma agulha. E que mais plausível será, se fôr eritreu, somali ou sudanês.

domingo, 26 de janeiro de 2014

E tudo, meu caro, deve ser medido por esta triste verdade

“«O silêncio dos melhores é cúmplice do alarido dos piores». Trata-se de um admirável e corajoso artigo de Natália Correia que bem corresponde às palavras com que o Cinatti mo envia dizendo que a autora é «hoje o único homem a falar duro semanalmente» em Portugal. É um apelo à responsabilidade dos intelectuais, ao espírito de livre crítica (…) Importa muitíssimo meditar sobre ele, comentá-lo, para que não se perca no alarido que a autora denuncia. Mas, antes de mais, importa acentuar que a autora pressupõe a existência de um grupo de pessoas suficientemente independentes de juízo (…) Sob esse aspecto, sou mais pessimista do que ela. Se alguma coisa há em que a vida portuguesa poreje verrinosamente o veneno de séculos de imperialismo, nepotismo, autoritarismo e subserviência, pequenas cobardias e perfídias quotidianas, etc, etc., é precisamente essa: a mesquinha falta de consenso acerca de quem sejam os melhores (…). E isto em princípio nada tem que ver com partidarismos ou oportunismos políticos, é mais fundo do que isso: radica num ódio raivoso a tudo e todos que sejam independentes e livres, a tudo o que se distinga por uma altitude de espírito, uma real qualidade. (…) Ora graves vícios de pensamento e de acção não se perdem miraculosamente por obra e graça de uma benfajeza revolução. (…) é o contrário que se verifica (…)”

Jorge de Sena in Rever Portugal (Textos Políticos e Afins)

"Aquilo, meu filho, é um país de filhos da puta que sempre andaram pelo mundo a fazer filhos em putas (...) E tudo, meu caro, deve ser medido por esta triste verdade, que, como estudioso de Portugal, V. deve ter sempre em mente: aquilo foi sempre um país de filhos da puta, apenas com algumas honrosas excepções, entre as quais me conto. Puta que os pariu, com perdão de algumas senhoras decentes que não tiveram culpa de dar à luz os cabrões que deram. Podre, irrecuperavelmente podre, é que aquilo é."

Jorge de Sena, 1972, carta dirigida a Vittorio Cattaneo

É da praxe

Sobre praxes e praxados nada tenho a escrever. Ou tenho, mas pouco e por praxe.
A minha opinião passa, mais detalhe menos pormenor, por aqui
 
«pouco, ou nada, haverá que resista incólume à porcaria»
 
mas como para detalhar e estatuir «porcaria» teria de cuidar mais das causas do que das consequências, das praxes direi mais ou menos o mesmo que escrevi sobre as claques desportivas que por sua vez, e na essência, não difere do que por mim foi escrito sobre a mortandade nas estradas,…

Pretendendo saber que aspecto tinha enquanto dormia, um imbecil pôs-se à frente de um espelho com os olhos fechados.
Se a matula entende que a(s) responsabilidade(s) da(s) desgraça(s) é/são, à vez ou por atacado, a qualidade da estrada, a intempérie que desabou, o granizo, o gelo, as falhas de fiscalização ou, no limite, o raio que os parta pois então que seja.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Um “crepúsculo” arrebatador

Na Arménia, do outro lado do rio Akhurian, fronteira oriental da Turquia, os vestígios da outrora grande metrópole, Ani -- "a cidade das mil e uma igrejas".
Há mais de 1.600 anos, Ani, encruzilhada de várias rotas comerciais, foi cidade muralhada com mais de 100.000 habitantes. Nos séculos seguintes, a região foi invadida, inúmeras vezes, por imperadores [bizantinos], otomanos, arménios, curdos [nómadas], georgianos e russos.
…definitivamente abandonada por volta de 1700, desintegrou-se às mãos de saqueadores, vândalos,…, dos turcos que sempre tentaram obliterar a Arménia da história e a “ajuda” da natureza, implacável.
 

Não há pachorra para Calimeros