20 de dezembro de 2013

~ Quem se lixa é o perú ~


Imbuído do mais genuíno espírito natalício, hoje, só vou escrever coisas lindas -- ora bolas! afinal Ícaro voou -- apesar de [aguardo que imbuídos do mesmíssimo espírito os meus amigos sejam indulgentes comigo] não isentar o perú ao sacrifício de primeiro lhe pregar uma valente bebedeira e depois tirar-lhe o grugulejo, submetê-lo a uma criteriosa autópsia, desapropiá-lo do esqueleto e das entranhas naturais e encher-lhe o buraco com um cuidado, e delicioso, recheio.

Tradition, assevera(va) Tevye em Fiddler on the roof (Um violino no telhado).Tradition!

…os cordeiros também vão ao sacrifício e não é por isso que os “celerados” perdem o “caminho” ou se desencontram com o “portão”.
Não tenho como não estar imbuído de um pressuroso, e genuíno, espírito natalício.

Não sei com quantas tormentas vencidas e o cavaleiro do Rocinante, massajava-se
«todas as tormentas e dificuldades por que passámos são sinais de que não tardará a serenar o tempo e sair-nos-ão bem as coisas. Não é possível que o Bem e o Mal sejam tão duradouros. Tão constante, persistente e demorado tem sido o Mal que, só pode, o Bem acerca-se

Sabendo que o optimismo é bom quando são os outros a experimentar a crise e sabendo, também, que não foi o gelo acima da linha de água que afundou o Titanic, a miséria «é isso: não imaginar
o nome que transforma a ideia em coisa,

a coisa que transforma o ser em vida,
a vida que transforma a língua em algo mais
que o falar por falar»

O presente é cheio de urgências, sim. «Mas ele que espere», ordenou Vergílio Ferreira. A vida é bela e caso não seja, temos os poetas para assim no-la fazer crer
«É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
[…]
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.»

Vedes?! a vida é bela!
por que hão-de os tolos, brutos e lerdos rumar e subir os degraus do cadafalso, tristes?
Pior que ser tolo ou bruto é sê-lo, infeliz ou triste.

14 de dezembro de 2013

sobre sentimentos de culpa sem sentido

e uns quantos equívocos que sempre fizeram sentido, se percebida a direcção.
Excelente, a entrevista de Vasco Graça Moura

Somos europeus ou vamo-nos tornando europeus?
 
Fui dez anos deputado europeu e os dois mandatos coincidiram com a Europa dos 15 e, depois, com a Europa a 27. Esta alteração do perímetro geográfico teve consequências extremamente complicadas em relação à ideia que eu próprio fazia da Europa. Eu pertenço a uma geração em que não se punha a questão de ser europeu - ser europeu era natural. Mesmo quando Portugal passou a viver, a partir do 25 de Abril, uma nova fase da sua história, não podemos dizer que até então não fôssemos europeus - fomos sempre europeus. Fomos nas instituições culturais e universitárias, na geografia, no período dos Descobrimentos, na circulação de grandes pensadores europeus. Simplesmente, há um período em que parece que isso foi posto entre parêntesis, o que não é totalmente verdade, porque já estávamos na EFTA e esse foi um primeiro passo para entrarmos na Comunidade Económica Europeia (CEE).
Como é que podemos distinguir espírito europeu de identidade europeia?

12 de dezembro de 2013

sobre salivação, muco, babosa, ... Touché

Sobre aproveitacionismo, politicagem e outras "coisas" mais


«A maioria das pessoas não quer nadar antes de o saber fazer. A verdade é que foram concebidas para andar em terra, e não na água. E é claro que não querem pensar; foram concebidas para viver, não para pensar!(...) quem faz do pensar a sua actividade pode até chegar longe, mas a verdade é que trocou a terra pela água, e chega uma altura em que acaba por se afogar»
Haller citando Nietzsche in O Lobo das Estepes / Hermann Hess 

10 de dezembro de 2013

6 de dezembro de 2013

Das «azeitoninhas pró Mário»

às condolências das D. Gomes e D. Damásio


Muitos poucos meses após o 25 de Abril, Mário Soares, faz uma visita à Régua [para consolo e satisfação dos mais do que muitos socialistas, democratas e resistentes anti-fascistas que na região existiam].Um rio de gente.
Da estadia, e périplo [até por se tratar de uma acção do PS motivada pela necessidade partidária de garantir uma forte presença socialista na Comissão Administrativa da Câmara Municipal na sequência da destituição da «edilidade fascista» até à realização das eleições autárquicas], constava um jantar com figuras distintas e uns tantos figurões, conversos [representantes da fina flôr do entulho local]. ATF [pequeno retalhista da cidade mas bastante conhecido] não faltou. Essa era boa -- um impenitente anti-fascista e socialista como ele!

5 de dezembro de 2013

Organizem-se!

Que me recorde, de há uma década para cá, é a quarta vez que a banca nacional põe, via SIBS ou APB, a circular que pretende onerar os levantamentos efectuados nas ATM. Desta vez, ontem, a notícia [com óbvios intuitos de esclarecimento da população, suponho] atira tudo para dentro do tabuleiro – levantamentos, transacções comerciais efectuadas por intermédio de cartão de débito e/ou crédito.
Escrevo “atirar tudo pró tabuleiro” porque o que mais há são pessoas que, ainda hoje, não destrinçam entre cartão de débito, cartão de débito/crédito e cartão de crédito. Optaram por designar tudo por «cartões VISA» e assim ficou.

3 de dezembro de 2013

A vaca [do deputado Zorrinho],

o «polígono» do Seara, e o Hegel do Soromenho que os leva ao céu. 


                Ao deparar com esta “redacção” da autoria de Carlos Zorrinho, deputado e coordenador do Laboratório de Ideias e Propostas [para Portugal]
não tive como impedir que me viesse à ideia a glosada redacção dos “Tonecas” sobre
~ A vaca ~
«A vaca é a mulher do boi. É um animal doméstico e é um animal muito util para o homem. A vaca serve para lhe comer-mos a carne e dá o leite para beber-mos. A vaca dános outras coisas como por exemplo a péle (…)»

2 de dezembro de 2013

O anúncio


Na “visita” a um blog de gente com patente sensibilidade social deparo com um post em que a blogger, Teresa Ribeiro, «impressionada», encastoa um anúncio [ínsito no caderno Emprego/Expresso] e a que a blogger, alquebrada e pesarosa, qualifica  de «desespero elegante».

Da autenticidade do “anúncio” existe uma de duas hipóteses, possíveis
1 -- é autêntico, 2 -- é “gracinha” [de alguém que até pode pertencer à redacção do dito semanário].
Em abono à plausibilidade da “gracinha” encontro, sem esforço, várias razões para alguém mais empenhado lobrigar sei lá,  proveitos para uma determinada «causa» afinal, quando se atira com a carne toda para o assador, vale tudo; caso seja verdadeiro, outras “coisas” [quanto a mim bem mais tristes de constatar] se denotam de forma indelével.