sexta-feira, 22 de novembro de 2013

[Poder] levar a mão ao pote

Soares, e alguns outros que o acolitam, sabe bem o que está a fazer.
O “problema” dele(s) não é propriamente o dos «zés-ninguém» ou sequer, os «ataques miseráveis» à Constituição e aos direitos nela consignados.
O “problema” é que estão negociados e foram homologados, por parte das instituições europeias, os pacotes legislativos e financeiros da Política de Coesão para o período 2014-2020. E são mais de 20MM €.

Em política não se toma partido sobre «algo» baseado em valores ou ideias. Não é disso que se trata em política. Política é igual a poder e poder é a capacidade que alguém tem de determinar as acções dos outros ou seja, fazer com que os outros [por ameaça, manipulação, coacção ou “comissão”] façam o que ele quer que seja feito. A política trata de pessoas e meios; não de valores ou fins. O que trata de valores e fins é a filosofia, a religião,…
ou seja, o âmago [silenciado] do “problema” deles, quer dos que estão no governo [PSD/CDS] quer dos que estão nas escadarias de acesso [PS], é o de quem acede directamente ao pote. Daí a pressa. Seguro não lobrigou mas Soares, que tem oitenta e tantos anos de sabedoria na arte de perscrutar, de farejar o bom-bom,…

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Conferências patrioteiras

propositadamente "roubada"
ao Abrupto/JPP

Pondo de lado a natureza das razões para tamanho desespero há que questionar os porquês do “desespero”.
Das razões com que os “desesperados” justificam o toque a reunir das tropas e usam como lastro tanto em conferências patrioteiras como na lufa-lufa de entrevistas, etc., as sequelas nos atropelados pela crise são as que menos lhes ocupam as meninges. As [razões] proclamadas não são as fundamentais. O mesmo não digo destas
1, 2 e 3 (é bom não esquecer, nada garantidas)
Não são descartáveis algumas outras, exógenas -- as que explicam o estampanço de Hollande em França, a perda de fulgor do SPD na Alemanha,… como é evidente (ou nem por isso).

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Manuel Caldeira de Pinho e Cabral

No DN, duas criaturas Manuel Caldeira Cabral *, professor na Universidade do Minho e Manuel Pinho **, ex-ministro da Economia e da Inovação, professor na Universidade de Columbia publicam um panfleto, Uma entrada desastrada para o euro, onde se lêem passagens, nunca antes tão desassombradamente escritas, como «há na Europa um país onde os responsáveis pelas maiores falências bancárias do último século aguardam tranquilamente por julgamento há anos», «o desenvolvimento do País requer mais investimento, mais qualificações, melhores instituições e sensibilidade social» e outras mais [do género]… encerrando de forma brilhante [tão refulgente que não me importaria poder reivindicar-lhe autoria] «uma vez que todos colaboraram no problema, todos devem participar na solução».

domingo, 17 de novembro de 2013

De um "pio", incomum,

em fim de tarde.
Há palavras, panóplias de mil armas, pistolas, espadas,... O prazer é desarmá-las ante tias abestalhadas.
 
Entre o sim e o não
vai o risco do fósforo, o instante
da decisão.
O resto é redundante.
[…]
Nenhum cais tem a forma do navio,
nenhum navio a forma das marés.
 
 



Fecha a janela, por favor.

Hoje, Vasco Pulido Valente, inicia a “prosa” assim
«[Nunca gostei d] o mundo da blogosfera e das “redes sociais”, que é um repositório de iliteracia e de irresponsabilidade, sem direcção e sem lei» contextualizando o uso dado por uma quadrilha de sipaios de Passos Coelho, aqui há uns anos atrás.

Ora o «mundo da blogosfera e das “redes sociais”» não é o que Pulido Valente diz, mas contém imenso do que Pulido Valente diz; o «mundo da blogosfera e das “redes sociais”», o mundo do jornalismo, da política, do futebol, … as comunidades, as sociedades são o repositório [palavras do próprio, ontem] de «um bando de estúpidos, desesperado e analfabeto» acrescido de doses apreciáveis [porções que tenho por importantes, mas que não consigo determinar] de velhacaria, imanente, e que provém na maior parte das vezes de um difuso, e tramado, complexo de inferioridade.

Ontem, Pacheco Pereira, iniciou a prosápia [deveras percuciente!], assim
«Já que por aí há abundantes “pressões” para que o TC não aplique a Constituição, venho aqui pressioná-lo para que a aplique»

Gostei! é disto que gosto: pão pão, queijo queijo; não há mas nem meios mas…
[apesar de supôr que a opinião de Pacheco Pereira valha, para os juízes, o que vale a minha: …a ponta de um chavo ou menos]
a desgraça vem a seguir: a racionalidade do Pereira deixa-se "apanhar" pelo onirismo, a realidade percepcionada pelo Pacheco é tomada pela poesia e, como [que eu saiba] não é poeta e a sua "cissiparidade" é defeituosa, a “coisa” sai mal.
«(…) pela Constituição escrita e pela não escrita, aquela que consiste no pacto que a identidade nacional e a democracia significam para os portugueses como comunidade (…)»
o resto, li. E li sem ser por inércia: li por interesse e convicção.
Ora como o assunto versado não é da esfera do Divino, não trata de crenças mas apenas, e só, crendices e/ou querenças -- seja dito, a(s) do Pacheco acomodadas pela exacta, e imarcescível, langue de bois comum -- é língua de palha.
É, Pacheco… isso é, sem tirar nem pôr, o equivalente ao que chama de «
a “narrativa”, a interpretação propagandística»: a sua (ou a vossa, atendendo o género).
[já que, reconheço-lhe a autoridade, afirma que a do governo é «pseudo-propagandística»]