15 de outubro de 2013

A cereja

 
Digamos que obtêm o que fizeram por merecer sendo certo, também, que designar o que houve entre Portugal e Angola ao nível de Estados por «parceria estratégica» foi um embuste político e diplomático. Parceria em quê? e estratégico para quem? em que é que Portugal obteve por parte de Angola algum estatuto de parceiro preferencial?!



12 de outubro de 2013

... e embrulhem



«[…] Portugal tem um papel fundamental na CPLP. Mas se está reduzido a um protectorado, como afirma o senhor vice-primeiro-ministro Paulo Portas e muitos outros políticos portugueses, não tem capacidade para assumir as suas responsabilidades na comunidade dos países que falam a Língua Portuguesa. Está pior do que a Guiné-Bissau, apesar de tudo um Estado soberano. E corre o risco de ter um estatuto político muito próximo da “aspirante” Guiné Equatorial. Fazemos esta constatação, com mágoa. Mas a vida continua e a CPLP não pode ficar à espera de um Portugal que até os seus mais altos dirigentes políticos aceitam seja um protectorado. […] Se Portugal perdeu a independência, não está em condições de assumir qualquer responsabilidade no seio da comunidade. Mas todos juntos, podemos e devemos lutar para que um país fundador reconquiste a sua independência. As elites portuguesas que têm sentido patriótico podem contar com os povos da CPLP na luta pela reconquista da independência de Portugal. Estamos todos ansiosos para que esse pesadelo tenha fim […]»
 
in Jornal de Angola, Editorial – 12/10/13

Das coisas que já escrevi mas que não voltarei a escrever, uma, foi
«só falta ver os cães a mijarem-vos nas pernas ou nas calças, caso estejam vestidos»
Se bem que deteste aqueles canídeos o certo é que nunca serei eu a enxotá-los. Limitar-me-ei a contemplar a cena.

O lusibeco *

 
Carlos Costal, o cidadão que foi detido no dia 9 de Junho, em Elvas, por difamação do Presidente da República, vai apelar a Cavaco Silva para que desista da queixa. Nesse intuito já fez chegar a Belém uma carta para «explicar o contexto do protesto»
 
«Tudo farei para demonstrar ao Presidente que nunca quis pôr em causa o seu bom nome. O meu protesto foi mais um no meio de tantos outros, como é visível pelas imagens televisivas (…) Não sou activista, não pertenço a nenhum partido, não pertenço a nenhum sindicato e nunca participei em nenhuma manifestação. Ou seja, sou um pacato indivíduo que não faz mal a ninguém (…) Não tinha a noção que estava a cometer um crime»
Antropóide predominante na fauna ibérica que, ao contrário dos restantes hominídeos autóctones, se caracteriza por comportamentos individuais e colectivos inicialmente similares ao do mabeco africano mas que nas últimas décadas, denota uma forte degenerescência ou obsolescência. Sem que [na comunidade científica] haja certezas, constata-se que o lusibeco tem perdido algumas características diferenciadoras tais como o espírito gregário [razão por que tendem a não funcionar em matilhas].
É um animal eminentemente táctico e intrinsecamente covarde. Esta subespécie ao contrário dos seus parentes africanos [que só se alimentam das presas que eles próprios matam e nunca tocam em carcaças] denota uma atracção ainda não explicada por odores fortes, matéria orgânica em decomposição e “sangue”. Esta “necrofagia” [semelhante às hienas] tem constituido uma das mais fortes instigações à comunidade.
É pacífico que as “mutações” caracteriológicas da espécie têm em larga escala sido induzidas pela evolução tecnológica sobretudo pela internet. De essas “mutações” faz parte uma óbvia tendência para isoladamente ou em comunidades virtuais, serem muito mais barulhentos [revelando uma filia inexplicada pela comunicação televisionada] o que por sua vez, crêem os cientistas, os torna mais erráticos, menos eficazes e inconsequentes.
 
* mabeco ibérico/lusitano

10 de outubro de 2013

Dizem os da metrópole* aos da feitoria**

Roma não paga a traidores.



Obs.:
tudo isto compõe o lote de "facturas", vincendas que, por circunstâncias entretanto ultrapassadas, foram metidas na gaveta. São cláusulas, da escritura lavrada e assinada em 11 de Novembro de 1975, ocultadas ou ignoradas pelo promitente vendedor.
Diz o povo que Deus, por vezes, tarda mas não falha. E o diabo não esquece, acrescento.
Os da feitoria fizeram por merecer.

*   Angola
** Portugal


9 de outubro de 2013

Exposição anti-apedeutas


É o livro [de José Milhazes] que estou lendo. Lá constam referências, asserções, documentos, depoimentos,… que destroem cada uma das múltiplas narrativas, apólogos, anáforas, devaneios, quimeras,… com que tem sido incensada a figura. Milhazes retoma o pedido [suspeito que não subscrito por indefectíveis democratas e viscerosos republicanos] para que Portugal insista na devolução de parte do arquivo da PIDE que «ex-operacionais do KGB afirmam ter sido levado para a União Soviética».
Quanto mais nele me enfronho mais confirmo a impossibilidade que seria um Fernando Rosas [professor de história e historiador], escrevê-lo. Por uma prevalente razão: é, intelectualmente, hemiplégico [uma fortíssima constrição, qualquer que seja a perspectiva, à fluidez da verdade história].
A verdade histórica… bem, essa será música para outro coreto -- um historiador não tem de ser intelectualmente sério. Bem pode não satisfazer a segunda condição e continuar garantindo a primeira.
de António José Telo

Os da feitoria aos olhos dos da metrópole


8 de outubro de 2013

E noves fora, nada


[Um dia destes] apareceu-me o Nilton fazendo umas momices numa cerimónia televisionada e com  plateia cheia. Era o lançamento do seu mais recente “livro” – Miopia e Astigmatismo.
Um livro, contenha o conteúdo que contiver, é um livro.
A “peça jornalística” acareou-me pela enésima vez [perdi a conta tal a profusão de novidades “literárias”, «neófitos», noviços,… do nosso espaço editorial] com uma frustração de cariz existencial.
Já por mim perpassou a ideia de escrever um livro. Sempre que sou confrontado com estes novéis quão inusitados e inexpertos escrevedores [aperfilhados ou filhos da indulgência] ou entertainers mais se aprofunda a convicção de essa, minha, incapacidade. Se por algumas outras razões não fosse seria, decerto, pelas consequências da ideia que abrigo
«quem escreve e faz publicar o que escreve, fá-lo-á na crença ou convencimento de que alguém o leia»

tal como quem se propõe falar para uma plateia, presume que haverá alguém disposto a ouvi-lo.

Ora se as coisas são o que são porque hei-de alimentar essa bisonha ideia? sabendo antecipadamente que sequer fazer o pleno da família conseguiria. Escrever o quê? para quem? conhecendo, por um lado, alguns preceitos, impositivos, para “vingar” como é por exemplo, escrever o que os outros gostarão de ler e não o que o “escritor” entende escrever e se, por outro lado, com essa preceituação jamais tergiversarei.

7 de outubro de 2013

Clipping

 
«[…] o velho fantasma corporativo, que tantas vezes bloqueou o País. Os portugueses, mesmo em terrível emergência, insistem em defender interesses e privilégios através de entranhados mecanismos sociais e políticos. Direitos adquiridos, favores, "cunhas", redes de influência têm enorme poder, e estão em plena acção nestes anos a dois níveis […]
O primeiro é o protesto, reivindicação e bloqueio legislativo e judicial às medidas de ajustamento. Apesar das evidentes dificuldades nacionais, alguns grupos acham-se com direito a manter benesses que a sociedade evidentemente não consegue pagar. […] são os grupos mais próximos do Estado - funcionários, médicos, professores, pensionistas, autarquias -, precisamente os mais favorecidos nos anos de fartura. Fingindo-se desvalidos, abusam dos impostos dos pobres. As forças políticas vão à boleia do embuste […] Desempregados, empresas falidas, imigrantes, contribuintes, que realmente são os mais afectados pela crise, acabam sempre sacrificados e usados como figura de retórica para preservar benesses de outros.
O segundo nível, talvez mais grave, é o das empresas e poderes económicos próximos do Estado, que têm distorcido o ajustamento a seu favor. Se as pequenas e médias ajustaram rápido, como vimos, muitas grandes empresas conseguem proteger-se graças a relações políticas. Através de rendas, apoios e influências, os bancos, construtoras, comunicações, energia, outros serviços básicos e alguns grupos económicos mantêm artificialmente negócios e investimentos insustentáveis. O capitalismo de compadres tem muito poder num país corporativo.[…]»
João César das Neves

6 de outubro de 2013

Inferências chatas


Numa sociedade em que a "mancha" [ou, vá lá, um pouco menos] dos sofrivelmente instruídos verbi gratia «iletrados», ignorantes, imbecis, idiotas,… alastra, a probabilidade [tanto quanto a percepção] dos “anatemizados” compôr a “mancha” é enorme [se não, mesmo, exclusiva].
Pelo contrário, numa sociedade em que essa “mancha” [é diminuta ou foi contida ou] refluiu ou seja em que, apreciável e predominante [ou para lá tenda] é a "mancha" dos «técnica e cientificamente aptos», dos «letrados»,…, a probabilidade [e a percepção] mantém-se ou melhor [para facilitar o entendimento a quem não domina esses peristilos da math], imigra.
Elementar e fácil é intuir que o âmago, as “vísceras” do assunto não são do âmbito da aritmética ou da “certificação” mas serão, provavelmente, do domínio da "habilitação".
Porra prá aritmética, prá estatística, pró cálculo probabilístico.
Aos domingos o céu é mais azul.

5 de outubro de 2013

A gastronomia do bacalhau

O 5 de Outubro é, direi assim, um dia engraçado.
 
Esta data aniversária [para republicanos] é, por antítese, um dia de assanhamento retórico [para monárquicos]. Babosa, muita treta e nada mais do que isso. Sabe-se que nem entre eles -- e são poucos! -- se entendem quanto a berço, apelido, herança,… isso desconsiderando a “recomendação” [à maioria] de aos aristocratas, cá por coisas, não deverem afoitar-se na elaboração da árvore genealógica; dos plebeus candidatos aos títulos nobiliárquicos o melhor seria satisfazerem-se em manter-se os malteses que nunca deixaram de ser.

Ouvi-los arguir, terçar argumentos e razões, é engraçado.

Os tipos referem-se uns aos outros como se fossem de universos distintos e o melhor mesmo é não referir os aguadeiros, padeiros, pasteleiros,… para não entornar o caldo, para não acabar a devanear sobre «inscrições» transactas tão promíscuas quanto sórdidas.
Os “republicanos” falam dos “monárquicos” como se a monarquia tivesse sido um quisto no organismo [da nação]; os “monárquicos” falam dos “republicanos” como se fossem umas erupções cutâneas purulentas que o organismo [da nação], a dado passo, produziu. Uns meio afectados e cabotinos até mais não poderem; outros a exibir um arreganho que, e se levados a sério, sugerem mastins esfaimados.
Apreciar a [aparente] convicção com que se exibem, apreciar-lhes a presumida seriedade é engraçado.