15 de setembro de 2013

Portugal Europeu. E agora?


Com propósito, mérito * e utilidade inquestionáveis, a Fundação Francisco Manuel dos Santos realizou um ciclo de conferências e debates, «Presente no Futuro / Portugal Europeu. E agora?». Oportunidade para [sem pressa] ouvir, questionar, confrontar gente que vale a pena ser ouvida [quaisquer que sejam as perspectivas] como  Maria João Rodrigues, José Manuel Félix Ribeiro, D. Manuel Clemente, Wolfgang Münchau, Reinhard Naumann já que outros do tipo «arroz-de-quinze»/«vou-a-todas-gosto-de-me-ver-e-ouvir» como Manuel Villaverde Cabral, António Vitorino, Augusto Mateus, João Cravinho, Ana Gomes, Pacheco Pereira, … por natureza estão por terem de estar, por atavismo e muito por não haver coragem para os ignorar até porque nunca dizem sim e/ou não. Administram-no [coisa rigorosamente diversa], e usualmente ficam pelo “talvez”.
A dizerem, no mínimo, seria para se desdizerem ou voltar a enganar quem os ouve.

13 de setembro de 2013

A sevandija que se mostra na passerelle


«O Homem é humano quase tanto como voa a galinha. Quando apanha uma traulitada, quando um carro a obriga a bailar, lá vai ela pelos ares até ao telhado, mas logo de seguida aterra no lodo e desata a debicar na bosta. É a natureza, a ambição dela. Entre nós, na sociedade dá-se exactamente o mesmo. Deixa-se de ser tratante sob a acção de uma catástrofe. Quando tudo volta ao normal, a natureza retorna logo ao que era. Por isso mesmo é que, de uma Revolução, só vinte anos depois se pode ajuizar.»
-- Céline, «Mea culpa» --

              Por atacado desfila(ra)m nas têvês alguns dos que antes loquazes e empertigados turiferários se apresentam, agora, hipocritamente modestos e circunstancialmente eficientes usuários do repúdio. Alguns, estou em crer, até lobrigam a oportunidade para passar por canifrazes. São porém, todos [uns por omissão, outros por acção], perpetradores encartados. Aliás, foram sempre um vulcão de coisa nenhuma, meio-alucinados com as diversas ordens de enfezados roedores que o montículo pariu, zumbem e debicam sem pausa ou fastio rodeados por enxames de jornalistas, comentaristas,…, cardumes de politólogos, sociólogos e outras excelsas tricotadeiras da palha e mais as respectivas eructações, babas e decantações.

11 de setembro de 2013

A vaca, salva-se?

 

Eu sabia. Certo e sabido era que, um post a dar nota de isso [coisa que não tem, de facto, novidade alguma nem agora nem nunca] seria um sucesso, garantido. Bem… até se ouve o ranger de dentes. Mas esse ranger de dentes é para ser levado a sério? Não porque no fundo, no fundo, o que causa o ranger de dentes e a saliva seca nos cantos dos lábios, é mais invejinha do que qualquer outra coisa ou seja, é muito de por-que-não-sou-eu-um-João-Carlos-Montenegro?!
 
Muitas outras observações, apropriadas, podem ser feitas sobre o presente como podem ser adiantadas sobre o futuro, próximo. Por exemplo
-- com a alegada * fome que por aí anda, imagine-se ao que se terá de sujeitar a vaca quando, em 2015 com a economia fora dos cuidados intensivos, em recobro, fôr o PS a dirigir o centro hospitalar e o albergue adjacente.

10 de setembro de 2013

Sorvedouro público

Se pretende saber onde está parte substancial do parasitismo no aparelho do Estado, talvez esse quadro [DGAEP, 2º trimestre/2013] lhe dê uma ideia.

 
Se não fôr suficiente pode esmiuçar nesse outro

8 de setembro de 2013

Da frente da batalha. Notícias

da luta sem quartel que os nossos bravos travam pelo investimento.


A «desconstrução» do caranguejo

Gostam de “desconstruções”. Desconstruamos, então, da frente para trás.

1«Sócrates salva…» ou seja, o PS salvou;
2«salvos» que foram «os privilégios», três anos depois [à luz de todos os superiores e inquestionáveis princípios éticos e morais, republicanos] a correcção já podia, e devia, ter sido feita. O PS desperdiçou todo o tempo da presente legislatura para o fazer, e não o fez;
3se não foi proposta pelo PS, podiam tê-la proposta o PCP e/ou o BE e não a propuseram;
4não foi proposta pela oposição, podia ter sido proposta pelos da maioria [parlamentar] ou do governo.

Correcto?!


5 de setembro de 2013

Razões (as minhas, as tuas, as deles, as da paróquia,...)

Andam, aparentemente, cheios de razão [se desconsiderarmos umas quantas, muitas, razões]. Convenhamos que quem raramente tem razão são 1 -- quem tem de fazer e não faz ou 2 -- quem faz mas faz mal ou 3 -- podendo fazer assim, optam por fazer assado.

Não acho que o maior problema de um faminto seja a existência de pão. Acho que é a realidade da sua fome. Sendo assim, se lhe perguntarem «Existe pão?», ele responderá «Aparentemente, não».
È muito provável que o faminto não faça a mais pequena ideia de quem foi S. Tomás de Aquino. Mas foi S. Tomás de Aquino que à pergunta «Existe Deus?», respondeu «Aparentemente, não».

«O pensamento conceptual e a linguagem verbal –  que elevaram o homem a um nível superior a todas as outras criaturas e lhe deram o domínio do planeta -- não são propriamente umas bençãos. Todos os perigos que ameaçam a humanidade de exterminação são consequências directas deste pensamento conceptual e dessa linguagem verbal»
Konrad Lorenz

Das tolices que são frequentemente papagueadas sobre optimistas e/ou pessimistas e que exercem função similar à de alguém que profere sem que tal lhe seja solicitado nem perguntado «ser de esquerda» ou seja, funcionam como máximo divisor comum de quem pretende falar sem nada dizer, a essas deliciosas pessoas, Woody Allen, dedicou-lhes uma dulcíssima estória
À hora da refeição, duas velhinhas instaladas num hotel termal, dizem
           -- A comida deste hotel é péssima.
           Ao que responde a outra
           -- Pois é! E as doses são muito pequenas.
Aparentemente as velhinhas tinham razão. Na realidade, se a tinham, perderam-na. Quiçá por razões, outras, de que as velhinhas sabem mas não falam e, Woody Allen, não conta. Para a terem teriam de ser consequentes – a primeira, não comia; a segunda, não reclamava da pequenez da dose e ambas «levantavam o rancho» e …

José Gomes Ferreira [jornalista que aprecio favoravelmente] escreveu um livro que é «O Programa de Governo», dele. É realmente o dele. Do país só aparentemente poderá ser. Do país, deste país é que, garanto, jamais será. Mas se benevolamente o quisermos tomar como realidade, eventual, e não como desejo então, nessa remota eventualidade, a suposta clarividência de Gomes Ferreira, não será clarividência: o país é que será outro! com pouco ou nada que ver com o anterior.
Aproveita, Zé!
Gomes Ferreira, aparentemente, está carregadinho de razões tanto mais que a muitas, fundamenta-as e justifica-as. Eu também só que nunca escrevi livros [e isso é incompetência minha].
O problema não é esse. «O problema» são as outras razões além, ou aquém, das razões dos outros [não me refiro às dos banqueiros, dos monopólios, dos neoliberais chiça, capitalistas empedernidos, etc refiro-ma às razões dos que calcorreiam as calçadas que nós calcorreamos] e que fazem com que «quem a tem» e por maior que seja «com ela fique», e «bom proveito».

Haja paciência!

3 de setembro de 2013

[Comentários de] ingrato

Se há “coisas” [creio saber-se mas se não é, sabido fica] pelas quais sempre me senti tocado, e penhorado, foi com as desmedidas, notórias [o mesmo não digo quando, as preocupações, se revelam atribulações] e públicas “preocupações” [de todos em geral e de figuras «destas», muito particularmente] dos meus semelhantes pela sorte do(s) vizinho(s) que por uso e tradição são, invariavelmente, menores do que a minha com a sorte dos tamanduás no pantanal brasileiro.
    z  Melhor que os “recados” do Pacheco Pereira, 
Do «Navio Fantasma», em que Pacheco Pereira resolveu fazer um cruzeiro, chegam uns «bilhetinhos» [que serão produto da profunda reflexão a que devotou estes seus dias de contemplação mas de  questionável afastamento]. Já chegaram trinta e seis, salvo erro.
Uma espécie de recados semelhantes aos que Ovídio enviava para Roma, lá, do exílio que o imperador lhe destinou. Sempre martirizando-se com as vidas dos romanos como é fácil de compreender. Mas, sempre, rogando a melhor compreensão do imperador para a sua condição.

«Toda a linguagem do Primeiro-ministro é de vingança, medo, e representa uma deriva cada vez menos democrática», consta no derradeiro.
Duvido que assim seja. Do que não duvido é que os «bilhetinhos» do Pacheco Pereira revelam um indigerível e profundo ressabiamento.

-- Ó homem, assim nem você descansa nem nós sossegamos.
Ó Pacheco… eu reconheço que o senhor é um homem de pensamento e de imensas letras, reconheço. Sei que Alexandre Zinoviev lhe será “familiar”. Sei que «Hauteurs Béantes», ou seja, L´Âge D’Homme quer dizer «a fala do Esquizofrénico»
«na medida em que o poder, seguindo as leis sociais, se apropria da inteligência e da vontade da sociedade, procura, naturalmente, fazer aproximar o estado real das coisas deste ideal e considera as manifestações da vontade das pessoas que começam, sem a sua autorização, a reflectir sobre a sociedade, leis, imprensa, artes, etc… como interferências ilegais num domínio que lhes está reservado. E se estas pessoas começam a compreender os problemas da sociedade melhor do que os representantes do poder (o que não é difícil porque o nível oficial de compreensão tende a um mínimo de verdade e a um máximo de erro) acabam por ser criminosos aos olhos do poder se bem que,  juridicamente falando, não seja proibido a ninguém compreender o meio em que vive»
não lhe é estranha, sei.
Por isso a “carga”, o exagero não é admissível. E a dôr de cotovelo ainda menos. Quanto mais não seja porque temos, sempre, de reserva, para além de si, um Basílio Horta para nos salvaguardar do hediondo crime que seria locupletarem-nos alguns desses perecíveis, mas consignados, intangíveis constitucionais.
       z só o peito feito de Basílio Horta 
na defesa da virtuosa Constituição. E logo Basílio Horta que, como sabemos, foi um indefectível soldado constitucional. Na discussão parlamentar e no dia em que na bancada do CDS a votou [desfavoravelmente e ainda bem pois, nessa ocasião, para gajos com complexos não resolvidos de esquerdismo chegavam os que poluíam a bancada do PPD].
Dirá que evoluiu. Eu direi «necessidade a quanto obrigas». Vão longe os dias em que a triste e desleixada figura, fazia de «porta-pasta/mala» a Américo Amorim.