16 de agosto de 2013

Desfaçatez [de uns] e cinismo [de outros]. Burrice dos restantes.

Aguarda promulgação [pelo PR] para posterior publicação [em Diário da República] o Decreto nº 166/XII, que resultou da  Proposta de Lei 150/XII, aprovada em 24.07.13 com os votos da maioria [PSD+CDS/PP].


A  Lei regulará  a a obrigatoriedade de publicitação dos benefícios concedidos pela Administração Pública a todos os particulares. Mas convém denunciar que aquele quantificador – todos -- é, sem qualquer novidade, o «engana-tolos-e-apressados»  -- todos, de facto são os que sobram, consideradas as excepções. As excepções são os corpos dos distintos, e imprescindíveis, comensais. O que digamos também não deverá ser motivo para ficar de boca aberta.

Se a desfaçatez de quem a escreveu, propôs e aprovou é óbvia, o cinismo de quantos a rejeitaram é absoluto. Alguém viu, leu ou ouviu conferência de imprensa de qualquer partido da oposição a denunciar o que haviam rejeitado no plenário? Não!

E porquê? 

14 de agosto de 2013

Checklist


Que assim é melhor do que o contrário, é evidente; que assim a probabilidade de não nos estatelarmos contra o penhasco seguinte é maior, também; que assim garantimos mais um tempo suplementar de vôo ao invés de nos entregarem um pára-quedas, idem;…
mesmo considerando o efeito da refinação de hidrocarbonetos e exportação de refinados no índice; mesmo considerando o efeito do definhamento das importações no saldo da balança de transacções.

Preocupo-me tanto em proteger-me dos estampidos dos petardos e em evitar deixar-me encandear pelo brilho dos artefactos pirotécnicos que por aí estão sendo lançados a esmo quanto me preocupo em perceber o efeito das correntes ascensionais neste vôo de pára-pente. O que mais quero é ver-me dentro de um avião e não pendurado num pára-pente dependente de correntes ascensionais.

11 de agosto de 2013

A flor da utopia *

A “bandeira”. Nada mais do que a “bandeira”.

Incrédulo, ouço [incrédulo é, claro, forma de dizer; é mais do que incredulidade], «foi uma referência de esquerda». O homenageado não merece senão a vacuidade «foi uma referência. De esquerda» [Catarina Martins, BE].

Em vida terá sido um cidadão exemplar [com toda a falibilidade que o termo possa encerrar]; foi, e isso sem dúvida, um proeminente académico; da sua “passagem” legou-nos [boa ou má dependerá da opinião dos sobrevivos] obra. Mas tudo aquilo importa, apenas e só, se puder ser instituído como referencial (1) -- de esquerda. Nada mais prevalece. Face à bandeira tudo é acessório.
Algo sobejará se, e apenas, fôr conforme à simbologia.

Dos ditirambos que presumo ele não fazia questão há os que, por mais voltas que dê, me sugerem “cuspo”. Palavras, circunstanciais, proferidas por quem a tal é instigado. “Cuspo” sobre o estro. Epitáfio sentido, vénia cativa, penhora solene, prostração… É que por mais que esprema, não sinto.

É a morte e a sorte **.
O Sol vale não por lhes ser vital, mas por despontar a oriente [por mais que sejam os que se extasiam com a cromática do crepúsculo]. Será na pena e no verbo da intelectualidade [e mais na de pernósticos] o que a efígie de Che é nos peitilhos das t-shirts da arraia-miúda.

(1) Qual é o papel da literatura em momentos como este?
«Sou comunista e sou escritor e nunca obedeci a pedidos para fazer dos meus livros instrumentos de combate do PC, mas como a minha ideologia é essa ela projecta-se e essa projecção é útil neste momento porque as massas necessitam do apoio dos intelectuais e eu estou a dá-lo embora dentro da minha linha, que é estética e intimista. Uma vez chateei-me com um tipo do partido que queria que eu pusesse mais sangue, mais vermelho naquilo que escrevia.»

 * [ensaio de] Urbano Tavares Rodrigues, 2003
** [romance] Fernando Fonseca Santos, 2002

10 de agosto de 2013

Sobre epígonos e/ou apóstrofos do regime

 

Loas a quem as merece [se dali resultará algo de palpável e útil para alguém com excepção da própria, é outro assunto]. Quando os encómios [em causa própria, é certo] às intenções se aprumam de tal forma que o menos que há  é conformá-los a ODES… é «coisa» digna de respeito [a contradita passaria por uma elegia e não é caso para tanto].
Desgostei da «grande idade». Desgostei por me parecer exagero. Grande Idade?! Eu, que ainda deambulo pelos peristilos e na última vez que renovei o BI ou antes o cartão do cidadão constatei que os meus 181cms, estão em 179.
Gostava de conseguir ser assim. Até porque prevenir determinadas e certas austeridades e/ou os défices, será garantir um «superavit  de afectos»… com cheiro a rosas, melhor.
Dizer tudo, sem inspirar,… ou um copinho de água [para humedecer as cordais vocais], é provação.
 
... desrespeitosamente para com um “nano” da inteligência. Ou não, caso exista.

9 de agosto de 2013

Moral e cardinal [da estória], condensados


Moral
«Foi recebida nesta assessoria a informação anexa relativamente à possibilidade de operações de natureza financeira, mas com repercussões no défice, que poderiam ser ponderadas em caso de dificuldades no final do ano»
de Óscar Gaspar e Vitor Escária [assessores económicos de Sócrates] para Luis Patrão [chefe de gabinete de José Sócrates]
«A contratação desta operação violaria os princípios de gestão da dívida pública estabelecidos […] tem implícita a obtenção de um encaixe inicial tendo por contrapartida uma exposição ao risco de taxa de juro durante trinta anos e em que o nível de prejuízos potencial pode ser muito elevado»
parecer do IGCP / Franquelim Alves
Esta "ventoinha" tem reversor.

5 de agosto de 2013

Transparência?! Alguma…

Se há “virtude” que o governo [este e todos os outros] não pode nem deve reclamar, é [entre outras] a transparência. Mas não é mentira afirmar que bastante do que é esgoelado ser desconhecido, o é, de facto, porque saber dá trabalho. Bem menos trabalhoso é sorver, acriticamente, o que a media [com ou sem intuitos furtivos] vende e, sobre isso, pespegar com uns quantos cáusticos ou agastados monossílabos nas redes.
Das onerosas Parcerias Público Privadas (PPP) pode saber-se alguma coisa, por exemplo, aí -- http://www.utap.pt/.
Se isso resolve alguma coisa? não resolve porém, certo é que o desconhecimento, resolverá menos. A não ser que continue a valer que «eles, estão lá para tratar disso» e nós «estamos cá para comer, ou passar fome, berrando».


3 de agosto de 2013

A [alva] exortação [foi] maculada

Ah, bem me parecia… É velha [tanto quanto a minha idade permite descontando o tempo em que por cá andei sem que esses assuntos, digamos supimpas, ocupassem um avo das minhas sinapses] a interrogação. Sempre me pareceu que o “sistema” apresentava falhas de materialização, promanadas ou não de erros de concepção; sempre houve “coisas”, mais terrenas do que lunares, que me “diziam” que, perfeição, não podia ser isto. Suscitaram-me, no mínimo, muitas apreensões e ainda mais dúvidas relativamente a uma certa «dogmática “científica”» [filosoficamente uma impossibilidade, mas existe].

Os que olham o longe celeste pelo buraco do tubo dão-nos a conhecer, agora, saber que a nossa Lua, afinal foram duas
«a segunda lua terá durado apenas alguns milhões de anos, depois terá colidido com a Lua, dando origem ao grande corpo que hoje vemos […] ocorreu uma grande colisão, que afectou uma das faces e que, embora tenha causado a fusão de toda a superfície do satélite, causou uma assimetria».
Terá sido pois assim que se debotou um primevo brocado da mecânica do equilíbrio [dito seja que mais valor, e importância, dá a Newton]. Da colisão restou-nos a que inspira líricos e “resmas” de cínicos, justifica nefelibatas,… e é o bálsamo dos que a olham para ver a ponta do dedo. A dos outros, a dos absimelhantes, escafedeu-se.


1 de agosto de 2013

Prevenir para não ter que remediar

É da natureza que «quem faz um cesto, faz um cento» e é consabido que «mais vale prevenir do que remediar». Prevenir é a ministra das finanças chamar o dito e apresentar-lhe a carta de demissão. Garantir a prevenção será exigir nada menos do que isso.
Em 2005, quando o primeiro governo de Sócrates tomou posse, uma das maiores instituições financeiras mundiais, Citigroup, tentou oferecer uma "solução para melhorar o ratio dívida/PIB em cerca de 370 M€ em 2005 e 450 M€ em 2006". A “solução” passaria pela aquisição de três contratos de swap  baseados em "derivados".«Os Estados geralmente não providenciam [ao Eurostat] informação sobre o uso de derivados. (...) os swap serão, efetivamente, mantidos fora do balanço» assim industriava o Citigroup quer o IGCP, quer o ministério das Finanças, quer o gabinete do primeiro-ministro. A proposta foi entregue ao gabinete de José Sócrates por Paulo Gray [director-executivo para Portugal do Citi e no presente responsável pela consultora Stormharbour contratada por Maria Luís Albuquerque para analisar os swaps das empresas públicas] e Joaquim Pais Jorge [diretor do Citibank Coverage Portugal] actual de secretário de Estado do Tesouro.

Histórias de cá *

A única vez que opinei sobre swaps e sobre a provável, e eventual, responsabilidade de Maria Luis Albuquerque, ministra das finanças,  terminei o texto “dizendo” «o resto é guerrilha». Quando o escrevi ainda não tinha ocorrido a audição [que ouvi, quase, de fio a pavio] efectuada em 30.07 [o meu texto é de 26.07].
Do decurso desses procedimentos parlamentares tive ocasião de ver pela 1ª vez, uma fantochada: uma fantochada de que se pode queixar ninguém. O que vi e ouvi foi uma emulação mal enjambrada do que deveria ser de facto um exercício de fiscalização: desde logo porque na melhor das hipóteses o que dali pode resultar é -- de tão indefinida em termos jurídicos e consequentemente em termos práticos -- nada: sequer o constrangimento dos [políticos] "fiscalizados". É afinal parte substancial do múnus de toda essa gente [que passa, incólume, de geração em geração] e, simultaneamente, parte do húmus que caracteriza os lusos. Ora, ao invés do comummente suposto, enquanto não mudar em “baixo” jamais mudará em cima.