26 de julho de 2013

O bombo da festa

O que menos importa são as ventosidades por aí expelidas em forma de verbo. Pondo isso de lado está visto que Maria Luis Albuquerque foi “arvorada” em bombo da festa. Não se conclua que tomo as dores da senhora porque a políticos, de entre outros “agentes” de qualidade similar, raramente lhes fico reconhecido e nunca agradecido.


Em primeiro lugar porquê ventosidades? por uma razão, básica: na melhor das hipóteses, benevolamente, a noção que essa gente tem desses labirínticos contratos financeiros é a que lhes é propiciada pela Wikipedia ou seja, nenhuma portanto, por este lado, assunto resolvido.
Sobejam os que sabem um pouco mais do que isso. Destes há
1 -- os que não têm absolutamente nada a ver com o assunto excepcionando serem chamados a arcar com as consequências e 2 – os que por integrarem esse “corpo” administrativo e/ou político têm responsabilidades por acção ou omissão. Interessam os que possuem responsabilidade política porque i) são estes os que por um lado têm deveres e obrigações de fiscalização e por outro porque ii) por táctica, e na ausência de fiscalização ou de fiscalização deficiente, são os mesmos que esbravejam e dardejam e sempre com um fito, único: apagar o rasto, arranjar expiatório(s), manobrar politicamente.

20 de julho de 2013

Para onde caminham os enchidos portugueses?

É a questão-título de um “trabalho” jornalístico ínsito na «Fugas» do jornal Público, hoje.
No primeiro dia a seguir a uma semana em que andaram todos como soe dizer-se, a encher chouriços [aliás com o PS, a probabilidade de isso acontecer é mais do que grande], o menos que deva ser dito é que é apropriado.
Não li nem faço menção disso e mais, de isso não careço para afirmar que o futuro dos ditos e de quem os enche não é brilhante o que, em mim, não será novidade [por isso é que são mais as vezes em que acerto do que aquelas em que erro. O segredo está em baixar as expectativas, não ir em conversas, não acelentar esperanças, antecipar sempre o pior até porque com o razoável, o bom  ou o óptimo não há queixumes].

14 de julho de 2013

Assuntos ingentes


Cortes

    «A barafunda política distraiu os portugueses de um drama de proporções arrepiantes. Falo da luta dos funcionários da Carris contra o capitalismo selvagem e a favor do corte de cabelo à borla. A Carris, muito naturalmente e com base na cláusula 69.ª do contrato colectivo de trabalho, disponibiliza uma rede de barbearias que presta serviços gratuitos aos seus funcionários, activos ou reformados. […] essa conquista histórica do operariado está em perigo dado que a empresa fechou ou tenciona fechar as barbearias em causa, vergonha que levou o grupo parlamentar do PCP a rabiscar um requerimento justamente indignado. […] na aparente impossibilidade de se verificar se as barbearias existem ou não, os sindicatos da Carris propõem um compromisso: a administração desiste de garantir os cuidados capilares e começa a pagar 12 euros mensais a cada funcionário para que este trate do penteado onde entender.»

Alberto Gonçalves

13 de julho de 2013

Portugal, 1973: os tristes do Expresso



11 de julho de 2013

A parlenga não contribui para a colusão




O senhor Presidente da República em sintonia com o omnipresente jargão político-propagandístico devolve respeitosamente o poder decisório aos inquilinos da casa mãe da democracia, o parlamento.
Se aí continuarem mais ou menos "engalfinhados" pois então, os que estão lá fora, que digam o que entenderem dever dizer. Os anteriores não prestaram e os actuais não são melhores: arranjem melhor. Não arranjam, paciência… sendo certo, criançada, que o tempo corre e custa dinheiro que não há e seja este aparente impasse mais dispendioso ou menos , a colecta ser-vos-á feita.

Inesperado?! Surpreendente?! Nem por isso. Trata-se de [face às circunstâncias e à “qualidade” dos que respondem ou não à “chamada”] um regresso ao prolegómeno da «coisa». Prolegómeno que ele, Presidente, ontem, não desperdiçou a ocasião para “pontilhar”.
Em Democracia há sempre solução. Pois façam o favor de no-la servir.

No que concerne aos meus interesses, a curiosidade [e nada mais do que isso] está em seguir os dias seguintes da vida do Partido Socialista com óbvio e natural enfoque no comportamento e desempenho de Seguro. Quanto ao mais é a trivial melopeia comentarística de que fazem parte os eflúvios, jaculatórias e poluções de toda essa solerte gente que consubstancia esse bidet lírico.

3 de julho de 2013

Da biodiversidade



Há quem goste de rosas como há quem não desgoste das flores de lótus.

Quem espera que vicejem roseiras no pântano, fica desapontado. 
Deveria ser razão para meditação, tal desapontamento. Todavia, não o é. Porquê? por serem muitas mais as flores de lótus desejosas em desabrochar.

À fauna, tanto quanto me é dado perceber, não me consta -- mau grado os coaxos e o constante grilar da “frequência” – que, a preponderância de umas ou de outras, os impressione por aí além.
Intuo que se aprestem pela preservação do pântano. A perenidade ao humús que as flores são efémeras.

Vencedoras vão estando as moscas que pastam no corpo desse animal ferido, para já. O resto é um rebanho na sua insciência ululante, aguilhoado por toda a espécie de manipulações, mas sempre embevecido pela melopeia das harpias reivindicativas.
Tudo numa emulsão de impudor javardo.

28 de junho de 2013

Da cristalografia

A multidão procura os assassinos de César e depara com um indivíduo furtivo.
Alguém pergunta: «Quem és tu?»
O desconhecido: «Sou Cássio»
A multidão: «É o conspirador. Matem-no!»
O desconhecido: «Sou Cássio… o poeta»
A multidão: «matem-no! pelos maus versos»
Júlio César, Shakespeare
(adaptação livre)

Em coisas sobre as quais os tolinhos pensam que a decisão advém e/ou depende da força com se expressa o que designam por colectivo, mas que eu prefiro designar por multidão, convém não perder de vista as “lições” implícitas às aventuras de Gargântua e Pantagruel, narradas por Rabelais [Pantagruel, Gargântua e Livro(s) IIIº, IVº e Vº], nomeadamente [o que gosto deste advérbio] a carta de Gargântua ao filho e o Elogio das dívidas.
Rabelais, Pantagruel, sabia muito da natureza humana e por consequência essas dóceis, serenas ou iracundas criaturas fizeram-no sorrir. Admito que sem prazer algum. A representação dos que agem como náufragos, que se imaginam a afundar-se por não terem obtido uma réstia de poder que se veja ou uma bolsa de proventos que se note e que, ainda por cima, não enxergam meia-dúzia de palmos de terra firme frente ao nariz é feita por lanígeros.
Viajando num barco que transportava um  rebanho e o respectivo pastor, Panurgo, farto da “insolência” do pastor, pegou numa ovelha e lançou-a borda fora. Logo, de imediato as outras a seguiram e morreram afogadas.

Em 1994, a revista Fortune, em Editorial, a propósito dos “emergentes”, escrevia mais ou menos assim «a boa altura para comprar é quando o sangue jorra pelas ruas»; a Investor´s Guide, da Fortune, em 1993, sobre a oportunidade de uma ida aos saldos, escrevia «há que comprar no momento em que a esperança deixou de existir»; Pedro Santos Guerreiro, um dia destes, botou «Há dez anos já íamos todos morrer. Há dez anos já tínhamos pântano político e tanga no Estado. Há dez anos as reformas já eram todas para já e acabavam sendo nunca. Há dez anos as mesmas pessoas de hoje enchiam a boca de feitos e esvaziavam a mão de defeitos. Há dez anos já havia todas as mentiras, todos os mentirosos e todos a quem mentiam. Há dez anos já havia interesses, lóbis, corrupção, desigualdades, pobreza, proteccionismo, impunidade, compadrio, desesperança, défice, dívida, partidos políticos e políticos partidos. Há dez anos Portugal já era o que ainda era. E já havia génio. Inquietação. Vontade contra a moinha. Insatisfação com a insatisfação. E já havia zanga, fúria, urros, hurras. […] Em cinco Governos, apenas um cumpriu a legislatura. Houve maioria absolutas, relativas, coligações, dissoluções, escolhas sem eleições. As retomas nunca chegaram, o défice foi sempre manipulado, a dívida foi sempre escondida, a competitividade foi fraca, a economia foi fraca,... Os negócios foram fortes.»

Como é evidente as serenas criaturinhas de Panurgo são insensíveis a devaneios deste teor. Mas não é isso que causa dificuldades de digestão; é a percepção de que nunca o desejam saber. O ideal seria, portanto, que sempre que alguém se predispusesse a juntar-se a multidões [insurgentes ou reivindicativas], se dispusesse antes a 1 – saber o que pretende e 2 – não alimentar esperanças em resultados. O(s) Panurgo(s) existem; nunca a balir ou no meio de multidões.

~ À guisa de rogo ~

Que, por indulgência, me sejam relevadas [algumas d]as singelas instigações. 1 – a intenção é [juízo em causa própria] a melhor, 2 – devem-se ao facto de a minha [rudimentar] instrução [mais a não certificada] ter calcorreado sempre mais os caminhos do nominalismo, entenda-se realismo empírico, do que os do platonismo.

Fábulas narradas por rábulas

No site da TVI24, vi que o «cabeça de giz», Teixeira dos Santos, resolveu revelar a [sua] narrativa dos “acontecimentos”. E logo submetendo-se ao presciente crivo jornalístico de Judite de Sousa que consabidamente é personalidade mui bem escorada técnica e cientificamente [nesse jargão económico-financeiro para o confrontar ou proceder à filtragem das petas e outras imparidades]  tanto quanto exsuda isenção por quantos poros tem.

Dessa «socrática» eminência, entre outras coisas, escrevi um dia que «se tivesse um pouco de vergonha nunca mais subiria os degraus da faculdade onde ensina e procurava, sim, um patrão». Depois de o ouvir concluo que não tem [nunca realizei que a tivesse] – vergonha [não importa. Avaliações de personalidade e/ou carácter, consta, nunca corporizaram as skills em doutoramentos e certificações afins].
15.04.2010 in Economix, The New York Times
15.04.2010 in DN
Teixeira dos Santos classificou de "disparate" e "ignorância" as declarações do antigo economista chefe do FMI, Simon Johnson, que afirmou que Portugal será o próximo alvo dos mercados financeiros, está à beira da bancarrota. Simon Johnson equiparou ainda o financiamento de Portugal a um esquema em pirâmide «em vez de abater os juros da sua dívida, tem refinanciado os pagamentos de juros todos os anos através de emissão de nova dívida […] chegará a altura em que os mercados financeiros se vão recusar pura e simplesmente a financiar este esquema ponzi». Teixeira dos Santos afirmou que "num mundo de expressão livre também se podem escrever disparates sem fundamentação sólida, reveladores de ignorância quanto às diferenças existentes entre os países da zona Euro, e que bem ilustram o preconceito céptico de alguns comentadores quanto à moeda única".

Daniel Bessa, ontem, chamou a este governo «administrador da massa falida» [acrescento mau]. O problema não é esse; é não ver onde se encontrará gente capaz de integrar a «comissão fabriqueira». Isto no caso de não ligar peva a cassandras «as nações não são uma coisa eterna. Começaram, acabarão. A confederação europeia irá provavelmente substitui-las» [Ernest Renan in “Qu’est-ce que’une nation?”, 1882]

Mas está tudo certo: mais burro do que os que zurram é quem os ouve zurrar.


24 de junho de 2013

Cachaça não é água, não

Agora que a poeira assenta e para isso duas semanas foram o bastante; agora que praticamente todos os especialistas, analistas e observadores *  já se pronunciaram  desconstruindo a realidade sócio-económica e política brasileira, para mim nada sobrou. Por aí foi dito tudo o que havia para dizer e… mais o que não tem absolutamente nada a ver com a realidade, mas que lhes dá jeito. Coitados, persistem em ler e interpretar o mundo à luz dos ensinamentos «científicos» de Juan Zamora, Georges Politzer, Guy Besse e Maurice Caveing.
Ouço-os esclarecer que no esteio das manifestações, as tentativas e as acções consumadas de vandalismo, ficaram a dever-se a uma acção concertada “por” e “com” elementos da extrema-direita brasileira. Evidentemente que podiam ter sido instigadas e levadas a cabo pela extrema-esquerda ou pela(s) esquerda(s) não extremada(s) [se não por outra razão que fosse por se saber que em política, mas também em geometria ou topologia, como queiram, os extremos tendem a tocar-se], mas em termos de catequese seria inapropriado. Não há qualquer relação nem com extremas e menos com estremas. Sempre houve imenso crime no Brasil e mais haverá. Estabelecer uma ligação, atribuir um nexo entre a extrema-direita  -- coisa que não existe no Brasil pelo menos desde que Plínio Correia de Oliveira faleceu e que mesmo no tempo dele, em plena Ditadura, jamais passou de um pequeno grupelho de características mais ou menos macónicas com uma pequena diferença: os maçons adoram aventais; os da Tradição, Família e Propriedade, góticos, adoravam estandartes, vexilos e bandeiras escarlates -- e o mundo do crime pode até dar jeito a imensa gente em Portugal mas, para quem realmente interessa e respeita, a opinião desses especialistas conta menos do que nada. E quando conta, conta sim qualquer coisita mas nos termos cantados por Elisa Lucinda no poema «Só de Sacanagem»
«[…] É inútil / todo o mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal / e eu direi / […] / sei que não dá pra mudar o começo mas, se Deus quiser, vai dar pra mudar o final».
Não será a D. Dilma [com a “benção” de Lula ou não], o PT, etc… que dominarão o que quer que seja. No Brasil, desgraçadamente para eles, há dezenas de milhão que consideram uma vitória, terem feito recuar a tarifa do ónibus. Quem está nas ruas puxando essa galera na qual apanham boleia  incendiários, saqueadores e pit-bulls não é a classe dos excluídos da economia; é a classe dos desprezados da política que estas réplicas mal amanhadas de democracia criaram.

A relação que não existe mas que os especialistas lusos encontram, servirá aos seus paroquianos quando muito. Enfim, no final das contas não são ouvidos em Badajoz ou Zamora. Tenham juízo já que não podem cortar a língua. Pudessem e a maioria morria à míngua.
Na transacta sexta-feira ouvi D. Dilma a incentivar as hostes e a adormecer os hostis. Parece que depois de ter ouvido a lição sapiencial -- uma tranquibérnia, como ficou bom de perceber -- de Lula.

*estatuto que em Portugal é adquirido [pelo que me é dado ler e ouvir na comunicação social ou blogs de gente presunçosamente cheia de mundo] por quem tenha tido a oportunidade de passar uma semana de férias em Jericoacoara ou três dias de Carnaval entre a baixada fluminense e a orla de Copacabana.

22 de junho de 2013

Ilustre


No transacto dia 11 de Maio passou o centenário do nascimento do [Professor Doutor] Engenheiro Edgar Cardoso de quem poucos [sobretudo a comunicação social] se lembr(ar)am [ou fazem por isso]. Talvez por não ter integrado a «geração mais bem preparada de sempre» ou por não ter sido um «anti-fassista» ou exibir  qualquer outra qualidade de semelhante calibre ou pelo seu defeito congénito [presumo] de ser pessoa mais de “edificado” do que arengas ou jaculatórias e acima de tudo, pelo seu mau-feitio «Ó meu amigo! Em Portugal só há uma pessoa de quem aceito sugestões: o Prof. Joaquim Sarmento da Faculdade de Engenharia do Porto»À caterva de pedantes e demais falsificações que formigavam em seu redor, tratou-os em termos apropriados «os meus colegas são umas bestas». Cada qual fala do que conhece e como lhe parece.

A Edgar Cardoso, créme de la créme, faltou sempre o (re)conhecimento da mais eficaz “arma”… [como Virgílio Ferreira disse de Eduardo Lourenço] «não era muito dado a coloquiar-se». Nada disso lhe causou transtornos e/ou pesadelos. A prova foi que a cupidez, soberba e a velhacaria jamais conseguiram beliscar a sua intrínseca e inatacável superioridade técnica.