Deparei
na web com um vídeo da RTP1 em que o
PR, entrevistado pela Fatinha [Campos
Ferreira], diz a dado passo «Tudo o que se diz no Conselho de Estado fica gravado. As
gravações neste momento não são conhecidas mas, quando o forem […], quem fizer a
comparação entre o que está gravado e o que foi escrito, há-de ter uma grande
surpresa»
Surpreendido
ficaria eu se cresse que Cavaco Silva supõe que alguém se surpreenda com essas alegadas
“discrepâncias” de conselheiros. Não é o caso. Estamos falando de cabouqueiros e perpetradores.

Em
primeiro lugar porque, essa apreciação, será feita no futuro. Por assim ter de
ser, para o presente representa nada. Em segundo lugar porque, então, a isso se
dedicarão uns escassíssimos historiadores e poucos mais curiosos. A repercussão
desses «estudos» e «curiosidades» será, obviamente, nenhuma: o que, aliás, não
será nem menos nem mais do que acontece presentemente com a utilidade dada ao
que sabemos sobre o que contemporâneos [vivos] fizeram ou não fizeram há anos,
décadas atrás. Em terceiro lugar porque essas apreciações, volteios e faenas á parte,
redundam sempre em juizos de carácter. Ora sabemos, por experiência, que do
carácter dos que protagonizaram a «emulação democrática» e dos que protagonizam
a simulação deste «Estado de Direito», melhor será não falar. Porque se falamos
de carácter, falamos de qualidade; se falamos de qualidade, falamos do que há
pouco -- integridade, hombridade -- e por isso, temos de falar do que é mais
comum -- cinismo, táctica, velhacaria, dissimulação, mesquinhês, …
Se
assim não fôr, falamos de quê?
Há
excepções? Claro que as há. O problema está mesmo nisso: serem excepções. E, que se saiba, as excepções nunca substantivam a regra.
Em
1985, a D. Quixote, publicou «Cartas
Particulares a Marcello Caetano» de José Freire Antunes em dois volumes, onde
constam “epístolas” – umas «dedicadas», «emocionadas»,… outras «penhoradas»,
de «júbilo», «ao meu bom Amigo» ou «prezado Amigo», «…estrénue …» --… a
maioria delas escritas a hemolinfa.
Dos remetentes fazem parte Diogo Freitas do
Amaral, Eurico de Figueiredo, João Coito, José Mensurado, José Miguel Júdice,
Luis Stau Monteiro, Lurdes Pintassilgo, Mário Castrim, Raul Rego, Vasco da Gama
Fernandes, Henrique de Barros, Francisco Pinto Balsemão, A. H. Oliveira
Marques, entre outros.
Muito
fica explicado e mais outro tanto, justificado.
*Luis Vaz de Camões