22 de junho de 2013

Ilustre


No transacto dia 11 de Maio passou o centenário do nascimento do [Professor Doutor] Engenheiro Edgar Cardoso de quem poucos [sobretudo a comunicação social] se lembr(ar)am [ou fazem por isso]. Talvez por não ter integrado a «geração mais bem preparada de sempre» ou por não ter sido um «anti-fassista» ou exibir  qualquer outra qualidade de semelhante calibre ou pelo seu defeito congénito [presumo] de ser pessoa mais de “edificado” do que arengas ou jaculatórias e acima de tudo, pelo seu mau-feitio «Ó meu amigo! Em Portugal só há uma pessoa de quem aceito sugestões: o Prof. Joaquim Sarmento da Faculdade de Engenharia do Porto»À caterva de pedantes e demais falsificações que formigavam em seu redor, tratou-os em termos apropriados «os meus colegas são umas bestas». Cada qual fala do que conhece e como lhe parece.

A Edgar Cardoso, créme de la créme, faltou sempre o (re)conhecimento da mais eficaz “arma”… [como Virgílio Ferreira disse de Eduardo Lourenço] «não era muito dado a coloquiar-se». Nada disso lhe causou transtornos e/ou pesadelos. A prova foi que a cupidez, soberba e a velhacaria jamais conseguiram beliscar a sua intrínseca e inatacável superioridade técnica.

16 de junho de 2013

"Jornaleiros" e pasquins

Um jornal económico, na edição online, titula «Seguro quer [qualquer coisa]».
É claro que, lendo, se constata que a criatura não quer [nem pode querer] nada.  Propõe [qualquer coisa], simplesmente. E já nem é pouco. O título tem uma determinada função. Que diz muito de quem o escreveu e diz o mesmo da ideia que faz quem o escreveu, sobre a inteligência [ou senso crítico] dos que o(s) lêem. Assim não fosse e o(a) “infeliz”, no título, escreveria «propõe» em vez de «quer». 
«[…] A descontracção própria do momento de lazer e descanso é sobressaltada pelas visão de cinco carros progredindo em contramão numa estrada cujo trânsito foi interrompido pelas autoridades […]» São José Almeida, Público
Se a autora não está capaz de raciocínios mais elaborados, pelo menos soubesse [ou alguém por ela] o básico do «Código da Estrada». O raciocínio mais elaborado é no fim das contas, apenas e só, uma singela e rudimentar voluta que vai por aqui: se as autoridades interromperam o trânsito então nesse preciso momento momento, e até ordem em contrário, deixou de existir qualquer sentido na via. Quer dizer o sentido é o determinado pelas autoridades.

Populismo infrene e demagogia reles na(s) "redações".


13 de junho de 2013

Aulas de Educação Física


e  Educação Cívica

Bons auspícios

Quiçá enxertos da América- latina, ou de uma certa África, na Europa. Mas afinal quem é que determinou que uma efectiva regressão não seja, de facto, uma evolução?


11 de junho de 2013

De insígnes «bichos da terra tão pequenos *»

Deparei na web com um vídeo da RTP1 em que o PR, entrevistado pela Fatinha [Campos Ferreira], diz a dado passo «Tudo o que se diz no Conselho de Estado fica gravado. As gravações neste momento não são conhecidas mas, quando o forem […], quem fizer a comparação entre o que está gravado e o que foi escrito, há-de ter uma grande surpresa»
 
Surpreendido ficaria eu se cresse que Cavaco Silva supõe que alguém se surpreenda com essas alegadas “discrepâncias” de conselheiros. Não é o caso. Estamos falando de cabouqueiros e perpetradores.
 
Em primeiro lugar porque, essa apreciação, será feita no futuro. Por assim ter de ser, para o presente representa nada. Em segundo lugar porque, então, a isso se dedicarão uns escassíssimos historiadores e poucos mais curiosos. A repercussão desses «estudos» e «curiosidades» será, obviamente, nenhuma: o que, aliás, não será nem menos nem mais do que acontece presentemente com a utilidade dada ao que sabemos sobre o que contemporâneos [vivos] fizeram ou não fizeram há anos, décadas atrás. Em terceiro lugar porque essas apreciações, volteios e faenas á parte, redundam sempre em juizos de carácter. Ora sabemos, por experiência, que do carácter dos que protagonizaram a «emulação democrática» e dos que protagonizam a simulação deste «Estado de Direito», melhor será não falar. Porque se falamos de carácter, falamos de qualidade; se falamos de qualidade, falamos do que há pouco -- integridade, hombridade -- e por isso, temos de falar do que é mais comum -- cinismo, táctica, velhacaria, dissimulação, mesquinhês, …
Se assim não fôr, falamos de quê?
Há excepções? Claro que as há. O problema está mesmo nisso: serem excepções. E, que se saiba, as excepções nunca substantivam a regra.
 
Em 1985, a D. Quixote, publicou  «Cartas Particulares a Marcello Caetano» de José Freire Antunes em dois volumes, onde constam “epístolas” – umas «dedicadas», «emocionadas»,… outras «penhoradas», de «júbilo», «ao meu bom Amigo» ou «prezado Amigo», «…estrénue …» --… a maioria delas escritas a hemolinfa.
Dos remetentes fazem parte Diogo Freitas do Amaral, Eurico de Figueiredo, João Coito, José Mensurado, José Miguel Júdice, Luis Stau Monteiro, Lurdes Pintassilgo, Mário Castrim, Raul Rego, Vasco da Gama Fernandes, Henrique de Barros, Francisco Pinto Balsemão, A. H. Oliveira Marques, entre outros.
 
Muito fica explicado e mais outro tanto, justificado.
 
*Luis Vaz de Camões

9 de junho de 2013

O mundo é assim

«Cessem as palavras e falem as obras. De palavras estamos cheios, de obras vazios»
Sto. António de Lisboa [e Pádua]

Do presente
«Fui das pessoas que acharam que a criação do euro, mesmo se não foi muito bem feita, foi um passo para a ideia de uma Europa de um tipo novo. É verdade que isso trouxe consequências, não apenas positivas mas consequências negativas, mas a verdade é que eu imagino muito mal o que é que seria outra vez sairmos do euro […] estamos na Europa e é na Europa que nós nos salvamos ou nos perdemos todos […] o país já não tem domínios, outros sítios para onde ir»
e do futuro
«Portugal sairá da crise económica […] tem atrás dele quase 900 anos de país independente […] Um país que tem este passado não tem razão para estar em pânico»
disse Eduardo Lourenço.

O que na boca de uns são poias, e não merecem senão esgares, na boca de outros é a quinta-essência da reflexão, do raciocínio. Mas, com mais ou menos competências, de utrários não passam.

Haja patifes

Sobre o lastro moral e da presumida superioridade ética de que alguns [muitos] pulhas se arrogam e por quem a maioria dos meus concidadãos está, até ao tutano, agradecida e penhorada [mas por quem eu, ao contrário dessa desconforme mole, não nutro qualquer espécie de sentir ou respeito excepcionando a repulsa], os exemplos são eloquentes.

Na entrevista que a 06.06.2013 deu à revista Visão, Pedro Caldeira, relata com algum detalhe a reunião que, em 1991, teve com Mário Soares no palácio de Belém e na qual, por insistência do Presidente da República, participou o seu assessor José Amaral. A conversa que deveria  ser privada, confidencial, até por “envolver” a banca portuguesa, num ápice chegou ao conhecimento de um alto responsável da banca. O banqueiro dá pelo nome de Fernando Ulrich. Hoje, o banqueiro e o ex-assessor presidencial,  cruzam-se nos corredores do mesmo banco e sentam-se lado a lado à mesma mesa – o primeiro é presidente do CA; o segundo é vogal.
Tudo decorreu sob o alto patrocínio dessa veneranda múmia.

É esta corja, é esta canalha que aparece a perorar sobre meritocracia, a abjurar a mediania e a mediocridade. É esta canalha que -- esperança minha -- não será absolvida pela história.

5 de junho de 2013

Dos interstícios de duas "democracias"

No rasto da benevolência de um séquito de traidores para os regaços de bandoleiros, malfeitores e outros tantos facínoras

Luanda estava oficialmente autorizada a fornecer muito e capaz equipamento militar […] e a facilitar o desembarque de armas para o MPLA
«Conservando o mais rigoroso sigilo  actuar-se-á de modo a conceder facilidades nomeadamente através da cedência de armamento em quantidades superiores às necessárias para os contingentes das Forças Militares Mistas. […] Encarar a possibilidade de utilização da orla marítima por parte do MPLA. […] Fornecer em sigilo ao MPLA e à UNITA o armamento e equipamento que julguem indispensável para compensar […]»
Muito Secreto / Situação de Angola: medidas / p.1
Presidência da República Portuguesa
29 de Abril de 1975

2 de junho de 2013

Os conjurados (I)


«A intervenção que emocionou a noite coube ao reitor da Universidade de Lisboa, um tal Sampaio da Nóvoa. O dr. Nóvoa parece carenciado em matéria de ligações à realidade, mas pródigo em lirismo. Sempre sob intensos aplausos, explicou que "Agora é preciso construir caminhos". E que "Um encontro [das esquerdas] pode decidir uma vida". E que "Não podemos perder a Pátria nem por silêncio nem por renúncia". E que "Abril abriu-nos à vida". E que "Sentimos este desespero de quem está a morrer na praia às mãos de visões curtas, estreitas e desumanas". E que "Podemos falar, podemos conversar e agir em conjunto". E que "É preciso renovar a política". […] a reitoria da UL continua a primar pela excelência intelectual: a verborreia do dr. Nóvoa mantém os níveis estabelecidos por José Barata Moura, autor de Joana, come a papa.»
Alberto Gonçalves

Eu [ao ler o discurso do sr. reitor] fiquei todo arrepiadinho. Ó,ó, olha. Ué!