Portugal
viveu com a canga dos castelhanos ao lombo de 1580 a 1640. Pelo que me é dado
saber, o incómodo não foi assim tão insuportável.
Se
quisermos saber dessa adaptabilidade, versatilidade, bastará saber das
“dificuldades” que Filipe II não
teve [Pedro Alves Nogueira, Livro da Vida dos Bispos da Sé de Coimbra] durante dois anos
e meio de vida permanente em Portugal ou saber quão penhorados e agradecidos
ficaram os portugueses ao Rei Prudente, Filipe II, por ter dado ouvidos ao
clamor e os atender com as Ordenações
e a respectica Carta de Lei ou ler
as descrições feitas por memorialistas à alegria, festas populares e mais à
pompa com Filipe III foi recebido em
Lisboa. Diz um memorialista, Pero
Roiz Soares, que
«começaram de vir
os fidalgos portugueses mui ricamente ataviados, estando os castelhanos
pasmados de verem tanta soma de fidalgos; neste dia e neste auto e nesta cidade
se achou todo o Portugal […] empenharam e endividaram e venderam muitas fazendas para
fazerem muitas e muito ricas librés para os criados e vestidos para eles»
Quando
é que a porca torceu o rabo e a “coisa” começou a chiar mais fino? quando é que
os Braganças se agitaram, preocupados
com a situação do reino?
Quando
Filipe IV, exaurido com a Guerra dos 30 anos, teve de esmifrar o que pôde. O
que resultou em esmifrar os que, apesar de tudo, sempre supuseram estar
arredados dessas “contas”, evidentemente. E que eram nem mais nem menos os
mesmos, ou os descendentes, que seis décadas antes, levaram D. Sebastião a espetar-se em Marrocos e assobiaram para
o lado até 1639,…
Aí…
bem aí, consta, que até a Luísa [de Gusmão] exigiu que o João se assumisse e vestisse
calças.
Nenhuma
semelhança é coincidência assim como nenhuma circunstância é fruto do acaso.


