31 de maio de 2013

Os conjurados

Portugal viveu com a canga dos castelhanos ao lombo de 1580 a 1640. Pelo que me é dado saber, o incómodo não foi assim tão insuportável.
Se quisermos saber dessa adaptabilidade, versatilidade, bastará saber das “dificuldades” que Filipe II não teve [Pedro Alves Nogueira, Livro da Vida dos Bispos da Sé de Coimbra] durante dois anos e meio de vida permanente em Portugal ou saber quão penhorados e agradecidos ficaram os portugueses ao Rei Prudente, Filipe II, por ter dado ouvidos ao clamor e os atender com as Ordenações e a respectica Carta de Lei ou ler as descrições feitas por memorialistas à alegria, festas populares e mais à pompa com Filipe III foi recebido em Lisboa. Diz um memorialista, Pero Roiz Soares, que
«começaram de vir os fidalgos portugueses mui ricamente ataviados, estando os castelhanos pasmados de verem tanta soma de fidalgos; neste dia e neste auto e nesta cidade se achou todo o Portugal […] empenharam e endividaram e venderam muitas fazendas para fazerem muitas e muito ricas librés para os criados e vestidos para eles»
Quando é que a porca torceu o rabo e a “coisa” começou a chiar mais fino? quando é que os Braganças se agitaram, preocupados com a situação do reino?
Quando Filipe IV, exaurido com a Guerra dos 30 anos, teve de esmifrar o que pôde. O que resultou em esmifrar os que, apesar de tudo, sempre supuseram estar arredados dessas “contas”, evidentemente. E que eram nem mais nem menos os mesmos, ou os descendentes, que seis décadas antes, levaram D. Sebastião a espetar-se em Marrocos e assobiaram para o lado até 1639,…
Aí… bem aí, consta, que até a Luísa [de Gusmão] exigiu que o João se assumisse e vestisse calças.


Nenhuma semelhança é coincidência assim como nenhuma circunstância é fruto do acaso.

Faz-me um filho, Mário


A noite passada, ao fazer zapping, dei com a Fatinha a entrevistar (entrevista nº ?) Mário Soares na RTP1. Do que Mário Soares dizia não faço ideia porque 1 – deixei há muito de o ouvir e ler e 2 – se estive por ali dois minutos, foi muito. Se ali estacionei os dois minutos não foi por Mário Soares, mas para impressionar as minhas retinas com o facies de gozo [aquele ar é de quem está a usufruir de uma delicodoce polução] com que a Fatinha escutava as assertivas e iniludíveis constatações do idolatrado. Qualquer coisa na fronteira do gritinho juvenil ou do espasmo verbal
«Faz-me um filho, Mário Bieber. Adoro-te»


26 de maio de 2013

Baderna instalada

«O que Miguel Sousa Tavares chama ou não ao Presidente não engorda, não emagrece, não paga contas, nem impostosA verdadeira dignidade consistiria em não o ouvir».
A minha opinião é a de Vasco Pulido Valente. Sem tirar ou acrescentar.

Miguel Sousa Tavares é [mais] um medíocre [um pouco acima da média] que para começar teve a sorte de ser filho de quem é. Convenhamos que a “progenitura” pode não ser nada, mas pode ser muito e até pode ser tudo. No que lhe concerne, acho, para começar, que foi o bastante; o resto tem sido a conjugação de uma série de factores [dos mais diversos em género e número] e nos quais está inclusa, por exemplo, a “cota” a que se encontra a fasquia.
Se não fizesse a mais pequena ideia de quem é MST e se pretendesse aferir a qualidade do ente [do que é capaz ou não, até onde pode ir ou não], bastar-me-ia ter-lhe ouvido a encomiástica, venerada e agradecida «aúrea» que, disse ele, Álvaro Cunhal detinha.
MST não passa de um dandy. É um Elliot Templeton [que tão bem e minuciosamente Somerset Maugham descreveu em «O fio da navalha»].
Se ao sucedido [tomou a dimensão que tomou apenas e só porque um jornal lhe deu capa] acrescentarmos a “prosa” facebookeana [respeitosa, ponderada, didáctica, pedagógica e fundamentada] de Sérgios Sousa Pinto, Lellos, Ascensos e outros capatazes está tudo visto.  Tudo espécimes de uma fauna que cada vez mais prolifera no ecossistema e que se destacam por serem especializados em nada e vagas ideias sobre tudo. Gente deste calibre é capaz de tudo. Na minha opinião nem é o que dizem/chamam ou deixam de chamar que confere a qualidade: é a “importância” que lhes é conferida.
A ética e a moral, explícita ou subliminar, às acusações, juízos,... as palavras de todos esses  palhaços (sem aspas, claro) é a moral do urso depois de abocanhar um favo de mel.

Nota
É abusivo [a partir da leitura deste post] supôr que “diabolizo” MST para “incensar” Cavaco Silva, o Presidente da República. Não [apesar de nele ter votado e sem olhar para os lados]. Mas que o Presidente da República, anos a fio, desperdiçou [de isso aqui deixei nota(s)] oportunidades de ao menos contribuir para “desinfectar” o ambiente, desperdiçou. Portanto não se queixe, agora.

25 de maio de 2013


«O regime, na realidade, acabou. […] O mais preliminar analfabeto, quando lhe falam da nossa falência institucional, faz profissão de fé na democracia e cita devotamente Churchill. Raras são as cabeças que percebem a natureza irremediável do que desde 2011 nos sucede: Portugal não voltará a ser o que era em 2005.»

Melopeia




encriptada

Apesar das melhorias em ortografia


«Escravos da mentalidade estrangeira, uns; escravos da falta de mentalidade própria, todos — nenhuns Portugueses, políticos ou não políticos, têm podido falar  nacionalmente ou superiormente a este País. […] Não falamos do País dividindo-o em classes cultas e incultas […] Falamos de Portugal na simples quantidade dos seus habitantes […] metade é monárquica, metade republicana; que são sensivelmente iguais, que são iguais para todos os efeitos práticos […] São estes os factos: o resto é fala política: fica para os maiorais que dela usam e para as rezes que crêem nela.
Da parte monárquica, uma pequena minoria é activa e forma os partidos monárquicos que se manifestam. Da parte republicana, uma minoria maior é activa e forma os partidos republicanos que se manifestam. O resto do País […] é apático e indiferente quanto à manifestação, ou até quanto à consciência das suas tendências. Como a minoria republicana é maior, mais activa e mais coesiva que a minoria monárquica, existe República […] Não existe República por nenhuma outra razão.
Esta condição política do País […] procede da mesma causa, que é o estado mental português […] Somos o país das duas ortografias. Da gente que entre nós sabe escrever, parte escreve em ortografia latina, a outra parte na ortografia do Governo Provisório. A maioria, porém, não sabe ler nem escrever. […] as letras são a sombra dos factos, e lemos mais na leitura do que esperávamos.[…] Porque razão, porém, está a Nação assim dividida contra si mesma? A razão é fácil de ver […] não temos uma ideia portuguesa, um ideal nacional, um conceito missional de nós mesmos. […]
Há só três bases de governo — a força, a autoridade e a opinião. […] sem força não se pode governar, sem opinião não se pode durar, sem autoridade não se pode obter opinião. […]»

Fernando Pessoa in O INTERREGNO

16 de maio de 2013

Fatiar parte da realidade

Se se acredita em magia em algum momento ela resultará. O problema é que os seus efeitos se desvanecem de seguida. Por isso me parece que a questão fundamental não é a magia nem são os mágicos: é a “crença”.
Em parte, assim foi

É vulgar ouvir-se de líricos, nefelibatas, cenobitas e de uns quantos «lettreferits» que o oposto a pessimismo é optimismo. A inversa também é verdadeira. Com excepção da bem intencionada injecção de ânimo aos “fracos” [que até pode ser bonito mas nem sempre faz bem], o contrário de pessimismo é quase sempre a idiotia. Não podia ser diferente já que um dos “selos” da idiotia é a circunscrição da realidade a contrários.
Em parte, assim continua a ser

Um sinal destes tempos de crise é alguém dizer, como na anedota, «caroço de azeitona» e apanharem logo uma bebedeira.
Quem e por que gritam, alguns, «caroço de azeitona»?
A ‘taxa sobre os pensionistas’ pode não vir a ser igual para todos. Ainda que o tecto máximo [dos cortes] se fixe nos 10%, o Governo admite excepções. Caso das subvenções vitalícias de titulares de cargos públicos e políticos. Por exemplo, os deputados e os juízes do Tribunal Constitucional poderão ficar sujeitos a cortes de 20% [o dobro dos demais pensionistas do Estado]. A comunicação social faz constar que a medida tem sido muito contestada inclusivé no seio da coligação governamental.
Em parte, assim é

Porque se bebe a mentira que nos lisonjeia ou que [aparentemente] mais convém a largos sorvos e a verdade que nos é amarga ou se cospe ou se engole gota a gota…
chore aos berros como as crianças. Até se estafar. Verá que depois adormece.

12 de maio de 2013

outras lambisgóias


Carlos Abreu Amorim disse qualquer coisa de Vitor Gaspar. Verberou as acções e os resultados de Gaspar; exigiu o desterro de Gaspar. Não admira que tenha dito o que disse, o tenha feito nesta ocasião e admira menos se se considerar o contexto e o local onde disse. Carlos Abreu Amorim é apenas mais um desses espertalhões que se mantêm à tona da água porque, apesar do seu volume, possuem uma densidade inferior ao do fluido em que estão mergulhados. O resto é a Natureza que faz conforme explicou Arquimedes.
Carlos Abreu Amorim foi anos a fio um «blasfemo» pelas mesmíssimas razões que outros são «corporativos», «ladrões»,… a  massa é a mesma apesar das barricadas em que se acolhem serem diferentes. Da necessidade de exposição das suas opiniões até às proclamadas preocupações cívicas com o bem público tudo é instrumento, tudo tem um fito. E somente um.
Enquanto o predomínio na sociedade for desta sorte de lambisgóias, nunca chegaremos a porto seguro senão a reboque de algo exógeno -- inopinado e improvável -- ou de alguém interessado, mas estrangeiro.
«Todo o bom produto gera a sua contrafacção. A obscenidade é o erotismo dos pobres [de espírito]; a esperteza é a inteligência dos hábeis [para os que a praticam]; a abjecção é a admiração para os estúpidos ou para os escassos em dignidade»

11 de maio de 2013

Obtusos, obviamente


«A verdade não é o que é demonstrável, mas o que é inevitável»
Saint-Exupéry

De que se fala agora? o que desaustina essa gente?!

Sobre a Segurança Social, a 11 de Maio de 2006  insurgi-me contra opiniões de «especialistas» que preconizavam o incremento de políticas efectivas de apoio à natalidade como solução a prazo para a sustentabilidade da Segurança Social e Caixa Geral de Aposentações. [Nessa ocasião uns farsolas, a nível autárquico e governamental, atribuiam umas centenas de euros a casais que procriassem. Uma forma de atirar dinheiro ao charco, uma esperteza, um logro.] Temos o destino traçado (com o risco, óbvio, de se estarem a criar expectativas fundadas em “comportamentos” passados) até 2013... Sem remissão!