16 de maio de 2013

Fatiar parte da realidade

Se se acredita em magia em algum momento ela resultará. O problema é que os seus efeitos se desvanecem de seguida. Por isso me parece que a questão fundamental não é a magia nem são os mágicos: é a “crença”.
Em parte, assim foi

É vulgar ouvir-se de líricos, nefelibatas, cenobitas e de uns quantos «lettreferits» que o oposto a pessimismo é optimismo. A inversa também é verdadeira. Com excepção da bem intencionada injecção de ânimo aos “fracos” [que até pode ser bonito mas nem sempre faz bem], o contrário de pessimismo é quase sempre a idiotia. Não podia ser diferente já que um dos “selos” da idiotia é a circunscrição da realidade a contrários.
Em parte, assim continua a ser

Um sinal destes tempos de crise é alguém dizer, como na anedota, «caroço de azeitona» e apanharem logo uma bebedeira.
Quem e por que gritam, alguns, «caroço de azeitona»?
A ‘taxa sobre os pensionistas’ pode não vir a ser igual para todos. Ainda que o tecto máximo [dos cortes] se fixe nos 10%, o Governo admite excepções. Caso das subvenções vitalícias de titulares de cargos públicos e políticos. Por exemplo, os deputados e os juízes do Tribunal Constitucional poderão ficar sujeitos a cortes de 20% [o dobro dos demais pensionistas do Estado]. A comunicação social faz constar que a medida tem sido muito contestada inclusivé no seio da coligação governamental.
Em parte, assim é

Porque se bebe a mentira que nos lisonjeia ou que [aparentemente] mais convém a largos sorvos e a verdade que nos é amarga ou se cospe ou se engole gota a gota…
chore aos berros como as crianças. Até se estafar. Verá que depois adormece.

12 de maio de 2013

outras lambisgóias


Carlos Abreu Amorim disse qualquer coisa de Vitor Gaspar. Verberou as acções e os resultados de Gaspar; exigiu o desterro de Gaspar. Não admira que tenha dito o que disse, o tenha feito nesta ocasião e admira menos se se considerar o contexto e o local onde disse. Carlos Abreu Amorim é apenas mais um desses espertalhões que se mantêm à tona da água porque, apesar do seu volume, possuem uma densidade inferior ao do fluido em que estão mergulhados. O resto é a Natureza que faz conforme explicou Arquimedes.
Carlos Abreu Amorim foi anos a fio um «blasfemo» pelas mesmíssimas razões que outros são «corporativos», «ladrões»,… a  massa é a mesma apesar das barricadas em que se acolhem serem diferentes. Da necessidade de exposição das suas opiniões até às proclamadas preocupações cívicas com o bem público tudo é instrumento, tudo tem um fito. E somente um.
Enquanto o predomínio na sociedade for desta sorte de lambisgóias, nunca chegaremos a porto seguro senão a reboque de algo exógeno -- inopinado e improvável -- ou de alguém interessado, mas estrangeiro.
«Todo o bom produto gera a sua contrafacção. A obscenidade é o erotismo dos pobres [de espírito]; a esperteza é a inteligência dos hábeis [para os que a praticam]; a abjecção é a admiração para os estúpidos ou para os escassos em dignidade»

11 de maio de 2013

Obtusos, obviamente


«A verdade não é o que é demonstrável, mas o que é inevitável»
Saint-Exupéry

De que se fala agora? o que desaustina essa gente?!

Sobre a Segurança Social, a 11 de Maio de 2006  insurgi-me contra opiniões de «especialistas» que preconizavam o incremento de políticas efectivas de apoio à natalidade como solução a prazo para a sustentabilidade da Segurança Social e Caixa Geral de Aposentações. [Nessa ocasião uns farsolas, a nível autárquico e governamental, atribuiam umas centenas de euros a casais que procriassem. Uma forma de atirar dinheiro ao charco, uma esperteza, um logro.] Temos o destino traçado (com o risco, óbvio, de se estarem a criar expectativas fundadas em “comportamentos” passados) até 2013... Sem remissão!

10 de maio de 2013

Proeminentes lambisgóias

É o que há no ergástulo ou melhor  o que predomina no ergástulo. Sobre a maioria delas estou como soe dizer-se «de tão bons, não prestam». Logram  ser  tão impressivos quão impressiva é a pedra que se arremessa, paralelamente, à superfície mansa de um lago -- toca uma, duas, três vezes e…
Há quem, por ter um poleiro, se ache um canário.
Se os assuntos fossem tratados com propriedade e de forma conveniente o mais certo é que a maioria das lambisgóias tinha de se fazer à vida noutro(s) 
mester.
Assim fosse e no mínimo, não tínhamos de aturar lambisgóias como o Marcelino da bola [do DN], a Constança não-se-percebe, a Judite charivari?! o-que-é-isso-dr? [da TVI],…
Como se explica a uma lambisgóia [a alambisgóia é propensa a aprender alguma coisa?!], por exemplo, que «o problema com os factos é que são muitos».

Perspectivas há de gente de antanho sobre assuntos, coisas, pessoas, razões e que até prova em contrário convém nunca perder de vista pela simples razão de que perdê-las de vista é o bastante para reter da realidade qualquer coisa diferente do que ela é.
«Não há sacerdotes, há lictores; não há intérpretes, há verdugos [...] O adversário, seja qual for, ou dos nossos interesses ou das nossas opiniões, não se avalia pelos actos, mas pela sua posição relativamente a nós [...] A difamação e a calúnia elevam-se à altura de armas de partido. O jornalista pode ser impunemente assassino moral» constataram Mendes Leal e Alexandre Herculano.

Quem passa os olhos pela comunicação social e demais locutórios constata de há uma semana para cá que recrudesceu o charivari. Embora nada tenha sucedido de novo ou diferente na Europa [a que mais directamente nos diz respeito] nem nas planuras e faldas dos Hermínios.
«Um homem que não lê está mais bem educado do que qualquer outro que só lê jornais»
Thomas Jefferson
A que é devido então o acréscimo de decibéis?
termos conseguido [para já] entrar no combóio onde vão os que compram dívida pública? o governo ter garantido que a partir de 1 de Outubro entra em vigor o denominado IVA de caixa? o governo, finalmente, se ter decidido a "aparar" [sem qualquer garantia sobre a sua efectivação] as unhas a umas dezenas ou centenas de pançudos das empresas públicas?
Não!
são consequência do desconforto causado a quem por estupidez  supôs que a lipoaspiração seria feita à vizinha do lado que, apesar da fama e nenhum proveito, jamais obteve [pela circunstância de ou não dominar a arte ou não possuir competências para em devido tempo, ou logo que tal fosse propício, se resguardar debaixo do bandulho da porca] condição diferente da de pagante líquido.




5 de maio de 2013

O que o povo quer

«Por muito baixa que seja a bitola pela qual os portugueses medem a qualidade dos sucessivos governos e por muito alta que seja a tradicional amnésia colectiva, a situação não é normal. Um atropelado não convida o condutor alcoolizado a voltar ao local do sinistro para repetirem a brincadeira. Já uma razoável -- e inacreditável -- quantidade de eleitores não só pede a repetição do atropelamento como parece desejar que o carro duplique a velocidade. Pelo menos a julgar pelas sondagens. E a julgar por António José Seguro. O dr. Seguro (…) desatou a exigir maioria absoluta.(…) No congresso, o secretário-geral não escondeu as expectativas: emprego, emprego, emprego (…) o dr. Seguro não promete arrependimento, promete insistir na exacta receita que nos lançou na dependência da caridade (a juros) do exterior. Mal consiga mandar em nós, o dr. Seguro fará por criar, distribuir, organizar, incentivar, dar, apoiar, fomentar e estimular tudo o que lhe passar pela preciosa cabeça.  O que a cabeça não admite é um reles facto, aliás provocado por generosidade idêntica a cargo do antecessor do dr. Seguro no PS: não há dinheiro. Donde, bazófias à parte, o sustento desta falência a que chamamos País depende da troika, cujo patrocínio está cada vez mais vinculado à implementação de reformas ditas estruturais e necessariamente dolorosas. (…) o dr. Passos Coelho anunciou o tipo de "cortes" no Estado com que deveria ter inaugurado o mandato, há dois longos anos. Pelo meio, houve hesitações, incompetência e uma sanha fiscal que mantém os contribuintes debaixo de água e torna os "cortes" difíceis de suportar e, dada a aversão no próprio Governo a um crescentemente impaciente Vítor Gaspar (…) Varrer o dr. Gaspar, a quem a troika vem tolerando a trapaça, é derrubar o Governo. Derrubar o Governo é varrer o dr. Gaspar. Em qualquer dos casos, o que sobra? Nada, ou sobra o dr. Seguro, que é o mesmo que nada e, aparentemente, aquilo que o povo quer.»
Alberto Gonçalves  

2 de maio de 2013

Ó!


Da leitura ao «Documento de Estratégia Orçamental, 2013-2017»

Folheia-se até à sexta página, excogita-se no Quadro I.5 [em que se “picam” três ou quatro percentuais, previsionais] e, se não fôr uma obrigação, pode deitar-se para o lixo.
Ó!

1 de maio de 2013

suopes

by Dinheiro Vivo

Querem Estado?! empresas sob a alçada do Estado ou na sua "periferia"? comandadas pelos gajos que passam pelo Estado? que prestam contas aos que, na ocasião, estiverem nas cadeiras do Estado e apenas a esses? que são os que irão ocupar as "cadeiras" do Estado? que não gerem o vosso dinheiro como governam o da casa deles? e que por mais ou pior que façam com o vosso dinheiro são sempre, implacavelmente, sancionados por uma «coisa» intangível denominada por sanção «moral» e/ou «política», em minúsculas? cujo mérito [a deles em particular e do Estado em geral], como muito bem concluiu Stuart Mill, «é», bem feitas as contas, «senão o mérito dos indivíduos de que ele se compõe»

Aí o tendes. Paguem-no e que vos faça o melhor proveito.