domingo, 14 de abril de 2013

Sem eles para que serviria o «Estado-social»? **


A torre habitacional, número-não-sei-quantos, do bairro do Aleixo foi abaixo. A parolada da comunicação social, cheia de mundo, tratou do folclore mediático em redor das especialíssimas “minudências” técnicas que uma implosão não dispensa. E como não podia deixar de ser assestou todos os azimutes na exibição da componente social da questão… as bocas cheias de dentes cariados, ou a sua falta, exibindo as epidérmicas obras de tatoo, os lóbulos com os imprescíndíveis brinquinhos, as meninges carregadas de piorreia e a língua a debitar a linguagem própria aos desvalidos, taxonomicamente, deste tipo.

sábado, 13 de abril de 2013

Relincho de Rocinante não chega ao céu


Da porcaria que nos entra olhos dentro todos os dias, via têvê, a elucubrar sobre as volutas da nossa vida colectiva, a prognosticar sobre o realizado ou a futurar não há melhor [para avaliar a qualidade das suas recensões e/ou conselhos] do que fazer rewind. Na maioria dos casos não desmerecem um pano encharcado nas trombas. Uma lástima.
Sem ser por acaso são precisamente alguns daqueles que nunca obtiveram grande visibilidade ou reconhecimento os que mais deviam ter sido ouvidos. Assim não aconteceu. Explicar os porquês para assim ter sido levar-nos-ia por apreciações que, inevitavelmente, passariam pela massa com que cada um está feito e isso já pouco, ou nenhum, interesse tem.
Temos os Sócrates, os Relvas, os Linos, os Jardins, os Isaltinos e os Loureiros, etc… e de isso a maioria não se queixou, bem pelo contrário.
Mário Soares voltou esta semana a debitar uns quantos flatos mesclados por outras tantas inanidades e os da comunicação social conforme a tradição, de cerviz dobrada, a enfatizá-los. Se a criatura e/ou os familiares não se compungem com a triste figura que o homem faz, se os abutres da comunicação social não se coibem antes pelo contrário [até aposto que o incentivam] de expôr ao ridículo a serrazina e os tremores ressabiados de um moribundo intelectual enfim o problemas é deles. Eu é que já não tenho paciência sequer para tomar por chita a serrobeca com que anda a cerzir a sua mortalha.

terça-feira, 9 de abril de 2013

O “peso” dos hábitos (ou costumes)


Os hábitos [qualquer que seja a perspectiva ou a intenção com que são apreciados] não são a expressão do todo mas expressam parte considerável da realidade. Nos dias que correm, cada vez mais, e por absoluta necessidade, todas estas propensões, tendências colectivas, etc… que aqui vou fixar nos «movimentos pendulares quotidianos» têm [ou deviam ter] uma «avaliação métrica». Se já a obtiveram [ainda bem], desconheço; se não [pena], deviam ter tido. Não se interprete nisto apelo à imposição de qualquer espécie de tirania social dos números quanto mais não seja porque se a retórica é uma arte de persuasão não será difícil defender que, no nosso meio, a matemática é exactamente a antítese. E não é preciso rebuscar muito para credibilizar o que afirmo.

Tenho justificadas dúvidas em crer que, passadas as agruras da crise, alguma coisa de substancial mude efectivamente e mais ainda se atender a que uma das ladaínhas que faz, impante, o seu percurso [e se incrusta] é a de que estamos a ser alvo de uma subtil acção punitiva por parte dos nossos parceiros europeus.

sábado, 6 de abril de 2013

Os donos da propriedade

«Esta noite, no circo, um domador apresentava um número com galinhas, raposas e cães. As raposas aproximavam-se amigavelmente das galinhas: era o progresso. As galinhas não pareciam muito tranquilas: era a rotina. Graças aos cães e à sua atitude pacificadora, tudo corria bem: era a civilização.» 
 Jules Renard 


Os do Tribunal Constitucional, indigitados guardiões da legalidade no ergástulo, cegos e surdos, direccionaram e puseram a funcionar as ventoínhas. Está feito!

Ao ouvir os silvos da espada da implacável deusa Ivstitia, brandida pelos do Tribunal Constitucional, dei por mim… «um liberal é um revolucionário», a taramelar Proudhon. Um liberal não tem como não ser revolucionário. O que pode haver de desconforme ao socialismo [nas suas variegadas versões] e que possa estar em conformidade com uma Constituição que, em bom rigor, permanece subtilmente eivada de socialismo? Quanto irá custar o irresponsável e douto acordão desse Tribunal? se, digo eu, o preço fosse por eles, guardiões, custeado. O que não, até ver, tem sido o caso pois, desse co-pagamento, foram isentados pelo poder político.