sexta-feira, 22 de março de 2013

Liberaquê?!



«Tenho um pedido a fazer. Peço, rogo, imploro – de joelhos, se fôr preciso – a todos os críticos da actual maioria, sejam eles socialistas, comunistas, bloquistas ou sindicalistas, que parem de utilizar o adjectivo “liberal” para classificar qualquer acção deste governo. (…) O liberalismo deste governo habita num único lugar: nas cordas vocais de Pedro Passos Coelho. O que é que tivemos durante 21 meses de governação alegadamente de direita? Um garrote fiscal colocado à volta de trabalhadores e empresas para sacar tudo o que tilinta em nome de um Estado irreformável.»
João Miguel Tavares

quinta-feira, 21 de março de 2013

Redução ao absurdo


A «coisa» não me merece nem merecerá mais do que este “registo” [para memória futura]. De isso que se ocupem António José Seguro e todos os que, futuramente, se sintam instigados pelas suas acções ou com as suas pretensões [como será a de candidato presidencial]. A valoração que faço da «coisa» bem como da «caixa» [jornalística], reduz-se a um argumento -- [reductio ad absurdum]. Mantenho que uma sociedade que admite, que uma criatura deste quilate moral se mantenha à tona, não desmerece o que de facto vive por mais que blasfeme, esbraveje ou escoucinhe.

O "velho" Eurípides, contemporâneo de Sócrates, questionou bem a aquiescência dos deuses à elasticidade humana
«Onde estão os limites da insolente impudência do homem? Se a vileza e a vida humana aumentarem nas devidas proporções, se o filho crescer sempre em iniquidade mais do que o pai, os deuses terão de acrescentar outro mundo a este de modo a todos os pecadores poderem ter espaço suficiente. Até onde pode avançar a mente do homem?»

quarta-feira, 20 de março de 2013

A multiplicação dos génios


Na conversa mole com que diligentemente a comunicação social nos brinda e para a qual são, prioritariamente, convocados conhecidos líricos, «lettreferits» e um ou outro cenobita [estes em ocasiões solenes, obviamente] ou seja os do costume, pouco ou nada presta.

Sobre a duração dos ciclos de euforia e pânico que precedem ou se mantêm durante ciclos económicos de crescimento e depressão ou recessão convém não perder de vista que as suas durações acabam por equivaler ao tempo que as pessoas necessitam para se esquecerem da última catástrofe ou seja, o tempo necessário para a morte dos génios financeiros da última geração e a sua substituição por outros que, desta vez, disponham verdadeiramente do toque de Midas.

Este é um dos ensinamentos que a história da Moeda, por exemplo, regista. O proveito cada um colhe o que pretende.

A propósito da promiscuidade entre política e finança é eloquente a vida de John Law, um génio da finança, relatada pelo duque de Saint-Simon nas suas «Mémoires». A indiferença com que os compatriotas o olharam, os seus êxitos na França de Filipe, duque de Orleães/regente de Luis XV e o que a sua genialidade produziu em França. Com a “bênção” de Luis.

Como soe dizer-se é uma [das imensas que há] «crónica» dos dias do génio, bestial, até chegar a besta.

Nota: na Wikipédia existe qualquer coisa sobre o assunto que, apesar de pálida, pode ser útil. Tem a vantagem de não cansar os olhos em demasia, dispensar mais aturado estudo e  permitirá mais uns tantos grunhidos.

domingo, 17 de março de 2013

Maltezes, burgueses,... E sempre.

Por que será que quando ouço, vejo ou leio o José Adelino Maltez me vem, amiúde, à ideia Emerson? Das razões, por certa, tenho uma que será da lavra de Emerson
«É preciso ter cuidado quando Deus solta um pensador no planeta»

A confrontação do [meu] sujeito com a «substância» da citação, suscita-me
-- conhecida a relação [nada amistosa] entre Adelino Maltez e Deus, pode ter acontecido que Ele me [nos] atirou com mais uma antropomorfizada provação. Hipótese pouco credível. A ser provação, teria de  questionar a sua infinita Misericórdia.

Mais ou menos resolvida esta “apreensão” sobra uma outra [hipótese], que considero credível
 
É um despropósito, pela desconformidade, confrontar o [meu] sujeito à luz de Emerson. Adelino Maltez não é um pensador. Detecta-se quando nos aprestamos a um encolhimento da malha [da peneira]. José Adelino Maltez é uma espécie de breviário portátil de fiabilidade mais ou menos garantida quer pelo que foi seu mister quer pela parafernália de “instrumentos” a que pode aceder. E nada disto nem cumulativamente faz de alguém, pensador. Sequer a compulsão para a prolixidade ou a aversão à concisão.

Mete-se-lhe uma «ficha», dá-se-lhe um click e a criatura desata desabridamente… Haja depois quem o cale. De todas essas qualidades, honra lhe seja. Sendo boas nenhuma garante, por si, pensar bem e ainda menos agir. Se no fim do(s) excurso(s) fica algo no(s) destinatário(s), é outra questão.

Exactamente assim ou nem por isso do que não tenho quaisquer dúvidas é que esta «trupe de referenciais» (da qual faz parte, Zé Maltez), é exímia na arte da prestidigitação intelectual. E em inúmeras ocasiões até conseguem soerguer-se e fazerem-se reconhecer vítimas do próprio mainstream que os pariu, deu regaço e amamenta.

sábado, 16 de março de 2013

Perfunctória apreciação


Perfazem-se hoje 20 anos sobre o passamento de Natália Correia. Quis a Providência dotá-la, entre outras qualidades intelectuais, de uma especiosa, refinada e acutilante verve adjuvada de outra mais, nada natural no género... digamos que em prejuízo da sociedade em geral, dos homens em particular. A  Natureza dotou-a de um par de gónadas de fazer inveja [aos que têm inveja já que, suspeito, se foram poucos a tê-la hoje, é patente, são bem menos] aos varões lusos.
Ler Natália Correia é um deleite. Revisitá-la, hoje, chega a ser deletério.

«Eis-me entre o histórico de me perder por todos e o espiritual de me salvar por mim própria. O dilema queima. Entro, assim, a fundo no histórico. Para lhe dar combate! Este Portugal revolucionário é o laboratório pré-diluviano do Ocidente que neste seu extremo extremiza os efeitos sombrios dos seus Magos. Marx e a sua cientificação da luta de classes! Sempre a posse, a posse refinada do Estado proprietário de todas as vontades.
Avança, povo! Acomete! Apossa-te! Na realidade, é sempre o mesmo punhado de sectários que o magismo marxista instiga às depredações sobre as quais querem levantar o seu reino de posse absoluta. Ou abandoná-la à sombra do seu gémeo fascista. (…)
Ai, não serei eu a comover-me com as lágrimas que os partidos democráticos hão-de verter sobre o leite que derramam. A sua lamechice humanística torna-os tão responsáveis pela liquidação das liberdades de que são platónicos campeões como essa minoria cerrada pela força da mística que vertiginosamente os ultrapassa»
13.11.1975