sexta-feira, 15 de março de 2013

Manifestação


Gosto destas manifestações. Tão serenas quanto convictas. Não reunindo em volta de nada, rigorosamente inorgânicas e nunca se sujeitando a terceiros, palhaçadas, batucadas e cantilenas. Enchem, quase sempre, muitos Terreiros do Paço e outras tantas Avenidas dos Aliados, simultaneamente. Com uma nada desprezível qualidade: as proclamações são sigilosas e quer as aclamações quer as verberações não são feitas de braço no ar nem me consta que alguém deixe de as fazer com receio que o vizinho saiba e discorde.

Sobre o resultado da auscultação não perco tempo com isso. É o “espelho” do impasse: apanhado em areias movediças, e enquanto não chega a corda ou o galho que o há-de puxar, quanto menos se mexer, melhor. Não será exactamente assim para quantos colhem do pote ou lá esperam ir, mas assim é para todos os outros.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Conservador


De Francisco, destaca o DN que «é contra o casamento gay».
Será uma "senha"? é, certamente.
No "catálogo progressista”, nos equivalentes (assuntos correlatos) à entrada  gay,  constam lesbianismo, relações extra-conjugais, sexo grupal, etc... Ora dois mais dois são quatro. Se acrescentar, da minha lavra,  aborto, eutanásia, ateísmo, são sete. Não aprovado.
… conservador é favor: Reaccionário.

 

terça-feira, 12 de março de 2013

Luz

Do nada, de repente, num dia meio soturno, com o brilho de uma pintura a seco,… refulgiu. Pisca à direita um  feed onde consta que 60 criaturas lançaram um Manifesto [patriótico. Mais: regenerador] «pela reconstrução de um regime democrático» instigador a um futuro Movimento [que são aquelas «congregações», laicas, a que aderem -- por vezes muitos -- “úteis” na prossecução de um, ou vários, propósito acenado pelos portadores do facho]. Promete. Nem o contrário é cogitável. Intenção, iniciativa,… «coisa» parida por Veiga Simão, Manuel Maria Carrilho, Edmundo Pedro e Vasco Lourenço é, decerto, desiderato sério e «coisa» auspiciosa.

domingo, 10 de março de 2013

Navio ao fundo


«Apesar de Vítor Gaspar repetidamente errar nas previsões e falhar os objectivos, durante muito tempo achei-o um sujeito rigoroso. Provavelmente por causa do modo de falar e do conteúdo do que dizia. Num país empenhado em torturar a língua e numa classe em que a língua é sequestrada todos os dias a benefício de conversa fiada, confesso desde já a minha parcialidade por qualquer político que se exprima num português seco, com as palavras contadas e bem medidas. O desemprego ultrapassou as piores estimativas? Pois ultrapassou. A receita fiscal ficou bastante aquém do esperado? Pois ficou. A recessão duplicou as antevisões? Pois duplicou, embora a serenidade técnica do dr. Gaspar ao constatar estas pequenas desgraças transmitisse a ideia de que, sem ele, as desgraças seriam ainda maiores. Dito de maneira diferente, o dr. Gaspar parecia-me diferente dos seus pares. Parecia.

sábado, 9 de março de 2013

sob sequestro


Leio que os “trabalhadores” da TAP se preparam para emitir uma nota de débito à restante sociedade de qualquer coisa que, segundo nºs de especialistas, andará em roda dos 15 a 20 milhões de euros. Diz quem sabe que a “luta” dessa casta já causou a desistência de 20 mil passageiros e que, no limite, afectará 90 mil passageiros.
Perante este exercício de absoluto desrespeito pelos demais concidadãos, desprezo pela situação económico-financeira da empresa e do país e -- com excepção dos interessados nos serviços da TAP nesse período que tiveram de optar por outra companhia --… o gado preocupa-se com as entrelinhas de um prefácio a um Roteiro que o PR, por costume, escreve.

Mas de que se defendem de tão grave assim os ditos “trabalhadores”? Creio saber que 1 – dos cortes salariais, 2 – da intragável sujeição da empresa à concorrência … tanto mais que a empresa, 3não recebe dinheiros públicos.
Em 1975, no PREC, os proletários da «cintura industrial» e os «comités» dissimulados em «comissões de trabalhadores» conseguiram sequestrar e exaurir o país de tal modo que um lustro depois estávamos, mão estendida à caridade, às portas do FMI e Mário Soares a dar uma facada ao «verdadeiro socialismo» do PS, enfiando-o na gaveta.

Sobre os cortes [que não admitem], concorrência [que lhes é intolerável] e dinheiro «da malta» [a que julgam ter direito] … o melhor é ficar “calado”. Teria de escrever outro tanto se não mais, para fazer de «privilégio» sinónimo de «chulice», «parasita», etc

A plebe a tudo isto se vai sujeitando sem tugir e pouco mugir.

Nota: como é óbvio subscrevo muito do que o António Maria escreve aqui