sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Sobre as epístolas [abertas] de umas bacantes, estórias e

cartas de plebeus [no caso, a minha]


O mal é que [sempre] há quem acredite em estórias. O mau não é quem a escreve, no-la conta ou ouve mas de quem acredita em estórias ignorando que a utilidade das estórias não é o enredo: é o que justifica e explica o enredo.
Haverá alguma maneira de explicar a esta gente que o segredo da(s) vitória(s) de Ulisses não foi o de ser surdo ao que Cassandra rogava aos troianos fazer mas de ter sido surdo às cantilenas das sereias? Haverá?

As estórias, independentemente do final ser feliz ou não, têm sempre um corpo que, a não ser devidamente narrado, corre o sério risco de ninguém perceber “como” e “por que artes” aparece o príncipe chegado de nenhures e, sem mais, ser alvo da fúria e do ódio da bruxa [por um lado] e do amor incondicional [por outro] da mais bela dama do reino que, azar dos azares, é a filha predilecta e legítima do rei.  Se não fosse filha do rei não havia estória ou, no limite, a estória seria outra embora o final feliz possa ser semelhante. 
A humanidade tem à disposição inúmeras “alexandrias” [intocadas e livres da acção de fundamentalistas] de estórias, de lições e não aprende nada.

«Era, por isso, necessário ensinar as pessoas a não pensar, (…), obrigá-las a ver o que não existia e a defender o oposto do que seria óbvio para todos»
Dr. Jivago / Boris Pasternak

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

As Canéforas *

Nas «têvês» [a seguir à entrevista]
«A TVI24 convidou o sacripanta Louçã, o luzidio Assis, o lustroso Ângelo Correia e o frugal Ribeiro e Castro para comentar a entrevista. O discurso é, fundamentalmente, de ataque ao primeiro-ministro.
A SIC-N convidou o sibilante António José Teixeira, jornalista de redundâncias; a jornalista de macro-economias Helena Garrido; o críptico Adelino Maltez e o jornalista-economista José Gomes Ferreira
in PortadaLoja
* assim eram designadas as donzelas gregas que, nas festas, desfilavam com um cesto de flores à cabeça


Coloniaperação

Não é colonialismo; é cooperação. Noutros tempos, circunstâncias e com outros protagonistas tudo isto seria um horror capaz de justificar uma reunião extrordinária da Assembleia Geral da ONU.
Se não são os cooperantes que (neo)colonizam, são os (neo)colonialistas que cooperam. Detalhe de somenos importância na medida em que vai dar ao mesmo. Maus, maus são os olhos rasgados. São maus, sim, mas não são parvos.  

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Novelos

Do que por aí se lê tudo indica que os da comunicação social andam [ó tia, ó tia] a deitar contas à vida.
 
Pessoas há para quem dizer «eu tinha razão» lhes serve de massagem ao umbigo. Não é o caso, obviamente, porque 1 -- não subsisto da opinião 2 -- nem [as minhas opiniões] são prescientes e finalmente porque, mais esclarecido ou menos 3 –, sou sempre “vitimizado” por não possuir capela onde me abrigue. Ora se isso é consolo, vou ali e venho já.
Posto isto as coisas valem  o que valem e, valendo pouco ou nada, apenas encontro razões para lamentar  que nunca vejam o que está escarrapachado [mas opinam tanto; é um horror o latim  gasto sem qualquer proveito].

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Da [presente] histerese lusa



« (…) o 25 de Novembro aconteceu (…) quando tinha que acontecer. O PC, (…) pode retirar-se para uma plácida aposentação parlamentar. Afinal, a sua missão estava concluída. Desde 11 de Novembro que já não havia mais motivo para agitação, efervescência, nem tumultos. (…) fora declarada a independência de Angola. (…)»