domingo, 4 de novembro de 2012

O que mudou


entre Fevereiro e Novembro do ano em curso?
Bem… depende de onde e para onde olhamos. Se olharmos daqui para fora, mudou muito embora menos aceleradamente do que seria necessário; se olharmos para dentro mudou nada, absolutamente nada. E enquanto a preponderância sócio-política de fariseus mentirosos e pervertidos deste calibre fôr a que é e obtiverem respaldo e plateia para os exórdios e as prosmas que compõem o vosso bidet lírico, dificilmente mudará.
em Fevereiro, Mário Soares, dava a saber que tinha insistido e discutido com  ele [Sócrates] «porque queria que ele pedisse o apoio e ele não queria. Falei muito com ele durante muito tempo, duas horas ou três, discutimos brutalmente mas amigavelmente, eu a convencê-lo e ele a não estar convencido»

em Novembro, Mário Soares, diz que «Passos Coelho nunca procurou Rajoy, que não quer ter uma troika em Espanha. Isso faz toda a diferença»

Ratazanas


Há dias li que o dono da Zara doou 20 milhões de euros à Cáritas espanhola.
Mais valia estar quieto. O que de imediato recebeu em troca, e troco não lhe era devido, foi um coro de críticas mais histéricas umas que outras mas todas torpes, soezes e acintosas. Que não foi generosidade mas marketing da Inditex; que foi recurso por forma a isentar-se dos inerentes impostos [Lucia Etxebarria, escritora (!), no Facebook]; que melhor seria alterar as condições de trabalho nas fábricas que fornecem as lojas da Zara e suas irmãs [a Massimo Dutti e a Bershka]; que 20 milhões correspondem a 0,05% da sua fortuna; que correspondem a uma gorjeta de 5 € dada por um espanhol com um pé de meia de dez mil euros;…
 
Não perambularei sobre os insterstícios desses bípedes tão vis quanto acéfalos nem da menorragia porque 1 - as notas que por aqui vou deixando [a mim me] bastam e 2 – desses execrandos átimos de essas inomináveis criaturas já houve quem se tenha ocupado de forma inigualável e perpétua – V. Hugo, Tolstoi, Dostoievski, Zola, …, S. Maughan e T. Mann,..., Daniel Goldhagen,…
por aquelas razões e porque ao ler, de imediato me sobreveio à memória a estória de Josef Janko, contada a Claudio Magris pela avó Anka .

sábado, 3 de novembro de 2012

[São uma] vergonha

Este 1º ministro é uma vergonha e eu que cheguei a pensar que, depois de Sócrates, pior não seria possível; este governo é uma vergonha; a oposição, com seguro ou sem ele, é uma vergonha; o presidente da república é uma vergonha: nem tuge nem muge, nem come nem sai de cima; os juízes perderam a vergonha: ter um presidente [da Associação Sindical dos Juízes Portugueses] que justifica, argumentando assim

"Gostaria de chamar a atenção para uma situação que hoje começa a ser perigosamente preocupante para a independência dos juízes: as pessoas são independentes por via dos princípios que defendem, por via das leis que têm, mas também são independentes se tiverem uma componente financeira que lhes permita exercer as suas funções com dignidade e não estarem sujeitas a qualquer tipo de pressão. Há que assegurar aos juízes uma independência financeira suficiente para que a sua independência no acto de julgar seja efectiva. É isso que começa a ser posto em causa hoje em Portugal" é miserável, uma vergonha.

Este povo é uma vergonha porque dê-se-lhe as voltas que se derem, não fosse uma vergonha e há imenso tempo que tinha exigido ou, em caso de surdez ou distracção, tinha imposto métodos e formas de “exilar” toda essa gente. Mas, desgraça, não se pode mudar o povo. Portanto à transigência com a falta de vergonha só pode esperar-se que a desvergonha seja mais ou pior que um miasma: uma virose.


E eu começo a ficar com a sensação de que ou muito rapidamente  me dedico  a escrevinhar coisas  sobre outros assuntos ou envergonhar-me-ei de tamanha contumácia e  tal  estupidez.
...
nada do que escrevo goza de originalidade e tão pouco servirá a alguém de cura para males daqueles. Não é original mas  garanto a genuinidade. Antero [de Quental], presumo que por causa do aprisco e dos frequentadores, “disse”
o único acto possível e lógico do verdadeiro patriotismo consiste em renegar a nacionalidade

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Santos de pau carunchoso

As famílias levantaram um valor recorde de depósitos a prazo em Setembro. Retiraram, segundo o BCE, 725 milhões de euros constituídos em depósitos a prazo dos bancos. Terá sido o saque mais elevado [em termos mensais] em três anos e meio ou seja, desde meados de 2009.

Explicação para os movimentos há-os de todas as formas e feitios tanto mais que, em Agosto e Setembro passados, uma tendência igual existiu em depósitos à ordem. Isto não quer dizer que não tenha havido ali uma percentagem apreciável de granel que procurou paragens mais acolhedoras e serenas.

É que os mercados, o valor das "coisas", o dinheiro,… são, julgo saber, execráveis [quando  e sempre que a ele recorramos em estado de necessidade] mas se a ele recorrermos para deles fazermos fiéis depositários do nosso [a troco da remuneração pelo tempo indisponibilizado -- me parece ser isso a que eles chamam taxa de juro], calcorreamos seca e meca a ver quem paga melhor e, no limite, olhó meu, sai daqui vai pr’ali seja o bolo de 10 mil ou 10 milhões. A única diferença é que com um bolo de 10 mil não dá para ir além das chafaricas da avenida; se o bolo fôr de 10 milhões eu já venho qu’aqui ‘tá a chover.


A casaca e o capote

Perpassa uma vaga de indignação por estarem em Portugal, a pedido de Portugal, uma “brigada” do FMI e do BM a dar apoio técnico à revisão da despesa pública.
Para apreciação há que estabelecer, digamos, balizas. Por exemplo: desde que Bersford e Wellington [Conde de Vimeiro, Marquês de Torres Vedras e Duque da Vitória] tiveram  de vir organizar a defesa, e reorganizar as  forças armadas de Portugal, contra o exército invasor de Napoleão e sempre que o assunto é mesmo, mesmo muito grave, quantas vezes foram as que fizemos nós o que urgia ser feito sem intervenção de terceiros? e quantas foram as que engolimos o que, consta, não gostaram por o termos pedido ou como contrapartida do que não tivemos força para rejeitar? Quantas foram essas ocasiões?
E para falar na correspondente perda de soberania quantas foram, ao longo da história, as ocasiões  em que no-la tiraram e aqueloutras em que, por nossa única e exclusiva responsabilidade, a perdemos?
É sempre «a pior roda é a que mais chia»
  [assinatura de Arthur Colley Wellesley, 1.º Duque de Wellington e Conde de Vimeiro, Marquês de Torres Vedras e Duque da Vitória]

Obs.: do que acima escrevo não pode ser inferido que concorde com o procedimento do governo no silenciamento do facto, e já no limite do tolerável, durante todo o debate na generalidade do OE. O governo e Passos Coelho  usam os mesmos métodos,... mentem, omitem, ocultam; tal qual Sócrates